CN Beyond: Stars & Bells

1 Prólogo: A Queda do Rei


Notas iniciais
Olá, Leitores! Está é mais uma história do CN Beyond e o primeiro crossover entre histórias. Essa história tem leves inspirações em PPGD, mas será mais original e irá trabalhar bem temáticas de heroismo.

Por favor, ouçam a trilha sonora da história https://open.spotify.com/playlist/2eD43eldFfjfg6c9YW7iAO?si=91b57a838b6145c7

Trilha Sonora Considera essas duas músicas como se fosse a vinheta da história:Dexter e Powerpuff girls

Torre da DexLabs, Center National City.

Dois meses atrás, dia do Evento X.

(Noticiário)“... como acabei de ser informado que a tentativa de ataque bioterrorista realizado pela criatura mutante que estão chamando agora Macaco Louco, está sendo impedida. Como vocês podem ver nessas imagens, o feixe de luz colorido que surgiu a poucos minutos nos céus de Townsville, foi um sacrifício arriscado das trigêmeas Utonium, antigas vândalas, que foram detidas nesta semana após elas causarem vários danos à propriedade da cidade. Segundo nossos contatos com a polícia de Townsville, o Macaco foi derrotado por elas e acabou falecendo após ser ferido gravemente no tórax…"

— Desligar TV. — Ordenou Dexter em voz alta que assistia chocado às notícias da TV e, sem seguida, ela se apagou sozinha.

O garoto estava em seu laboratório próximo a uma mesa enorme de titânio onde havia um traje especial que ele estava desenvolvendo. No entanto, quando ouviu as notícias recentes, percebeu que seu esforço para conseguir finalizá-lo não era mais necessário. Exausto, ele retirou os óculos tecnológicos de seu rosto sujo e suado e respirou bem fundo após perceber que passou horas de esforço que não o levou a lugar algum. O garoto estava determinado a resolver a crise de Townsville, mas ele mesmo reconhece que sua presunção e apatia o fizeram não enxergar todas possibilidades. Aquelas três meninas não eram tão perigosas como ele imaginava e nem sequer imaginou que poderiam ser outras desajustadas como ele já foi. Talvez tenha agido com tanta desconfiança pela situação o fez ter feito lembrar de seu amigo Susan que havia perdido a cabeça meses atrás e quase matado várias pessoas. Poderia ter agido mais cedo se não fosse por isso. No final de contas, o que importava era que a cidade estava segura agora.

“Chefe? Algum problema?” Perguntou sua I.A. assistente pessoal, Computress.

— Estou bem. — Disse o rapaz enxugando o suor da testa. — Só que eu só perdi tempo aqui. Poderia ter feito mais, que belo herói que eu sou. Uma cidade quase foi destruída e fiquei aqui horas criando uma coisa baseada em um erro de julgamento. Vou mandar agora mesmo meus novos robôs de socorro e reconstrução para aquele lugar.

“Você fez o que estava ao seu alcance, Senhor.”

— Fiz mesmo? — O garoto duvidou. — Não importa. Eu vou encerrar o projeto S2E1A.

“Vai encerrar o projeto PUFFBUSTER senhor?”

— Sim. Delete todos os dados e arquivos. — Ordenou Dexter.

“E o protótipo que você estava desenvolvendo?”

— Mande para o depósito. Ainda podemos aproveitar a sua tecnologia para algo.

“Sim, Senhor”

(Trilha Sonora: NickleBack — Hero )

Dexter sentou-se no sofá rosa-claro que havia em seu laboratório que destoava tons predominantemente azulados do lugar, pois foi de escolha de sua irmã, Dee Dee. Ele olhou para a mesa ao lado e viu sobre ela uma foto emoldurada dele, sua irmã e seu amigo Susan rindo enquanto brincavam de “Amigos da Justiça”, tendo dez anos na época. O garoto gênio logo é jogado em uma maré de lembranças em sua mente que foi de sua infância, onde ele e Susan inventam coisas que ajudavam as pessoas do bairro e as crianças da escola e em seu tempo folga assistindo às séries de TV do Action Hank e dos Amigos da Justiça. Até que suas memórias o levaram para aquele dia em que a amizade dos dois se foi. Era um sonho tão bom. Depois que Susan se perdeu para a loucura, Dexter havia prometido que iria tentar realizar esse sonho que tinha desde criança de usar ciência para melhorar o mundo e ser um herói como nos desenhos e gibis. Só que a realidade era diferente, era complicada demais. O garoto ruivo começou a se perguntar se talvez isso não fosse para alguém como ele, alguém que não estivesse dentro do espectro do autismo. Ele não podia desistir e nem queria, mas tinha dúvidas se poderia ser capaz disso. Ele iria continuar tentando, mas só o tempo dirá se valerá a pena.

