CINQUENTA TONS DE AMOR
7 Capitulo 08
Notas iniciais
CAPITULO 08
Seguindo os conselhos incansáveis e francamente impertinentes de Mia, tentei ficar mais tranquila possível, não que eu estivesse pra arrancar os cabelos, mas, aquele homem me deixava nervosa.
Durante a semana tudo ocorreu bem, menos meu trabalho que estava uma loucura, não sei por que, mas, varias pessoas abriram processos e nossa isso é um saco, é bom pra empresa tambem para a minha conta bancaria, só que eu estava mentalmente cansada pensando nesse maldito encontro.
Hoje é o grande dia e droga faz um tempo que não vou a um encontro claro não que eu esteja despreparada, eu tenho que está preparada para algo com Christian Grey.
— Ok Louise faz muito tempo que você não beija! —Diz Mia, Haha ela pega pesado. — Você ficou caída pelo Grey. Sim agora e sua chance, arranque um beijo daquela boca linda. Arrasa.
— Você soa como se eu tivesse quinze anos. Isso é ridículo eu só quero ter um pouco de diversão, desde que a Ana nasceu tudo ficou mais lento, eu só quero sair e me divertir com um cara que eu acho gostoso. Só isso.
Ela riu.
— Foi mal, eu estou passando dos limites eu sei — Bufei — Vamos parar de falar e ver. Isso é tudo o que temos aqui para você vestir? — Disse ela brindo minha bolsa. — Isso aqui é bem formal só não sexy;
Ela tirou um vestido lindo.
— Uau esse é lindo e não precisa ser sexy, realmente é esse eu gosto das mangas.
— Você quem sabe, e o salto? Tem que ser esse aqui, você não trouxe muitas opções.
— Esse preto ai é bonito, vai ser ele. – Disse despreocupada.
— Pensando bem você vai ficar linda ele vai pirar – Graças a Deus.
— Lou eu sei que não é hora de falar isso, mas tenha cuidado, se ele tentar fazer algo que você não queira, saia fora. — Eu a encarei-a por um momento, ela me deixou um pouco confusa.
— Mia eu nunca iria fazer algo que não quisesse. — Levantei ficando por de trás dela, apoiando minhas mãos sobre seus ombros. — Mas, obrigada, você é a melhor pessoa pra esta aqui. Agora vou me vestir.
Comecei a me trocar, não demorou muito até que eu ficasse pronta. Dei um jeito no cabelo.
— Até eu queria ter um encontro com você. Porra você esta linda.
— È eu sei. — Zoei.
— Pois então ele já esta ai fora. – Já.
— Puta que pariu sério? – Eu já estava com dor de barriga.
—Ai meu Deus ele foi pontual dessa vez! – Ela reclamou.
— Sim ele foi, vamos ver no que isso vai dar! – Pensei que eu fosse ficar mais nervosa.
— Lembre-se do que te falei seja dura;
— Quando que eu deixei de ser? – Dei um sorriso torto pra ela.
— Você é... Eu nem vou falar. Boa sorte, eu te amo e, por favor, use camisinha caso necessário.
Suspirei.
— Adeus Mia, feche aqui; Amo-te.
E quando saí do escritório já me esperava apoiado na parte de trás do carro. Abriu a porta para mim e sorriu cordialmente.
— Boa tarde, senhorita Clark, como esta linda. — Disse-me.
— Grey Obrigado. — Responde seriamente.
Inclinei a cabeça educadamente e entrei no assento traseiro do carro.
Seu motorista Barney estava sentado ao volante.
— Olá, Barney, — Disse-lhe.
— Boa Noite, Srta. Clark. — Respondeu-me em tom educado e profissional. Até que ele é um coroa muito bonito.
Christian entrou pela outra porta e brandamente me apertou a mão.
Um calafrio percorreu todo minha espinha. Ui.
— Como foi o trabalho? — Perguntou-me.
— Interminável. — Olhei em seus olhos.
— Sim, o meu também, pareceu muito longo.
—O que tem feito? — Perguntei.
— Andei com Eliot.
— Hum! – Saiu só isso.
Seu polegar acariciava meus dedos por trás e droga, apenas tocou uma pequena parte de meu corpo, e meus hormônios dispararam.
O heliporto estava perto, assim, antes que me dessa conta, já havíamos chegado. Perguntei-me onde estaria o lendário helicóptero. Estamos em uma zona da cidade repleta de edifícios, uma coisa que eu adoro. Taylor estacionou, saiu e abriu minha porta. Em um momento, Christian estava ao meu lado e pegou minha mão novamente.
