CLE 2 - A Furia do Inverno
12 Declaração de Guerra
Notas iniciais
POV Katarina
Acordei e Garen ainda estava dormindo, levantei, vesti minhas roupas e sai do quarto, fui até o refeitório comer alguma coisa, mas como sempre, tinha pouca comida, comi um espeto de carne de porco-do-mato e fui acordar Garen.
Garen acordou um pouco assustado, ele havia me acordado noite passada, mas não liguei muito para isso, logo, fui para o quarto de Lux, ela e Ezreal estavam dormindo em camas separadas, porem, ambos dormindo, acordei os dois, me senti uma velhinha acordando todo mundo assim, mas mesmo assim, prossegui.
Bati na porta onde Vayne e Lince estavam, haviam alguns murmúrios, eles cessaram e Vayne me mandou entrar.
Eles me olharam, pareciam nunca ter sono, e Vayne parecia não sentir frio, pois sempre usava roupas de seda azul claro e alguns detalhes em pelo branco, mas nada que cobrisse o inverno pesado de Freljord.
– Iremos fazer o acordo hoje? — Perguntei aos dois, que me olharam e assentiram.
– Sim — respondeu Lince — ficaremos esperando na montanha enquanto Shauna conversa com nosso querido pai.
– Tem algum motivo por esse desgosto? — Falou uma voz que vinha atras de mim, Lux estava parada de braços cruzados, com uma cara mal-humorada por ter acordado cedo, seu cajado prendia em seu cinto, depois de muitas camadas de roupas e peles.
– Na verdade sim — confirmou Vayne — ele traiu minha mãe e não sei muito o porque Lince não gosta dele, talvez ele seja somente um Maria-Vai-Com-As-Outras.
– Cale-se — ordeno Lince — isso é um momento serio! Você terá de tomar muito cuidado Shauna, ele pode te prender junto ao resto dos Observadores, ou pior, te trair igual fez com sua mãe.
– Eu sei me cuidar — retrucou Vayne — e além disso, tenho um plano.
– Qual é o plano? — Perguntou Garen, que apareceu na porta junto com Ezreal.
– Vocês deverão ficar sem saber — falou Lince — por segurança.
– Está Ok para nós — falou Lux.
– Sim — confirmei — quando iremos?
– Agora — falou Vayne.
– Comam alguma coisa e iremos — completou Lince.
Lux saiu do quarto, eu a segui, mas fui para o meu quarto, peguei meu cinto e coloquei minhas facas em posição, Garen logo entrou no quarto, com a boca suja por causa da carne que ele havia comido, ele pegou seus equipamentos, sua espada e colocou em suas costas, saímos do quarto e vi que Lince nos esperava no final do corredor, fui até ele e ele nos disse para esperar Lux e Ezreal.
Logo eles saíram do quarto equipados, Lux não havia muitas mudanças, seu cajado com duas partes afiadas na ponta, projetado para os Legionários do Aço ainda prendia em seu cinto, Ezreal colocou seu bracelete e estava com uma mochila nas costas, deviam haver suprimentos la dentro, pois um cheiro de carne assada saía da mochila.
Vayne tinha ido primeiro, então somente cinco seguiram o caminho para as montanhas logo acima de Howling Abyss.
O caminho não foi tão demorado, ou simplesmente a ansiedade tomou conta de nós e perdemos a noção do tempo, logo a ponte que liga Runeterra com o Vazio estendia sobre nossos pés, um grupo de pessoas tomava conta do lugar, mais conhecidas como Observadores.
As historias, contos, imagens, alegavam que eles tinham um olho e dois enormes cifres, como as imagens que ficam por toda a ponte, mas na verdade, eles tinham aparência humana, mas tinham poderes sobre o Gelo, não sentiam frio, e pelo jeito, eram gélidos em humor.
Lince sentou na neve e começou a balançar os dedos, todos nós também sentamos, Ezreal tirou espetos de carne de sua mochila, que estavam duros e frios, Lince recusou a comida, a neve envolta de seu dedo havia ficado vermelha, e parecia ser dura, como se estivesse se transformando em hematita vermelha.
A noite estava chegando, havíamos passado o dia inteiro conversando, a neve inteira envolta de Lince já estava cristalizada e vermelha, como um pátio, foi quando o ar gélido de Frelord ficou muito mais frio, como acontecia na presença de Lissandra, logo Lux alertou-se, alegando que Lissandra está perto, mas Lince se levantou e falou:
– É o aviso de Vayne — ele arregalou os olhos e continuou — devemos ir ajuda-la!
