Caçadores do amanhã

8 Misadventures in babysitting


Notas iniciais
Oioioioi Boa leitura ;) Aah, leiam as notas finais, por favor!

Blackwater Ridge (Lost Creek — Colorado)

A coincidência deve ser algum tipo de magia negra daquelas bem brabas mesmo. Gosta de bancar o trickster, não tem hora nem lugar, mas sempre dá um jeito de tramar algumas pegadinhas com aqueles que encontra pelo caminho. Vamos citar alguns exemplos clássicos de como a coincidência pode simplesmente surgir e como um tapa na cara:

Encontrar com um conhecido na nova escola é coincidência.

Ter a possibilidade de ler o diário de quem mais se quer saber os segredos é coincidência.

Conhecer pessoas e descobrir que vocês têm mais em comum do que o esperado é coincidência.

Entretanto, às vezes o destino se disfarça de coincidência. E a coincidência estava agora na forma de uma mulher morena de uns quarenta anos, tinha uma pinta logo abaixo do olho esquerdo e encarava Mel e Tom com o cenho franzido e os lábios entreabertos.

— Winchester? Como Sam e Dean? — ela reforçou a pergunta e os primos se entreolharam.

— Você conhece os nossos pais? — Tom perguntou.

— Vocês são filhos deles?! — ela pareceu espantada com a informação.

Todos no recinto se encaravam com os olhos arregalados, mas nenhum deles sabia como ou quem deveria arriscar uma tentativa de explicar que tipo de coincidência (ou destino) louco levou-os àquele encontro.

— Podemos deixar o papo para depois — Josephine quebrou o silêncio e olhou para Mel — O corte foi mais fundo do que parece, precisa dar um ponto aí, mas não tenho o equipamento necessário aqui.

— Mais um pra minha coleção — disse Mel num falso humor lembrando-se do corte na coxa, que ainda doía com certos movimentos.

— Vamos voltar — Tom disse.

— E deixar o shapeshifter escapar? Sem chance! — a jovem exclamou.

— Ele já deve estar do outro lado da floresta e vocês dois estão praticamente desarmados. Além disso, essas bandagens são provisórias e não vão segurar o sangramento por muito tempo — rebateu a Josephine.

Melanie não encontrou um contra-argumento.

Voltaram para o motel e, por coincidência (novamente), estavam hospedados no mesmo.

— Como você se mete em uma caçada na floresta armado apenas com uma faca? — perguntou Aidan com uma sobrancelha arqueada para Tom.

— Não sei atirar — respondeu ele meio acanhado.

Eles estavam no quarto do trio e Josephine estava cuidando do braço de Mel. Todos pararam o que estavam fazendo e encararam Tom ao ouvir aquilo.

— Ei ei, primeiramente, não é uma faca qualquer ok? Segundo, ele é novo no trabalho, não tive tempo de ensiná-lo a manejar uma arma — Mel defendeu o primo — Além disso, nunca passaria pela minha cabeça encontrarmos o monstro à luz do dia, estávamos procurando outra coisa.

Ela notou Krissy lançar-lhe um olhar de canto que chamou sua atenção.

— O que estavam procurando? — perguntou Aidan.

— Coordenadas. Achávamos que nos levaria a alguma pista de onde nossos pais estão, mas descobrimos que elas eram do nosso avô avisando Sam e Dean de um caso de wendigo aqui. Terminaram o trabalho e partiram há muito tempo — respondeu Tom.

— Eu andei procurando por eles alguns anos atrás — comentou Krissy chamando a atenção de Mel e Tom — Os garotos me ajudaram com uma dupla de vetalas e, algum tempo depois, salvaram nossa pele num lance de vampiros — ela contou nostálgica enquanto mexia em algumas armas — Algum tempo depois, tentei entrar em contato, mas não houve resposta. Não dei bola a princípio, afinal eles sabiam se cuidar, mas o tempo foi passando e eles nunca mais deram as caras. Andei perguntando sobre eles para outros caçadores conhecidos, mas ninguém sabia de nada. Bom, já era de se esperar, eles faziam o tipo dupla solitária...

