Caçada

1 Capítulo 1 - Acordo com um velho “amigo”


Era uma noite fria... eu sentia meus dentes trincarem uns nos outros. No meio da madrugada acordei ouvindo fortes gritos era, minha mãe. Corri em direção aos gritos, acho que o frio tomava conta de mim porque minhas pernas estavam ficando dormentes. Ao me aproximar-me do quarto dela minha respiração ficou ofegante, senti calafrios e comecei a sentir uma forte dor de cabeça. Abri a porta. Um homem estava olhando para minha mãe, ele falava algo que eu não entendia, era uma língua estranha.

Então minha mãe me viu. Estava sangrando e com parte do rosto arranhado por garras.

-- John , saia daqui! – Gritou ela. O homem então sacou uma espada e perfurou o peito de minha mãe. Meu irmão que ainda era um bebê chorava muito e eu também comecei a chorar. Ali estava ela, a pessoa que eu mais amava no mundo, morta em uma poça de sangue. Fui em direção ao homem e comecei a batê-lo e chutá-lo, porem de nada adiantava, eu era pequeno e não tinha forças contra ele. Então ele segurou forte em meus ombros e me olhou bem nos olhos. Não o reconhecia, estava escuro. Então minhas pernas começaram a fraquejar e comecei a ficar tonto. O quarto girava ao meu redor. Então o homem Foi em direção a meu irmão e pegou ele nos braços e simplesmente sumiram.

-- Não... – Gritei.

-- John, acorde, acorde. – Dizia Anne me balançando forte.

-- O que aconteceu? – Perguntei.

-- Você estava tendo outro pesadelo.

Estamos no meio de uma caçada.

-- Achei umas barras de cereais no supermercado abandonado. – Disse Max vindo em nossa direção.

Somos caçadores. Desde que tinham cerca de quatro anos eles foram treinados por Richard Gray para serem Caçadores de demônios e tudo de mal que assola todo o mundo. Eu meio que tive que aprender a caçar sozinho, já que meu pai me deixou quando eu tinha entre 4 e 5 anos. Max Gray e Anne Gray são irmãos, filhos de Richard. Max é mais novo que Anne e ainda não conseguiu superar a morte do Sr. Gray, mesmo que já se tenha passado um ano. Viajamos por todo o Brasil, agora estamos em SP.

-- Então alguma pista do Elfo Negro? – Perguntei.

-- Eu andei pesquisando sobre eles. – Disse Anne. – Eles só aparecem a noite, evitam a luz do sol.

-- Por quê? Perguntou Max.

-- Na verdade a luz do sol para eles é como um veneno. Um inimigo mortal. – Disse ela. – Quando um Elfo Negro entra em contato com o sol ele se transforma em pedra.

-- Ótimo, então só temos que pegar o Elfo e apresenta-lo ao sol. – Disse Max já abrindo a barra de cereal. Ele adora esses doces e guloseimas brasileiras.

-- Na verdade não é bem assim, se demorarmos em colocá-lo no sol ele desaparece. Temos que fazer uma armadilha de demônio e prendê-lo. Porem ele pode ser morto com uma estaca de madeira banhada com sangue de um puro.

-- Puro? Como assim puro? – Perguntou Max.

Alguém que nunca tenha ferido ninguém.

-- Como encontraremos um puro? –Perguntei.

Será muito difícil encontrar um adulto puro, porem podemos usar uma criança. – Disse Anne desconfortada.

-- O que? Então temos que matar uma criança e usar seu sangue para matar o Elfo? – Perguntei indignado.

-- Entenda John...

-- Não. – Gritei.

-- Não precisamos mata-la, basta pegar um pouco de seu sangue. Uma quantidade mínima.

respirei fundo...

-- Tudo bem e como faremos isso?

-- Podemos pedir para Hiago fazer isso para nós. – sugeriu Max.

-- O que? – perguntamos em uníssono.

-- Bom Hiago é um excelente ladrão, ele pode entrar na casa de alguma família e roubar um pouco do sangue da criança.

-- Max pode ter razão. – disse Anne.

-- Isso não vai dar certo... – falei em tom de reprovação.

-- Não temos muitas opções. – disse Max.

Eu não concordava com isso, mas sabia que Max tinha razão. Era nossa ultima alternativa e estávamos sem tempo.

-- Eu só não entendo porque estão ocorrendo esses ataques de Elfos. – Disse Anne. – Bom, os Elfos não são amiguinhos dos humanos, mas também não costumam devorar eles. Está acontecendo algo muito estranho; e já é a terceira morte por Elfo em dois dias em um raio de 1 km daqui desse hotel de São Paulo.

Anne é muito inteligente. É ela que sempre faz as pesquisas necessárias nas caçadas, bem diferente do Max que não leva nada a sério. Eu e o Max usamos uma espada e Anne uma adaga. Todas feitas pelo Sr. Richard e entregue a nós de suas próprias mãos. Foi uma das poucas vezes que o vi. Meu pai também raramente aparece. Porém acredito que ele não esteja morto, bem diferente de Sr. Richard.

