Caçadores de Orion
14 Caçadores de Orion

Ela fechou os olhos e permitiu que sua mente entrasse em fluxo, resgatando todas as forças que possuía, toda a magia que habitava em seu corpo e corria em suas veias. Amália era a primeira criança escolhida da Morte, então ela seria aquela que resgataria todas as áureas e as distribuiria; cada áurea ficaria com aquele que mais fosse indicado.
Oficialmente, os Caçadores de Orion eram 25, incluindo Ogron. Mas, após seu banimento, a formação ficou em 24. Eram muitos, e Amália poderia não sobreviver ao processo; ainda assim, ela o faria, porque no momento em que todos fossem libertados, teriam poder suficiente para acabar com os Bruxos do Círculo Negro e com Valtor ao mesmo tempo.
A primeira áurea que surgiu foi a de Morgana, a Rainha das Fadas. Ela havia sido uma aliada valiosa ao povo sereiano, e nada mais justo do que entregá-la a um de seus filhos. Christopher foi o escolhido, por ser o mais velho. Em seguida, veio a áurea de Helga, a mãe de Dean, e, assim como fez com a primeira, entregou a áurea a seu filho.
O moreno deixou cair lágrimas ao receber tudo que pertencia à sua mãe, desde os poderes até as memórias dela. Sentia-se grato por Amália ter sido tão generosa. A terceira áurea importante foi a de Bloom, que recebeu a áurea de Daphne, sua irmã, que havia se sacrificado pelo bem-estar da caçula.
Amália acabou ficando com a áurea de Sibylla, a Fada da Justiça. Ela não temia ser quem era e, quando precisou lutar ao lado dos sereianos, não pensou duas vezes. Era uma fada justa e lutava por todos aqueles que respeitavam as leis de seu mundo. Flora ficou com a áurea de Diana, a Fada da Natureza. Ambas possuíam o mesmo poder, e nada mais justo do que mantê-las unidas; poderiam se complementar de forma incrível.
Jared recebeu a áurea de Nébula, a Fada Guerreira e braço direito de Morgana. Ele não entendia o porquê, mas era assim que Amália o via: como um homem que faria de tudo pelos seus, assim como Nébula. Alice recebeu a áurea de Aurora, a Fada do Gelo. Ambas compartilhavam uma característica muito semelhante, a calmaria em fazer tudo da maneira mais leve possível, até em uma luta; ambas planejavam até os mínimos detalhes.
Um a um, cada um deles recebeu as áureas dos outros membros dos Caçadores, desde Tritão até muitos outros dos dois universos. Agora, seriam apenas um e lutariam não só por justiça, mas também por um mundo onde o poder não seria maior do que a lealdade, nunca mais.
Eles abriram os olhos e Amália fraquejou, sendo amparada por Lilian e Kimmie. Ambas pareciam assustadas, sabendo que o processo era grandioso e que Amália havia utilizado toda a energia que possuía.
— Você precisa descansar — Kimmie disse, e Amália negou.
— Precisamos achar Ogron; ele virá atrás do Círculo Branco — Amália suspirou e logo Jared a carregou. — O que está fazendo?
— Você vai descansar, e nós encontraremos Ogron — Jared afirmou, já começando a andar em direção ao castelo.
Amália não teve coragem de retrucar; não tinha forças para tal. Os outros também precisavam descansar; tinham uma luta intensa pela frente, mas não poderiam vencer sem um plano efetivo.
Ogron levou a mão ao peito e caiu no chão. Seu peito ardia, e ele definitivamente sabia o que aquilo significava: os Caçadores de Orion estavam naquele plano astral e logo estariam atrás dele.
— Morrendo? — Valtor questionou, debochado, fazendo o outro grunhir. Era a primeira vez que via o homem fraquejar. — Oh, que pena. Vocês estão ligados, sabe o que acontecerá, não é?
— Cala a boca, Valtor — Ogron retrucou, de mau humor.