— Pronto! — disse Josephine ao terminar os curativos de Mel, que agradeceu vendo o bom trabalho que a mulher fez.

— Ok... Vamos atrás desse shapeshifter ou não? — Mel soou impaciente e Krissy a encarou com o mesmo olhar de antes.

— Vamos fazer um pouco de lição de casa antes. Ele é um shapeshifter, então prata deve funcionar, mas temos que estar um passo à frente e tentar prever em que monstro ele pode se transformar quando o enfrentarmos — a mais velha disse como se fosse óbvio... e era. Mel também achava que era o melhor a ser feito, mas por algum motivo, bufou — E, antes de mais nada, você precisa aprender a atirar — Krissy disse olhando para Tom e pegando a sacola na qual guardou algumas armas — Vamos!

Tom apenas obedeceu ao comando repentino e Mel o seguiu, pois não estava com cabeça para pesquisas. Tinha um estranho desejo de se jogar logo na mata e ter uma luta corpo a corpo com um cão do inferno, cada um de seus membros clamava pela adrenalina, cada músculo sentia a necessidade de descontar a fúria em algum filho da puta qualquer.

Mas... fúria de que? Ela até chegou a se perguntar, mas não encontrou a resposta...

Entraram os três no Impala e dirigiram até encontrar uma clareira mais afastada da cidade, onde pudessem treinar os tiros. Krissy mandou Mel espalhar algumas latas, garrafas e outros objetos para que servissem de alvos de treino enquanto ela explicava a Tom como funcionava a arma.

Assim que Mel terminou o serviço com uma cara emburrada, Krissy mostrou para Tom a posição em que deveria ficar, com as pernas afastadas e a coluna ereta, puxou o gatilho e acertou uma latinha em cheio. Melanie apenas observava encostada no carro. No primeiro tiro de Tom, ele se assustou com a força do alavanque e a bala passou longe de qualquer alvo, mas depois de alguns tiros começou a pegar o jeito, apesar de não acertar nada.

Krissy ficou ao lado de Mel gritando algumas instruções e incentivos ao jovem enquanto ele praticava.

— O menino até que leva jeito, logo estará atirando melhor que nós — iniciou uma conversa com Mel — Há quanto tempo estão nessa?

— Eu fui criada como caçadora, mas Tommy começou faz apenas algumas semanas — respondeu entediada.

— Então você já tem uma certa experiência, o que me leva a perguntar... O que raios você estava pensando ao levar Thomas pra uma caçada sem que ele soubesse atirar? — repreendeu baixo para que ele não ouvisse.

— Eu já disse que não estávamos caçando — respondeu impaciente.

— Mas sabia do risco e resolveu ignorar. Se não tivéssemos aparecido, vocês poderiam estar mortos! — Mel apenas respirou fundo tentando controlar a raiva que crescia dentro dela com aqueles comentários — E ainda queria se jogar no perigo novamente! Todo caçador sabe que a parte de pesquisa é mais do que essencial se quiser sair vivo!

"Vivo" aquela palavra fez algo em Mel estremecer... Viver ou morrer, antônimos que não faziam mais diferença para ela. Engoliu seco ao notar que pensamentos tão melancólicos passavam por sua mente.

— O que você quer dizer com isso? Que eu não sou uma caçadora boa o bastante? — limitou-se a dizer com um sorriso petulante. Sacou a arma que sempre carregava e esticou o braço esquerdo puxando o gatilho sem tirar os olhos de Krissy. Ela estava usando a mão menos habilidosa, pois o braço direito estava machucado, e, mesmo sem mirar, a bala atingiu uma garrafa ao longe a estilhaçando — Isso é bom o bastante para você?! — Mel perdeu o controle da voz chamando a atenção de Tom.

