Caça às Baleias! The Sea Soldiers.
4 Tarde demais
Notas iniciais
“.....Ficamos felizes que esteja bem....”
“....Cortando o sinal....”
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Hiroki gritara com pelo menos metade de meus colegas antes de subir até a cabine do capitão. Puxaram a caça apressadamente da rampa que dava ao alçapão e tentaram enfiá-la em algum canto do navio, porém aquela Bryde era tão espaçosa que mal coube no lugar que descobriram. Eles não sabem que existe um lugar exato para ela em cima do convés? Durante esse processo, permaneci intacto perto do arpoador. Como ela não ficara um tempo determinado dentro d’água, muito sangue escorrera pelo chão, tornando-o mais sujo e grudento do que antes. Existe cheiro de sal no ar. Eu sabia como as coisas funcionavam nessas horas, pois já presenciara; mas nunca ficara realmente entre a linha de fogo. Existe uma grande diferença entre praticar e “ficar só olhando”, aprendi com meu pai, e ele estava certo, pena que não poderei lhe dizer isso...
O navio “pirata” a nossa frente parece pouco disposto a sair da rota. A neblina finalmente estava abaixando e pude ver o navio de produção se aproximando de nós; Logo, perceberão os problemas e irão embora; Capitão Satou já deve ter lhes avisado. Eles começaram as coisas antes da temporada de verão, praticamente estão à meses em alto mar. Já devem estar lotados e o que pegamos não fará diferença, afinal, existem outras dezenas de nós oceano afora! O resto do cardume já fora embora, portanto seria preferível, em minha opinião, dar meia volta e voltar ano que vem. Mas Hiroki parece disposto a executar o fim de nosso serviço, seja pelo lado bom, ou no pior dos casos, o lado péssimo.
Dentre a correria, percorro sutilmente o convés asqueroso e subo às escadas, que ficam perto da popa, em direção a cabine. Lá, vi o que seria o pandemônio.
Hiroki estava possesso, parado atrás do corpo alongado e robusto de nosso capitão, Satou, que falava calmamente (ou pelo menos tentava) ao rádio para uma mulher furiosa. Atrás da porta, ouvi o máximo que pude suportar. Percebo que ambos falavam em japonês; algo incomum, levando o fato de que a maioria dos “piratas” que tive o desgosto de conhecer eram estrangeiros.
Ela gritava e seu rádio parecia estar com um terrível defeito. Esses caras podem não ter dinheiro, mas nada justifica não comprar m rádio descente. Ela falava que nossas ações eram ilegais, e mesmo com uma ótima resposta de Satou, ela conseguiu virar a mesa quando falou sobre “fazer as coisas de fachada”. Ele não possuiu nenhuma coragem de desmentir e desligou o rádio. Virou-se para Hiroki, conturbado:
– É melhor nós pararmos aqui, Hiro! — E ele gagueja – Eles já têm o suficiente! Vamos jogar essa daí pros tubarões e voltar para Nagoya!
– Cale-se! Eu não naveguei nessa merda á semanas para isso! – Hiroki executa algum golpe que não identifiquei, e derruba Satou no chão, que ali permanece. Ele pega o timão do navio. – Já sei o que fazer...
Ele move o rumo para estibordo, e seguimos em direção ao outro “pirata”, que mal pousara sobre a água um bote com uma mulher e uma coisa que parece uma bazuca. Hiroki aumenta alguns nós de velocidade e pressinto o pior. Olho para fora e traço nossa trajetória; se seguíssemos por aquela rota, conseguiríamos ultrapassar o navio a nossa frente, que estava pairando e não acumularia velocidade o suficiente para dar a volta, mas passaríamos de raspão no costado do outro navio à direita e atingiríamos aquele bote. Começo a suar frio. Não vim aqui fazer essas coisas. De repente, algo estrondoso caiu sobre o convés a meia-nau.
A substância liberada pela bomba caseira melecara o chão e o tornou escorregadio como gelo. Isso nos atrasaria muito, mas rio com desgosto: finalmente, alguém iria pegar no esfregão. Mas havia algo mais sério para impedir; outra bomba atinge nosso navio no convés a vante, perto da proa. Corro na direção de Hiroki e seguro o timão.
– Ei! Você não pode fazer isso! – grito enquanto tento diminuir os nós de velocidade. –
Vamos atingir aquele bote!
– Me largue, agora! – de repente, um estrondo forte ocorre no costado, a lateral do casco. O equilíbrio é abalado e quase caio no chão, mas continuo a tentar diminuir o número de nós. Por algum motivo, aquele navio deve ter seguido para frente, tentando nos bloquear e provocar um aquartelamento, mas o acertamos em cheio com a ponta da proa, e danificamos seu casco de tal forma que logo estaria embaixo d’água. Mas não havia terminado. Hiroki caiu no chão e ficou junto de Satou, e tentei diminuir a velocidade, mas não havia terminado. Ela ainda esta na nossa frente, e o navio de produção passou por trás de nós; Por que não se move? Vamos! Ligue esse motor!
Algo bate na ponta da proa do navio, e tudo o que posso gritar é:
– ELA NÃO É UMA BALEIA!!!!
Tarde demais.
O navio maior seguiu seu curso, sem ligar para o que ocorrera. Sinto-me encolerizado, não só com Hiroki, mas por ela também, por não ter movido o bote a tempo, e por mim, por não ter pegado a merda desse timão antes de isso ocorrer. Meus amigos tentam entender o que acontecera, mas as partes restantes daquele barquinho se foram, já estavam longe, com a maré. Hiroki levantou-se e se apoiou na parede. Não sei bem o que dera em mim, pois quando percebi, segurava seu colarinho.
– Seu irresponsável! – eu gritava. – Nós matamos aquela pessoa! Não sou pago para isso! Onde está a nossa honra?!
– ...Já não temos honra há muito tempo... – ele tentou dizer mais claramente. – Mas isso já não significa nada; nem para você, desde que pegara naquele arpão pela primeira vez...
– Não, não é assim que funcionam as coisas! É diferente! Eu não tinha escolha!
– ...Nós sempre temos escolha... Você escolheu o que era mais disponível... Eu lhe entendo...
– Não entende... – eu largo sua roupa, e lhe olho com ódio. – O que há com as pessoas desse navio?
Um chiado toma conta da cabine. Era um sinal de rádio com uma interferência terrível, mas uma voz conseguia sair daquilo de alguma maneira. Era em inglês, mui fraco, mas percebi de quem era imediatamente.
Ela pedia ajuda da Marinha, que estava a milhares de milhas de nós. Ouso responde-la, e peço aos meus colegas que abram o alçapão...
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