Caçada
17 Guiada pela Tiara e pelo coração.
Sem lagrimas, tentando esquecer o fato de eu ter chorado no ombro de Sebastian. Tudo estava perfeito. Como já dizia na profecia, éramos cinco. Quatro Caçadoras e um semideus. Eu, Bruna, Jessica, Thalia e Sebastian. Aquilo seria perfeito demais.
Nevasca, Lune, Cabeça de Algas e Relâmpago nos acompanhavam de certo modo. Nossos elos com a lua deveriam ir aonde vamos, ou seria como romper um fio que liga duas coisas importantes. Poderíamos nos afastar de, no máximo, oito metros de distancia. E se o elo morresse, ficaríamos fracas por 8 horas e morreríamos também. Complicações de Caçadoras e seus Elos, etc.
O Acampamento havia nos emprestado uma minivan. Quem estava no volante era Thalia, de modo em que eu fiquei ao seu lado, olhando a paisagem. Não sabíamos por onde começar, então seria uma complicação danada.
- Tem ideia para onde vamos? – perguntou Thalia para mim, depois de entrarmos em uma estrada de terra. Dei um longo suspiro.
- Não sei. – respondi simplesmente.
- Isso vai ser complicado.
- Eu sei.
- Lembrasse-se do que dizia a Profecia?
Dei de ombros, ainda fitando a janela.
- Grande Alma da caçadora, agora feita de neve. Vai caminhar no lugar onde não deve. A noite, o mar, o raio e o sol vão ajudar. Indo para onde ela quiser. Mas se fizer a escolha errada, a humanidade ficara desesperada. – resmunguei, mudando algumas partes, como se fosse resumir tudo.
-Não acha que tem alguma coisa que pode nos ajudar ai? – perguntou ela.
- Não sei Thalia. A não ser a parte...
Parei, recitando novamente a profecia para mim mesma, olhando para a Lua que se erguia grandiosamente e as estrelas. Com a boa visão de uma Caçadora, eu podia ver muitas constelações.
- A Alma da Grande Caçadora, agora feita de Neve... Ira caminhar para onde não deve.... A noite, o mar, o raio e o sol irão ajudar... Fazendo o que ela então desejar... – sussurrei. – É isso!- gritei alto, olhando para as estrelas.
- Isso o que? – perguntou Thalia, sem entender nada.
- Thalia, pare o carro. Bruna, vamos para fora. Acho que você pode me ajudar. – falei em um tom de comando.
Ela pareceu medir os pesos, até porque, ela que sempre ordenava. Mas por fim cedeu e parou o carro em um acostamento enquanto eu saia as pressas, com Bruna em meus calcanhares.
-Calma, menina. – resmungou ela.
- Bruna, olhe para as estrelas. – falei, embora não olhando para ela. Minha atenção estava procurando outra coisa que poderia nos auxiliar.
- Estou olhando, estou olhando...
- Consegue ver alguma coisa que tenha a ver com Caçadora, essas coisas?
Ela também procurou, e aquilo me deixou impaciente. Ela havia se esquecido que podia se camuflar, chamar monstros da noite e encontrar qualquer constelação que quisesse? Céus.
- Bruna, os poderes. – murmurei baixinho e a compreensão veio em seu rosto.
-Claro.
E, se concentrando, ela olhou atentamente para o céu. Depois fechou os olhos e começou a rodopiar, como se fosse a Lua em movimento com o Sol e, por fim, ela parou e abriu os olhos novamente, erguendo a cabeça.
- Ali. – apontou ela para uma constelação que tinha uma flecha, tiara e tantas outras coisas que eram símbolos da Caçada.
- A Grande Caçadora. – sussurrou ela. Aquilo de novo mexeu comigo, mas tentei não deixar transparecer.
-A flecha se aponta para oeste...
- Onde o Sol se põe. – terminou Sebastian para mim. Nem havia percebido que ele estava ao meu lado.
- A Noite e o Sol estão nos ajudando, de certo modo. – resmunguei.
Voltei para a minivan, já que agora sabíamos para onde ir. Mas fui detida por mãos fortes em quentes, que seguravam meus ombros.
- Penny, espere. – disse Sebastian.
Me virei para ele, ficando frente a frente. Eu estava nervosa. Muito nervosa. Podia sentir que minha Tiara começava a esfria. Respirei fundo e tentei acalmar meus nervos.
- Que foi, Sebastian? – perguntei, irritada.
- Você se esqueceu de uma parte da profecia.
- E qual seria, O Grande Poderoso?
- Ira caminhar para o lugar onde não deve...
Ergui uma sobrancelha para ele, magoada e ao mesmo tempo irritada com ele.
- Certo Sebastian, acha que estou falando para irmos ao lugar errado, sendo que as estrelas e Seu Pai estão nos auxiliando com a direção?
- Pode ser mas...
-Não é atoa que foi um fracasso a sua missão. – falei friamente, olhando para ele uma ultima vez e virando as costas.
Mas o que ele havia me dito poderia me colocar para pensar. E realmente me colocou para pensar.
De fato, a Profecia dizia que eu iria caminhar onde não deveria. Mas para onde iriamos começar, então? Porque aquilo estava acontecendo comigo, afinal? Ah, maldita seja Despina.
Senti outras mãos em mim, mas dessa vez eram as de Jessica.
- O que? – perguntei, um tanto quanto irritada.
-Acalme-se, menina. Só quero te dizer uma coisa.
- O que?
- A flecha da Caçadora aponta para o Oeste, mas sua Tiara e seu coração apontam para Noroeste.
E, com isso, ela voltou para a minivan e se sentou no fundo. Fiquei parada por um instante e voltei para o banco passageiro, ao lado de Thalia.
-Vamos mesmo para o oeste? – perguntou ela.
Eu ainda estava parada, pensando no que a filha dos mares tinha dito para mim, por fim dei um longo suspiro e me virei para Thalia.
- Vamos para Noroeste. – respondi.
- Por que?
- É onde o Coração e a Tiara apontam. – sussurrei.
Ela ainda não entendia o que eu queria dizer, mas começou a dar meia volta e indo em direção ao Noroeste.
Eu, de certo modo, tinha entendido o que Jessica tinha me dito. Porque eu me sentia sendo a própria Grande Caçadora. A flecha apontava para o oeste, e era, de certa forma, um símbolo diferente para mim, que não tinha a ver com a Caça. Mas o coração e a tiara... A tiara era o meu símbolo para com Artemis, tão forte. E também era meu símbolo para Despina, tão gelado e necessário ele era. E o meu coração... Era a minha forma de mostrar lealdade, de certo modo. Mas para mim mesma. E ele apontava para o local onde as outras duas lealdades apontavam, de forma a mostrar que, de certo modo, eu teria que escolher mais tarde, que caminho escolher.
Olhei para meus dedos, observando os flocos de neve que eu estava criando ali, tentando não ficar nervosa com o fato de que alguma coisa terrível estava para acontecer.
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