Notas iniciais
Olá gente, voltamos. Mesmo depois dessa demora toda, espero que nos perdoem. Nós tivemos alguns probleminhas e apagamos o capítulo passado. Então agora, a história vai continuar. Beijos e boa leitura Caçadores!!

“Na sociedade há apenas dois tipos de pessoas: Os loucos e os loucos encobertos!”.

Por Katherine Brooke:

No outro dia levantamos já eram quase dez horas. Droga! Trocamos de roupa, coloquei um short branco e uma blusa vermelha junto com o meu casaco branco e calcei minhas botas marrons. Emily colocou um short jeans e uma blusa de manga cinza, colocou a jaqueta preta e um tênis cinza. Fomos até a tal lanchonete para tomarmos café e encontrar com os meninos no horário marcado. Quer dizer, meia hora depois. Avistamos a mesa deles. Sam lia um jornal enquanto Dean estava no balcão fazendo seu pedido. Nos encaminhamos até lá e Sam deu um sorriso no momento em que Dean chegou.

–Demoraram hein! –falou Dean – Acho que deu tempo de tomar uns duzentos cafés.

–Haha – Emily riu com uma graça falsa.

–Por onde começamos? –disse eu querendo acabar com aquela discussãozinha sem fundamento.

– Que tal pelo café da manhã – Emily disse sentando na cadeira da janela – mana, pega um café duplo com leite e aquele sanduiche que você sabe que eu adoro, por favor – ela pediu.

– O que você deu pra ela tomar, ela nunca foi simpática assim comigo – ele disse como se a conhecesse há anos.

Anos de um dia atrás.

– Com um tempo isso melhora. É só questão de convivência – eu falei rindo e ela revirou os olhos.

Após os pedidos feitos, reclamações por ter acordado cedo e barrigas cheias, fomos em direção à saída do motel.

– E agora? – perguntei – por onde começamos? Pela casa de Sophie? – seguimos para os carros e Sam assentiu.

Por Emily Brooke:

–Katy, eu acho isso uma loucura. Essa parceria – falei assim que arranquei o carro.

–É eu sei. Tudo bem que eu não sou muito de confiar nas pessoas. Mas eles são os filhos do John, quem sabe não dá certo essa parceria – ela falou.

Não gostei nada dessa parceria!

–Você sabe que sempre trabalhamos sozinhas, nunca precisamos de ninguém. Não concordo com isso, você sabe muito bem o que aconteceu da última vez – não gostava nada de falar sobre a nossa antiga parceria.

– Eu sei, mas eu precisava tentar. Pelo John.

– O John. Sinto falta dele.

– Eu também – Katy olhou para as próprias mãos nós tínhamos nos apegado muito a ele, quando éramos mais novas. Ele era como um tio. Um tio muito inteligente e engraçado.

–Emily vamos fazer um acordo? – ela perguntou e eu fiquei curiosa. Curiosa até demais.

–Qual? –perguntei e fiz menção com a mão para que ela continuasse.

–Resolvemos logo esse caso, paramos de enrolar á nós mesmas e depois simplesmente damos tchau e esquecemos tudo – ela disse – e depois nunca mais os veremos de novo.

–Aceito – falei isso enquanto aumentava o volume do som – vai ser até mais fácil para todo mundo.

...

Por Sam Winchester:

– Vamos falar logo com essa menina – falei quando paramos em frente à porta da casa dela.

– E aí meninos?! – falou Emily – vão ficar de enrolação ou podemos trabalhar?

– Estávamos esperando você, linda. Você dirigi mais devagar que o Sam. E olhe que o rápido dele é a trinta quilômetros por hora – Dean falou debochado para Emily que não pareceu gostar nada disso.

– Aposto que dirijo muito melhor do que você loirinho, até porque, diferente de você, tenho várias coisas ao meu favor. Uma delas é talento – ela respondeu – e não me chame de linda de novo — ficou de frente para ele com a sobrancelha arqueada e o queixo erguido num sinal de desafio e deboche.

– Está insinuando que eu não tenho talento nas pistas? – ele perguntou furioso e depois dando uma risada incrédula.

