COEUR

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Boa leitura a todos!

— Dois meses? Não posso me casar em dois meses — anunciei com raiva.

— Por que coeur? – disse David.

— Eu já disse para não me chamar assim! – detestava quando ele me chamava desta maneira, como se fossemos um casal apaixonado. – David, faltam poucos meses para os exames finais – tentei justificar como era loucura a ideia de realizar o casamento em dois meses.

Ele aproximou-se segurando meu rosto com suas mãos frias e macias, então disse — Apenas até as provas acabarem, couer! – e sorriu vitorioso.

Fim do flashblack

— ZOEY — gritou Julie no andar de baixo.

Hoje ela está mais histérica do que o normal. É o grande dia, finalmente ela irá se casar.

— O que foi desta vez, Julie? – perguntei enquanto descia as escadas.

— Você ainda está de pijama? – falou indignada. – O casamento é em poucas horas, Zoey Miller – disse gesticulando com as mãos. Ela sempre fazia isso quando ficava nervosa. – Sabia que convidá-la para ser minha dama de honra não seria uma boa ideia. – disse passando a mão sobre o rosto.

— Respira, Julie. – falei. – Não são nem dez horas da manhã e seu casamento só começará as cinco da tarde. Terei muito tempo para me arrumar. – afirmei. – É melhor você ir para o salão da Georgina se arrumar e me deixar quieta. – sugeri piscando para ela.

— Já estou de saída! – falou pegando sua bolsa de uma imitação barata da Louis Vuitton. – É bom você estar na igreja na hora certa! – ordenou em tom ameaçador. – Esteja linda! — gritou fechando a porta da casa.

Aproveitei que já estava acordada e fui até a cozinha para tomar café da manhã. Subi na banqueta de madeira que ficava em frente a península para procurar a caixa de cereais de chocolate que havia escondido da Julie.

— Porque eu fui colocar isso em um lugar tão alto? — disse a mim mesma.

— Para a sua irmã não achar e comer tudo de uma vez. – contou pai com bom humor entrando na cozinha.

— Bom dia, papai! — disse descendo da banqueta quando enfim consegui alcançar a caixa de cereal. Beijei sua bochecha.

— Quando vocês eram crianças viviam brigando por causa dos brinquedos que vinham dentro das caixas de cereais. – lembrou sorrindo.

— Julie sempre dizia que ela tinha que ter mais brinquedos por ser a mais velha. – lembrei.

— Julie sempre achou ter mais vantagens por ser a filha mais velha. – falou papai.

Era bom vê-lo sorrindo. Desde David Carter não o víamos sorrindo muito.

— Eu estou feliz por sua irmã, mas – pausou. – Não consigo parar de pensar que em breve você que irá se casar com alguém que não ama por minha causa. — falou com a cabeça baixa deixando uma lagrima escorrer por seu rosto.

— Papai não chore! – o abracei. – Eu disse que encontrarei um jeito de pagar a dívida antes que eu me case com ele.

— Que jeito, querida? Você assinou um contrato, não tem como mudarmos isso. – ele balançou a cabeça, como se tivesse perdido a esperança.

— Eu tenho certeza que algum banco vai nos conceder um empréstimo. – chacoalhei seus ombros, sorrindo.

— Querida, David Carter tem influência em toda a cidade. – seus olhos estavam sem vida. – Você sabe que o dono do único banco que poderia nos dar esse empréstimo é padrinho do David. Ele nunca vai autorizar uma coisa dessas.

— Não importa! – disse. – Não vou desistir! – afirmei.

As horas passaram rápido e logo já estávamos no local do casamento, que ironicamente havia sido David o grande benfeitor da cerimonia e da festa para cem convidados regada a Chandon e canapés de tartare. Julie pode não admitir, mas está adorando esses presentinhos do Carter.

Taylor estava pálido de nervosismo em seu black-tie, que certamente tinha sido escolhido pela minha irmã. O vestido que Julie escolheu para as damas de honra era um tom de amarelo sol, com o comprimento pouco abaixo dos joelhos. Os sapatos eram uma sandália de salto alto prata, que já havia me feito tropeçar várias vezes, não duvidaria se eu acabace caindo durante a cerimônia.

Assim que Julie chegou ao local a cerimônia começou. Minha irmã estava lindíssima. Usava um vestido da modelagem sereia com algumas rendas para disfarçar a barriga que começava a aparecer, todo em branco perola. A calda e o véu exageradamente grandes. Seu cabelo estava preso em um coque e ela usava uma coroa prata enfeitando sua cabeça.

