CINZAS E BRUMAS

40 CAMINHO E CONFUSÃO


Sendo escoltados por uma patrulha de Vilini, Lórien e Mirabel conversam em uma carruagem enquanto seguem em direção a Kidma. Lórien pergunta à princesa:


​— Olhe, Mirabel, sei que não quer falar sobre isso, mas estou te levando para a capital do país como uma prisioneira, então terei que tomar alguma decisão quando chegar lá. Tenho que saber por que você é uma fugitiva de Drake. É minha obrigação como general e príncipe de minha nação.


​Mirabel, tentando ao máximo esconder sua identidade como realeza, responde:


​— Eu fui sentenciada ao cárcere por manter escondido um elfo.


​Lórien se surpreende e fala:


​— Você... estava abrigando um inimigo de guerra do seu país?


​A princesa continua:


​— Eu... fui ingênua! Não percebia que Lifiz estava passando informações para Vilini! Mas eu... eu gostava dele! Ele era um amigo para mim! Ele me contou as histórias que conheço da Cidadela e me deu a chance de sonhar em ser útil ao meu povo, à minha família...


​Com o rosto amargurado e os olhos marejados, ela finaliza com uma leve risada de pesar:


​— Eu... sou tão idiota, não é?


​O elfo, de imediato, fica sem reação. Ele não está mais apreensivo com a draco; está sensibilizado com o seu relato. Então, ele fala seriamente:


​— Senhorita Mirabel, oficialmente eu não posso lhe dizer isso. Mas... muito obrigado por ser amiga do Lifiz!


​Mirabel, surpresa, diz:


​— Vo-você o conheceu?!


​O príncipe então responde:


​— Lifiz foi um grande amigo meu, e um excelente soldado! Quando não tivemos mais notícias dele, sabíamos que seu destino estava selado... Mas agora eu me alegro sabendo que ele passou bons momentos com a senhorita! E eu posso afirmar: se ele contou sobre a Cidadela, ele a considerava uma amiga também! Eu queria que nosso encontro fosse em outras circunstâncias, senhorita Mirabel.


​A princesa mais uma vez sente alento em seu coração. Em uma tentativa de expressar gratidão, ela começa a falar:


​— Lórien, na verdade... eu sou...


​Nesse momento, uma explosão estrondosa ocorre do lado de fora da carruagem. O ataque é poderoso, matando soldados da escolta instantaneamente e deixando vários feridos. Lórien desce da carruagem em posição de defesa e ordena para Mirabel:


​— Fique aqui, senhorita!


​O elfo rapidamente puxa de suas costas um pequeno equipamento de metal e o empunha. O dispositivo se expande com um som mecânico e se revela uma arma de combate a longa distância sofisticada. Assemelha-se aos arcos dos humanos, mas em uma escala de tecnologia e refino muito maior.


​Em uma velocidade surpreendente, ele se posiciona sobre as árvores, analisando o campo atacado. À frente, na estrada, ele observa uma figura encapuzada. Sem demora, ele dispara vários projéteis com pontas de Aetherium.


​Cada projétil provoca um impacto colossal, gerando detonações de poeira e som como se toneladas de metal estivessem caindo sobre o solo. Após a poeira baixar, o elfo ouve um pequeno zunido; na sequência, ele salta rapidamente do galho onde está segundos antes de a árvore explodir e se incendiar. O encapuzado reaparece, aproximando-se da carruagem onde está Mirabel.


​Lórien, em fúria pelos seus aliados feridos, grita:


​— Eu estou aqui, seu maldito!


​Ele dispara novamente, mas agora os projéteis estão mais velozes e carregados com eletricidade azulada. O ataque acerta o encapuzado, que sente a violência da descarga elétrica percorrer seu corpo. Ele para de andar em direção à carruagem e vira sua atenção para Lórien. A figura misteriosa diz com uma voz roca:


​— Você... não sabe quem ela é... o que ela é...


​Lórien brada em alto som:


​— Não me interessa! Só me importo com o inimigo em minha frente e em como vou elimina-lo!


​A figura conclui:


​— Então, para eu pegar o recipiente... eu devo extermina-lo, elfo.


​A tensão em direção à Cidadela aumenta com a aparição desse antigo perseguidor.