O clima ficou tenso ou eu fiquei louco?

– Estou afirmando! – decidida, abriu um sorriso provocador.

– Veremos linda – ele sussurrou e aproximou a boca do seu ouvido — vou tirar essas palavras da sua boca... E o seu autocontrole também – ele deu um sorriso malicioso e se aproximou mais de Emily colocando as mãos nas suas costas e a puxando mais para si, grudando seus corpos.

– É bom você me soltar – ela ameaçou sussurrando com um sorriso nos lábios.

– Você está pedindo para eu soltar agora, depois você vai clamar pela nossa aproximação – ele falou baixo e provocador soltando-a depois. Ela enrijeceu as feições do rosto, retornou a posição ameaçadora de sempre.

– Ok né pessoal, sair com vocês é o mesmo que encomendar uma bomba e pedir que ela exploda com nós ainda por perto. Podemos ir? –disse Katy apontando pra casa.

Batemos na porta da casa da Sophie e minutos depois uma velhinha de pele enrugada e expressão cansada atendeu. Provavelmente deve ser a avó dela.

–Olá. O que desejam? –perguntou à velhinha.

–Boa tarde senhora, nós queremos saber se podemos entrar e falar com Sophie. Somos do FBI. – falei.

–Ela não está muito bem. Voltem outra hora, hum – ela disse e quando iria fechar a porta, Emily interferiu.

–Só queremos falar com ela um minutinho. Isso iria ajudar muito nas investigações – falou Emily tentando ser simpática, só tentando.

–Então se é assim. Podem entrar – disse a velhinha dando passagem – aceitam uma água? Um chá?

–Não obrigado estamos bem – falou Katherine – onde ela está?

–No quarto podem subir.

A casa dela era cheia de móveis antigos. Pinturas bonitas de paisagens de artistas famosos e jarros de porcelana com flores por todos os lados. Subimos as escadas e ao chegarmos lá em cima identificamos de primeira o quarto de Sophie. Katherine bateu na porta e entramos assim que ouvimos um “podem entrar” de uma voz chorosa.

–Sophie?! – falou Katherine — Nós somos do FBI. Queremos apenas fazer umas perguntas.

– Eu não estou muito bem — ela falou quase chorando – voltem depois.

–Prometo que não iremos demorar – disse Dean – irá ser importantíssimo os seus relatos do acontecimento.

– Tudo bem – ela disse parando de olhar para a janela e se sentando na cama – podem sentar onde quiserem.

Katherine sentou-se na cama a sua frente, Dean sentou numa cadeira no canto do quarto, mas não longe de onde Sophie estava, Emily sentou-se na cadeira da escrivaninha perto da janela e eu fiquei em pé mesmo.

–Será que poderia relatar o acontecido? –pediu Dean.

–Nós estávamos planejando acampar por aquela área, só que então começou a chover e Caleb viu a cabana de longe. Como estava chovendo muito, entramos na cabana e ficamos lá até tarde conversando. Depois fomos todos dormir e quando acordamos Jeremy e Jason tinham sumido.

–Simplesmente sumiram? –perguntou Emily.

–Sim! – ela respondeu.

–Vocês presenciaram algo fora do normal? – perguntei.

–Não... –ela disse – quer dizer, na verdade nós ouvimos passos, mas não havia ninguém ali e a lareira apagou de repente.

–Além de Jeremy e de Jason quem mais estava com vocês? – Dean agora olhava para fora da casa.

–Caleb, Hilary e Daniel – ela pegou um lenço e limpou as lágrimas.

–Você poderia dizer onde eles moram? –pediu Emily.

–Caleb era amigo da gente mais nunca disse onde morava. Hilary saiu da cidade pela morte do namorado e Daniel depois disso foi internado na clínica psiquiátrica Hanted Wards aqui mesmo na cidade.

– Quem era o namorado da Hilary? – perguntei gravando tudo na cabeça.

– Jeremy. E Jason era o meu – ela respondeu e ao tocar no nome dele, novas lágrimas escorreram por seu rosto.

– E onde é essa clínica psiquiátrica? – Katherine se pronunciou.