— Não era sobre habilidade que eu estava falando. Tem a ver com você agindo como uma criança teimosa e se jogando no perigo! Você ainda vai acabar fazendo com que Thomas pague pelo preço da sua imprudência! — ela apontou o indicador acusando-a.

— Você não me diga o que fazer — Mel a encarou odiosamente.

Krissy franziu o cenho indignada e olhou a jovem de cima a baixo. Mesmo em sua fase adolescente de rebeldia, ela nunca foi tão explosiva quanto Mel. Balançou a cabeça desapontada.

— Eu esperava mais da filha de Dean Winchester.

Aquela foi a gota d'água para Mel. Ela agarrou a gola da blusa de Krissy e levantou o punho prestes a descontar a raiva do único modo que conhecia: espancando. Thomas se aproximou gritando alguma coisa, que nenhuma das duas compreendeu a tempo. Uma enorme sombra pairou sobre elas e as agarrou levantando voo.

— Melanie! — berrou Tom correndo inutilmente para tentar salvar a prima.

—--x---x---

Ainda no motel, Josephine e Aidan arrumavam as coisas prestes a saírem para encontrar Krissy e os outros. Estavam terminando as pesquisas quando Ben ligou dizendo que uma garota havia desaparecido e que havia testemunhas no local quando aconteceu o rapto, eles alegavam terem visto um...

— Dragão! — Tom entrou afobado no quarto — Mel e Krissy foram pegas por um dragão! — os dois arregalaram os olhos e se entreolharam — Esse tipo de bicho realmente existe?! — disse ainda tentando acreditar no que tinha visto.

— Para onde foram? — Aidan tentou manter a calma, mas havia desespero em sua voz.

— Blackwater Ridge.

—--x---x---

Melanie abriu os olhos e estremeceu ao olhar em volta. Estava em algum tipo de caverna ou mina abandonada, a única iluminação vinha de um buraco no teto de rocha e a umidade fazia com que ela sentisse frio. Pôde ver alguns restos de corpos humanos espalhados em alguns cantos e sentiu um desconforto no estômago, mas ignorou. Suas mãos estavam amarradas e presas a uma viga de madeira acima de sua cabeça. Olhou para o lado e viu uma garota desconhecida e Krissy, ambas desacordadas e amarradas do mesmo jeito.

Mel fechou os olhos relembrando o que tinha acontecido.

Estava prestes a jogar o punho no nariz de Krissy quando seu alvo foi agarrado pelas patas de um réptil alado. O desejo momentâneo de quebrar a cara da mulher sumiu repentinamente, pois os reflexos de Mel gritaram mais alto e ela agarrou Krissy na esperança de conseguir soltá-la das garras daquele ser, mas acabou sendo levada junto. Tudo aconteceu muito rápido, em poucos segundos já estavam muitos metros acima do chão.

Melanie arriscou olhar para baixo e viu que já estavam muito longe de Tom. Ouviu uma reclamação de dor. As duas estavam literalmente penduradas, Krissy estava virada para baixo sendo levada pelas pernas e segurava Mel pelas mãos, a única coisa que impedia que a jovem caísse de tamanha altura e morresse estatelada no chão.

Mel olhou para cima encontrando a cara de dor de Krissy. Ela tentou gritar para que a mulher a soltasse, mas sua voz falhou. Estava mesmo considerando poupar o sofrimento dela se jogando e livrando-a do peso, mas Krissy segurava-a firmemente apesar de tudo.

Mel suspirou ao olhar para ela. Aquela mulher havia salvado-a mesmo depois de todas as coisas que falou, até mesmo depois de Mel quase socá-la.

— Hey, Krissy! — chamou.

A mulher despertou e contraiu o rosto ao sentir uma dor enorme.

— ... Acho que quebrei a perna — disse.

Não era pra menos, estava suspensa no ar presa pelos pés por um dragão e carregando pelas mãos uma adolescente reclamona, tinha sorte de ter sido apenas uma perna.

— Temos que sair daqui.