— Preparada? — Perguntou-me. La o vem tambem com um tom, como se eu estivesse fazendo tudo pela primeira vez. Idiotice.
Assenti.
— Pra tudo, sempre. — Ele levantou as sobrancelhas.
— Barney.
Fiz um gesto para o chofer, entramos no edifício e nos dirigimos para os elevadores. Um elevador! A lembrança do beijo daquela manhã voltou a me obcecar.
Dizer que estive distraída era pouco.
Christian me olhou com um ligeiro sorriso nos lábios. Ah! Ele também estava pensando no mesmo.
— São apenas três andares. — disse-me com olhos divertidos. Tenho certeza que tem telepatia. É estranho. Tive que manter o rosto impassível quando entramos no elevador. As portas se fecharam. Putz, e aí está a estranha atração, crepitando entre nós, apoderando-se de mim. Ele apertou minha mão com força, e cinco segundos depois as portas se abriram no terraço do edifício. E lá estava um helicóptero branco com as palavras GRE ENTERPRISES HOLDINGS, Inc. em cor azul e o logotipo da empresa de outro lado. Certamente que isto é esbanjar os recursos da empresa.
Ele me levou a um pequeno escritório onde um senhor estava sentado atrás da mesa.
— Aqui está seu plano de voo, Sr. Grey. Revisamos tudo. Está preparado, lhe esperando, senhor. Pode decolar quando quiser.
— Obrigado, Joe. — Respondeu-lhe Christian com um sorriso quente.
Ora, alguém que merecia que Christian o tratasse com educação. Possivelmente não trabalhava para ele. Observei o ancião assombrada.
— Vamos. — Disse-me Christian.
E nos dirigimos ao helicóptero. Supunha que seria um modelo pequeno, para duas pessoas, mas contava com, no mínimo, sete assentos. Christian abriu a porta e me indicou o assento na frente.
— Sente-se. E não toque em nada. — Ordenou-me e subiu por trás de mim.
— Eu sei muito bem como, não precisa ordenar! – Mas será possível.
Ele me olha fuzilando, e fecha a porta.
Alegrei-me que toda a zona ao redor estivesse iluminada, porque do contrário, nada se veria na cabine. Acomodei-me no assento que me indicou e ele se inclinou para mim para me atar o cinto de segurança. Odeio esse cinto de quatro pontos com todas as tiras se conectando a um fecho central. Apertou tanto as duas tiras superiores, que eu não podia me mover.
Ele estava tão próximo a mim, muito concentrado no que fazia. Se pudesse me inclinar um pouco para frente, afundaria o nariz em seu cabelo. Cheirava a limpo, fresco, divino, mas eu estava firmemente atada ao assento e não podia me mover. Levantou o olhar para mim e sorriu, como se lhe divertisse essa brincadeira que apenas ele entendesse. Seus olhos brilharam. Estava tentadoramente perto. Contive a respiração enquanto me aperta uma das tiras superiores.
— Está segura. Não pode escapar. — Sussurrou-me. — Vou ter que dar um jeito nessa tua boca inteligente. – Respira.
—Louise. — Acrescentou em tom doce.
Aproximou-se, acariciou meu rosto, correndo os dedos longos até meu queixo, que pegou entre o polegar e o indicador. Inclinou-se para frente e me deu um rápido e casto beijo.
— Eu gosto deste cinto. — Sussurrou-me.
O que?
Acomodou-se ao meu lado, atou-se ao seu assento e em seguida começou o processo de verificar medidores, virar interruptores e apertar botões do enorme gama de marcadores, luzes e botões de controle na minha frente. Pequenas esferas piscaram luzinhas, e todo o painel de comando estava iluminado.
— Ponha os fones de ouvido — Disse-me apontando uns fones na minha frente.
— Já coloquei. – Ele me olhou surpreso. — Eu tambem piloto esqueceu?
— Não Louise! – Sorriu.
— Estou fazendo todas as comprovações prévias ao voo.
Ouvi a imaterial voz de Christian pelos fones. Virou-se para mim e sorriu.
— Sabe o que faz? — Perguntei-lhe.
Voltou-se para mim e sorriu.
— Fui piloto por quatro anos, Anastásia. Está a salvo comigo. — Disse sorrindo-me de orelha a orelha. — Bom, ao menos enquanto estivermos voando.
Caralho, o que ele quis dizer?
