Caçada

9 Estomago afundado.


Senti um solavanco quando Katie pousou. Eu estava completamente agarrada aos pelos de Nevasca, mas ela não havia uivado ou qualquer outra demonstração de dor. Onde meus dedos tocavam, seu pelo estava mais congelado que o normal.

- Me desculpe. – sussurrei para a loba a minha frente, soltando seus pelos delicadamente, observando enquanto os flocos de neve começaram a derreter.

- Vamos logo, Rainha da Neve. – chamou Apolo docemente.

Revirei os olhos para ele, sentindo novamente aquele aperto do estomago, mas tentei ignorar isso, ficando com o nariz empinado enquanto saia do meu lugar, com Nevasca em meus calcanhares.

- Acampamento Meio-Sangue. – disse Jessica, levemente.

Acariciei o topo da cabeça de Nevasca, sorrindo um pouco enquanto observava o grande pinheiro a minha frente e a descida para o que poderia ser um acampamento mesmo. Mas tinha muitas formas de ver que havia ainda ali, coisas gregas.

Quando eu ia acompanhar o restante do meu grupo, senti as mãos de Apolo em meu braço. Era mãos quentes, muito quentes. Me fizeram tremer por um momento, sentindo um frio momentâneo.

- Pennie, minha querida. Se importa se eu falar com você por um momento? – perguntou ele, dando um sorriso que fez meu estomago afundar.

- C...C..Claro- gaguejei.

O sorriso aumentou, assim como o buraco em meu estomago. Ah céus, ele era lindo. E tão assustador. Mas no sentido de que ele queria fazer com que eu desistisse da caçada. E eu não desistiria. Não por ele.

- Não sei nem bem o porque aceitei dar o recado de sua mãe, mas... – começou ele, sem fazer com que eu entendesse alguma coisa.

Seus olhos brilharam como o Sol. O que era estranho, já que ele era o Sol.

- Ela disse que seu lugar é no Acampamento, não com as Caçadoras de minha irmã. Ela avisou que, se você não seguir o caminho que ela trilhou para você, desde que você nasceu... Bem, irá acontecer uma coisa terrível. – continuou ele calmamente. Novamente, ele piscou para mim e eu senti que meu mundo girava.

Balancei a cabeça e tirei meu braço de suas mãos quentes.

- Diga a ela, que quem trilha o meu caminho, sou EU. – falei entre dentes.

Ele deu um enorme sorriso, satisfeito. Como se ele estivesse orgulhoso por eu ser meio rebelde.

- Tenha uma boa estadia no Acampamento, minha Rainha. – disse.

Rosnei para ele no mesmo momento em que Nevasca rosnou e, juntas, saímos em disparada para longe daquele deus que me era tão estranho e tão incrivelmente quente e bonito...

- Pensei que ia ficar de conversinha com Apolo lá em cima para sempre. – queijou-se Helena, me olhando de uma maneira estranha.

Dei de ombros e fui para perto de Katie e Bruna, que conversavam com um garoto. Um garoto com traseiro de bode.

- Petrick, por favor, pare de tentar nos impressionar. Estamos aqui a serviço de Dionisio, e não para tentar fazer você se apaixonar por nós. – resmungou Bruna, irritada.

O menino-bode chamado Petrick ficou constrangido e saiu de perto, tropeçando em suas patas. Bruna revirou os olhos para a cena.

- Vamos logo, meninas. – chamou Thalia, entrando no campo do Acampamento.

Segui-a, porque era sua subtenente, por assim dizer. Encaminhamos para a grande Casa ali, que ficava no meio de tudo. Como o centro de tudo. Percebi uma menina na fogueira do acampamento, sorrindo para mim. Sorri de volta e pensei em ir conversar com ela, mas fui impedida por Thalia, que havia dito que nós duas devíamos ir conversar com o Senhor D.

O Senhor D. e pai de Katherine era um homem gordo, com uma bermuda de havaiana florida e uma camiseta com um tigre estampado. Ele tinha uma cara mal humorada.

- Finalmente. Pensei que vocês nunca iriam vir, Dalia. – disse ele para Thalia. Ergui uma sobrancelha ao ver que ele havia trocado um nome tão simples como Thalia. Mas tudo bem. Erros acontecem.

Thalia suspirou para ele.

- É bom te ver também, Senhor D. – resmungou ela.

Dionisio me fitou, como se tivesse me percebido naquele momento.

- E quem é essa jovenzinha, Dalia? – perguntou ele.

Thalia revirou os olhos.

- Penélope Summers.

- Ah, nem sei porque fiquei interessado, mas mesmo assim. Não tenho nenhum prazer em lhe conhecer, Patricia Sonnie. – disse ele.

Ok, ele deveria ser beeeeeeeeeem surdo para trocar nossos nomes, ou talvez ele fosse um implicante de marca maior.

- Artemis nos mandou aqui, Senhor D. Pelo jeito o velho Dionisio precisa da ajuda das Caçadoras, não? – perguntou Thalia, com certo sarcasmo.

- E as Caçadoras estão um tanto quanto irritantes como sempre não é, minha cara Dalia? – disse.

Mordisquei os lábios sem entender muito bem o que estava acontecendo ali, mas o que eu poderia fazer, afinal?

- Certo. Vamos ficar no chalé 8, como bem sabe. Depois continuamos nossos assuntos pendentes. – disse Thalia friamente, me chamando depois de um momento.

Segui-a, observando Nevasca seguir a loba cinzenta de Thalia. E ela percebeu que eu observava as duas lobas.

- Ah. Então Nevasca está conhecendo Relâmpago, não? – perguntou ela, sorrindo.

- É, acho que sim. – murmurei dando de ombros.

Continuamos caminhando até chegar no tal chalé 8. Mas eu não entrei, mais porque eu queria conhecer o lugar e tal.

- Quando precisarem de mim, fale para algum lobo me chamar, ou sei lá. – falei calmamente.

Caminhei pelo lugar com Nevasca em minhas pernas, se entrelaçando e esfregando-se em minha pele. Era tão bom ter ela como amiga, embora fizesse apenas algumas horas de que estávamos juntas, algumas horas desde que ela me atacara, desde que eu a atacara com a flecha. Era estranho como tínhamos nos atacado e depois virado grandes amigas.

Eu estava distraída demais, até que dei de encontro com uma pessoa e cai no chão.

-Como sou desastrada. – resmunguei para mim mesma.

Uma mão bronzeada apareceu ali, estendida para me ajudar.

- Deixe-me levanta-la. – disse uma voz masculina. Ergui os olhos e vi uma replica perfeita de Apolo, mais jovem e, de uma maneira um tanto quanto nauseante, mais bonito.

Eu ainda o olhava daquela mesma forma, meio tonta, meio caída... Meio idiota.

- Perdão. – falei, quando percebi que ele me fitava. Me ergui sem sua ajuda, apenas me segurando no torso de Nevasca.

- Hum... Você é uma Caçadora, não? – perguntou, um pouco inseguro.

- Sim.

- Ah. É uma das Caçadoras de minha tia, então.

- Perdão?

- Sou filho de Apolo. A proposito, me chamo Sebastian.

Filho de Apolo. Que maravilha. Meu estomago estava completamente afundado novamente e tudo a minha volta ficou gelado, congelando o chão em que meus pés tocavam, voltando as várias lascas de gelo em meu corpo.

Sebastian fingiu não perceber.

- E você seria...? – perguntou ele.

Não sei se era por medo, ou por desejo ou sei lá porque, mas eu senti que deveria dizer a verdade para ele.

- Penélope. Filha de Despina e Caçadora de Ártemis.