Mal teve tempo de terminar a frase e o dragão surgiu da escuridão da caverna exibindo os dentes pontiagudos. Parecia um lagarto, só que tinha o tamanho de humano grande e asas no lugar das patas dianteiras. Sua pele escamada reluzia um escarlate brilhante que contrastava com os olhos amarelos. Esse ser se aproximou da garota desacordada cheirando-a como uma presa.

Melanie pensou rápido. Não poderia deixar aquele monstro ameaçador perto de uma inocente!

— Ei, Smaug! Eu tenho um gosto bem melhor do que essa magricela aí — disse tentando tirá-lo de perto da desacordada — Posso não ser feita de ouro, mas sou preciosa! — riu nervosa da própria piada.

A provocação funcionou, pois o dragão pareceu esquecer da garota e virou na direção de Mel. Cheirou-a e abriu a boca exibindo as presas afiadas e a língua bifurcada. Melanie sentiu o cheiro do hálito pútrido do animal e tentou inutilmente se afastar encolhendo-se nos próprios ombros.

— I merely wanted to gaze upon your magnificence! (eu só queria contemplar a sua magnificência) — fechou os olhos e disse a única coisa que lhe veio à mente quando o dragão fez menção em abocanhá-la. Entretanto, antes de encravar os dentes na jovem, um som alto semelhante ao de fogos de artifício veio de fora da caverna chamando a atenção do monstro.

O bicho se esgueirou para fora do recinto como um lagarto e Mel respirou aliviada.

— Você é doida — comentou Krissy e Mel deu de ombros concentrada em normalizar as batidas de seu coração ou teria um ataque cardíaco.

Apesar do comentário, a mulher estava impressionada com o ato da jovem de tirar o dragão de perto da vítima se arriscando. Talvez tivesse medido errado as palavras, Mel tinha sim a mesma coragem e determinação de Dean.

— Escuta, eu tenho um canivete na minha bota.

— Não seria uma cobra?

— Não é hora pra gracinhas. Aqui, tente pegar.

Krissy esticou o pé tentando aproximá-lo de Mel se esforçando para ignorar a dor do osso rompido. Melanie usou o calcanhar para tirar o tênis e, com uma certa dificuldade, conseguiu pegar o objeto usando os dedão do pé.

— Se você me chamar de macaca, eu juro que te deixo pra ser comida de dragão — ameaçou falsamente e Krissy riu.

Mel dobrou o joelho jogando o canivete para o alto e pegou-a com a boca sem vacilar. Segurou o cabo firme entre os lábios e flexionou os braços para que alcançasse a corda que prendia as mãos. Serrou com dificuldade, movendo a cabeça de um lado ao outro, mas logo estava livre das amarras. Krissy não disse nada, apenas assistiu ao pequeno espetáculo imaginando que Mel tinha de tudo para ser uma excelente caçadora se não fosse tão temperamental.

Logo estavam todas livres, mas se depararam com mais um problema. Tinham que sair depressa, antes que o dragão ou qualquer outro monstro em que aquele shapeshifter pudesse se transformar voltasse, mas tinham uma desmaiada e outra com a perna quebrada... Como se lessem seus pensamentos, Thomas e Aidan apareceram pelo mesmo caminho que o dragão tinha saído.

Coincidência?

Aidan correu para amparar Krissy e Tom foi em direção à Mel.

— Ainda bem que nos encontraram, precisamos de ajuda com a bela adormecida aqui e... — Mel foi interrompida por Tom, que se jogou em cima dela num abraço de urso.

— Eu pensei que tinha perdido você — ele sussurrou escondendo o rosto no pescoço da pequena. Mel não soube o que dizer e, meio sem jeito, retribuiu o abraço.

— Como nos encontraram? — perguntou Krissy.

— As coordenadas — respondeu Tom ao se separar de Mel — As coordenadas de Dean nos trouxeram aqui perto, daí não foi tão difícil encontrar esse lugar.

— Josephine estourou alguns fogos de artifício pro barulho atrair o dragão para fora da caverna — explicou Aidan — Ela está esperando lá fora com o carro, pronta para darmos o fora daqui. Vamos rápido!

