CORA & OS CAÇA-MONSTROS

1 Capítulo 1 - Yuri, Samira, Peterson & Cora


Ele se esgueirou cauteloso por entre o jardim que conhecia muito bem, com cuidado para não ser visto apesar da escuridão recente pelo fim do dia. Suas mãos tremiam como a dizer que o efeito da pedra que tinha fumado estava passando e logo teria que providenciar outra para amainar aquele sintoma desagradável. Estava ali com a única intenção de aplacar um pouco a saudade que lhe inundava o peito, desde que fora embora de casa, expulso pelo seu pai. Não tivera nenhuma chance de ver as gêmeas. Yana e Yelena, suas irmãs caçulas, deveriam ter crescido um pouco nesse tempo em que passou afastado dormindo embaixo de viadutos, disputando espaço com ratazanas de esgoto, enrolado em farrapos que não sabia bem o que lhe protegia.

Àquela altura, seus pais estavam no maldito templo entregando o que sobrara da venda da massa falida de sua indústria de confecções. Ele estava certo de que o pai perdera tudo devido ao seu fanatismo religioso que o cegava diante das verdades que gritavam tão alto que um surdo poderia escutar do outro quarteirão. Fora enxotado de casa quando o descobriram pitando um cachimbo dentro do seu quarto há seis meses e nem tiveram a pachorra de perguntar o porque daquilo. Passaram-se anos sem que dessem ouvidos aos seus clamores de que a empresa estava indo de mal a pior, sangrando em dívidas. Ele trabalhava no escritório no turno da tarde depois da escola e sabia que os valores destinados aquelas faturas estavam sendo desviados sistematicamente para as obras de caridade alegada pelo seu pastor, que ao tomar conhecimento das dificuldades que o seu pai atravessava, apenas dizia.

— Deus operará o seu milagre. Tenha paciência!

Sua mãe é que fora operada às pressas para a retirada do seu útero coberto de miomas num hospital público, já que o plano de saúde também não era uma prioridade familiar naquela casa. Ele ainda estava com uma aparência razoável mesmo após três semanas dormindo na rua. Peterson havia lhe levado umas roupas dele próprio pois vestiam o mesmo número, apesar de perceber que os ossos começavam a ganhar contornos na superfície da pele devido a sua falta de fome e dos efeitos que o seu corpo sentia pelo consumo massivo do entorpecente. Esperou que o seu pai saísse do hospital e conseguira entrar na ala de internação pouco antes do horário de visitas se encerrar. Não sabia dizer se os olhos arregalados de sua mãe quando o viram era de dor ou surpresa por ele ter aparecido.

— Yuri – Pronunciou numa voz fraca, tentando esticar o braço que estava preso a mangueira de soro na direção dele.

— Vim ver como a senhora está.

— Ficarei bem. Mas você.... está careca! – Balbuciou com os lábios tremendo para em seguida comprimir os olhos e chorar baixinho.

Chamou-o para perto e conseguiu dizer entre dentes.

— O seu pai não me deixou procurá-lo. Ele não me deixou procurá-lo!

— Eu sei que tudo de ruim que houve nas nossas vidas têm o dedo dele. Só um cego não via as coisas que qualquer um estava vendo. Só quero ver até a obstinação dele vai. Sinto muito porque a senhora vai ser arrastada pro mesmo buraco que ele. Temo pelas minhas irmãs.

— Eu tentei Yuri. Eu tenho medo dele. Várias vezes enquanto discutíamos antes de ir para a igreja ele tirou o cinto da calça e levantou contra mim. Se eu ainda o suporto é pelas meninas e por você – Ela afirmou segurando a mão dele com firmeza e percebendo o quanto estavam macilentas.

Quando o seu raciocínio começou a ficar embotado ele beijou a testa da mãe e pediu que ela jurasse não deixar Yana e Yelena esquecer dele.

— Como isso poderia acontecer se era você quem as colocava pra dormir contando histórias. Eu tento fazer o mesmo, mas parece que elas ainda não entendem muito bem as passagens do livro sagrado.

Olhando ao redor como um coelho assustado, ele aproximou-se da janela do quarto das gêmeas e deu uma pancadinha de leve. Ainda era cedo, mas ele sabia que tinham o costume de recolher-se tão logo tomavam banho e comiam algo. Suas irmãs contavam com sete anos, e assim como ele, também sofreram o seu quinhão. Saíram de uma escola particular conceituada para a escola pública mais perto de casa. Só não perderam o ano porque já possuíam uma base sólida de conhecimento para os dois anos letivos seguintes da escola em que agora estavam matriculadas.