“Dex… digo, Senhor. Não gosto de ver o senhor tão triste assim. Tem algo que possa fazer para te animar?” Perguntou a voz computadorizada que demonstrava agora emoções humanas complexas.

— Estou bem, Computress. Eu só preciso de um cochilo. — Respondeu ele que se deitou e desmaiou exausto em cima do sofá rosa.

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Shopping Center, Cidade de Townsville

2 Meses depois do Evento X. Uma semana atrás

Florzinha, Docinho e Lindinha, mundialmente conhecidas como As Meninas Superpoderosas, estavam comendo hambúrgueres em uma praça de alimentação do Shopping com seus amigos, Robin Snyder e Elmer Sglue. Depois que salvaram a cidade do Macaco Louco, passear no Shopping virou seu passatempo favorito, depois do combate ao crime. Naquele momento, Lindinha abocanhava um hambúrguer vegetariano com um tofu substituindo a carne, pois desde muito jovem se recusava a comer qualquer carne de origem animal. Por outro lado, sentada sua esquerda estava Docinho que devorava um hambúrguer 3 vezes maior que o da Lindinha, com quatro andares de carne bovina, e ainda com com uma camada de bacon e frango frito sobre molho apimentado e cebola, mostrando que não era apenas a personalidade dela que era como a de uma leoa, mas a fome e o desejo de carne também. Por fim, ao lado da morena, tinha a trigêmea mais velha, Florzinha, comendo apenas um x-burguer simples tamanho infantil, pois sua fome era bem pequena. Sentados nas cadeiras da frente, Robin e Elmer trocaram olhares não conseguindo entender como elas eram tão diferentes até mesmo para comer um lanche.

— Às vezes, não consigo às vezes acrediar que vocês três são irmãs trigêmeas. — Comentou Robin.

— Nós também não. — Disseram as três em sincronia.

Acidentalmente, Elmer olha para trás e rapidamente repara em alguém conhecido dentro da lanchonete do Mega Meaty Meat.

— Gente, aquele ali não é o Mitch Mitchelson? — Indagou o garoto loiro de óculos para suas amigas.

— É o filho da puta mesmo! — Confirmou Docinho. — Ele está trabalhando no Mega Meaty Meat? Gente, preciso ver esse mico com os meus olhos!

— Ele tá diferente. — Observou Florzinha. — Ele parece menos “BadBoy”

— Acho que ninguém fica “BadBoy” usando aquele uniforme ridículo. — Zombou Docinho que estava se deliciando ao ver o ex- namarado e e ex-bully naquela situação humilhante.

Após cada um terminar de comer os seus lanches, todos foram até a lanchonete Mega Meaty Meat, onde o ex-bully Mitchelson trabalhava como caixa. Empolgada e levemente vingativa, Docinho entrou no lugar já anunciando sua presença.

— E ai, Mitchelson?

— Merda! — Resmungou ele bem baixo e sentindo medo da presença da garota morena com quem já teve implicações no passado. — Olha, Docinho, eu tô na boa já faz semanas, não impliquei com ninguém, tá legal!

— Relaxa, cara. — A morena Utonium disse depois levantou a voz irônica. — Eu não tô aqui para te ensinar outra lição. Na verdade, eu vejo que você está indo muito bem. Tô orgulhosa de você. — Ela afirmou com piscadinha no olho esquerdo.

— Engraçadinha. Você e o Sglue vieram aqui só me zoar. Aposto que é vingança pelas belas merdas que fiz com vocês dois.

