Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo. Desta com a aparição de novos personagens e raças. Boa leitura.

Capítulo I – O mago e a atendente

Caleb entrou pela porta da Taverna com um ar de superior. O lugar fedia a peixe morto e a única coisa que lhe agradava a visão ali era a linda atendente de traços finos. Ele percebeu que todos os olhares estavam voltados para ele e seus olhos castanhos reviraram-se de modo indiferente. Ele tirou uma mecha de seu cabelo preto da frente de seus olhos e fitou o balcão.

Caminhou até o mesmo, evitando olhar para os lados e quando chegou ao banco. Retirou a sua mochila e a repouso ao lado de seu pé.

― O que vai querer? – A atendente lhe perguntou.

― Hum... Vamos ver... – Ele pensou um pouco e finalmente disse – Me traga uma caneca de Matte, por favor.

― Tudo bem, eu já volto. – Ela deu um de seus melhores sorrisos e se dirigiu até um dos barris na parede.

O jovem olhou ao redor e percebeu que os olhares não estavam mais voltados a ele. Ele sentiu uma pontada de tristeza, pois gostava de ser o centro das atenções, mas também era a oportunidade perfeita para ver como Shirley estava.

Ele olhou por dentro da camisa e viu o pequeno dragão-fada de cor safira com uma cara rabugenta. Pelo menos ela estava quieta.

Um baque no balcão fez Caleb erguer de súbito a cabeça. Seus olhos se encontraram os olhos da garota.

― Aqui esta o seu Matte, mais alguma coisa?

― Não... Ai! – Shirley mordeu Caleb com suas pequenas presas – Já ia me esquecendo, você tem morangos picantes?

― Desculpe, acabou ontem.

― Bem então deixaremos os morangos para depois... – Ele bebericou um pouco da bebida quente e doce.

A atendente começou a passar um pano pelo balcão, até que ela finalmente falou.

― Você não é da Capital, é?

― Vejo que você notou. Não, não sou daqui. Venho de um lugar muito distante. – Respondeu.

― Percebi pelas suas roupas – Ela continuou a limpar – Então quer dizer que você é das Cidades Fronteiras?

― Cidades Fronteiras? – Disse e em seguida sussurrou – Não, na verdade sou de muito além.

Os olhos dela se arregalaram e sem perceber, trombou com a bebida e despejou todo o líquido do recipiente no balcão.

― Ah céus, como sou desastrada, deixa que eu limpo!

― Não se preocupe, está tudo bem...

Ambos levaram suas mãos para levantar o copo e no momento em que seria para ter o comum roçar de pele com pele, Caleb viu uma versão diferente da atendente.

Ela estava vestida com as mesmas roupas e o cabelo era o mesmo, mas em sua visão ela tinha orelhas pontudas e um par de pequenos chifres pontiagudos na testa. Logo o jovem percebeu que esta era a verdadeira forma da atendente.

***

Arya estremeceu ao sentir o toque do garoto e retirou a mão rapidamente, mas os olhos dele já não eram mais os mesmos e parecia que ele agora avia de forma diferente.

― Esta... Tudo bem?

Ela estralou os dedos na frente de seu rosto para tentar despertá-lo e funcionou.

― Só estou... Um pouco confuso.

Arya engoliu em seco e começou a limpar a bagunça que havia feito. Enquanto limpava, percebeu que o jovem sentado a sua frente não tirava os olhos dela. Ela então usaria agora seus métodos para disfarçar.

― Então... Qual é o seu nome?

― Meu nome... – Ele pareceu pensativo um pouco, como se não se lembrasse do próprio nome – Meu nome é Caleb. E o seu?

― Arya. – Ela disse seca e levou o pano até uma pia, torcendo-o.

O garoto, ou melhor dizendo, Caleb, parecia muito confuso e Arya não entedia o por quê. Afinal foi apenas um toque de mão com mão e nada mais. Ela é que deveria ter se sentido estranha, pois tinha acabado de descobrir que o seu cliente vinha de fora das Muralhas.

― Podemos conversar por alguns instantes? A sós? – Seu tom era intimidador e ao mesmo tempo amigável.

Um bolo se formou na garganta de Arya e por um momento ela pensou que ele tinha descoberto a verdade sobre ela.

― Por que não? Meu expediente já está quase acabando só... Aguarde um pouco.

Então Arya sumiu através de uma porta. Ao fechar a porta ela encostou-se a parede e sentou no chão, suspirando pesadamente. Ela tinha que fugir. Ela precisava. Arya começou a bolar um plano de fuga em sua cabeça. Ele com certeza sabia da verdade sobre ela, os olhares dele mudaram quando se tocaram. Talvez seria algum tipo de magia como o Charme ou algo até mais forte, mas isto não importava, ela tinha que fugir.

***

Caleb fitou a porta pela qual Arya entrara. Já havia se passado alguns minutos e nada da garota. Ele começou a ficar impaciente, então cutucou a criaturinha azul dentro de sua camisa.