A cerimonia não foi muito longa, mas foi extremamente emocionante. Meu pai não parou de chorar nem por um segundo. Há todo momento pensei em nossa mãe, em como ela estaria feliz em ver a Julie se casando com um homem bom.

Sentei-me junto aos meus amigos de infância quando a festa começou, eles eram de estatura mediana, Kairós tinha um corpo musculoso, mas não exagerado, já Petter possuía uma barriga mais avantajada, resultado do tanto que fast-food que ele consumia. Eles estavam discutindo como Julie e Taylor conseguiram bancar uma festa dessas, já que Taylor trabalhava na produção da fábrica têxtil da cidade, e Julie era estagiária. Nós ainda não tínhamos contado a ninguém do meu casamento com David. Segundo ele precisamos passar a impressão de que a nossa relação aconteceu de forma natural e não sobe coerção. Por falar nele, David acaba de chegar a festa.

— Olá, couer! Você está belíssima. – disse assim que me viu. Senti o olhar de Petter e Kairós sobre nós. – Não vai me apresentar aos seus amigos? – perguntou sorrindo.

— Sou Petter, Petter Forks e este é meu irmão Kairós Forks – apresentou-se o moreno entusiasmado estendendo uma das mãos para David.

— David Carter – falou retribuindo ao cumprimento de Petter.

— Eu sei! – afirmou Petter empolgado. – Todos conhecem a família Carter em Vantter City.

— Vocês nos dão um momento? – disse puxando David para longe deles. – Você não me disse que viria ao casamento. – questionei.

— Achei que seria bom as boas começarem a nos verem juntos. – sorriu. – Quem sabe não podemos começar nosso relacionamento hoje? – apertou minha bochecha. Antes que eu pudesse responder anunciaram que começaria as homenagens ao casal.

Voltei para a mesa de Petter e Kairós ignorando seus olhares suspeitos, enquanto David desaparecia em meio as pessoas que assumiam seus lugares para assistirem as homenagens. Passaram no telão algumas fotos de Julie e Taylor bebês, os pais de Taylor falaram algumas palavras emocionando junto ao meu pai. Quando pensei que as homenagens haviam terminado David sobe ao pequeno palco. Meu coração acelerou.

— Boa noite senhoras e senhores — começou ele formal – Hoje iniciasse uma nova história, a história de Julie Miller e Taylor Heyss. – sorriu. – Eu os conheço há pouco tempo, mas já pude perceber o quão lindo é o amor deles. – continuou. – Tem sido uma honra presenciar esse momento tão especial para vocês. – ergueu a taça de Chandon e as pessoas começaram a aplaudir.

— Eu sei que esse é o momento de vocês, mas eu gostaria de dizer algo a uma pessoa muito especial para mim. – voltou a falar abrindo um sorriso que quase parecia ser verdadeiro. Senti minhas pernas tremerem quando ele voltou seu olhar para mim. – Zoey, você tem sido um raio de sol em minha vida nos últimos meses. – meu coração começou a bater mais forte, senti minhas bochechas esquentarem. Provavelmente eu estava vermelha agora. – Eu gostaria de agradecê-la por trazer cor aos meus dias e lhe fazer um pedido. – ele desceu do palco e se aproximou da minha mesa se ajoelhando em minha frente. – Você aceita ser minha para sempre? – disparou sorrindo. Ele era um ótimo ator, seus olhos estavam cheios de lágrimas. As pessoas nos encaravam em uma mistura de confusão e suspiros apaixonados.

— Eu... – tentei dizer, mas as palavras não saiam da minha boca. Estava em choque.

— Zoey, as pessoas estão esperando uma resposta. – falou em um tom que só eu conseguia ouvir, enquanto apertava minha mão com força e abria um sorrido de lado.

— Eu aceito! – enfim consegui dizer. Todos começaram a aplaudir.

David tirou um anel de prata com uma pedra rosada no centro no formato de um coração, de dentro de uma caixinha de veludo preta que eu nem havia percebido que ele estava segurando em uma das mãos. Ele segurou minha mão enquanto colocava a aliança em meu dedo anelar. Após encaixar o anel em meu dedo, beijou minha mão encenando um gesto carinhoso diante de todos.

Notas finais
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