CINZAS E BRUMAS

25 AJUDA E VISÃO


Após a cansativa batalha, Sike começa a sentir a fadiga por conta do seu descontrole de mana. Mas então, ele vê John ainda ferido e sem soltar qualquer reclamação. Com isso, o mago diz:


— Vamos nos apressar, John. Podem ter outros no nosso encalço.


Os dois começam a andar, quando escutam a voz de uma mulher ecoando:


— Parem!


Ambos olham para cima e veem alguém de pé em um galho de árvore. É uma guerreira da tribo dos Homens-Feras. Com orelhas e cauda de felino, ela questiona:


— Quem são vocês? Escutei as explosões e vim descobrir quem estava fazendo tal bagunça! Se expliquem!


Sike a reconhece rapidamente e fala, surpreso:


— Vivian? Ei! Sou eu! Sike!


Após algum tempo de silêncio, a guerreira responde lá de cima:


— Eu não conheço nenhum Sike! Vou bater em vocês até me contarem quem são!


Sike se irrita e grita como um demente:


— Como não conhece nenhum Sike, sua idiota?! Sou eu! O mago que trouxe o elfo ferido!


Depois de mais alguns segundos de silêncio analítico, ela responde novamente:


— É... eu vou bater em vocês!


— Merdaaaa! — grita Sike, frustrado.


Então, não vendo outra alternativa, ele fala com uma extrema vergonha:


— Sou eu... o Foguinho.


John segura fortemente uma risada que faz seu ferimento doer. Sike olha bruscamente para ele e o ameaça:


— Eu vou te matar, seu velho!


Nesse momento, Vivian se lembra do mago e exclama:


— Ah, Foguinho! Há quanto tempo! Por que não disse logo que era você?!


John tenta ao máximo segurar a risada para preservar o que resta da dignidade do amigo. Vivian continua:


— Vocês que estavam lutando por aqui?


Sike, ainda vermelho de vergonha, responde:


— Sim, éramos nós! Fomos emboscados por assassinos do império! Estávamos indo para Zival para podermos chegar em Vilini!


— Bom, sem problemas, Foguinho — responde Vivian. — Mas eu conheço você. E esse ao seu lado, quem é?


— Esse é um amigo, John Dickson — explica Sike. — Ele precisa de ajuda médica! Podemos passar algum tempo em Zival?!


Vivian olha para John e o analisa. Os membros da tribo dos Homens-Feras não são conhecidos pela inteligência ou formalidades, mas sim por serem naturalmente adaptados ao combate e ambientes hostis. Com essas habilidades natas, eles conseguem distinguir quem é forte.


Aos olhos de Vivian, John é um monstro. Cada pelo do seu corpo gritava perigo. Mas, ao mesmo tempo, ela não sente malícia alguma no guerreiro. Então, Vivian decide:


— Ok, vou guiar vocês até a vila! Vamos!


Os dois seguem a guerreira felina em direção a Zival.



Enquanto isso, em Rôga, Vince Elanter está sentado em uma cadeira de frente para uma garota de aproximadamente 17 anos. Ela usa uma venda nos olhos por conta de sua cegueira. Vince pergunta:


— Como você tem estado, Beatrice?


— Estou bem, irmão — responde a garota.


— Eu... soube que você tem apresentado resultados para o Doutor Phill — continua Vince. — Isso é ótimo! Logo mais os exames e estudos não serão mais necessários, não é?


Beatrice, com uma voz fraca e baixa, responde:


— Isso é ótimo, irmão. Então logo não vou sentir mais essas dores. Eu estou feliz com isso, Vince.


Vince responde com uma alegria rasa, algo que ele nunca demonstrava:


— Não é? Haha. Só espere mais um pouco, Beatrice. Quando o Doutor Phill conseguir te fazer enxergar, vou te levar naquele campo que você gosta do aroma, e você verá como ele é lindo.


Beatrice, visivelmente animada, diz:


— Jura? Estou ansiosa por isso, irmão. Obrigada!


Vince sorri e se levanta.


— Descanse, irmã. Amanhã tem um pouco mais de exames, está quase no fim.


— Sim, eu entendo. Obrigada de novo, Vince —diz Beatrice.


Vince se retira do quarto. Ao fechar a porta, sua feição muda completamente. Um gosto amargo toma sua boca. Ele desce as escadarias até um laboratório na parte de baixo do castelo, e abre a porta visivelmente irritado. Lá, ele encontra um homem com frascos e seringas em uma mesa. Vince caminha com passos pesados e diz, com a voz carregada de ódio:


— Você disse que isso acabaria logo, Phill!


O homem retruca com frieza:


— Acalme-se, senhor Elanter. Já lhe disse que sua irmã é alguém que precisa de extremo cuidado e paciência para as pesquisas. Como você sabe, não é todo dia que se encontra um Mago de Luz.


No império de Rôga, uma garota sem visão chora.