— Tem toda razão. — Ela disse rindo e tirando fotos dele com o seu celular. — Você tá muito zoado nesse uniforme. Eu não usaria isso nem se pagassem!

— Foi ideia dos meus pais, tá legal! — Explicou Mitch envergonhado.

Enquanto Mitch e Docinho conversavam, dentro da lanchonete, havia uma TV velha e pequena com áudio bem baixo que estava exibindo uma reportagem que rapidamente chamou a atenção de Florzinha.

— Gente! O que tá rolando ali? — perguntou Florzinha que fez todos olharem para o televisor. Mitch rapidamente, pegou o controle atrás do balcão e aumentou o volume.

“...Morbucks foi encontrado morto por asfixia em sua cela da prisão de Townsville essa manhã. De início, os investigadores alegam que foi suicídio, porém, análises científicas mais recentes apontam que foi um homicídio. Morbucks era conhecido por ser uma das pessoas mais ricas e influentes de Townsville sendo acionistas de inúmeras ações no mercado, no entanto, semana passada, a polícia de Townsville com ajuda das heroínas locais, As Meninas Superpoderosas, encontraram provas que ligam o ricaço a uma diversidade crimes que vão desde formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e até mesmo homicídio.”

— Tomou! — Disse Docinho comemorando.

— Docinho, você tá comemorando? — Repreendeu Lindinha que estranhou a falta de empatia da irmã.

— Ué? Ele é vilão, ora? — Explicou a morena. — Eu sei que a gente tem a filosofia de não cruzar a linha de tirar uma vida e abusar dos nossos dons, mas… se os vilões se ferram por conta própria, não é culpa nossa, não é? Tipo, ninguém culpa a Branca de Neve pela Rainha Má ser uma anta e correr até beirada do precipício no meio de um deslizamento.

— E a Princesa, você esqueceu dela? — Apontou a loira inconformada com as palavras de Docinho. — É o pai dela que foi assassinato! Ele pode estar preso, pode ser um criminoso, mas era o pai dela. Nosso pai também está. Poderia ser ele ali e a gente sofrendo.

Após o curto e direto sermão da irmã, Docinho abaixou a cabeça e tentou fingir que não ficou envergonhada agora do que acabara de dizer.

E a reportagem na TV continuou:

“A filha do ricaço, Princesa Morbucks, de 15 anos, legalmente dona e herdeira de vários de seus bens, está agora na delegacia central da cidade dando seu depoimento. Esperem, ela está saindo de lá neste momento!”

— Coitada da Princesa. — Comentou Robin. — Ela já tava mal antes pelo pai ser preso e agora ele foi morto.

— Sei que ela é meio do mal, mas ela não merecia isso. — Comentou Elmer também que depois relembrou: — Ela não era amiga de vocês no passado, antes dela virar a "rainha do pedaço”?

— Era. — Confirmou Lindinha. — Quando éramos crianças, não é, Florzinha? Florzinha??

Lindinha olha para um lado depois para o outro e todos fazem o mesmo, percebendo que a trigêmea Utonium ruiva não estava mais ali.

Enquanto isso, do outro lado da Townsville, Princesa Morbucks estava saindo da delegacia central da cidade acompanhada de seus seguranças e policiais. Ao redor deles havia uma grande multidão de pessoas, formada por jornalistas, repórteres, fotógrafos e outros civis curiosos soltando inúmeras perguntas apontando suas câmeras, microfones e celulares para a adolescente que só queria ir embora dali o mais rápido possível. A garota rica e ruiva estava péssima. Estava usando uma jaqueta moletom com um capuz para esconder seus cabelos despenteados e óculos de sol com lentes grandes o suficiente para esconder a maquiagem borrada em seu rosto devido às lágrimas que derramou por horas na delegacia. Esse estado passava longe da imagem que tinham dela, da garota perfeita e rica que estavam acostumados.

Vindo do céu como um raio, Florzinha pousou no meio da multidão que rapidamente voltou sua atenção à jovem heroína que surgiu ali. A garota de rosa ficou diante de Morbucks e ao ver o estado da sua rival, seu coração se despedaçou. Ela engoliu seco e os olhos se encheram de lágrimas, mas ela não as derramou. Ela andou até a Morbucks e tentou abraçar a garota.