– A única da cidade. Na rua quinze, perto da avenida principal. É um prédio na cor branca, enorme.

–Obrigada – eu disse e todos foram agradecendo aos poucos. Após a porta ser fechada, descemos as escadas.

–Como foi? –perguntou á velhinha.

–Correu tudo bem, desculpe incomodar – falei e nos dirigimos à saída.

Por Emily Brooke:

– Coitada – falou Katy com dó – nem imagino como deve ser perder um namorado assim. De uma hora para outra.

Katherine é um labirinto. Nunca dá para achar a saída numa tentativa de entendê-la. Ela pode ser maliciosa e louca, ao mesmo tempo em que é fofa e romântica quando se apega. Uma coisa que ela não gosta de fazer. Ela é um bicho de sete cabeças. É a mesma coisa que tentar entender um mapa em Mandarim, sem falar Mandarim.

–E agora o que faremos? –perguntou Dean – Caleb não sabemos onde ele está e Hilary saiu da cidade. Só o que nós resta é falar com Daniel que foi internado nessa clinica.

–Como vamos falar com ele? –perguntou Sam.

–Um de nós entra lá e finge ser um enfermeiro? – dei a ideia.

–Eu vou – disse Katherine ansiosa. Ela gosta dessas coisas.

–Eu vou com você pra dar cobertura – falou Sam – que horas são?

– Duas e meia – falei checando o celular — Okay, vamos agora.

– E não era você que não gostava de liderança? – provocou Dean

– Desde que não estejam tentando mandar em mim – disse olhando para ele com vontade de derretê-lo com os olhos.

– Tudo bem e vocês... – começou Katherine – vão á biblioteca municipal procurar sobre o caso – fiz uma cara incrédula – o quê? Acharam que iam ficar se fazer nada? Sem chance! – ela disse.

– Okay, mais vocês não vão poder ficar com os dois carros – falou Sam – quem vai ceder?

– Eu não! – eu e Dean falamos em uníssono.

– Cede você – falei.

– Não você! – ele disse.

– Vocês por um acaso, são dois pirralhos? – Katy perguntou – resolvam isso como gente grande.

– Cara ou coroa? – perguntou Dean. Como se isso você coisa de gente grande. Que mané!

Tiramos no cara ou coroa. Ele venceu.

– É, parece que eu venci – ele deu um sorriso convencido. Que ridículo.

– Argh! – eu falei indo até a Katherine – primeiro, você dirigi, segundo nada de comer ou beber dentro do carro ou perto dele. E terceiro, se vocês arranhá-lo – falei de um jeito firme e assustador – eu mato vocês dois!

Eu me encaminhei para o carro e abri a porta do passageiro, entrando e batendo a mesma em seguida. Todos em “seus” respectivos carros, nos distanciamos indo cada um para o seu lado, para as suas tarefas. E eu temendo que algo acontecesse com o meu precioso Chevelle.

Por Dean winchester:

–Não acredito que fiz isso – disse Emily pondo a mão na cabeça.

–Isso o quê? – perguntei já ligando o som do carro. Led Zeppelin começou a tocar novamente e Emily deu um sorriso. Pareceu gostar da minha escolha. Pelo menos nisso nós concordamos!

–Não acredito que dei meu carro pra ela. Com certeza eu vou ter uma bela surpresinha quando ver meu carro novamente – ela respondeu inquieta e eu liguei o carro dando partida em seguida.

–Será que dá pra parar de falar um segundo? – reclamei depois de mais ou menos um minuto e vinte reclamações.

–Não. Tá achando ruim? Isso é por que não é o seu carro que está em jogo – ela cruzou os braços olhando para a janela.

–Será que pra calar a sua boca eu vou ter que te dar um beijo? –falei parando o carro bruscamente. Queria ver até onde aquilo iria.

–Nem pense nisso. Lembre-se que tem uma arma lá trás! –ela falou apontando para a mala e depois aproximou-se um pouco mais de mim e sussurrou num intuito de ser aterrorizadora – e você não vai querer perder o brinquedinho... Ou vai?

–Essa sua ameaça não me afeta mais e além do mais por que você não ficaria comigo? – perguntei sorrindo debochado.

