Caçada

23 Bolha


Notas iniciais
desculpem a demora, é que fiquei ausente por culpa da falta da internet
realmente, me desculpem coisas fofas D;

- Fiquem todos juntos! Só consigo fazer a bolha de ar para todos se ficarem próximo a mim!- gritou Jessica a plenos pulmões, esquecendo-se completamente que estávamos do lado dela, podendo ouvir cada resmungo que ela dava. Vi que alguns enrolaram os olhos e se juntaram.

Fiquei ao lado direito de Thalia, como sempre. Jessica ficou no meio de todos nós, como uma roda no oceano. Senti a mão de Bruna em meu ombro e a respiração de Sebastian logo atrás de mim. Alguma coisa em meu estomago resolveu despertar e acariciar, fazendo cocegas e um frio intenso, tudo ao mesmo tempo.

- Deem as mãos. – gritou Jessica.

- Jessica, se acalme. Não precisa gritar tanto. –resmunguei, rolando os olhos.

Segurei a mão de Bruna e de Thalia. Como de costume, fechei os olhos e respirei fundo, prendendo a respiração no momento em que Jessica disse um “já” e todos nós enterramos a cabeça na água.

Demorou alguns segundos para que eu conseguisse perceber que estava mesmo respirando e conseguia enxergar tudo a minha volta. Por algum motivo desconhecido, meus cabelos flutuavam, mas, quando os toquei, eles estavam completamente secos e ainda cheiravam a perfume de flores. Pra falar a verdade, eu ainda estava com a roupa que Perséfone me obrigara a vestir para ir a Sala de Espelhos.

Observei enquanto todos tentam acreditar no que estavam vendo e no que estavam sentindo, até porque, ninguém ali tinha a benção de Poseidon ou era filho de Poseidon, exceto Jessica.

- Certo pessoal me siga. Não fiquem longe de mim, ou vão morrer afogados pela pressão e por falta de oxigênio. – disse ela, com aquela delicadeza de explicar as coisas que só ela tinha.

Soltamos as mãos e as seguimos, flutuando ou andando, não sei dizer, pela bolha. Vi um cardume de peixes vindo em nossa direção e muitos nadaram entre Thalia, Sebastian, Jessica e Bruna, o que era estranho, visto que estávamos em uma bolha de oxigênio e eles não ficaram se debatendo como loucos. Nenhum chegou perto de mim, o que me deixou em duvida se era por eu ser filha de Despina, a filha odiada de Poseidon ou porque eu estava cheirando a Jasmins, rosas e outras tantas flores. Acho que era mais pela segunda opção, embora muitos concordariam com a primeira.

- Ei. – sussurrou alguém em meu ouvido e eu levei um susto enorme. Virei-me e vi Sebastian atrás de mim.

- Como você conseguiu vir até aqui, se estava na minha frente e passou por mim sem que eu te veja? – perguntei meio perplexa. Um sorriso ofuscante vindo de Sebastian.

- Foi fácil. Você estava tão preocupada observando os peixes que não estavam chegando perto de você, que foi só eu chegar de fininho. Ah, e também não conseguimos fazer barulho nessa bolha, não?

Revirei os olhos e resmunguei alguma coisa sobre “na verdade é meu déficit de atenção” e ele riu como se fosse engraçado minhas desgraças. Esse humor tão belo de Sebastian, vou te contar, consegue ser pior que meu sarcasmo.

- Mas então... Você é mesmo... – começou ele, mas não conseguiu concluir. Dei um sorriso sarcástico.

- Encarnação de Zoe e uma peça de um jogo entre os deuses, sendo leiloada e batalhada pelas duas potencias que controlam o jogo. – falei ainda dando aquele belo sorriso sarcástico que só eu conseguia fazer, ou melhor, sei lá né... Vai entender.

- E por quê?

- Não sei... Eu só sei o que Zoe sabe, por assim dizer. E os Espelhos não quiseram revelar.

Um momento de silêncio.

- Você é contra ou a favor dos mortais? – perguntou ele, em um leve sussurro, que mais parecia um suspiro.

Parei por um momento, pensando e medindo sobre o que ele estava perguntando, por fim respondi sem qualquer emoção em minha voz.

- Eu sou a balança. – respondi, olhando fixamente para a frente.

- A Balança? – perguntou Sebastian, sem entender qualquer coisa que eu havia dito.

- Eu tenho que achar uma maneira de equilibrar as duas potencias. Mas posso cair com o peso de uma escolha, ou posso até mesmo me quebrar com o peso das duas escolhas.

Sebastian ia falar alguma coisa, mas foi interrompido por um movimento um tanto quanto estranho. Senti que a bolha estava se mexendo, por dentro e por fora. Era como se alguma coisa estivesse nos arrastando.

- Jessica, isso não tem graça. – resmunguei para ela, embora estivesse com um medinho de nada dentro de mim.

- Não sou eu, Geladinha. Juro. — respondeu ela, também assustada.

- Se não é você, Golfinho, é quem então?

Mas ela não respondeu de tão grande que foi o puxão que sentimos na bolha. Estávamos sendo arrastados e eu não conseguia pensar. Não conseguia achar uma maneira de tentar salvar-nos. Senti quando eu estava congelando um pouco a bolha, de tão apavorada que eu estava. Sebastian colocou a mão em meu ombro com um toque tão... Tão... Eu não sabia explicar, mas era algo bom e reconfortante. Logo derreteu o gelo por volta da bolha, só para voltar para meu estomago e se transformar em uma grande avalanche.

Eu estava olhando para Sebastian quando fomos violentamente arremessados para fora da bolha. Desesperei-me mais ainda e comecei a tentar ir para o alto, para a superfície, mas estávamos muito abaixo dela e eu quase podia sentir a pressão do peso da água tentando me esmagar.

- Se acalme menina. Você não vai morrer no mar, não seja besta. – disse uma voz masculina desconhecida e ao mesmo tempo, conhecida. O que era estranho porque, quando eu virei para observar de quem era àquela voz, eu não fazia ideia de quem era aquele pescador barbudo que estava a minha frente.

Pisquei algumas vezes, confusa demais. Será que era ele mesmo ou eu que estava ficando louca? Mas deveria ser, porque iria explicar o grande sorriso na face de Jessica e o sorriso do pescador para com a menina Caçadora.

Como Katie e Dionísio, Jessica deu um gritinho engraçado e saiu correndo para abraçar o velho.

- Papai!- cantarolou ela.

- Jessica, minha querida. – disse ele, sorrindo.

Mordisquei os lábios observando aquela cena. Com toda certeza, não iria acontecer comigo, nem com meu “pai” que não era meu pai, ou com a minha mãe que havia me criado só para causar confusão aos deuses.

Os olhos de Poseidon me encontraram novamente e ele soltou Jessica delicadamente, voltando-se para mim. Ele sorriu, um sorriso meio tímido e ao mesmo tempo confiante. Meio paternal e ao mesmo tempo desconhecido. Um amigo e um inimigo.

Ouvi sua voz novamente.

- Penélope, finalmente consegui conhece-la. – disse ele.

Olhei para baixo e dei um sorriso tímido, não sabendo se conseguiria olhar para ele.

- Vov... Poseidon. – consegui dizer, enfim.