— Princesa, eu sinto… — Tentou dizer Florzinha que lamentava pela morte do pai dela.

Contudo, tanto seu gesto foi interrompido quando Princesa lhe deu um tapa forte no rosto. Apesar de não ter lhe causado nem cócegas, ela sentiu na alma.

— Fique bem longe de mim! — Ela esbravejou com um ódio imenso em sua voz.

— Eu só queria dizer que… — Tentou se desculpar Florzinha, mas novamente foi interrompida.

— O que? Que sente muito?! — Ela ironizou e depois tirou seus óculos de sol revelando seu rosto com maquiagem borrada e uma expressão que misturava raiva e nojo enquanto olhava para Florzinha. — Vocês três arruinaram a minha vida! Primeiro foi a minha reputação na escola, me humilhando na frente da escola inteira nas eleições estudantis, depois jogaram meu pai na cadeia e ele agora se foi. Que belas heroínas vocês são. Superpoderosas? Tá mais pra Superpatéticas. Vocês acham as fodonas? Acham que são as rainhas da cidade, mas são só um bando de escrotas, todas às três. Docinho já nasceu escrota e nunca fez questão de esconder. Lindinha é burra demais para perceber a escrotidão dela. E você… você é a pior! Você sabe o quão escrota é, mas finge que não. Você finge que se importa com pessoas. Vocês salvam o dia, porém não se preocupam com estrago que fazem. Vocês três me dão nojo! Eu desejo a vocês tudo o que é pior e espero que sofram muito porque é isso que vocês três merecem.

As Palavras de Princesa atingiram Florzinha como uma bala em seu peito que explodiu seu coração. Nada do que ela dissesse iria tirar a culpa que sentia. Os heróis deveriam inspirar as pessoas, trazer conforto e não sofrimento. Morbucks e ela já foram amigas em sua infância e apesar das desavenças e da rivalidade idiota na adolescência, tudo o que jovem Utonium queria era recuperar o passado, porém, era tarde. Agora tudo sobrou foi ódio no coração da garota rica. Talvez, não fosse tão heroína quanto achava que seria.

Uma limusine preta com várias decorações em ouro chegou bem em frente a multidão e a jovem Morbucks entrou às pressas. Ela entrou, e imediatamente fechou a porta, ignorando uma última vez os jornalistas e repórteres agitados e olhando uma última vez para sua rival Florzinha com aquele mesmo olhar. Por fim, o veículo partiu e atenção da mídia se voltou à jovem Utonium e deixou as lágrimas que segurava caírem em seu rosto, sentido o gosto do fracasso e da decepção. Desabada emocionalmente, ela decolou ao céu e sumiu em um raio rosado.

Dentro da limusine, era Cornelius, um senhor bigodudo que era mordomo da família Morbucks que dirigia o veículo. Pelo espelho retrovisor, ele consegue ver o rosto da Princesa exarcado de borrões de lágrimas e imediatamente sentiu compaixão por sua jovem empregadora, na qual ele se sentia responsável, especialmente agora que a garota não tinha mais pai e nem mãe.

— Não se preocupe, Senhorita. — Consolou o velho mordomo. — Sei que as coisas vão melhorar e tenho muita fé que vão. Você é jovem e tem muito o que percorrer ainda. Se precisar conversar com alguém, eu estou aqui se quiser.

A jovem Morbucks enxugou novamente lágrimas dos olhos e deu sorriso gentil para o ser amigo e serviçal, em seguida confessou a ele: — Cornelius… uma das coisas que eu amo em você é sua ingenuidade. Eu não sei o que seria sem você na minha vida.

De repente, a jovem Morbucks sente uma vibração em seu bolso e ela percebe que acabara de receber uma mensagem em seu celular de um número desconhecido e não identificado que dizia “Eu consegui”

Ao ler a tal mensagem, a garota rica sorriu, mas desta vez, com uma energia maliciosa e um tanto insana que indicava que estava tramando alguma coisa e que era muito perversa.

Notas finais
Devido a correria, não tive tempo de preparar um dicionário de referência como a maioria está acostumada. Vou ficar devendo dessa vez.