–Não misture as coisas. Óbvio que eu nunca ficaria com você – ela respondeu.

–Por que não?

–Pelo simples fato de você ser um idiota.

–Me dê dois motivos do por que eu sou idiota – perguntei, fazendo um dois com os dedos.

–Será que dá pra andar? Ou teremos que chegar lá século que vem? – ela apontou na direção da estrada indicando que eu deveria andar. Não movimentei um músculo.

–Eu não saio daqui até você me dizer por que eu sou idiota – desliguei o Impala e cruzei os braços.

–Primeiro por que você é idiota e segundo por que você... – ela sorrio sarcástica — é você.

–Eu quero respostas convincentes – me aproximei ainda mais dela.

–A gente só terá respostas convincentes se você andar logo. Na biblioteca com certeza deve ter um livro chamado “por que Emily nunca ficaria com o idiota do Dean” – ela mexia os braços fazendo menção ao que estava dizendo.

–Você tem até a noite pra me dar respostas convincentes – desafiei-a.

–Ou o que? – ela ergueu a sobrancelha em sinal que aceitava o desafio.

–Ou eu mesmo vou ter que buscar as respostas – me aproximei até ficar com o rosto quase colado com o seu, apenas uma fina camada de ar nos separava naquele momento – acredite você querendo ou não... Eu vou acabar encontrando!

Arranquei o carro e indo em direção à biblioteca.

Ela estava pedindo por isso. Ela estava pedindo por um desafio como esse, eu iria prová-la e faze-la engolir as próprias palavras. Quem ela pensa que é?

Por Katherine Brooke:

Assim que eu dei partida no precioso da minha mana, liguei o som, um barulho alto ecoou, AC/DC cantava a plenos pulmões, abaixei um pouco e apreciei Let me put my love into you. Não era ruim, eu só falava mal a maioria das vezes para irritar a Ems. Ela é engraçada quando está irritada.

– Então – disse Sam para quebrar o gelo – como vocês viraram caçadoras?

– É complicado.

– Hum, eu sei como é.

– Não você não sabe, o John adorava vocês – falei lembrando de algo que estava guardada na minha mente e que eu prometi não tocar no assunto. Aquilo estava nas profundezas mas obscuras do meu cérebro... E eu não queria tirar de lá.

– Espera, está me dizendo que seus pais não gostavam de vocês? – ele perguntou virando-se pra mim.

– Eu não disse isso!

– Então eles gostavam...

– Eu também não disse isso.

Depois disso o clima ficou ainda pior do que estava antes. Ele percebeu que eu estava incomodada com o assunto:

– Desculpa, é que eu não devia ter tocado no assunto – ele disse – deve ser muito delicado.

– É você não devia – eu falei olhando para frente, fixando no carro que estava indo devagar até demais.

– Desculpa.

– Porque você pede tanto desculpas hein? – eu ri.

– É que eu sou assim.

– Você é o queridinho das pessoas?! A Emily diz que eu sou assim também, quer dizer eu não fico pedindo desculpas a todo momento, mas ela diz que eu sou amável demais e simpática demais.

– O Dean diz isso também. Ele se irrita. Mas se não fosse eu, não conseguiríamos informações porque, pense em um cara marrento! –ele deu uma gargalhada gostosa. Não só a gargalhada...

Pensamentos maliciosos convido vocês a irem a merda!

– Então, você tem namorado? – ele perguntou e pareceu chocado com a própria pergunta. Relutei. Porque ele está me perguntando isso?

– Não, acho que eu não sou muito boa com relacionamentos – disse lembrando os meus antigos namoros – e você?

– Não tenho e acho que também não sou muito bom nisso – seu semblante foi de risonho para triste.

– Como assim? Sam, você é muito fofo, como pode não se dar bem nisso?

PORQUE RAIOS EU FALEI QUE ELE É FOFO?! Ok Katherine, ora de parar!

O vi corar.

– Todas as pessoas que chegam perto de mim, morrem – estremeci com a sua resposta.

– Se me permite dizer, talvez você precise de alguém forte o bastante para aguentar o tranco – aconselhei – já pensei nisso, então decidi que não ia me prender a ninguém.