Voamos entre edifícios, e em frente a nós vi um arranha céu com um heliporto no terraço. A palavra “Escala” estava pintada em branco no topo do edifício. Estava cada vez mais perto, ia aumentando... Como minha ansiedade. Deus, eu esperava não decepcioná-lo.
Ele vai me achar desprovida de alguma forma.
Agarrei-me à borda de meu assento cada vez com mais força.
O helicóptero reduziu a velocidade e ficou suspenso no ar. Christian aterrissou na pista do terraço do edifício. Tinha um nó no estômago. Não saberia dizer se eram nervos pelo que iria acontecer, ou alívio por termos chegado vivos, ou medo que a coisa não acontecesse bem. Desligou o motor, e o movimento e o ruído do rotor diminuiu até que, só o que se ouvia era o som da minha respiração entrecortada. Christian retirou os fones enquanto eu tambem retirava os meus.
— Chegamos. — Disse-me em voz baixa.
Seu olhar era intenso, a metade na escuridão e a outra metade iluminada pelas luzes brancas de aterrissagem. Uma metáfora muito adequada para Christian: o cavalheiro escuro e o cavalheiro branco. Parecia tenso. Cerrou a mandíbula e entrecerrou os olhos. Abriu seu cinto de segurança e se inclinou para abrir o meu. Seu rosto estava a centímetros do meu.
— Não tem que fazer nada que não queira fazer. Você sabe, não é?
Seu tom era muito sério, inclusive angustiado, e seus olhos, ardentes. Pegou-me de surpresa.
Poxa Mia tambem disse isso.
— Nunca faria nada que não quisesse fazer, Christian.
E enquanto lhe dizia, sentia que não estava de todo convencida, porque nestes momentos certamente faria algo pelo homem que estava sentado ao meu lado. Mas minhas palavras funcionaram e Christian se acalmou.
Encarou-me um instante com cautela e logo, apesar de ser tão alto, moveu-se com elegância até a porta do helicóptero e a abriu. Pulou, esperou-me e agarrou minha mão para me ajudar a descer à pista. No terraço do edifício havia muito vento e me punha nervosa o fato de estar em um espaço aberto a uns trinta andares de altura. Christian passou o braço pela minha cintura e me puxou firmemente contra ele.
— Vamos. — Gritou-me por cima do ruído do vento.
Arrastou-me até um elevador, digitou um número em um painel, e a porta se abriu. No elevador, completamente revestido de espelhos, fazia calor. Podia ver Christian em quantidade, para onde quer que eu olhe, e a coisa boa era que ele também podia ver várias de mim. Digitou outro código, e as portas se fecharam e o elevador começou a descer.
Em poucos momentos estávamos em um vestíbulo totalmente branco. No meio havia uma mesa redonda de madeira escura com um enorme buquê de flores brancas. As paredes estavam cheias de quadros, coisas simples que deixa o ambiente perfeito.
Abriu uma porta dupla, e o branco se prolongou por um amplo corredor que nos levou até a entrada de uma sala palaciana. É o salão principal, de teto muito alto. Qualificá-lo de "enorme" seria pouco. A parede do fundo era de cristal e dava em uma sacada com uma magnífica vista da cidade.
À direita havia um imponente sofá em forma de “U” que permitiam sentar-se comodamente dez pessoas. Frente a ele, uma lareira ultramoderna de aço inoxidável... Ou, possivelmente, de platina. O fogo aceso iluminava brandamente. À esquerda, junto à entrada, estava a área da cozinha. Toda branca, com as bancadas de madeira escura e um bar em que podiam sentar-se seis pessoas.
Junto à área da cozinha, em frente à parede de cristal, havia uma mesa de jantar rodeada de dezesseis cadeiras. E no fundo havia um enorme piano negro e resplandecente. Certamente também tocava piano. Em todas as paredes havia quadros de todo tipo e tamanho. Em realidade, o apartamento parecia mais uma galeria que uma moradia.
— Dê-me a jaqueta? — Christian perguntou-me.
Nego com a cabeça. Ainda estava com frio da pista do helicóptero.
— Quer tomar uma taça? — Perguntou-me.
— Claro! – Respondo admiranda sua decoração.
— Eu tomarei uma taça de vinho branco. Você quer uma?
— Sim, obrigada. — Murmurei.