– Mas…
– Vamos! — Lince pulou da montanha, como um suicida, fui para a beirada da montanha e vi que ele não havia sido afetado pela queda, nós quatro descemos correndo pela estrada que beirava a montanha, quando finalmente chegamos na ponte, Lince já esperava, escondido numa caverna.
– Não há como ir sorrateiramente numa montanha aberta como esta — falou Lince — os Observadores Gélidos nunca deixariam uma brecha dessas, não podemos ir andando, pois acabaríamos presos, mortos ou jogados do Abismo, que acaba dando na mesma coisa.
– Então o que iremos fazer? — Perguntou Lux, preocupada.
– Não sei — respondeu Lince, nós quatros nos entreolhamos, o que ele planejava, era obvio que os Observadores haviam visto nós descendo a montanha, dificultando tudo, e ele parecia querer pular em cima deles para resgatar Vayne. — Iremos andando, fingindo sermos Observadores, alguns irão perceber, mas é nossa única chance.
Lince começou a andar calmamente em direção oposta da ponte, Lux logo foi atras, eu também fui junto, olhei para trás e vi Garen e Ezreal conversando.
Os Observadores Gélidos nos olhavam e davam um sorriso, como se soubessem que éramos humanos, meu cabelo vermelho fogo não esconderia minha verdadeira origem, mas acho que seus olhos conseguiam ler algo a mais.
Nós continuávamos avançando, não haviam muitos Observadores, eram em torno de trinta, mas todos pareciam saber, não havia nenhuma criança, somente adultos, pareciam muito felizes, depois de estarem mais de mil anos no Vazio, sair de lá deve ser muito bom.
Até que enfim achamos Vayne, ela estava caída no chão, tentando se levantar, Vel’Koz parecia irritado, haviam alguns Observadores em volta dele, como se fossem guardas, Vayne levantou-se e arrumou seu queixo, fez um barulho de alguém pisando em cacos de vidro, ela olhou para Lince depois para nós, seus olho se arregalaram, ela chegou mais perto e disse:
– O que fazem aqui?! — Ela fez uma lança de Gelo aparecer em sua mão — vão embora!
– Viemos te ajudar irmã — respondeu Lince, olhando para Vel’Koz — parece que nosso querido pai não gosta muito de paz.
– Meus dois queridos filhos — falou Vel’Koz com sua voz grossa e penetrante — fizeram questão de virem aqui para me presentear com uma oferta de paz? Não sou do tipo que fico milênios em um lugar podre, expurgado pela humanidade, depois volto querendo paz.
Seus amigos Observadores riram, ele deu uma risadinha e falou em seguida:
– Por que vocês não se juntam a nós? Começando por matar esses humanos.
Lince e Vayne nos olharam, eles assentiram e Vayne jogou a lança, Vel’Koz sorriu, mas Lince fez uma barreira de uma espécie de gelo vermelho, que ricocheteou a lança e atravessou a garganta de Vel’Koz, ele riu, mais alto e mais penetrante, retirou a lança do seu pescoço, e em vez de sair sangue, era como se tivesse gelo atras de sua pele, um buraco, e ao redor gelo trincado, ele quebrou a lança com as mãos e a jogou no chão, correu em nossa direção, era rápido como uma flecha, arremessei uma de minhas facas, mas ele bate nela com a mão, jogando para o Abismo.
Lince fez uma barreira de Gelo Vermelho em nossa volta, fazendo Vel’Koz bater no Gelo e ricochetear, voando para trás. Vayne fez um gesto e espinhos de Gelo Negro brotaram do chão, Vel’Koz saltou de onde estava, desviando dos Gelos.
Ele parou, parecia cansado, até machucado, mas não respirava, olhei para Lince e Vayne, que também não respiravam, não tinha percebido isso até agora.
Ele riu, muito mais alto que todas as risadas do mundo juntas, todos os Observadores a nossa volta pareciam aflitos com aquilo, Lince e Vayne trocavam olhares, e uma nova lança apareceu na mão de Vayne.
Ele olhou para os dois, criou uma bola de energia roxa com as mãos e arremessou neles, Lince rapidamente criou uma barreira com seu Gelo Vermelho, que bloqueou a bola, mas se estilhaçou, fazendo voar pedaços para todos os lados, nesse meio tempo, uma lança materializou na cabeça de Vel’Koz, bem entre os olhos, ele retirou a lança, deixando um novo buraco de gelo, e disse:
– Tem de melhorar sua pontaria, Shauna.
