CINZAS E BRUMAS

15 RECOMPENSA E RIVALIDADE



Após o incidente em Nádej, o Império de Rôga enviou batedores para o local a fim de investigar o destino da patrulha desaparecida. Ao retornarem, seus rostos pálidos diziam tudo. Eles relataram a cena com uma única palavra: massacre. No relatório oficial, estimou-se que apenas uma criatura de, no mínimo, categoria três poderia ter causado tal devastação.


O documento chegou às mãos de Luces Rubrê. Visivelmente preocupado, o Imperador convocou seu conselheiro mais próximo, Vince Elanter. Vince não era apenas um burocrata; como chefe de desenvolvimento mágico, ele era o usuário de mana mais poderoso da capital. Rumores diziam que ele fora o único homem em todo o império capaz de lutar em pé de igualdade com o ex-mestre cavaleiro John Dickson.


Vince entrou no salão real com uma elegância austera.


— O que deseja, meu senhor? — perguntou ele, curvando-se levemente.


— Sei que leu o relatório, Vince — disse Luces, sua voz ecoando no salão vazio. — Acha que isso foi obra do Dickson?


Vince suspirou, seu olhar perdendo-se por um momento em memórias de batalha.


— Sinto informar que o senhor o subestimou, meu lorde. Falo como alguém que já cruzou lâminas com John Dickson e posso afirmar: ele não é normal. Ataques mágicos que fariam qualquer exército se render parecem não ter efeito sobre ele. Na noite em que ele escapou, ele não apenas enfrentou o exército, mas abateu três de nossos melhores magos antes de sumir nas sombras.


Luces cerrou os punhos, a fúria faiscando em seus olhos.


— Sim, eu me lembro... A cada dez mil pessoas em Ludí, apenas uma nasce com a capacidade de controlar a mana. Ele nos custou três talentos insubstituíveis. Dickson pagará por esse prejuízo!


— Não se preocupe, senhor — continuou Vince. — Estamos em seu encalço. Nossa inteligência informa que ele seguiu para o oeste. Pela trajetória, ele provavelmente buscará refúgio em Zadarmo.


Luces abriu um sorriso gélido, uma expressão que prometia sofrimento.


— Ora, muito bem. Vamos dar um pouco de diversão ao velho Dickson. Aumentem a recompensa pela cabeça de John Dickson para quinze mil moedas de ouro! Espalhem cartazes, avisem todas as guildas de caçadores de recompensas. Vamos mostrar a ele que quem fere o império, pelo império será ferido.


Vince inclinou a cabeça.


— Como desejar, Imperador.


Ele se retirou do salão. Ao dobrar o corredor silencioso, uma sombra pareceu descolar-se da parede às suas costas.


— Não vai chorar pela morte de seus alunos, Elanter? — a voz era fina e carregada de sarcasmo.


Vince parou, mas não se virou.


— Você vai chorar pela morte do seu, Cloud?


Cloud, o mestre assassino e líder da inteligência de Rôga, revelou-se. Sádico e dono de uma habilidade incomparável com toxinas, ele era a face oculta do poder de Luces.


— Puff, não — riu Cloud, brincando com uma adaga envenenada. — Ele era fraco. Dickson me fez um favor ao esmagar a cabeça dele. Aliás, sinto falta do velho John... Embora fosse frustrante. Toda vez que eu envenenava a comida ou a bebida dele, o maldito nem percebia. Tirava toda a graça da brincadeira.


Vince virou-se levemente, os olhos brilhando com desprezo.


— Seu doente.


Ele começou a se afastar, mas Cloud soltou uma última provocação:


— Até mais, Elanter. Cuidado com o que come ou bebe. Talvez esse conselho também valha para a sua irmã.


Em um piscar de olhos, o corredor foi iluminado por um pilar de fogo voraz que irrompeu do chão, engolindo o lugar onde Cloud estava.


— Tome cuidado com sua língua, assassino, ou acabará queimando-a — disse Vince calmamente, enquanto o fogo se dissipava. — Da próxima vez, não lhe darei tempo de escapar.


Cloud, que havia saltado para o teto abobadado com agilidade sobre-humana, desceu limpando a fuligem da roupa.


— Argh, você não aguenta uma brincadeira, mago. E eu achando que o Dickson é quem era o ranzinza.


Ambos seguiram caminhos opostos, mas a conspiração contra John Dickson agora tinha rostos e nomes. E o preço por sua vida nunca fora tão alto.