CINZAS E BRUMAS
32 PUNHO E LIMITE
John está frente a frente com a monstruosidade. Ele agarra sua espada e a desembainha. Sua postura é de alguém sereno, revelando seus anos de experiência como combatente e líder imperial. Após analisar cada parte do corpo do troll gigante, ele corre em disparada em direção às suas pernas. O troll rapidamente desce o braço de forma violenta em direção a John, mas ele se esquiva com velocidade impressionante e corta superficialmente os tendões do braço do gigante. Ele recua um pouco e diz:
— Tsc... Que pele espessa! Parece que essa velha espada não será o suficiente para feri-lo.
Então, o troll enfia as mãos no chão e levanta um enorme amontoado de terra e pedras para atacar o cavaleiro. O gigante arremessa o amontoado, e toneladas de terra e rochas caem sobre John. Sike, que estava terminando de lidar com os monstros menores, grita:
— Ei, John!?
Com a poeira ainda levantada, o troll começa a gargalhar alto. De repente, um punho vindo de baixo da terra soca para fora. É John. O troll para de sorrir na mesma hora. O cavaleiro se levanta dos escombros e, limpando sua roupa, resmunga:
— Ahh, que droga... tinha lavado a capa ontem à noite! Que saco.
O gigante fica confuso e amedrontado com o descaso do humano diante do ataque. John olha para sua mão e vê que sua espada se partiu devido às toneladas de pedras. Ele a joga para o lado e diz:
— É, meu punho é realmente a única arma que nunca me abandonou.
Vivian fica boquiaberta e pergunta para Sike:
— E-ei, Foguinho... quem é ele de verdade?
Sike, sem jeito, apenas responde enquanto esfrega o pescoço:
— Ah... é apenas um velho exibido.
John começa a pular e sacudir os braços, como se estivesse se alongando, e diz para o gigante:
— Olha aqui, "coisa feia", todo mundo me chama de velho e rabugento, mas na verdade eu tenho apenas trinta e dois anos, então não é como se eu não gostasse de me divertir um pouco também! E você... você vai me divertir!
Após a fala, John dá um impulso com os pés, quebrando o chão onde estava e atingindo o troll com velocidade e força esmagadora. O gigante urra de dor, mas ainda é uma ameaça poderosa. Ele soca John contra o chão, esmagando e destruindo o solo. Mas o cavaleiro segura o punho gigante com as mãos nuas e, com a voz pesada pelo esforço, diz:
— Hum, então você quer me esmagar, não é?! Pode tirar seu cavalo da chuva, seu merdaaaa!
John crava as mãos no punho gigante e, com uma força monstruosa, começa a levantar o Troll. Ele começa a girar seu corpo em alta velocidade, chacoalhando o monstro como um boneco de pano. Então, ele o solta e o arremessa, fazendo-o atravessar dezenas de árvores até colidir com uma parede de pedra. O barulho e a poeira que se levantam são imensos. O gigante fica atordoado e machucado, e vê uma sombra atrás da poeira se aproximando. Era John. A silhueta era apenas de um humano, mas o gigante via algo muito maior se aproximando: ele via a própria morte.
Com um desespero enorme, o gigante começa a chorar pela vida. John olha com pena, mas sabe que aquele monstro não é do tipo que se redime. Ele se prepara para finalizá-lo quando, de repente, algo cai como um disparo de canhão vindo do céu em cima do troll. A força do impacto é tamanha que explode o monstro instantaneamente. Ouve-se uma risada e uma figura sai de dentro da carcaça do monstro. Era Rokar, que diz:
— Hahaha! Eu ouvi todo esse tumulto e vim dar uma olhada. Então era você, pequeno homenzinho John Dickson? Você estava brincando com essa coisa aqui?
John, sem expressão, diz:
— Rokar, você estava espiando tudo, não estava?
Rokar, vendo que foi pego na mentira, tenta disfarçar:
— O-o que?! Eu jamais faria algo do tipo! Só para ver se você era forte ou não?! Há! Isso não faz o mínimo sentido! Hahahaha!
John suspira:
— Ahh... vá ajudar sua filha, ela se machucou na batalha.
O homem-fera diz, desesperado:
— O quê?! Esse desgraçado machucou minha filha?! Explodi-lo foi pouco! Espera aí, Vivian! Seu pai está chegando!
Sozinho, John diz para si mesmo:
— Hum, ao menos eles se importam uns com os outros.
Seu semblante muda ao pensar na situação:
— Espera. Pouco tempo atrás, em Nádej, tinha um troll também. Esses desgraçados deveriam ficar, no mínimo, nas fronteiras dos Vales de Sence. O que está acontecendo?
Após a indagação, John retorna para o grupo. Sike diz a ele:
— Então, seu velho, se divertiu?
John, coçando a cabeça, responde:
— Bom, isso foi um pouco mais cansativo do que o esperado. Acho que esse papo de idade é verdade, no fim das contas.
Rokar dá uma gargalhada:
— Hahaha! Muito bem, John Dickson, eu não esperava menos de alguém que me desafiou para um combate.
John fala em voz baixa:
— Mas foi você que quis lutar comigo...
Rokar continua:
— Após os fatos de hoje, ficou mais do que claro que você não é um simples humano! Isso me despertou a curiosidade. Então vamos fazer o seguinte: no nosso duelo, se eu vencer, você me contará quem realmente é! E se eu não gostar da resposta, eu te matarei imediatamente!
John, em tom provocador, responde:
— Hum, muito bem! E se eu ganhar, Rokar? O que receberei?
Rokar fica sério:
— Se você me vencer, John Dickson... eu oferecerei a mão de Vivian em casamento a você!
— O quê?! — John reage surpreso.
— O quê?! — Vivian grita surpresa.
— O quê?! — Sike exclama surpreso.
Rokar responde confiante:
— Isso mesmo! Quem for capaz de me derrotar em combate terá minha bênção para se casar com minha filha!
Vivian cora o rosto e, com extrema vergonha, grita:
— E-eu estou indo na frente para Zival! — E sai correndo em disparada.
John olha para Rokar e fala:
— Você é um péssimo pai.
Rokar responde gargalhando como sempre:
— Será?! Hahahahahaha!
O grupo então retorna para Zival após uma longa manhã de caça.
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