Caça e Caçador
4 A valente salvadora... Sakura?
Notas iniciais
Espero que goste. Boa leitura o/
A agitação dos criados em mais uma rotina árdua de trabalho do lado de fora do quarto despertou Shaoran. Apesar das intencionais cortinas escuras bloquearem os raios quentes do sol daquela manhã, podia ver fios de claridade pelas frestas entre elas. Devido aos ruídos constatou serem meados do dia, entre nove ou dez horas no máximo.
Pensou em levantar-se, porém algo pesado sobre seu corpo o impossibilitou. Esfregou os olhos, e com o movimento ouviu suaves murmúrios femininos de contestação.
– Mas o quê... – Assustou-se ao baixar a vista e se deparar com uma Sakura aninhada em seu peito.
Fez tentativas fracassadas mexendo o corpo para tira-la de cima, no entanto, a mesma somente protestava sequer abrindo os olhos.
Merda! Com toda confusão acabei me esquecendo de pergunta-la como se chama. O rapaz lamenta se dando uma tapa na testa. – Senhorita... – Chamou uma, duas, três vezes e na quarta a sacudiu pelo braço.
– Ãn...! O quê? Que horas são? – Boceja, erguendo o corpo.
– Não sei. Não consigo ver as horas daqui, mas acredito que sejam dez horas da manhã.
Ela observa em silêncio o chinês deitado abaixo de si por cerca de instantes. Pisca algumas vezes processando, para depois reagir engatinhando de costas para o mais distante que conseguia. Sua atitude levou a uma queda brusca no chão.
– Você esta bem? – Pergunta a vendo se levantar reclamando.
– Aiaiai... Estou... – Responde com dificuldades.
Recuperada do tombo, apodera-se de um dos travesseiros espalhados ao redor da cama, o fazendo de escudo.
– O que você fez? – Acusa, semicerrando os orbes verdes.
– Ora essa. Nada! Foi à senhorita que dormia debruçada em mim.
Sakura sente o rosto ferver por detrás da almofada felpuda, e não soube identificar se era raiva ou pura vergonha. Sorte a dela por ter algo no qual pudesse esconder a face naquele momento.
Pego de surpresa, Shaoran ainda consegue desviar-se do primeiro arremesso, mas o segundo lhe veio em cheio no rosto. A menina se apossava dos travesseiros que estavam no chão, atirando-os enquanto gritava “pervertido” em alto e bom som.
– Como? Mas o assediado aqui fui eu. – Shaoran defendia-se do bombardeio com outra almofada.
Dando as costas sem mais munição, entorta a boca cética. – Até parece que vou assediar um track... – Se interrompe, engolindo em seco. O coração logo acelera dentro do peito à medida que o estomago embrulha igualmente a quando o corpo esta em queda livre. Ficou na mesma posição, paralisada, esperando por uma reação da parte dele à menção que fez; Tracker. Como não teve resposta, virou-se o vendo procurar e calçar as sandálias abaixo de um amontoado de panos no chão.
Ele não me ouviu. Suspirou aliviada, quase desabando por causa das pernas tremulas. Nunca imaginei ficar tão feliz por ter sido ignorada. Seu eu interior soltava fogos de artificio em nome dos ignorantes.
– Venha, vamos descer. A Senhorita precisa fazer meu café da manhã. – Informa atravessando a porta.
– Queeeeeê...? – Fim de festa.
(...)
– Sakura. Não é esse seu nome? – Shaoran a interrompe de seu passeio curioso pelo escritório. No momento olhava com interesse a diversidade de livros nas inúmeras prateleiras de madeira antiga que subia até próximo ao teto. Boa parte das paredes estava coberta por estantes. Uma visão incrível para os amantes da leitura, o que não era o seu caso, mas que a fez lembrar carinhosamente do instrutor e melhor amigo de seu irmão, Yukito. – Essas serão suas tarefas diárias.
Uma folha impressa de papel ofício é estendida para Sakura. Ela toma de imediato resmungando ofensas silenciosas para o rapaz que ousou cortar seus pensamentos na melhor parte. Com pouco mais seu cenho franze.
Antes do almoço...
– Era só o que me faltava! – Impaciente, Sakura caminha de um lado para outro fazendo uma trilha de areia onde antes houvera grama. Na área verde, no quintal da casa próximo ao lago, desabafava com a empregada que conheceu no leilão e aparentemente se importava, pois a ouvia com muita atenção.
Shino relia o papel sentada num tronco quebrado de arvore frente à menina. Seu semblante permanecia inalterado, nada lhe era novidade naquela folha. – E o que você esperava, Sakura? – Indaga devolvendo a folha.
Chocada com a sinceridade na voz da morena, procurou argumentos se enrolando nas próprias palavras. – Achei que a cozinheira que preparava as refeições.
– E prepara, contudo você que irá servi-lo. – Shino dá de ombros, olhando de soslaio. Divertia-se com a cara encabulada de Sakura.
– Então serei uma garçonete? – Revida. Perai, estamos em uma disputa ou o quê? Pensou.