― Hey Shirley. Que tal você dar uma investigada na garota. Tenho quase certeza que ela fugiu.

― Não. – Ela disse – Não vou até receber meus morangos picantes.

― Prometo lhe dar uma dose dupla a você depois.

― Não.

― Tripla?

Ela pareceu pensar um pouco, mas logo respondeu.

― Não!

― Tá, tá. Quatro doses de morangos silvestres e nada mais.

― Certo! Agora faça aquela sua magia lá. – O dragão-fada era tão mandão quanto seu dono.

Caleb colocou seus dedos sobre as têmporas de Shirley e recitou uma magia Elfine antiga. O olho esquerdo de Shirley se tornou igual ao de Caleb e o olho esquerdo de Caleb se tornou igual ao de Shirley.

O lagarto alado saiu de dentro da camisa de Caleb e rastejou pelo chão sujo da Taverna. Se esgueirou através do balcão e abriu a porta com o focinho, entrando logo em seguida. A sala era pequena e tinha apenas alguns móveis de madeira. Havia uma janela aberta.

Ela fugiu – Constatou Shirley.

― Sim, eu vi. – Disse Caleb mentalmente – Tente encontra-lá e siga-a, estou logo atrás de você.

***

Arya corria com dificuldade devido ao vestido e a pesada mochila que carregava nas costas. Ela não sabia o porquê, mas sabia que ele sabia quem ela era. Dentro da mochila estava algumas roupas simples do dia a dia e sua roupa negra de ladra. No bolso de seu avental jaziam duas facas longas de lâminas curvadas. Para imprevistos.

A elfine tinha apenas fugido pela janela do quarto dos fundos, levando tudo o que achava útil ou o que via pela frente. Ela se dirigia para o centro da cidade, onde haveria mais guardas e ela contava da chance do garoto não a importunar perto dos guardas. Quando chegou a praça central, parou um pouco e observou a paisagem ao seu redor.

Enormes prédios cobres alcançavam as nuvens. Suas janelas eram bem polidas e suas bordas arredondadas. No centro da praça havia uma enorme fonte de onde uma estátua do deus Zarral jorrava água. Alguma vegetação contrastava com a região, dando ao centro da cidade um toque rústico. Apesar de todas estas coisas, o que mais impressionava Arya era o Palácio Engrenagem. Cores em tons metálicos se misturavam as trepadeiras que subiam as paredes do palácio. Por todos os cantos se via os estandartes de Moyra. Um dragão negro no fundo azul. Ao redor do palácio se encontrava o canal pelo qual Arya fugiu na noite passada. Era como se o Palácio fosse ilhado de todos, tendo conexão apenas pela ponte de paralelepípedos.

Arya então percebeu um movimento pelo canto do olho e levou imediatamente as mãos até o bolso de seu avental. Por um momento ela achou que tinha imaginado coisas, mas então viu de novo um borrão azul passar por entre os estandartes. A elfine apertou forte o cabo de suas facas.

A morena andou devagar tentando se misturar a multidão, mas os olhos continuavam atentos a qualquer movimento estranho. Ela chegou perto de um beco. Traçando um plano de fuga em sua mente, ela atravessou a multidão de ombros e braços, tomando cuidado para não desfazer o Charme.

De repente uma bola de fogo irrompeu nos céus e os vários olhares presentes ali se voltaram para as brasas que se dissipavam aos poucos. Por um momento sua atenção vacilou, mas ela logo se recompôs e partiu para o beco, se escondendo nas sombras. Agora ela podia realmente prestar atenção nas chamas que dançavam no céu. Pelo que a garota se lembrava, não era dia de nenhuma comemoração especial na cidade então aquilo só podia ser alguém tentando chamar a atenção do povo. “É isso!” Pensou Arya. Caleb, seu suposto perseguidor, queria a atenção de todos para poder botar as mãos em Arya. Ele era um garoto esperto e sabia como chamar a atenção dos cidadãos da Capital.

Então Arya sentiu uma presença atrás de si. Retirou as facas devagar do bolso e em seguida deu um giro de 180°, posicionando a faca no pescoço de quem quer que estava atrás dela. Para sua surpresa, não era o garoto, mas alguém muito mais baixo e estranho.

Arya logo reconheceu o Queerat. Os Queerats são uma espécie de capivaras que andam sobre duas patas e que não possuem pelos. Há vários tipos de Queerats como os Tarântulas que são os maiores e mais agressivos ou os Marsupiais que são pequenos, pacíficos e possuem a capacidade de fala.

― Não me mate, por favor! – Suplicou o Queerat – Posso servir de grande ajuda em sua fuga.

― Me ajudar? – Arya segurou a faca com menos força.

― Sim! – Ele disse desesperado – Me chamo Skkiner e sei onde te esconder.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Deu vontade de vomitar? Deixem suas opiniões aqui antes que o Google domine o mundo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.