Sentia-me incômoda neste enorme salão. Aproximei-me da parede de cristal e me dei conta de que a parte inferior do painel se abria a sacada em forma de acordeão. Abaixo se via Seattle, iluminada e animada. Volto para a área da cozinha, demorei uns segundos, porque estava muito longe da parede de cristal, onde Christian abria um vinho. Retirou sua jaqueta.
— Sua casa é linda! – Falei olhando pra ele.
— Acha que está bem um Pouily Fumei? – Hum, delicia.
— Sim, Christian. Estou certa de que esse é ótimo.
Falei em voz baixa e entrecortada. Meu coração batia muito depressa.
Queria sair correndo. Isto era luxo de verdade, de uma riqueza exagerada, tipo Bill Gates.
O que estava fazendo aqui? Sabia muito bem o que estava fazendo aqui, logrou meu subconsciente. Sim, quero ir para cama com Christian Grey.
— Toma. — Disse-me ao estender uma taça de vinho.
Até as taças são luxuosas, de cristais grossos e muito modernos, por um momento lembrei- me do exagero de mamãe.
Tomei um gole. O vinho era ligeiro, fresco e delicioso.
— Você está muito quieta, e nem mesmo está corada. A verdade é que acredito que nunca te vi tão pálida, Louise. — Murmurou. — Está com fome?
Neguei com a cabeça. Não de comida.
— Que casa tão grande.
— Grande?
— Grande.
— É grande. — Admitiu com um olhar divertido.
Tomei outro gole do vinho.
— Sabe tocar? — Perguntei-lhe apontando para o piano.
— Sim.
— Bem?
— Sim.
— Claro, como não. Há algo que não faça bem?
— Sim... Umas duas ou três coisas. — Eu ri.
Tomou um gole de vinho sem tirar os olhos de cima de mim. Sinto que seu olhar me seguia quando me virei e olhei o imenso salão. Mas não deveria chamar-lhe "salão".
Não é um salão, a não ser uma declaração de princípios.
— Quer te sentar?
Concordei com a cabeça. Agarrou minha mão e me levou ao grande sofá de cor nata. Enquanto me sentava, assaltava-me a ideia de que pareço Tess Durbeyfield observando a nova casa do notário Alec d'Urbervile. A ideia me fez sorrir.
Já arquitetei casas maravilhosas, mas, essa aqui é realmente esplêndida.
— O que te parece tão divertido? — Estava sentado ao meu lado, me olhando. Descansava a cabeça sobre a mão direita e o cotovelo estava apoiado na parte de trás do sofá.
Christian me olhou fixamente um momento.
Apertou os lábios.
— Por que me deu de presente precisamente Tess, de D'Urberville? — Perguntei-lhe.
Christian me olhou fixamente um momento. Acredito que lhe surpreendeu minha pergunta.
— Bom, disse-me que gostava de Thomas Hardy.
— Só por isso?
Até eu sou consciente de que minha voz soava decepcionada. Apertou os lábios.
— Pareceu-me apropriado. Eu poderia te empurrar para algum ideal impossível, como Angel Clare, ou te corromper completamente, como Alec d'Urbervile. — Murmurou.
Seus olhos brilharam impenetráveis e perigosos.
— Se apenas houver duas possibilidades, escolho a corrupção. — sussurrei enquanto o encarava.
Christian ficou boquiaberto.
— Anastásia, deixa de morder o lábio, por favor. Desconcentra-me.
— Por isso estou aqui.
Franziu o cenho.
— Sim. Desculpa-me um momento?
Desapareceu por uma grande porta no outro extremo do salão. Voltou em dois minutos com uns papéis nas mãos.
—Isto é um acordo de confidencialidade. — Encolheu os ombros e pareceu ligeiramente incômodo. — Meu advogado insistiu.
— Um acordo de confidencialidade? Pra que isso? — Pergunto. Ele é doido.
Estendeu-me os papéis. Fiquei totalmente perplexa.
— Se escolher a segunda opção, a corrupção, terá que assiná-los.
— E se não quiser assinar nada?
— Então fica com os ideais de Angel Clare, bom, ao menos na maior parte do livro.
— O que implica este acordo?
— Implica que não pode contar nada do que aconteça entre nós.
Nada a ninguém?
Observei-o sem dar crédito. Merda. Tem que ser ruim de verdade, e agora tenho muita curiosidade por saber do que se trata.
— De acordo, assinarei.
Estendeu-me uma caneta.
— Nem sequer vai ler?
— Não. – Disse sem olhar pra ele.
— Louise, sempre deveria ler tudo o que assina. — Arremete.