Ele deu um sorriso forçado.

– É acho que sim. Mas e você? Porque não é boa em relacionamentos – ele perguntou olhando pra mim com um sorriso de canto.

– Bom, imagine aquele “casal” – fiz aspas com os dedos – típico de filme, onde eles saem, a menina se encanta pelo rapaz, o encontro acaba, eles dormem juntos e no dia seguinte o menino some – ele me olhou confuso – é mais ou menos assim comigo. Só que o contrário.

– Então você é que some? – ele perguntou e eu assenti – e porque faz isso?

– Pelo simples fato de não querer me envolver com alguém – a lembrança me chocou e lágrimas ameaçaram descer, pisquei os olhos rapidamente olhando para a janela até elas acabarem.

– E porque você não quer? Aconteceu algo, não foi? – foi mais uma afirmação do que pergunta.

– É, aconteceu. — assenti colocando um ponto final naquela conversa.

Ultrapassei o carro a minha frente (FINALMENTE) e avistei um grande prédio branco de longe.

– É aquele ali? – perguntei já diminuindo a velocidade.

– É, é aquele sim – ele disse olhando no mapa.

– Okay, o plano é esse, vou me disfarçar de enfermeira e passo pela segurança e tal e você se passa pelo irmão dele que veio visita-lo, certo? – perguntei ainda dentro do carro e ele assentiu – só tem um problema...

– O que foi?

– Eu não tenho onde me trocar, daqui a pouco acaba o horário de visita e eu não posso entrar. Como eu me troco? – ele pareceu pensar um pouco.

– Você dirigi até uma rua deserta e se troca de roupa no branco de trás do Chevelle, os vidros são escuros, não vai ter problema.

Pensei um pouco, não tínhamos saída, era isso ou ter que voltar para o motel sem respostas.

– Tudo bem – dirigi e parei em uma rua afastada do movimento, na verdade era meio que dentro dos matos. Fui para o banco de trás enquanto Sam ficou no banco do passageiro.

– Não vai sair não? – perguntei.

– Se eu sair e acontecer algo, você vai ser encontrada no banco de trás de um carro sem roupa – ele disse indo para o banco do motorista.

– Okay, mas se você olhar eu te bato – ele assentiu e eu comecei a tirar as peças de roupa.

Por Emily Brooke:

Quem ele pensa que é fazendo aquelas perguntas idiotas? Ele é tão convencido, chato, irritante e... Ele! Antes que pudesse pensar em mais alguma coisa Dean se pronunciou:

–Chegamos – ele já diminuía a velocidade até parar na frente de uma grande estrutura na cor marrom com uma placa imensa na frente dizendo: Biblioteca pública de Lignis.

–Já não era tempo.

Saímos do carro e entramos na biblioteca. Muitas estantes com livros diversos estavam espalhados por todo lado. Pessoas iam e vinham com livros em mãos.

–Por onde começamos? –ele falou apontando para os milhares de livros que tinham á nossa volta.

–Deveríamos pesquisar por lendas locais, homicídios, suicídios, desaparecimentos – eu disse apontando para um dos computadores indo na direção do mesmo.

Sentei em uma cadeira em frente ao computador e Dean se ajeitou ao meu lado olhando para a tela do mesmo.

– Okay, vamos começar por homicídios? – ele perguntou e eu assenti com a cabeça – que tal, homicídios no norte de Lignis.

Digitei...

– Bom, tem alguns aqui, mas nada em uma cabana. Quer dizer, quase nada. Aqui quase não morre gente – pensei um pouco – e se não foi homicídio e sim suicídio? – ele balançou a cabeça em concordância.

Digitei: Suicídios no norte de Lignis.

– Aqui! – falei animada apontando para um artigo na tela do computador, em que dizia “Marido comete suicídio em sua própria cabana no norte de Lignis”.

–O corpo do banqueiro Phillip Price foi encontrado morto no dia 22/06/1983 na cabana em que morava, no norte de Lignis. A perícia afirmou que o mesmo cometeu suicídio após ter matado o próprio irmão com uma serra e se matado a seguir. A razão, de acordo com a imprensa local, seria a traição de sua mulher, Verônica Price com o seu irmão Peter Price.