Aidan apoiou Krissy em seus ombros ajudando-a a andar e Tom pegou a garota desacordada no colo. Eles saíram andando por um dos corredores o mais rápido que conseguiam.

Subitamente, um rugido ecoou pelas paredes de pedra fazendo com que eles estremecessem e apertassem o passo.

— Ele está chegando perto e não parece lá muito bem humorado. Eu vou tentar atrasá-lo — disse Mel carregando a arma com balas de prata.

— Eu vou com você — Tom pronunciou.

— Não, Tommy, vocês precisam tirar elas daqui — ela respondeu e recebeu aquele olhar de Krissy — Não estou sendo estúpida agora, estou tentando salvar uma pessoa! — disse olhando para a menina desacordada nos braços de Tom.

— O que vai fazer? — perguntou Aidan.

— Eu dou meu jeito. Agora, corram! — eles obedeceram e se separaram em uma bifurcação do corredor.

Já distantes eles conseguiram ouvir alguns tiros e a voz de Mel gritando em outro corredor tentando chamar a atenção do monstro.

— Drogon! Volta pra Daenerys aqui, neném! — berrou que nem uma maluca.

Funcionou. O dragão surgiu como uma serpente e soltou um rugido diante da arma de Mel.

— Já ouviu falar em pasta de dentes, Saphira? — comentou Mel antes de puxar o gatilho.

Ele se movia rápido e começou a bater as asas freneticamente quando o primeiro tiro atingiu-o no ombro. Desse modo, uma nuvem de terra subiu no corredor escuro e Mel foi obrigada a cobrir os olhos. Disparou mais três tiros que pegaram de raspão.

Como bicho ruim não morre fácil, o shapeshifter disfarçado de dragão continuava se debatendo mesmo que ferido. Na verdade, os ferimentos deixaram-no ainda mais irritado, ele gritava como um animal selvagem e tentava abocanhar Mel e ela, por sua vez, desviava da melhor maneira que conseguia.

A poeira levantada pelas asas do monstro entravam nos olhos e na garganta de Mel fazendo com que a respiração fosse dificultada. Desviava das garras, dentes e asas, mas esqueceu-se de algo: a cauda! Levou uma chicoteada na mão que jogou a arma longe.

"Merda" foi só o que veio à mente. O dragão jogou a pata em seu peito prendendo-a contra a rocha fria da parede. O pó preso em sua garganta somado à pressão em seu peitoral faziam com que ela tossisse forte buscando o ar com dificuldade.

Era isso?

Tommy e os outros já deveriam estar a salvo fora da caverna.

Acabou.

Foi invadida pela mesma sensação que teve quando estava nas mãos do demônio Jack. Estava pronta para desistir e parar de tentar evitar o inevitável: a morte.

O dragão rugiu em seu rosto aproximando as presas afiadas, mas ela não se debateu nem tentou lutar contra. Apenas fechou os olhos e pensou em tudo o que tinha acontecido. A morte de Doug, Jericho, Tommy, o diário, os demônios, a busca miserável pelos irmãos Winchester... Todos os encontros e desencontros dos últimos dias tinham levado-a àquela situação. De alguma forma, o universo se organizou para contemplar aquele instante.

Às vezes, o destino se disfarça de coincidência.

...Seria coincidência um rapaz que nunca acertou um único alvo conseguir acertar em cheio a cabeça de um dragão?

O réptil tombou sem vida no chão e Tom encarava a cena sem acreditar no que tinha acabado de fazer.

— ... Como? — foi só o que Mel conseguiu dizer pasma depois de raciocinar o que tinha acontecido.

Thomas havia deixado as garotas sãs e salvas com Aidan e Josephine, então correu de volta para a caverna preocupado com a prima. Ao encontrá-la naquela situação, desesperado, pegou a arma do chão e disparou um único tiro certeiro.

— ... Sorte?

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Lost Creek — Colorado

Springstone Hospital

— Como ela está? — perguntou Mel.

