CINZAS E BRUMAS
34 PUREZA E SUPREMACIA
Em Rôga, no salão real, Luces está conversando com alguns nobres sobre o êxodo em massa de outras raças que a nação sofreu. Alguns dos nobres não concordam com a medida, pois isso esfria o comércio e as movimentações econômicas no império. Por outro lado, uma grande maioria dos nobres do alto clero concorda com a determinação do rei e a endossa. As conversas pairam sobre o salão quando, de repente, alguém grita, com raiva na voz, o nome do imperador.
— Luces!
Todos se calam, e o salão fica em completo silêncio. Então, dentre os nobres, surge um anão, e grita mais uma vez com o imperador:
— Como pode fazer isso?!
Luces então fala com deboche e desdém enquanto segura uma taça de vinho:
— Ora, como tem estado, Slav?
O anão, furioso, continua:
— Como tenho estado?! Você, seu canalha! Eu e você tínhamos um acordo!
Luces fala, olhando para a taça:
— Tínhamos, é?
Slav continua com a voz elevada:
— Eu fiz a minha parte! Te entreguei a localização dos anões, elfos, demi-humanos e até de um Draco, droga! Todos os moradores clandestinos de que eu sabia, eu te entreguei!
O imperador diz:
— Muito bem, e eu te agradeço. Realmente, você tinha informações certeiras! Os demi-humanos são muito parecidos com aquela ralé dos homens-feras. Mas não são tão fortes quanto eles. Realmente, ter alguns desses vermes em meu domínio não me agrada. E um Draco?! Haha, foi uma surpresa! Ele deu um pouco de trabalho, mas não era tão forte quanto dizem.
Slav então continua:
— E a sua parte, Luces?! Você me prometeu em troca que eu não seria triplamente taxado como os outros e que minhas negociações não seriam afetadas por essa sua lei!
Luces diz:
— E eu cumpri minha promessa. Você está aqui, não está? Como você já era um mercador muito rico quando eu assumi o trono, eu decidi lhe oferecer esse acordo. O que tem de errado?
Slav continua:
— O que tem de errado?! Ninguém quer negociar ou trabalhar comigo mais! Por eu ser um anão, todos têm medo de se associar a mim! Como vou ganhar dinheiro assim?!
Luces dá uma breve risada e diz:
— Haha, mas eu não posso controlar os temores dos meus cidadãos, isso está fora do meu alcance. Como você é um homem de negócios experiente, deveria ter previsto esses fatos, não?
Slav sente as veias pularem em sua testa e fala para o imperador:
— Desgraçado! Seu pai deveria tê-lo matado! Seu monstro!
Luces estanca o sorriso, o clima de deboche morre e apenas um olhar frio cai sobre o anão. Então o imperador diz:
— Monstro? Por que seria, anão? Eu protejo os meus semelhantes e administro este império para que ele se purifique! Você, por outro lado, entregou os seus semelhantes. Os fez perderem ou suas casas ou suas vidas, e isso por algumas moedas a mais. Quem de nós dois seria o verdadeiro monstro, Slav?
O anão não reage, as palavras de Luces apenas indicavam que ambos não mediam consequências para alcançar o que queriam. Slav então fala:
— Que se dane isso! Que se dane você, Luces! Eu voltarei para Zelezo e nunca mais verei seu sadismo!
Ele cospe no chão e sai andando para fora do salão. Antes que pudesse passar, os guardas fecharam seu caminho com as espadas. Então o anão questiona, furioso:
— O que é isso?! Me deixem sair, seus idiotas!
Luces então diz:
— Antes de ir, Slav, quero que saiba de uma coisa.
Slav questiona:
— O que é, seu cretino?!
Luces conclui:
— Eu nunca lhe dei permissão para você me chamar pelo nome. Anão.
Após a fala, Slav abre a boca para retrucar, mas as palavras não saem. Ele olha para suas mãos e vê seus dedos e pulsos extremamente inchados. Sua visão fica turva e seus olhos, injetados de sangue. Suas pernas cedem e ele cai no chão, contorcendo-se de dor. Após uma cena perturbadora, seu corpo para de se mover. Slav está morto.
Após isso, uma sombra aparece na frente de Luces e se ajoelha. O imperador fala:
— Muito bem, Cloud.
A sombra se revela sendo Cloud, o mestre assassino do império. Então ele diz:
— Obrigado, meu senhor! Precisava testar essa combinação nova de toxinas, e parece que é bem útil!
Luces continua:
— Espero que tenha mais dessas, Cloud. Precisaremos colocar um pouco mais de ordem no nosso quintal.
Cloud, com seu jeito infantil e sádico, diz:
— Oba! Mais reações inesperadas! Será muito divertido, meu senhor!
Com isso, ele sai da presença do imperador. Luces então pega a taça na mão e devaneia:
— Ahh, a Cúpula ainda está tão longe. Meus objetivos ainda terão que esperar sua vez.
Os nobres ao redor apenas sentem que ir contra o imperador não é uma opção.
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