— Christian, o que não entende é que em nenhum caso falaria sobre isso com ninguém. Nem sequer com Mia. Assim que dá no mesmo se assinar um acordo ou não. Se for tão importante para ti ou para seu advogado... Que é óbvio que você falou de mim para ele, de acordo assinarei.
Observou-me fixamente e assentiu muito sério.
— Boa observação, Srta. Clark.
Assinei as duas cópias com um grandiloquente gesto e lhe devolvi uma. Dobrei a outra, enfiei-a na minha bolsa e tomei um comprido gole de vinho. Parecia muito mais valente.
— Quer dizer com isso que vai fazer amor comigo, Christian? – Perguntei sem acreditar no quão ridículo era.
— Não, Louise, não quer dizer isso. Em primeiro lugar, eu não faço amor. Eu fodo... Duro. Em segundo lugar, temos muito mais papelada que arrumar. E em terceiro lugar, ainda não sabe do que se trata. Ainda poderia sair correndo. Veem, quero te mostrar meu quarto de jogos.
Fiquei boquiaberta. Fodo duro! Minha mãe. Isso soa tão... Quente.
Mas por que vamos ver um quarto de jogos? Estou perplexa.
— Quer jogar Xbox? — Perguntei rindo sem acreditar.
Ele tambem riu às gargalhadas.
— Não,Louise, nem Xbox, nem Playstation. Venha.
Levantou-se e me estendeu a mão. Deixei que me levasse de volta para o corredor. À direita das portas duplas, de onde viemos havia outra porta que dava a uma escada.
Subimos ao andar de cima e viramos à direita. Retirou uma chave do bolsinho, virou a fechadura de outra porta e respirou fundo.
— Pode partir em qualquer momento. O helicóptero está preparado para te levar aonde queira. Pode passar a noite aqui e partir amanhã pela manhã. O que disser, para mim, estará bem.
Olho pra ele curioso e sim fiquei com um medinho. Porra o cara faz todo esse drama pra mostrar um quarto de jogos?
— Abre a maldita porta de uma vez, Christian.
Abriu a porta e se afastou a um lado para que eu entrasse primeiro.
Voltei a olhá-lo. Queria saber o que havia ali dentro. Parei e entrei. E senti como se ele tivesse me transportado ao século XVI, à época da Inquisição espanhola.
Puta merda.
O primeiro que notei foi o cheiro: couro, madeira e cera com um ligeiro aroma de limão. Na realidade não vejo de onde sai de algum lugar junto ao teto e emite um resplendor ambiental. As paredes e o teto eram de cor vinho escuro, o que dava à espaçosa sala um efeito uterino e o chão era de madeira envernizada muito velha. Na parede, de frente para a porta, havia um grande X de madeira, de mogno muito brilhante, com argolas nos extremos para ficar seguro. Por cima havia uma grande grade de ferro suspensa no teto, com no mínimo de dois metros quadrados, da qual se penduravam todo o tipo de cordas e algemas brilhantes. Perto da porta, dois grandes postes reluzentes e ornados, como balaústres de um parapeito, porém maior, estavam pendurados ao longo da parede como cortinas. Deles pendiam uma impressionante coleção de varas, chicotes e curiosos instrumentos com plumas.
Junto à porta havia um móvel de mogno maciço com gavetas muitas estreitas, como se estivessem destinados a guardar amostras de um velho museu. Por um instante me perguntei o que havia dentro. Quero saber? No canto do fundo vejo um banco acolchoado de couro de cor vermelha, e junto à parede, uma estante de madeira onde parecia guardar tacos de bilhar, mas um observador atento descobriria que continha varas de diversos tamanhos e grossura. No canto oposto havia uma sólida mesa de quase dois metros de largura, de madeira brilhante com pernas talhadas e debaixo, dois tamboretes combinando. Mas o que dominava o quarto era uma cama. Era maior que as camas de casal, com dossel de quatro postes talhados no estilo rococó. Parecia de finais do século XIX. Debaixo do dossel via mais correntes e algemas reluzentes. Não havia roupa de cama… apenas um colchão coberto com um lençol vermelho e várias almofadas se seda vermelha em um extremo.
A uns metros dos pés da cama havia um grande sofá Chesterfield,colocado no meio da sala, de frente para a cama. Estranha distribuição… isso de colocar um sofá de frente para a cama. E sorri comigo mesmo.
Parecia raro o sofá, quando na realidade era o móvel mais normal de toda a sala. Levantei os olhos e observei o teto. Estava cheio de mosquetões, a intervalos irregulares. Perguntei-me, por um segundo, para que serviam.