Estávamos hospedados em um hotel próximo à rodovia Anhanguera.

-- Existe alguma relação entre as vítimas? – perguntei.

-- Ainda não sei. – disse Anne. – Um era empresário, trabalha durante toda semana, inclusive no sábado, tinha família e filhos. O outro era caminhoneiro, vivia viajando pelo Brasil; e o outro era um mendigo que vivia bêbado. Não consigo ver relação entre eles. A não ser que...

Os olhos de Anne brilharam como se tivesse tido uma idéia.

-- Que o que? – perguntou Max.

-- As três vítimas... elas frequentaram o mesmo bar no fim de semana. Essa é a relação entre elas. Todo domingo os três estão bebendo no Bar “ Último Gole” do outro lado da rodovia.

-- Então é isso. O Elfo atrai os bêbados para o bar e depois os devora. – afirmei.

-- Talvez os Elfos estejam seguindo ordens de alguém. – Disse Max.

-- Pode ser que sim, -- disse Anne. – Porem isso não é da natureza dos Elfos, eles são seres independentes e não seguem ordens.

O dia já estava escurecendo...

-- Vamos tratar logo de chamar Hiago então. Temos que pegá-lo nessa noite. Não podemos permitir que mais mortes ocorram. – disse Max.

Ambos concordamos com a cabeça.

Max é muito parecido com sua irmã. Honestamente desprezando a altura se ele colocasse uma peruca seria capaz de ser confundido com Anne. Anne era seria e centrada, tinha um cabelo curto porque isso facilitaria no meio de uma luta. Temos em média dezesseis anos. Anne pegou um celular e ligou para Hiago. Mais ou menos uma hora depois Hiago apareceu

-- Ora... ora... ora... como estão caçadores? – Perguntou Hiago com ironia. Ele é loiro e com uma grande tatuagem contornando seu braço esquerdo. Em uma luta no passado Hiago acabou perdendo o olho esquerdo. É um cara durão que não liga para nada nem ninguém. Tudo que faz é visando beneficio próprio. Era um caçador, mais se especializou em roubo, um ladrão nato.

-- Precisamos de sua ajuda. – falei. – Queremos que roube algo para nós.

-- E porque eu ajudaria vocês?

-- Podemos pagar. – Disse Max.

-- Ahhhhhaaahaahaa. – Hiago sorriu grosseiramente. – Tenho bastante dinheiro, não preciso de nenhuma riqueza que seja.

-- E o que você quer então? – Perguntou Anne.

-- A não sei... que tal sua adaga? Fiquei sabendo que foi forjada pelo próprio Sr. Richard e é muito poderosa.

-- Não! Leve minha espada no lugar da adaga, ela também foi forjada por meu pai. – disse Max.

-- Não seja cretino garoto, sua espada não tem valor algum... é uma espada comum, assim como a do John, mas a adaga não, ela tem um grande poder em seu interior. O poder de um deus.

-- Tudo bem então. – Disse Anne. – Precisamos que roube o sangue de uma criança, porem não deve matá-la. E queremos isso agora.

-- Certo. -- Disse ele saindo pela porta.

-- Você ficou maluca. – Disse Max. – Não pode entregar sua adaga a ele.

-- Precisamos do sangue. – disse Anne.

-- Max tem razão. – disse John. – poderíamos esperar o sol nascer e pegar o Elfo.

-- Se esperarmos para capturá-lo ao nascer do sol nosso trabalhos seria triplicado.

A porta abriu fortemente fazendo um barulho intenso e alguns minutos depois Hiago aparece.

-- Pronto. – disse Hiago. – Aqui está o sangue. – Hiago segurava um frasco de sangue na mão.

-- A criança ficou viva certo? – Perguntei.

-- Bom... digamos que possa ter acontecido acidentes durante o serviço.

-- Desgraçado! Você matou a criança. – Gritou Max.

-- Trato é trato. – Disse Hiago. – Pediram o sangue e eu trouxe o sangue, agora quero minha adaga.

-- Não vou te entregar nada! Você não cumpriu o trato. – gritou Anne.

Saquei imediatamente minha espada e fui em direção a Hiago.

-- Isso não vai ficar assim. Vocês vão se arrepender de não terem cumprido com sua palavra. – Gritou Hiago. Ataquei Hiago, ele desviou e fugiu levando o sangue consigo.

-- E agora o que faremos? Precisávamos do sangue. – disse Max.

-- Vamos ataca-lo no fim da noite e usar o sol a nosso favor. -- Falei.

-- Ótimo. Hoje vamos visitar o “Ultimo Gole” e matar o Elfo Negro. – Disse Anne convicta.

Notas finais
(continuação em breve. Deixem opiniões)