Primeiro foi Yelena quem ouviu as batidinhas no vidro da janela e ficou em alerta, olhando para Yana que tentava ler uma história em voz alta. Um segundo depois ouviram a voz que mais sentiam falta de escutar nesse mundo. Correram para abrir a janela ao mesmo tempo, atrapalhando-se um pouco para destrancá-la. Ao deparar-se com o rosto do irmão do lado de fora, pularam de alegria no seu pescoço quase o sufocando.

— Calma meninas, calma. Não façam tanto barulho. Pssss! – Pediu ele, pulando o parapeito para dentro do quarto, sabendo que D. Eurídice, a empregada de idade avançada, já devia estar dormindo na cadeira de balanço em frente a tevê.

Por meia hora Yuri esqueceu por completo os sintomas da abstinência que lhe acossava. Viu que o seu kimono de jiu jitsu estava dependurado numa cadeira ao lado da cama das meninas. Talvez fosse uma maneira delas ficarem mais perto dele. Escondeu os olhos marejados apagando a luz do quarto e colocou as irmãs na cama, contando-lhes uma história. Depois que estavam imersas num sono profundo, cobriu-as e saiu pela janela com cuidado para não fazer barulho. Como não podia trancá-la por fora, ficou escondido atrás de um muro baixo num terreno em frente até o carro do seu pai estacionar ali. Ainda teve tempo de ouvi-lo cantando um hino religioso alegremente enquanto girava a chave na porta. Que Deus era aquele que via a sua família desmoronar sem fazer nada?

Enquanto se afastava rapidamente, pensava numa maneira de fazer Zenon, seu fornecedor, lhe vender fiado. Ele tinha que dar um jeito de fumar ao menos duas pedras antes do dia amanhecer. Não fazia ideia que suas irmãs, em sono profundo, sonhavam com as passagens da história que ele havia contado. Pinóquio. E que viam o nariz do irmão crescer no sonho. No íntimo, apesar da pouca idade, elas não acreditavam no que ele havia lhes dito. Que iria fazer uma longa viagem e quando menos esperassem estaria de volta.

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O ano letivo estava no fim e a cantina estava quase vazia. Sentaram-se com uma bandeja apenas para ambos e sorveram um primeiro gole de suco antes de atacar as duas coxinhas com catupiry que repousavam convidativas ali na mesa.

— Estou agoniada. Me conta logo como está o Yuri? – Questionava Samira, numa aflição represada pelas últimas vinte e quatro horas, desde quando soube que o amigo iria vê-lo.

— Não me pareceu nada bem. Levei umas roupas pra ele. Me disse que ia dar um jeito de ver as irmãs e precisava estar com uma aparência melhor. Raspou a cabeça e acho que tá perdendo peso.

Ela sabia que não estava digerindo bem as duas coisas. A coxinha e a informação dada pelo colega, afinal namorara o garoto por três anos até ele sair da escola inexplicavelmente no meio do ano e perderam contato, até saber da sua degradação por Peterson, seu amigo mais chegado. Um afro americano de dezessete anos, um a mais que ela própria, e mesma idade de Yuri. Fora adotado por um casal de diplomatas Dinamarqueses e desde pequeno morou em vários países, tornando-se um rapaz culto e poliglota. Tinha um cuidado especial com o seu cabelo black que cuidava como se fosse uma joia. Era forte e sorridente, mas não tolerava levar desaforo pra casa, principalmente se o assunto dissesse respeito a cor da sua pele.

Samira por sua vez, era uma garota dona de uma beleza natural, morena de cabelos negros, lisos e longos, que usava sempre soltos. Tinha uma compleição de falsa magra e usava uns óculos de desenho antigo que lhe conferiam um ar nostálgico parecendo ter mais que os seus dezesseis anos de idade, e que lhe emoldurava os enormes olhos de pupilas negras que viviam dilatando-se como a se refletir o turbilhão de sentimentos que ela centrifugava dentro da alma quando o assunto era Yuri. Gostava de usar calças e quase nunca era vista de saias.

— Tenho que dar um jeito de levar Yuri pra fazer o teste de compatibilidade da medula. Meus pais já não sabem o que fazer. Cora já têm dez anos e não têm muito tempo – Refletiu Peterson com tristeza lembrando da irmã que vivia dentro de uma bolha de oxigênio e padecia de uma doença rara, a Síndrome de Chediak-Higashi que atingia o sistema imune, levando-a a uma incapacidade de lutar contra invasores como vírus e bactérias, e que também era a causa do seu albinismo.

— Lamento que a minha também não tenha sido compatível – Emendou ela um pouco aérea, mordiscando a coxinha que se encontrava praticamente intacta.

— Mas ela é uma guerreira, tenho certeza que vai sair dessa. Vamos encontrar um doador nem que pra isso eu tenha que sair por aí espetando agulha no traseiro do mundo todo pra recolher medula óssea – Brincou o rapaz, sabendo o quanto seria difícil sua irmã sobreviver quando chegasse a fase aguda da doença. Era conhecida como fase acelerada. Os leucócitos defeituosos se dividiriam sem controle e invadiriam muitos dos seus órgãos. As consequências seriam terríveis, causando desde sangramento anormal até a falência dos órgãos afetados.

