PAÍS DE JAZIA

CIDADE 84

SÁBADO

29 de maio de 2100

Horário: 22:43

60 ANOS APÓS A IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA E A UNIÃO.

Era primavera e o tempo estava nublado, com várias nuvens e um forte vento. Parecia que iria cair uma grande tempestade. No ar, havia baixa visibilidade, apenas era possível ver a claridade que a pequena quantidade de luz emitida pela lua proporcionava.

Acima de um rio, rumo ao norte, ao som de sirenes, um carro passa sobre a ponte em alta velocidade. Três carros policiais e dois helicópteros, com as luzes ligadas e policiais armados, estavam atrás dele. Os carros policiais eram totalmente brancos, enquanto os helicópteros eram pretos, com duas faixas brancas que indicavam o nível de ameaça dos indivíduos em fuga. No carro da frente, um policial sai com metade do corpo para fora da janela, sendo possível visualizar parte de sua roupa. Ele vestia uma camiseta preta de manga comprida (bem larga nos braços para facilitar a movimentação) e um colete à prova de balas por cima. Com o carro em movimento, ele aponta sua arma para o carro em fuga e dá uma sequência de disparos, acertando o pneu do carro e fazendo-o perder velocidade. O carro da polícia estava em alta velocidade e colide com a traseira do carro em fuga, acertando o tanque de gasolina e amassando-o, o que causa um derramamento de gasolina pelo chão.

O carro em fuga vai perdendo velocidade aos poucos, parando em meio a ponte. A ponte tinha aproximadamente 4 quilômetros de comprimento e 15 metros de largura. Em seguida, os carros policiais também param, bloqueando o lado de onde vieram, fazendo uma barricada de carros policiais e cercando o lado esquerdo do carro em fuga. O outro lado dava em direção ao fim da ponte, mas estava quase na metade, sendo impossível chegar ao outro lado.

A porta de um dos carros é aberta e um policial sai de lá. Ele tinha cabelos loiros curtos e olhos castanhos. Era bem forte e tinha muitos músculos. O policial tira sua arma da cintura e aponta para o carro perseguido, que estava parado no meio da ponte. Ele levanta a mão e os outros policiais saem do carro e usam os carros policiais como escudo.

O policial grita:

— Ei, vocês dois, saiam do carro agora! Não tem mais para onde fugir! Depois desses tiros no pneu, a única opção que resta é se render. Vamos voltar ao sistema mestre para fazê-los voltarem ao normal. Venham comigo. Prometo que pago a bebida essa noite, igual nos velhos tempos. Vamos, HAIA, número 8191-20.72. Você também, GDS, número 7419-20.69.

O policial dá mais alguns passos em direção ao carro e mexe sua mão, sinalizando para os outros policiais seguirem. Os policiais param a menos de 20 metros do carro, todos com as armas apontadas para ele.

O policial grita novamente:

— Vamos lá, não quero que a história se repita. Não quero que aconteça com vocês o que aconteceu com ela. Vocês ainda têm salvação, ao contrário dela. Vocês ainda têm tempo, falta mais de uma hora para o reinício. Façam a escolha correta. Não quero perdê-los também.

Alguns minutos passam, e só é possível ouvir o som da gasolina caindo do tanque de combustível.

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No carro, há duas pessoas: um homem forte de pele clara, mas não é possível visualizar seu rosto devido à pouca iluminação. Há também uma mulher de pele escura. É possível ver a cor roxa clara dos seus cabelos curtos e dos seus olhos azuis e brilhantes. Ela usa um batom com um tom de azul-claro em seus lábios.

O homem, chamado GDS, abre a boca e com uma voz cansada e quase sem fôlego diz:

— Então? Você está pronta? Sabíamos que isso acabaria acontecendo, era algo inevitável.

A mulher, chamada HAIA, responde com voz triste e algumas lágrimas caindo dos seus olhos:

— Ninguém está pronto para morrer, mas se for para morrer ao seu lado, não tem problema.

GDS fala com um tom de tristeza.

— Digo o mesmo. Só me arrependo de não ter tido um filho com você, mas tomara que eles possam acabar com isso. Devemos contar com eles agora.

HAIA responde com felicidade e animação:

— Sim, eu também. Mas tomara que eles cheguem mais longe que nós. Faltava tão pouco para nós. Mas era impossível, não temos o conhecimento necessário para destruir a...

— Vocês vêm conosco! — diz o policial, interrompendo HAIA.

A porta do carro do lado do motorista se abre (lado esquerdo), onde GDS estava, sendo possível ver seu rosto graças à luz dos helicópteros. Havia um corte em cima do olho direito, seus olhos eram pretos. A luz dos helicópteros refletia no suor produzido pela calvície de sua cabeça, que estava suada. GDS vestia-se elegantemente, usando um terno preto com uma camisa branca por dentro e uma gravata borboletar de cor vermelha por fora. Calçava uma calça jeans preta fina, que ia da sua cintura até os seus pés, e usava um sapato social preto. Logo em seguida, a outra porta se abre, e HAIA sai. Ela também se vestia elegantemente, usando um longo vestido azul que combinava com a cor de seus olhos e um salto alto preto. GDS dá dois passos adiante, sendo possível ver uma arma em sua mão, e começa a dizer com tom de deboche:

— Olá, senhor policial, ou melhor, IEI. Já faz bastante tempo que não nos vemos, não é mesmo? Faz três anos, certo? Você se lembra disso?

Ele levanta a mão esquerda e coloca sobre a ferida em seu rosto.

— Aquele dia foi difícil, uma ótima perseguição — diz GDS.

O policial IEI responde com uma expressão irritada:

— Pare com essas brincadeiras. Vocês já não têm muito tempo, eu quero salvá-los.

GDS responde com tristeza:

— Me desculpe, amigo. Eu realmente queria que isso acabasse de outra maneira.

GDS olha para HAIA e balança a cabeça de cima para baixo, fazendo um gesto de, sim, e ela faz rapidamente o mesmo gesto.

GDS pega rapidamente sua arma, que estava em sua cintura, e aponta em direção ao tanque de combustível do carro. Olhando em direção a IEI, ele diz uma última frase com um sorriso e lágrimas saindo dos seus olhos:

— Adeus, amigo.

GDS atira bem em cima do tanque de combustível do carro, fazendo com que a bala crie atrito e exploda o carro. A explosão acaba acertando tanto GDS quanto HAIA. Estilhaços da explosão acabam acertando IEI, um em seu olho direito e o outro em seu braço, deixando um corte fundo. Ele cai no chão de dor e fica ali deitado de lado por alguns segundos.

Com o carro em chamas, IEI se levanta com o olho sangrando e o braço esquerdo sem movimento. Pressionando o braço direito em seu olho, ele caminha lentamente em direção ao carro. Chegando perto o suficiente, vê o corpo de GDS e de HAIA já sem vida sendo consumido pelas chamas e sussurra:

— Agora está tudo acabado.

IEI vira as costas para o carro e repentinamente ele explode novamente, jogando-o em direção aos carros policiais. Outros policiais chegam para vê-lo e socorrê-lo. Uma ambulância se aproxima do local e dois paramédicos chegam perto de IEI. Eles o colocam em uma maca e ele logo vai perdendo a consciência e acaba desmaiando