– Tem de melhorar sua luta — retrucou Vayne — Velkoz.
– Você sabia que depois que fui para a Void, meu nome se pronuncia separado: Vel-Koz, não Velkoz.
– Chega de papo furado — Vayne falou, jogando outra lança em Vel’Koz, mas ele encostou sua mão na lança em pleno ar, a lança ficou numa cor arroxeada por meio segundo, depois desintegrou-se, Vel’Koz jogou outra bola e desviou de mais uma lança, Lince fez novamente uma barreira que bloqueou a bola.
Lince e Vayne começaram a correr, peguei a mão de Garen e comecei a ir atras deles, vi que Lux e Ezreal faziam o mesmo, então não parei por nada.
Os Observadores nos olhavam com cara feia, mas em nenhum momento tentaram nos impedir, será que vamos conseguir fugir desse lugar mais uma vez?
Torci para que a resposta seja sim, olhei para trás e vi que Vel’Koz corria freneticamente atras de nós, mas Lince foi mais esperto, começou a criar gelo nos pés de Vel’Koz, fazendo com que começasse a parar, os Observadores começaram a correr atras de nós, e alguns na frente, fizeram uma barreira, para nós não fugirmos.
Vayne, no momento de desespero, prendeu cada Observador em Gelo Negro, que ficaram um tempo tentando sair de suas tumbas, alguns conseguiram rápido, mas mesmo assim, não foi o suficiente.
Um Observador a nossa frente se libertou e pulou em cima de nós, com os braços cobertos de espinhos de Gelo, mas Vayne foi mais rápida, enfiou sua lança no olho do Observador.
A cabeça do Observador foi explodida em Gelo, seu corpo bateu no chão e rachou, ele ficou imóvel, como uma estatua, muitos Observadores, na maioria as mulheres, gritaram em horror. Aquele Observador estava morto.
Então era assim que morriam, atingindo o olho, mas como Vel’Koz e Vayne vivem sem um dos olhos? Isso é um pouco estranho, pois um humano não pode viver sem seu coração, isso é fato.
Os Observadores pareciam enfurecidos, os que estavam na nossa frente foram varridos pelo Gelo de Lince, que os havia jogado perto da borda da ponte.
Alguns pedaços de Gelo apareciam, tentando nos impedir, mas o pior não foram os pedaços, e sim uma garra que apareceu em nossa frente, me joguei para o lado, desviando da garra, empurrando Garen junto, mas quando a garra iria desaparecer, uma mulher, de cabelos brancos, um capacete em forma de “T”, um longo vestido, e caminhava sobre Gelo Negro apareceu, Lissandra havia resolvido aparecer.
Ela prendeu nós quatro em seu Gelo Negro, fazendo nós ficarmos imóveis, estávamos todos no chão, Lux se debatia, tentava pegar seu cajado, Ezreal se libertou com a translocação arcana, Garen continuava preso, fazendo o máximo de força possível, já eu, usei meu Shunpo para sair daquela situação.
Lissandra estava com um sorriso em sua boca, parecendo estar feliz com aquilo, Vayne e Lince haviam parado de correr, Vayne tinha sua lança em mãos, Lince tinha uma cara de raiva, seus olhos vermelhos pareciam em chamas.
Consegui libertar Garen, Ezreal libertou Lux, que esfregava seu braço direito, ela pegou seu cajado e segurou firme, peguei minhas facas e Garen sua espada.
Lissandra riu de nosso ato, como se fosse inútil lutar com ela.
Ela se aproximou, parecendo não mexer um dedo, sendo carregada pelo Gelo Negro cobrindo seus pés, mas Vayne jogou uma lança, impedindo ela de se aproximar mais, Lissandra jogou um estilhaço de gelo na direção de Vayne, que destruiu o gelo com a lança.
– Ora ora — falou a Bruxa Gélida — olhem o que temos aqui, cinco humanos e uma Observadora Gélida invadindo nosso território?
– Você fala como se fosse Observadora, Bruxa, e você sabe que Lince é meio Observador meio humano — retrucou Vayne.
– Shauna! — Exclamou Lissandra — não me lembro de você gostar tanto de guerras, em meus pensamentos você ainda seguia a minha querida irmã, Serilda.