Ela abriu um sorriso que combinava com a esperança do amigo e o fez admirá-la por um segundo a mais que o normal. Ele nutria um sentimento especial pela moça, mas no seu íntimo havia algo que o impedia de ser mais impetuoso. Algo que dizia respeito a amizade que tinha por Yuri, afinal eles namoraram por um longo tempo. E ele sabia que Samira ainda o amava. Quando ele fora transferido da escola particular para a pública ela conseguiu vê-lo algumas vezes na saída das aulas dele.Logo viu a insatisfação pela mudança brusca de vida estampado no seu rosto. Percebeu que algo dentro dele gritava, queria se manifestar, mas não havia palavras que expressassem a dor que ele estava sentindo. Questionara ele sobre os motivos e ele respondia com evasivas. Dois dias depois ele deixou de frequentar as aulas. Preocupada, tentou ligar para a sua casa, mas quem atendia era sempre o seu pai, ela conhecia bem a voz. O homem lhe dizia que não morava ninguém ali com aquele nome. Ele fora expulso de casa, soubera por Peterson, para quem Yuri ainda ligava. A partir desse dia ela deixou o tempo passar. E ele passou. Mas não amainou o amor que sentia. A tristeza deu lugar ao medo. Medo de ter que vê-lo outra vez com os seus próprios olhos e ficar chocada com o seu estado a ponto de querer esquecê-lo para sempre. Ela tinha medo de deixar de amar Yuri. Por isso ainda não o tinha procurado na rua.

Com a sua coxinha ainda pela metade, olhou pro relógio e se assustou.

— Meu Deus Peter! Tenho que ajudar vovó a fazer supermercado! – Disse, levantando-se e deixando o que sobrara do petisco na bandeja. Deu um beijo na face do amigo e foi até o banheiro. Olhou as portas dos cubículos abertos e certificou-se que não havia ninguém ali. Abriu a bolsa e tirou de lá uma escova de dentes, que usaria na boca. Mas não para escovar os dentes. Ao invés disso, enfiou o objeto na garganta, abaixou a cabeça dentro da pia, e tão logo o estômago se contraiu ela vomitou. Satisfeita com a quantidade de alimento que expulsara de dentro de si, abriu a torneira e fez longos gargarejos, deixando a água levar os despojos do seu regurgito e desta vez deu o uso correto a escova. Quando o rubor da sua face diminuiu, ela se recompôs passando batom e borrifando um pouco de perfume achando que estava exalando o aroma do suco gástrico. Penteou as melenas e saiu da escola tentando ver beleza nas fotos que a sua avó lhe mostrava dos seus pais. Ambos eram gordos e aquela adiposidade seria transferida para ela caso não se cuidasse.

O analista que cuidara do seu caso anos após a morte dos seus pais em um acidente aéreo quando ela tinha somente três anos de idade, chegara perto de descobrir o motivo da sua bulimia. Em pesadelos recorrentes ela via o peso dos pais como a causa que derrubara o jato e os matara. Era algo ridículo de se pensar agora que se passara tantos anos, mas o pesadelo ainda voltava e sempre com mais clareza e rico em detalhes.

Peterson viu a amiga ir embora pensando numa maneira de convencer Yuri a ficar limpo por pelo menos um dia para tentar fazer a coleta da amostra de sua medula. Ele tinha certeza que o amigo faria isso por Cora, apesar de saber de antemão que ele ia sofrer o diabo. Ele tinha que dar um jeito de tirar o amigo daquela vida, mas desde que ele também quisesse sair daquele mundo sombrio e sem futuro. Iria falar com ele no dia seguinte logo cedo. Sabia onde encontrá-lo. Na zona dos mortos vivos, a cracolândia.

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Eram duas horas da madrugada quando Astrid entrou no quarto com uma caixinha contendo dois camundongos vivos e na outra mão o maldito suco que ela odiava tomar. Através do fino plástico da bolha que a separava do mundo normal ela viu a empregada cumprir o ritual noturno ordenado pelos patrões. Aproximou-se da imensa gaiola de Monarca, sua coruja albina dos olhos vermelhos, que a essa altura estava agitada de fome, abriu uma portinhola e introduziu a caixa, cujo conteúdo se debatia nervosamente antecipando a cena que viria a seguir. Após fechar com segurança a porta da gaiola, a mulher abriu a tampa da caixa liberando o seu conteúdo. A ave girava a cabeça de excitação emitindo guinchos, e tão logo a mulher se afastou, desceu num pulo em direção ao seu jantar. Com apenas um golpe dado com o bico afiado rasgou os dois ratos na altura da barriga, que levaram poucos segundos para cessarem os espasmos musculares. Monarca já se servia do segundo camundongo e Cora ainda nem tinha tocado no seu suco cheio de cenoura, aipo, pepino, beterraba e salsa. Aquilo, dizia a sua mãe, aumentava a imunidade do seu organismo. Bebia mais para satisfazê-la do que propriamente por acreditar. Tampou o nariz e engoliu tudo fazendo careta.