Valtor deu de ombros e desapareceu, deixando Ogron no chão, ainda com o peito ardendo em brasas. Ele se lembrava de ter sido marcado pelo Círculo Branco e de quando Helga prometeu que, na primeira oportunidade, o enviaria para dentro daquele maldito círculo, reduzindo sua existência a nada.
Anagan, Gantlos e Duman apareceram às pressas, sentindo suas energias serem sugadas. Tinham noção de que era Ogron tentando se recuperar; ele tinha a mania de absorver as energias de seus companheiros, como se nenhuma magia pertencesse aos outros, apenas ao bruxo original.
— O que está acontecendo? — Anagan perguntou, sentindo seu peito arder, assim como os outros, enquanto Ogron começava a se recuperar.
— Os Caçadores foram invocados; teremos uma longa batalha pela frente — Ogron disse, logo se recompondo e se sentando na poltrona. — Onde está Darkar, Duman?
— Morto — Duman revelou, finalmente sentindo a dor amenizar. — Ele tentou pegar a fadinha de Andros, mas teve o coração arrancado pela telepata.
— Aquela mulher me dá nos nervos — Ogron resmungou, alisando o peito. Ainda podia sentir uma dor fantasma ali. Sabia que, se não agisse rapidamente, seriam de fato derrotados. Mas não podiam; recuperariam o Círculo Branco e venceriam aqueles malditos Caçadores novamente.
— O que precisa que façamos? — Gantlos perguntou, percebendo a quietude de Ogron.
— Peguem aquela maldita Fada dos Animais, e o resto será feito depois que tomarmos o Círculo Branco dela — Ogron riu, e os outros três apenas assentiram.
Eles sabiam que o homem era louco, mas não esperavam que fosse tanto. Afinal, aquela luta era tão antiga; por que ele não havia desistido? Bem, só uma pessoa poderia saber a essa altura, e foi justamente ela quem Duman procurou.
O moreno arqueou as sobrancelhas, olhando para Duman de cima a baixo. Já o havia comparado a um punk mil vezes, e aquela imagem ainda não saía de sua mente. Péssimo.
— O que quer aqui? — Dean questionou, ao ver o outro perdido em pensamentos. Não era do feitio de um bruxo. — Ogron não sabe que está aqui, ou sabe?
— Por quê? — Duman olhou para Dean, que franziu o cenho, confuso. Do que ele estava falando agora? Que loucura os bruxos estariam aprontando naquele momento? — Por que Ogron quer tanto o Círculo Branco? Por que ele não desistiu de ter poder?
Dean sorriu, achando realmente engraçado o fato de o bruxo estar se dando ao trabalho de compreender alguma coisa depois de tanto tempo, após ter machucado tantas fadas, sereias e outros seres, e quase ter causado a destruição do mundo mágico.
— Ninguém pode ser mais forte do que Ogron. Por que acha que ele suga suas energias? Porque ele é o único que pode se manter forte, e eu sou a pior desgraça da vida dele — Dean revelou, fazendo Duman ficar ainda mais confuso.
— Você...
— Eu nasci, Duman, com o mesmo poder que o dele, mas além disso, nasci com a capacidade de criar coisas, assim como minha mãe — Dean contou. Aquela era a parte que ninguém sabia. — E Ogron não aceitava; ele queria ser único, queria ser grande, queria ter todo o poder para si.
— Então tudo isso não é por poder, é por inveja?
— Não, não... Isso ainda é por poder, mas um poder que ele não pode ter e nunca poderá, porque o que não lhe pertence, nunca será guardado em si. Em algum momento, ele se destruirá com sua própria ganância — Dean parou de falar, pensativo. Duman não havia notado aquilo; estava absorto em seus próprios pensamentos. Mas o fato de Dean ter encontrado a chave para acabar com Ogron não passou despercebido por ele.
Sem se despedir de Duman, Dean voltou para dentro da barreira, correndo até onde sabia que seus amigos estariam. Assim que os encontrou, pronunciou as palavras que fizeram todos olharem para ele com o cenho franzido.
— Eu sei como matar Ogron.
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