– Nós ainda seguimos ela — explicou Lince — mas vocês nos obrigam a participar desta guerra, Bruxa Gélida.
Ela riu, peguei a mão de Garen e comecei a me afastar, chamei Lux baixinho e fiz sinal para nos afastarmos, Lissandra, Vayne e Lince conversavam algo, mas eu estava atenta de mais em sair dali para entender o que eles falavam.
Nós já estávamos perto da montanha, depois de ter corrido muito, minhas pernas doíam, mas eu não podia parar, nós nos afastamos bem, e Lince e Vayne pareciam ter entendido o plano, e começaram a chamar a atenção de Lissandra para si, falando sobre coisas do passado.
Mas Lissandra não era burra, ela rapidamente parou de falar e lançou mais uma garra para cima de nós, Vayne foi para baixo da terra, e apareceu em frente a garra, ela colocou seu peso contra a garra, que foi estilhaçada, mas Lissandra foi rápida, apareceu na frente de Vayne, jogou um pedaço de Gelo Negro contra sua cabeça, mas Vayne defendeu com os braços, que foram estilhaçados, ela foi arremessada para longe.
Lince correu e pulou em cima de Lissandra, que caiu de seu pedestal de Gelo, ele segurava um bastão de Gelo Vermelho, ele tentou enfia-lo em Lissandra, mas ela se cobriu com Gelo Negro, Lince saiu rapidamente de cima dela, ela saiu de seu túmulo e jogou um pedaço de Gelo em Lince, ele foi pego em cheio, ele voou para longe, sangue brotou em seu casaco, mas mesmo assim, no ligar de seus ferimentos, havia Gelo Vermelho estilhaçado coberto com sangue.
Sem pensar, soltei a mão de Garen e corri para cima daquela bruxa, ela olhou para mim, um sorriso se formou em sua boca, ela jogou um pedaço de Gelo, mas antes de me atingir, usei shunpo atras dela, ela ficou confusa, penetrei minha faca em suas costas, ela gritou em dor, sangue jorrou do ferimento, mas ela foi esperta, ela se cobriu com Gelo Negro, formando uma tumba em formato de “T”, corri de la antes que o Gelo me pegasse, Lux e Ezreal ajudavam Vayne, enquanto Garen carregava Lince, começamos a correr, todos juntos, subindo a montanha.
Chegamos no cume ofegantes, olhei para baixo e os Observadores pareciam se preocupar mais com o dano recebido do que nos seguir, algumas pessoas ainda estavam em suas tumbas, Lissandra não estava mais a vista, haviam observadores ao redor do corpo do observador morto, mas não havia ninguém subindo a montanha.
Falei para eles descansarem, Lince estava sangrando, Vayne estava andando normal, mas estava com pedaços de seus braços faltando, ela começou a analisar o machucado de Lince, ele abriu os olhos pela primeira vez após o acontecido, Vayne passou a mão em seu rosto e falou:
– Teremos de leva-lo até um local mais seguro, daqui um tempo esse machucado irá ficar bom.
Garen pegou um braço e eu peguei o outro carregamos ele até a mesma hospedaria onde ficamos nos últimos dias, o dono dela perguntou o que havia acontecido, Vayne, escondendo os braços com casacos, respondeu que um javali atacou ele, e que ele havia batido a cabeça, e o sangue nas roupas era do javali.
Quando chegamos no quarto de Vayne, ela o colocou sobre a cama, Lince parecia somente cansado, Vayne nos disse para deixarmos ele descansar, quando saímos do quarto ela olhou para os lados e cochichou:
– Devemos falar com Ashe, uma guerra é inevitável a esse ponto.
– Nós iremos a guerra também — falou Lux — esses observadores idiotas me irritaram.
– Gosto de uma batalha — retocou Garen — acho que minha querida Katarina também.
– Não vou deixar de participar de uma segunda batalha contra os observadores — respondi a afirmação dele — e não vou deixar meu fraco homem morrer.
– Eu e Lince também iremos — afirmou Vayne, todos olharam para ela, deixando aquele momento passar — mesmo segundo Serilda, Bruxa e meu pai me irritaram.
– Amanha partiremos para os Avarosianos então? — Perguntou Ezreal.
– Sim — respondeu Vayne — até lá Lince já deve ter se recuperado.
– Preparem-se — falei com um tom sombrio — a guerra está por vir.
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