Como as noites eram mais frescas, fazia tempo que trocara o dia pela noite. Normalmente dormia às 9h da manhã, em tempo de beijar os seus pais antes de saírem para o trabalho, sob efeito dos remédios que ingeria no fim da madrugada. Despertava no crepúsculo, quando o seu quarto já estava na penumbra, para receber outro beijo de Jorgen e Karen, desta feita chegando em casa. Esses beijos eram precedidos por uma intensa assepsia por parte deles, colocação de máscaras e luvas especiais antes de entrarem na bolha, evitando serem agentes de algum micro organismo que pudesse infectar Cora. Ela achava que se ao invés de uma bolha, dormisse num caixão, bem podia ser uma vampira. Era branca como uma vela, vivia à noite e os seus sucos tinham a cor de sangue. Mas os vampiros viviam para sempre e ela não sabia quanto tempo ainda lhe restava.

Olhou a imagem de Jesus num crucifixo de prata pendurado na cabeceira da sua cama, pelo lado de fora da bolha, que o seu pai tinha comprado em Israel quando era adido na embaixada da Dinamarca em Tel Aviv, e percebeu pela primeira vez que não tinha fé. O que ela sentia era uma vontade de viver, de sair por aí por si só, respirar o ar, sentir cheiros, ouvir os ruídos da rua, fazer amigos! Como sentia falta de conversar com mais gente. Não que ela reclamasse de falta de atenção por parte dos pais ou do irmão, que não passava um dia sequer sem tomar-lhe a lição do seu estudo à distância. Seus amigos eram todos virtuais. Achava que muitos só tinham tempo para ela porque se compadeciam. Outros por curiosidade mórbida. E outros poucos, bem poucos, porque ela era um ser humano como qualquer outro e era assim que gostava de ser tratada. Sentia falta das visitas de Yuri e Samira.

Ela era aficionada em jogos, principalmente aqueles que simulavam uma realidade alternativa, que era uma maneira de escapar temporariamente da sua bolha prisão, mesmo que apenas na sua cabeça. Mas já andava meio enjoada de The Sims, Minecraft, MythRuna, Cube World e Habbo, quando ouviu falar pela primeira vez, numa sala de bate papo, sobre a chegada do Pokemon Go. Nunca fora uma fã dos monstrinhos, mas parece que a coisa ia chegar com uma abordagem diferente. Realidade aumentada. Uau! Aquilo sim podia ser algo. Passou a ler tudo a respeito e salivava quando saia alguma notícia. Passava mais tempo pesquisando sobre o desenvolvimento do game do que jogando propriamente os que já tinha costume. Pediu aos pais que comprasse o jogo de cartas do Pokemon antigo e começou a se habituar com a coleção dos monstrinhos. Quando já não aguentava mais de ansiedade, depois de meses roendo as unhas, eis que o jogo aparece como aplicativo no seu celular.

— Peter! Peter! Peter! – Gritava pelo celular com o irmão que ainda não tinha se acostumado com os horários estranhos da irmã.

— Ãhn! Cora, são quatro da manhã pelo amor de Deus! – Protestou ele ainda deitado olhando pro rádio relógio na cabeceira da cama.

— Você está de férias irmãozinho! Finalmente o Pokemon Go saiu! – Gritava ela de excitação, enquanto Monarca nervoso dava giros completos da sua cabeça sobre o eixo do corpo vigoroso coberto de plumas brancas, abrindo as asas enormes, como a festejar junto com a sua dona.

— Eu pensei que você não gostasse dos monstrinhos. Vou te ver aí no seu quarto – Retrucou pondo-se sentado, tateando as sandálias com os pés, na escuridão.

— Não precisa. Vá dormir. Eu só queria dividir a minha alegria com alguém. Te amo irmãozinho. Durma com os anjinhos – Disse soltando um beijo pelo telefone.

O irmão pensou bem na figura albina, quase celestial da irmã, e imaginou que para anjo só lhe faltavam as asas. Estava bem servido de anjo. Ele próprio estava tentando ganhar essa promoção para ver se tinha o poder de persuadir Yuri a sair daquela vida. Precisava dormir. O dia prometia ser difícil e pelo jeito teria que aprender a jogar o tal Pokemon Go rapidinho para ter mais um assunto para discutir com a sua irmã. Como ele amava aquela criatura.