CINZAS E BRUMAS
46 CIDADELA E RECEPÇÃO
Nos portões da grande Cidadela, o grupo se aproxima para adentrar o local. As patrulhas que guardam a entrada avistam o Príncipe Lórien e começam a se movimentar freneticamente. Os imensos portões se abrem com um estrondo grave e deles saem soldados vilinianos para receber o seu lorde. Um elfo, que lidera a patrulha, aproxima-se do grupo e se ajoelha, dizendo:
— Lorde Lórien, da Casa de Airgid! Eu o recebo em sua morada, senhor!
O príncipe então sorri e diz:
— Muito bem. Pode se levantar, Griss, meu amigo!
O militar se levanta e, ao notar o estado do lorde, pergunta, desesperado:
— Meu lorde, está ferido?! O que aconteceu?!
Ele avista os forasteiros atrás de Lórien e entra em alerta máximo. Griss puxa seu arco metálico das costas. A arma se expande com um clique mecânico rápido, e ele diz com firmeza:
— Estas pessoas atrás do senhor têm algo a ver com isso?!
Lórien o repreende na mesma hora, erguendo a voz:
— Nem pense em apontar o seu leid para eles, Comandante Griss! Estas pessoas são meus convidados, além de serem meus salvadores.
O comandante guarda a arma imediatamente e se desculpa ao príncipe, curvando-se:
— Mil perdões, Lorde Lórien! Eu não tive a intenção de ofender o senhor ou seus convidados! Mas, por favor, me diga: o que aconteceu?
Lórien relata que foi emboscado durante seu retorno à Cidadela e que o grupo de John interveio para salvá-lo. No entanto, ele omite cuidadosamente a parte em que revela que Mirabel é uma draco e, muito menos, a princesa de Drake.
Griss, após escutar o príncipe, aproxima-se dos outros três e diz com sinceridade:
— Me desculpem pela grosseria de agora há pouco! Sou o Comandante Griss. Agradeço a vocês por terem ajudado o Lorde Lórien. Ele é um general forte, mas ainda é jovem. Por favor, fiquem em Kidma como convidados do príncipe, e aceitem isso também como um pedido de desculpas meu.
John toma a frente, estende a mão ao comandante e diz, apaziguando:
— Aceitamos com prazer, Comandante Griss.
O comandante se impressiona com a atitude do humano em sua frente, após hesitar um pouco, ele cede ao carisma do cavaleiro.
Griss aperta a mão de John, e então o grupo é escoltado para dentro das muralhas da capital.
Ao entrarem, seus olhos se arregalam. As reações são das mais variadas, pois o lugar é completamente diferente de tudo o que já viram na vida. As construções são delicadas, mas imponentes. As pontes que ligam as raízes gigantescas são feitas com pura projeção de Tok; elevadores levam e trazem milhares de moradores por todas as partes; o próprio ar parece diferente, tingido com uma paisagem azulada devido à luz dos cristais de Aetherium mesclando-se com o verde vibrante da natureza. Geradores de Tok pulsantes alimentam casas e construções. Tudo se mistura em uma harmonia e fluidez tecnológica assustadora. Sike diz, completamente espantado, rodando sobre os calcanhares:
— Que-que é isso?! Então essa é a Cidadela?! Eu nem consigo diferenciar o que é máquina e o que é planta! Que incrível!
John, suando frio de pura admiração estratégica, comenta:
— Eu... sabia que os elfos estavam mais à frente tecnologicamente do que os humanos, mas... isso já é covardia.
Mirabel apenas observa o local, fecha os olhos para sentir os aromas doces da floresta e conclui para si mesma, em pensamento:
É... é lindo mesmo... Lifiz. Você tinha razão.
Após passarem da entrada, Lórien diz ao grupo, satisfeito com o choque deles:
— Vejo que estão um pouco impressionados com a capital. Mas não vamos parar por aqui!
Ele aponta para a colossal árvore no centro geométrico da Cidadela e diz:
— Vamos subir nela. Na Árvore-Coração!
Após passarem por alguns distritos e testemunharem maravilhas além do senso comum, eles chegam à base da Árvore-Coração de Kidma. Então, um círculo brilhante de puro Tok se forma aos pés do grupo e eles começam a subir velozmente pela extensão do tronco infinito. Mirabel, impressionada, pergunta ao príncipe:
— Aonde vamos exatamente, Lórien?
O elfo sorri e responde:
— Para a minha casa. Vamos ao Palácio de Airgid!
Após algum tempo de subida contínua, eles param a uma altitude vertiginosa. Lá está uma monumental construção arquitetônica, intricada e diretamente fundida com os galhos da própria Árvore-Coração. O grupo caminha até as grandes portas do palácio, que se abrem sozinhas em uma apresentação majestosa. Todos entram e continuam a se deslumbrar com tamanha tecnologia em harmonia perfeita com a biologia do local.
John, mesmo impressionado com o ambiente, não desliga seus instintos de guerreiro. Ele percebe uma tensão crescente e uma inquietação pesada nos ombros de Lórien, então pergunta baixo:
— Está tudo bem, Príncipe Lórien?
O elfo responde, com uma gota de suor escorrendo pelo rosto tenso:
— Bom... eu não poderia adiar isso para sempre mesmo...
Ele assume uma postura militar séria e conclui:
— Está na hora de relatar os incidentes para a Rainha.
Com uma responsabilidade enorme pesando em suas costas e um destino incerto pela frente, o Príncipe Lórien precisa encarar a matriarca de Vilini, a temível Rainha List.
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