Girei e ele estava olhando-me fixamente, como supunha, com uma expressão impenetrável. Avancei pela sala e me seguiu. As plumas tinham me intrigado. Decidi tocá-las. Era como um pequeno gato de noves rabos, porém mais grosso e com pequenas bolas de plástico nos extremos.
— É um chicote de tiras. — Christian disse em voz baixa e doce. Um chicote de tiras... Mas o que é isso? Nossa. Acredito que estou em estado de choque. Estou paralisada. Posso observar e assimilar, mas não articular o que sinto diante de tudo isso, porque estou em estado de choque. Qual é a reação adequada quando descobre que seu possível amante é um sádico ou um masoquista total? Medo... sim... essa parece ser a sensação principal. Agora percebo.
Mas não dele. Não acredito que me machucaria. Bom, não sem meu consentimento. Várias perguntas nublaram minha mente. Por quê? Como? Quando? Com que frequência? Quem? Aproximei-me da cama e passei a mão por um dos postes. Era muito grosso e o talhe era impressionante.
— Diga algo — Pediu Christian com um tom enganosamente doce.
Olhei pra ele sem conseguir responder. Eu preciso ir embora, preciso raciocinar.
Isso não é normal.
— Faz com as pessoas ou fazem com você?
Franziu a boca, não sabia se divertido ou aliviado.
— Pessoas? —Piscou um par de vezes, como se estivesse pensando o que responder. — Faço com mulheres que querem que o faça.
Porra.
— Se tem voluntárias dispostas a aceitá-lo, o que faço aqui?
— Porque quero fazê-lo com você, desejo.
— Comigo?
Fiquei com a boca aberta. Por quê? Ele gosta de machucar. Isso é terrível.
— É um sádico? – Pergunto horrorizada.
— Sou um Amo.
Seus olhos cinza ficaram abrasadores, intensos.
— O que significa isso? — Perguntei com um sussurro.
— Significa que quero que se renda a mim, em tudo, voluntariamente.
Que droga por que eu iria me "render" a ele?
Olhei com o cenho franzido, tentando assimilar a ideia.
— Como uma prostituta? Porque faria algo assim?
— Não, claro não. Faria para satisfazer-me. — Murmurou inclinando a cabeça.
Vejo que esboçou o sorriso.
Satisfazer-me! Quer que o satisfaça!
Isso é ridículo, preciso voltar, agora mesmo.
exatamente o que quero fazer.
O encaro com os olhos arregalados.
— Preciso voltar agora mesmo!
— O que? Não tenha medo Louise, eu nunca irei te fazer mal algum.
— O caso aqui não é você me fazer algum mal. Mas porra você me convida pra sair e me mostra isso.Eu estou confusa, você disse que não é um sádico, mas, não é o que parece. E você me quer, acredite-me te desejo tambem, só que, por favor, me leva de volta.
— Eu sinto muito não quis te aborrecer, eu não quero que você vá, mas, se é o que desejas o helicóptero a espera. – Disse ele triste.
Assenti olhando para seu rosto.
Dei um passo para trás me afastando dele, ele veio me seguindo. Voltando para o salão seguimos para o elevador que em poucos segundos se abriu.
Entramos em silencio.
— Perdão por ir! – Caramba eu não sei explicar, estou confusa e... droga.
— Você não tem que se desculpar ou qualquer coisa, eu lhe entendo, mas, por favor, leia o contrato pense bem, eu quero muito que isso de certo, eu quero você! – Aquilo foi muito verdadeiro.
Mas eu preciso pensar.
— Sim pode deixar, obrigada por me mostrar.Sinto-me um pouco aliviada. – Eu ri. Chegamos ao helicóptero ele abriu a porta pra mim.
— Sinto muito pela nossa noite, espero ter outras melhores contigo, tome cuidado senhorita Clark. Manterei contato. – Graças. — Você esta bem?
— Sim, me desculpe por tudo.
Ai como sou idiota.
— Certamente, Adeus senhorita Clark, foi maravilhoso tela e você esta maravilhosa;
Eu ri, poxa agora me deu vontade de ficar e beija ló com todo fervor que sinto por ele, mas, eu não posso ceder.
— Adeus Grey.
Ele fechou a porta enquanto um piloto amigo dele eu acho, ligava a maquina.
Saímos em instantes.
— Ops ele não tem amigos – Sussurrei pra mim mesma.
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