–Traição? Serio? – falei incrédula — será que a esposa dele ainda está viva?

–Não faço ideia. Temos que descobrir – ele respondeu.

Abri uma nova guia no computador e pesquisei por Verônica Price. Cliquei no único artigo que surgiu.

– Verônica Price foi internada no hospital de Lignis por causa de problemas cardíacos – li alto para que o retardado ao meu lado escutasse – é só o que diz aqui.

– Então vamos para esse hospital falar com ela – ele falou já levantando quando eu o puxei para que ele sentasse novamente.

– Não podemos ir agora Dean! – sussurrei.

– Porque não? – ele abriu um sorriso malicioso – será que aqui tem banheiro unissex? – dei uma tapa nele. – Ai! Isso doeu.

– Tarado! – reclamei – olha só, temos que pesquisar mais.

– Você parece o Sam, meu Deus – ele revirou os olhos cruzando os braços.

– Dean, isso é sério. Se for o fantasma do Philip que causou esse desaparecimento, temos que procurar sobre outros casos não acha?

– É pode ser, vamos procurar mais então – ele respondeu – então procura sobre aquela cabana. O histórico.

– Ok – digitei: desaparecimentos na cabana no norte de Lignis — Olha só – falei já lendo o artigo chamando a atenção do Dean – houve mais três casos. Pega uma folha de papel.

– Por quê?

– Pega logo e para de falar – ele levantou e foi até o balcão da bibliotecária, a mesma lhe entregou algumas folhas e ele voltou em seguida, me entregando-as – Obrigada, precisamos estabelecer um padrão.

– Então, vamos ver todas as mortes e ver o que elas têm em comum. Vendo também, em relação ao caso dos Price – ele concluiu e eu confirmei com a cabeça.

Peguei uma caneta no meu bolso e comecei a escrever, alguns minutos depois, parei e olhei para ele.

– O que escreveu? – ele perguntou curioso.

– Bom, olha só. O primeiro caso foi em 1985, dois anos após Philip ter se matado. 4 pessoas estavam na cabana, duas meninas e dois meninos. Os dois meninos eram irmãos e desapareceram. Os quatro tinham respectivamente 23, 25, 26 e 28 – falei mordendo o lábio inferior olhando para o papel.

– Então ele só mata meninos! – falou Dean mais próximo de mim.

– É talvez. O segundo foi em 1995, 3 homens estavam lá e tinham respectivamente 19, 24 e 27 anos de idade. Mas só os de 24 e 27 desapareceram – escrevi.

– Então há um padrão na idade também. Quais as idades dos Price? – ele perguntou e eu olhei no computador.

– Peter tinha 20 e Philip 28. Então esse deve ser o padrão, entre 20 e 28. Explicando o primeiro caso também, que tinham entre essas idades – conclui por fim.

– Olha os anos – ele disse e eu reparei neles – aconteceram de dez em dez anos. O primeiro em 1985, o segundo em 1995 e esse agora em 2005. Um caso a cada ano... Espera! E o terceiro?

– Bom, o terceiro também foi em 1995, 3 irmãos foram à cabana, uma mulher e dois homens desapareceram, tinham respectivamente 20, 26 e 27. Explicando o padrão nas idades também.

– Então, não é um caso apenas por ano, e sim, pode acontecer mais de um – ele olhou para mim com uma cara de satisfeito pelo que descobrimos.

– E ele não “sequestra” apenas meninos e sim meninas também – respondi olhando para ele.

– Então o padrão é irmãos, meninos e meninas, entre 20 e 28 anos – ele disse. Dei um sorriso satisfeito.

– Vamos voltar para o hotel.

Por Sam Winchester:

Quando ela começou a tirar a roupa, tentei fixar em algum ponto a minha frente, mas estava complicado... O quê foi? Eu sou homem ok! Não consegui manter meu olhar por muito tempo, ele escorregou até o retrovisor central e eu vi. Ela estava sem o short que usava, estava colocando um vestido branco, que lembra uma enfermeira. Não consegui desviar o olhar de suas coxas. Até que recebi uma tapa na cabeça. Ai, aquilo doeu.

