CINZAS E BRUMAS

13 PERDIDO E INOMINADO



Deixando o litoral para trás, John seguiu rumo ao oeste. Durante seus anos como cavaleiro, ele e seus companheiros frequentemente desviavam de suas rotas de patrulha para visitar uma vibrante cidade turística que prometia descanso e bons vinhos. Com essa lembrança amarga guiando seus passos, John caminhou por dias sob o sol e o sereno, até que as torres de vigia da grande cidade de comerciantes, Zadarmo, surgiram no horizonte.


Zadarmo era um organismo vivo. Suas ruas eram labirintos de vendedores gritando ofertas, tendas transbordando especiarias coloridas, bijuterias brilhantes e alimentos de todos os cantos do continente. Em Zadarmo, quase todos tinham algo a vender, fosse um produto raro ou um serviço questionável. Por ser um entreposto comercial próximo às fronteiras de Vilini, era comum ver elfos circulando entre os humanos. No entanto, com a ascensão de Luces Rubrê ao poder supremo do império, aquela harmonia frágil estava murchando. O ar de liberdade estava sendo substituído pelo cheiro metálico do medo.


Ao cruzar os portões, John puxou o capuz, cobrindo os cabelos loiros e a barba descuidada. Ele se misturou à multidão, um vulto silencioso entre os corredores de mercadores. Seguindo por instinto, encontrou a taverna que costumava frequentar. Ao entrar, o som de risos e conversas altas o atingiu. Por um breve segundo, o lugar despertou fragmentos de boas lembranças, mas não foi o suficiente para fechar a cicatriz aberta em Nádej.


John dirigiu-se ao balcão, onde uma velha elfa, de rosto sulcado pelo tempo e expressão ranzinza, limpava uma caneca.


— Uma cerveja, por favor... — murmurou John, sua voz rouca pelo desuso.


A elfa o mediu de cima a baixo, sem pressa.


— Só um minuto — respondeu ela, curta e grossa.


Exatos sessenta segundos depois, ela bateu a caneca transbordando na frente dele.


— Vá com calma, barbudo. Não quero ter que carregar alguém do seu tamanho para fora daqui.


John olhou para o líquido dourado e soltou um suspiro pesado.


— Como eu queria conseguir ficar bêbado agora...


Antes que ele pudesse dar o primeiro gole, as portas da taverna foram escancaradas com um estrondo. O silêncio caiu como um manto sobre o lugar. Dois soldados imperiais, responsáveis pela coleta de tributos daquele distrito, entraram com a arrogância típica de quem serve ao novo império. Eles caminharam pesadamente até o balcão e pararam ao lado de John.


O guerreiro não se moveu. Continuou encarando sua cerveja como se os soldados fossem invisíveis.


— Vamos, velha! — rosnou um dos soldados para a elfa. — Onde está o pagamento?


A elfa não desviou o olhar.


— Pagamento? Eu já paguei meus impostos. Se vocês aumentaram o preço três vezes, o meu lucro ainda não ficou sabendo.


O soldado, irritado com o deboche, inclinou-se sobre o balcão e agarrou a elfa pela gola da roupa, suspendendo-a levemente.


— Piadinhas não vão manter este buraco seguro, sabia? Podemos fechar tudo isso agora mesmo.


John bateu a caneca na mesa, o som de madeira contra cerâmica ecoando de forma seca.


— Senhora... outra, por favor — interrompeu ele, sem olhar para o lado.


A elfa, lutando para respirar, conseguiu dizer:


— Se você me ajudar com esse verme, te dou quantas canecas quiser!


John deu um sorriso sem vida, puramente sarcástico.


— Oferta tentadora, senhora... mas eu nunca gostei de mexer com merda.


O soldado soltou a elfa e virou-se para John, a face vermelha de fúria.


— Perdeu o amor à vida, seu insolente?


Sem aviso, o militar desferiu um soco furioso no rosto de John. O punho encontrou a mandíbula do guerreiro com um estalo seco, mas o resultado não foi o esperado. O soldado sentiu como se tivesse golpeado uma muralha de ferro sólido. O rosto de John nem sequer virou para o lado; ele permaneceu imóvel, uma rocha humana.


John suspirou, um som carregado de cansaço e tédio.


— Ah... parece que vou ter que mexer com a merda, afinal.


Com uma velocidade que contrastava com seu tamanho, John agarrou a cabeça do soldado pelos cabelos e a chocou violentamente contra o balcão de madeira maciça. O impacto foi surdo e definitivo. O militar desabou no chão, inconsciente no mesmo instante.


John olhou para a elfa, cujos olhos estavam arregalados.


— Parece que a senhora me deve muitas canecas de cerveja agora, não é?


O segundo soldado, tomado pelo pânico e pela falta de experiência, sacou sua espada com as mãos trêmulas. Ele tentou uma estocada desesperada contra John.


O guerreiro nem sequer se levantou do banco. Com um movimento preciso de dois dedos, ele pinçou a lâmina no ar, travando-a. Com um estalo metálico que arrepiou os presentes, John quebrou o aço como se fosse vidro seco.


O soldado, vendo sua arma destruída e o olhar mortal que emanava debaixo do capuz de John, sentiu as pernas falharem. Ele caiu sentado, tremendo violentamente.


— Se quiser tentar novamente, ainda tem a espada de seu companheiro no chão — disse John, sua voz baixa e gélida.


O pavor foi demais para o homem, que simplesmente desmaiou ali mesmo, ao lado do colega.


John olhou para os dois corpos estirados e coçou a barba, confuso.


— Hum... será que ele morreu de susto?


A taverna permanecia em um silêncio absoluto. Ninguém ali jamais tinha visto algo parecido.