CINZAS E BRUMAS
39 ALIANÇA E DESPEDIDA
Após uma noite de descanso, John e Sike arrumam suas coisas para partirem de Zival. Quando os dois saem da casa, deparam-se com Vivian e Rokar, que esperam para se despedirem. O leão carrega consigo uma caixa de madeira adornada com prata. Ele diz:
— Muito bem, mago foguinho e John Dickson! Acho que isso é uma despedida, não é?! Fico meio triste com a partida de pessoas tão fortes!
Sike murmura:
— Nem começa, bola de pelo...
John responde a Rokar:
— Bem, como disse a você, tenho uma missão para cumprir.
O homem-fera então diz:
— Muito bem! Estou ciente desse fato! E é por isso que quero lhe propor algo.
John inclina a cabeça para o lado, curioso. Rokar continua:
— Quando chegar a hora de você cumprir sua missão, quero ajudar! Eu proponho uma aliança, John Dickson!
O cavaleiro se surpreende com a proposta e fala ao líder:
— Está ciente de que, se você se meter nisso, seu povo não estará mais escondido e protegido, não é?
O leão retruca:
— Não precisamos de proteção, cavaleiro! Somos uma raça guerreira! E é por isso que quero que meu povo não mais precise temer ser subjugado pelo Império! Nossas crianças poderão crescer e treinar em toda parte desta terra, sem ficarem presas a uma mera fronteira! Por isso falo novamente: quando chegar a hora, estarei junto a você e ao seu grupo!
John admira a coragem e o sonho do chefe de Zival e diz:
— Muito bem, Rokar. Aceito sua proposta e a formação desta aliança!
Os dois se olham, sabendo que conquistaram o respeito um do outro. Vivian se aproxima de Sike e laça o braço no pescoço dele em um gesto de camaradagem:
— Muito bem, foguinho! Da próxima vez que voltar, não se esqueça de fazer aquelas magias divertidas para os pivetes da vila!
Sike fala, irritado:
— Eu sou um mago de circo agora, é?!
Vivian olha para John, aproxima-se e dá um leve soco amigável em seu peito:
— E vê se você se cuida, grandão.
John, a fim de provocá-la novamente, diz:
— Não acha que se preocupa demais com um forasteiro, Vivian?
A garota cora mais uma vez e se afasta:
— Se-seu idiota! Só estou falando isso porque você prometeu voltar para dar uma batalha definitiva ao meu pai! Só isso!
Rokar gargalha alto e solta a caixa que carregava:
— Hahaha! Então, parece que chegou a hora de te entregar isso!
John, curioso com o caixote, pergunta:
— É mesmo... o que é isso aí?
Rokar responde:
— Eu lhe disse quando você apareceu na vila: suas roupas estão deploráveis! Por isso, vou te entregar isso!
O leão abre a caixa, revelando uma roupa de combate com peças de armadura leve. É algo de extremo refino que só poderia ser adquirido por nobres. O leão diz:
— Vamos, experimente!
Após alguns minutos, o cavaleiro aparece vestindo a armadura. Ele comenta:
— Is-isso é incrível! Meu corpo está tão leve e posso me mexer muito bem! Além disso, mesmo sendo leve, tem uma malha muito superior a outras roupas de combate! Onde você conseguiu isso?!
Rokar revela:
— Isso pertenceu ao seu próprio mentor, Zilion!
John se espanta:
— O quê?! O velho esteve aqui?!
O leão explica:
— Alguns anos após a nossa batalha, Zilion apareceu aqui em Zival, logo quando estávamos construindo a vila. Eu pensava que ele estava aqui para nos caçar ou para uma revanche. Mas o insolente veio apenas com uma garrafa de bebida e um saco nas costas! Ele disse que não tinha a intenção de pedir outro combate, mas sim de sentar, beber e rir até o sol raiar! Eu não tinha entendido, mas aceitei. No dia seguinte, ele acordou de uma ressaca terrível e disse que iria embora, mas deixaria o saco que trazia para eu guardar para alguém que viria em nome dele. Esse alguém nunca apareceu... até agora!
John fica pasmo com o relato e pensa:
O velho... será que ele sabia que eu apareceria por aqui?! Isso é impossível, não é?
Rokar continua:
— Se isso era mesmo para você ou não, não me importa! Apenas leve essas roupas daqui! Não aguento mais guardar coisas daquele insolente! — Após a fala irritada, o leão, então assume um ar sério. — Dickson, como Zilion morreu?
O cavaleiro responde com pesar:
— Ele liderou a última incursão registrada nos Vales de Sence, e então, nunca mais retornou. O Império o declarou como morto.
O leão responde:
— Entendo... Aquele idiota foi corajoso até na morte.
John e Sike partem de Zival enquanto o leão grita ao longe:
— Tentem não morrer tão cedo, ok?! Hahahahaha!
John, agora muito mais ágil e podendo usar o Estilo Gladka com facilidade em sua nova roupa, pergunta para Sike:
— Então, foguinho...
O mago responde sem reação:
— Já deu, não é?!
O cavaleiro continua:
— Para onde vamos agora?
O mago responde:
— Vamos caminhar até a Cidadela. Com sorte, chegaremos em alguns dias. Aliás, no meio da sua luta com o Rokar, eu pensei que era coisa da minha cabeça, mas tenho quase certeza de que a pedra do medalhão estava brilhando! Você sabe algo sobre isso?
John responde com sinceridade:
— Infelizmente, não. A tecnologia dos elfos sempre foi muito restrita e pouca informação chegava às cortes de Rôga.
Sike conclui:
— Hum, entendi. Deve ser coisa da minha cabeça mesmo.
Ambos seguem em direção à Cidadela de Kidma, onde esperam receber ajuda para destronar o tirano Luces Rubrê.
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