– Eu falei para olhar para frente!

Meu rosto ficou quente, ela é linda. Demais. Sem que ela percebesse consegui dar mais umas espiadas até que ela voltou para o banco da frente, já com o uniforme, o crachá e tudo o mais.

– Pronto?

– Pronto senhor tarado!

Meu rosto ficou quente novamente.

...

– Qual seu nome senhor? – a secretária perguntou por cima dos óculos.

– Meu nome é Derek Jackobs, sou o irmão mais velho do Daniel – falei com receio de ele não ter irmão algum.

– Okay, pode subir, terceiro andar, décima sétima porta a esquerda. Quarto 97.

Fui em direção ao elevador e quando eu sai dele, já no terceiro andar, Katherine me esperava paciente do lado de fora. O vestido branco estava um pouco justo exibindo suas curvas e era na altura dos joelhos, um pouco para cima. Mesmo assim ela estava atraente.

– Demorou hein! Deu tempo de você pegar a secretária!

– Desculpe, ela ficou enrolando lá embaixo – falei em quanto caminhávamos lado a lado.

– Ok, vamos lá – seguimos pelos corredores até acharmos o quarto 97. Bati três vezes na porta e Katherine girou a maçaneta.

– Com licença senhor Jackobs, eu sou a sua nova enfermeira – ela disse ao entrar. Segui-a.

– Nova? – ele perguntou.

– Sim, a outra entrou de férias, tive de substituí-la – ela respondeu sentando-se na cadeira próxima a cama – vim ajudar o senhor, er... – ela travou.

– Leonard, o novo psiquiatra – disse – é para manter a rotina, vamos ter consultas diárias para ajudar na sua recuperação – menti.

– Mas eu já tenho, o Dr. Afonso – ele falou erguendo uma sobrancelha.

–É que ele pediu transferência para uma clínica em outra cidade – falei sentando-me perto de Katherine – pode nos responder algumas perguntas?

– Claro – ele disse bebendo um pouco de água que estava na mesinha ao seu lado.

– Bom- cocei a garganta – quantos anos você tem?

– Vinte e três – ele respondeu se ajeitando melhor na cama.

– E pode me dizer o que aconteceu naquela noite? – perguntou Katherine séria.

– Bom, nós estávamos indo acampar perto dali, mas ai começou a chover muito forte. O Caleb avistou a cabana de longe e então fomos pra lá. Decidimos dormir por lá mesmo e ir embora no dia seguinte, mas, quando acordamos o Jeremy e o Jason não estavam mais lá – respondeu ele receoso.

– Aconteceu alguma coisa fora do normal? – andei um pouco pelo quarto para aliviar aquela tensão e não ficar encarando o jovem.

– O quê? Quer descobrir porque eu enlouqueci? Pelo simples fato de que eu presenciei aquilo, meus melhores amigos desapareceram, eu não pude fazer nada e ainda por cima ouço vozes e vejo coisas! – ele gritou enfurecido.

– Calma, nós só queremos ajudar, não foi isso que eu quis dizer – falei tentando acalma-lo – eu só quero saber sua versão da história, não confio muito na versão da polícia.

Aquilo pareceu deixá-lo melhor, até porque, se você está em um sanatório e diz que é melhor confiar na sua versão do que na versão “lógica”, você começa a confiar na pessoa não acha?

– Posso contar um segredo? – falou Katherine – eu também não sou lá muito normal. Na sociedade existem os loucos e os loucos encobertos – e ela piscou brincalhona.

Ele pareceu gostar daquela definição.

– Tudo bem – ele disse relaxando os músculos do rosto – o que querem saber?

– Tudo – falei – como assim você vê e ouve coisas?

– Bom, quando estávamos lá, nós ouvimos barulhos, a lareira apagou sozinha após o Jason ter zoado de fantasmas, como se aquilo fosse um aviso ou uma resposta – ele disse e eu anotei tudo em um bloco de papel que sempre andava comigo – havia vento, mas as janelas estavam fechadas, eu achava que era coisa da minha cabeça. E também tem aquilo na parede... – a voz dele morreu como se ele não tivesse certeza daquilo que dizia.