– Garçonete, lavadeira, secretária, faxineira... – Responde, enumerando nos dedos. – Não reclame, Sakura, pior seria não acha? – Ergue as sobrancelhas, sugestiva. Xeque mate! Mordendo os lábios, a menina lembra-se do verdadeiro motivo de sua compra.
Saltando do tronco, a criada tateia o avental a procura de algo. – Vamos que o almoço será servido daqui a uns trinta minutinhos. – Mostra o relógio de bolso. – Fique despreocupada que vou lhe dizer tudo que precisa fazer até se acostumar.
– Por que esta sendo tão legal comigo? Sei que não é pelo fato de estarmos no mesmo patamar.
Shino desvia o olhar, e em meio ao silêncio se consegue ouvir a pequena queda d’água nas pedras do lago. – Tive um sonho há meses atrás, e nele via que uma valente garota com olhos brilhantes como os da joia esmeralda nos salvaria daquele que quer se apoderar dos poderes de Tsubasa para destruir a todos que se opuserem a ele. – Segurando as mãos de Sakura, seu tom ao falar as próximas palavras é alarmante. – Não podemos deixa-lo pegar as asas de Tsubasa, muito menos que ela morra, ou todos nós morreremos também.
– Calma, calma! – Pede tanto para a morena alterada, como para si própria já que ficou nervosa com o jeito da criada falar. – Mas o que eu tenho a ver com isso?
Voltando ao jeito normal, o sorriso malicioso de Shino faz Sakura se arrepiar da ponta dos pés aos fios do cabelo.
– Pressupõe que eu seja a suposta salvadora valente? – Debochou, mas quando viu o balançar positivo de cabeça, afastou-se trôpega. – Você esta brincando, eu não posso ser ela! Tenho até medo de fantasmas. Não acha que isso já me descarta como valente?
– Tenho certeza que a bruxa é você.
– Shhhhh... – Sakura coloca o indicador na frente dos lábios pedindo silêncio. Olhou em volta, principalmente na direção da casa. – Quer que todos saibam que sou... Aliás, como sabe que sou uma bruxa? Aquele Fay-san fofoqueiro...
– Não. Não foi ele quem me disse, percebi assim que a encontrei. Tenho somente três asas, sou fraca como pode sentir, entretanto sou bruxa e faço o básico como qualquer outra de grande poder. Agora me conta, quantas asas você tem?
– Bem... É que... Sabe... É que... – Errada, coça a cabeça finalizando com um "não sei" nada convincente.
– Tudo bem, eu posso sentir. – Segurando nas mãos da jovem flor, Shino fecha os olhos, concentrando-se. Todo o barulho ao redor, como o canto dos pássaros, as águas da correnteza e o farfalhar das folhas que ainda estavam nas cerejeiras entre outros, cessam, restando apenas o vácuo.
Que estranho. A voz reverbera no vazio. As penas deveriam aparecer agora, belas e brilhantes, porém não consigo ver nada. Abraça o corpo ainda flutuando. Esse escuro está me deixando apavorada. Pingos d’água chegam ao ouvido da morena, e seus pés finalmente alcançam o chão. A cada passo o som das gotículas aumenta, de repente tochas iluminam o local e Shino se vê em meio a um corredor fechado de pedras. Ela olha assustada para trás e quando torna se depara com uma grade de ferro onde há um instante não havia nada. Cautelosa e curiosa aproxima-se.
Barulhos de correntes se arrastando por algo ou alguém notar sua presença a faz parar, ficando completamente congelada sem ao menos respirar. Por trás da grade uma enorme ave abre suas asas piando.
– Ah!! – Grita soltando-se de Sakura, e caindo de bunda no chão engatinha para ficar a metros seguros de distancia. – O-O que é isso dentro de você. – Aponta tremula.
– Não se assuste, por favor. Ela esta selada.
– Esse... é o seu poder? – Respirou fundo, tocando o peito. – É inacreditável! Nunca vi em toda minha existência algo assim.
– Eu consigo usar metade dos poderes dela, mas não sei informar o quanto. – Sakura lhe estende a mão.
– E como ela se chama? – Pergunta, aceitando a ajuda.
– Na verdade... – A jovem flor aperta os lábios. Bem que gostaria, mas ainda não era seguro contar. – Não sei. – Mentiu. Cogitando ser melhor assim por enquanto.
– Eu sabia que era você. – Alegre, Shino abraça Sakura. – Minha nossa! Já esta tarde. Vamos nos atrasar para o almoço. – Segurando a menina pelo pulso, praticamente arrastava de volta para o casarão.
Notas finais
Assim como Mokona Apapa, uma das integrantes do CLAMP, criou um bichinho para participar do anime e interagir com seus personagens favoritos, somente fiz o mesmo. Prometo que ela e Jun serão as únicas desconhecidas na fic, os demais serão os mesmos do anime.
Agora sim, no próximo capítulo Sakura vai declarar guerra a Shaoran para se vê livre dele e de suas tarefas. Será que ela conseguirá ou se complicará ainda mais?
Até o/
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