Estavam no hospital. Tom e Josephine se encarregaram de acompanharem desconhecida que salvaram enquanto Mel e Aidan ficaram com Krissy, que teve a perna engessada. Tiveram que ficar um tempo na sala de esperas até que fizessem os exames necessários na garota.

— Ainda desacordada, mas o médico disse que ela vai ficar bem. Já ligaram para os pais dela e eles estão a caminho — disse Tom — E vocês duas?

— Ficarei bem melhor quando conseguir coçar meu dedão — disse sem sucesso em alcançar o pé devido ao gesso.

— Estou bem, tirando o enjoo que tive quando esses dois começaram a flertar — falou Mel ignorando as posições estranhas que Krissy fazia ao seu lado para tentar coçar o dedão. Somente há pouco tempo tinha notado as alianças combinadas de Aidan e Krissy.

— Bem vinda ao meu mundo — debochou Josephine e todos riram.

Sabendo que a garota que salvaram estava bem, caminharam em direção à saída do hospital. Tom, Aidan e Josephine iam na frente falando baboseiras e rindo enquanto Mel e Krissy conversavam mais atrás.

— E agora, o que vão fazer?

— Pelo jeito, ficaremos por um tempo — respondeu Krissy olhando para a perna quebrada — E vocês dois?

— Aonde a estrada nos levar, como de costume.

— Eu ainda não te agradeci por ter nos salvado aquela hora na caverna.

— Ei, você que me salvou primeiro do "cão do inferno", estamos quites. Ah, e desculpe pelo meu (não tão) pequeno problema de controle de raiva... São muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, sabe? — terminou num suspiro.

— Tudo bem, eu não deveria ter dito aquelas coisas. Você provou ser uma caçadora incrível — exibiu um sorriso — Então, estamos numa boa?

— Claro! — respondeu já na frente do Impala pronta para se despedir.

— Toca aqui — disse Krissy levantando a mão fechada.

— ...Sério? — perguntou Mel um pouco surpresa com o gesto, mas correspondeu com um soquinho — Fala sério, isso é tão cafona.

— Era exatamente isso que eu dizia pro seu pai — falou sorridente e Mel retribuiu — Falando nisso, tem esse cara, o Garth, ele pode saber alguma coisa sobre o paradeiro dos Winchester.

— Garth?

— Digamos que ele sempre está por dentro das fofocas dos caçadores, principalmente depois de ocupar o posto de Bobby. Bom, é só um tiro no escuro, mas já que vocês não têm outra pista...

— Acho que vale a pena tentar — falou Tom se intrometendo na conversa.

— Vou avisar que vocês estão indo fazer uma visitinha — disse enquanto Mel entrava no carro — Não faça nada muito estúpido, garota — aconselhou.

— Não prometo nada! — disse sorrindo e acenaram para o trio ao se distanciarem.

Notas finais
Então, gente linda do meu coração, eu sei que demorei (não me xinguem) e agora vim dar a maravilinda notícia de que as minhas aulas de cursinho vão começar segunda TT^TT Portanto, não sei quando vou postar (ok, podem me xingar), mas vou fazer o máximo para não abandonar a história, que eu gosto muito de escrever ^^ Deixem comentários dizendo o que acharam ok? Tenho tido sérios problemas de não gostar de nada do que escrevo... Podem ser honestos. Eu preciso melhorar o português? Preciso fazer mais POVs pq essa narração não tá com nada? Preciso de histórias de fantasmas mais interessantes? Preciso depilar as pernas? Oi? (pior que tô precisando msm...) Um beijo pro seu queijo :* listinha de citações: Saphira -> "Eragon" (não li o livro, mas pretendo algum dia... quem sabe) "I merely wanted to gaze upon your magnificence!" -> diálogo do Bilbo com o Smaug >< (Hobbit, a desolação de Smaug... esse título sempre soou estranho assim em pt?) Drogon -> GOT (axo q todo mundo conhece a Daenerys neh)