– Como assim aquilo na parede? – Katherine perguntou antes que eu o fizesse.

– Uma frase. Eu estava andando pela cabana antes de dormimos, e eu vi uma frase em uma das paredes – nos contou.

Como assim?

– E o que dizia? – Katherine andou até a janela para observar a vista ou apenas para pensar no quanto somos idiotas e não vimos à maldita frase quando fomos à cabana.

– Não lembro muito bem. Não era na nossa língua – ele disse olhando para suas mãos entrelaçadas.

– Agora fale dos seus amigos – pedi – os que estavam lá naquela noite.

– O que quer saber?

– Descrições, rivalidades... – eu me ajeitava na cadeira enquanto Katherine se dirigia novamente para o meu lado.

– Bom, o Jason era mais do estilo atlético. Já Jeremy, o tipo mauricinho da escola. O Caleb fazia mais o estilo Bad Boy, Hilary, que namorava com Jeremy, era a patricinha e a Sophie que namorava com o Jason, fazia mais o estilo inteligente. Nosso grupo era complicadíssimo até porque somos bem diferentes, mas não tínhamos rivalidades com ninguém, nem entre nós.

– Certo – falou Katherine pensativa.

– É só isso? – ele perguntou.

– Sim, Daniel, era apenas isso, obrigada por conversar conosco sobre esse assunto – Katherine disse e olhou pra mim, dizendo implicitamente um “vamos embora” — deve ser difícil pra você.

– Isso mesmo Daniel, obrigado – falei. Katherine se dirigiu até a porta e quando eu ia me dirigir a ela também, parei perplexo ao ouvir a pergunta de Daniel.

– Vocês são namorados?

Katherine arregalou os olhos assim como eu.

– Não! – falamos juntos – por quê?

– Sei lá, é que vocês combinam – meu rosto ficou quente.

– Er, então vamos né Sam – ela disse já abrindo a porta – tchau Daniel.

– Tchau Daniel – repeti e me direcionei a saída.

– Tchau – foi à última palavra que ouvi dele.

– Namorado?! – disse Katherine incrédula ao sair do quarto – por acaso a gente parece que namora?

– Não, claro que não – falei.

– Ele não parece uma pessoa louca – ela disse quando caminhávamos para a saída.

– Claro que não, mas se você perde os amigos daquela forma, acha que ouve ou vê coisas, você gostaria de vir para cá achando que o problema é com você – falei — se eu não soubesse de tudo isso, eu gostaria da ideia de vir pra um lugar como esse para poder me tratar, não sei...

– Ele pode até estar com medo de a mesma coisa acontecer com ele – ela falou.

Chegamos ao Chevelle e ela entrou no banco do motorista.

– Não vai trocar de roupa? – perguntei inocentemente. Juro que foi inocentemente!

– Não vai ser dessa vez que você vai me ver duas vezes sem roupa no mesmo dia Sr. Tarado – ela disse já dando partida comigo dentro do carro.

Estremeci com a sua fala. Como assim dessa vez? MEU DEUS. Eu sou uma mulherzinha ou o quê? Como posso ficar vermelho ou com vergonha desse tipo de coisa. Até porque eu sou um homem!

Peguei o telefone e liguei para o Dean.

– Alô – falou o meu irmão ao telefone – Sam?

– Dean – respondi – e então, descobriram algo?

– Cara você não vai acreditar no que a gente descobriu.

– E o que foi? – perguntei chamando a atenção de Katherine para mim.

– Conseguimos um padrão entre os desaparecimentos.

– Sério? Ótimo! Onde estão?

– Indo para o hotel.

– Okay, estamos indo! – desliguei.

– Era o Dean? O que ele disse? – ela perguntou com o olhar na estrada.

– Eles conseguiram um padrão entre os desaparecimentos, estão indo para o hotel – respondi olhando-a. Ela deu um sorriso e me olhou.

– Tudo bem, vamos pra lá então – ela voltou o olhar para a estrada.

Notas finais
E aí? O que acharam? Comentem por favor.