CHIMERA: a realidade dentro da minha mente
2 Chimera I: LIBERTAÇÃO
Parnaíba, 21.05.2018
Era como se tivesse acabado de acordar na Universidade, saí perambulando pela mesma e me afastei de seu entorno, e fui para rua, queria chegar em casa, percebi algo estranho, tudo estava escuro, frio, e quieto, sem movimento algum na rua, era como se a penumbra da morte estivesse chegando, e a sensação de solidão e medo não parava de correr em meu corpo, e não substituía o questionamento: Onde estão todos? Essa resposta não poderia ser respondida naquela ocasião. Então decidi ir para o centro da cidade atrás de respostas, fui caminhando e era tudo um eco a cada passo que dava, houve um certo momento que encontrei uma escola cujo a mesma tinha um vigia no portão, sentando em uma cadeira, e havia crianças, todas estavam caladas, a me olhar sem dizer nada, paradas na mesma posição fixando seus olhos perturbantes em minha pessoa, aquilo me deixou de calafrios e uma gastura imensa me sucumbi, e eu só queria achar respostas e sair daquela escuridão sem fim.
Adiante em uma esquina que ia passando encontrei duas pessoas fora de casa conversando, um homem aparentemente de 25 anos, pele clara, forte e alto, e um senhor de mais ou menos 60 anos, aquilo foi a melhor coisa que vira, ou ao menos parecia ser, então me aproximei e eles pararam de conversar e me observavam com um olhar de afastamento, como se estivessem admirados e se perguntando sobre o motivo de eu estar ali naquele horário. E eu não conseguia compreender uma coisa interessante: não podia pedir ajuda, então apenas segui em frente, para tentar achar algo ou alguém que pudesse me ajudar.
Então cansado, paro em uma quitanda (uma espécie de pequeno mercantil) velha e abandonada, então me sento em seu balcão, e olho para um lado e para o outro, e vejo o quão grande é a rua, mesmo com uma penumbra ou pouca luz e névoa, avisto dois caras morenos, um magro e outro forte, de estatura de mais ou menos um metro e oitenta, e de faixa etária entre 23 a 27 anos, supostamente era ajuda, alguém me procurara para me tirar dali. Chegando perto da minha pessoa não me questionam, nem se direcionam a mim, não naquele momento! cochichavam e não entendia nada que falavam, então se aproximam de forma brusca e começam a me revistar como se fossem me abusar, mas queriam meus pertences assim pensava eu, o mais forte disse:
— TEM ALGUMA COISA NA TUA BOLSA?
Minha intuição pedia que afirmasse que não, mas estavam todos meus matérias de estudo, livros, notebook entre outras coisas, sem esquecer do meu celular que estava em meu bolso. Então em tom alto eu disse:
— PAREM! me deixem em paz, não tenho nada, sou apenas um acadêmico e pobre! E logo responderam:
— CALADO! NÃO QUERO SABER! Isso vai acabar tirando tua vida, fica quieto ou atiro em você!
Não queria saber, corri o quanto podia e a perseguição não parava, como meu porte físico ajuda consegui me afastar o bastante deles, então eu vejo uma moto vir em minha direção, e era um amigo meu, meu Deus! era a sensação mais feliz que tinha sentindo, pelo menos até o momento que ele disse que não podíamos sair da cidade, sem explicar o motivo, ele apenas disse:
— Sobe logo! Vamos!
Porém, passamos tanto tempo tentando achar uma explicação e conversando, que os homens que me perseguiam já estavam em nossa frente, então meu amigo desceu e enfrentou os dois deixando-os inconscientes e de alguma forma eles não revidavam ou atiravam, e aquilo cada vez mais se acumulava em minha mente e estava totalmente sem entender, como se a loucura já estivesse em mim, ou eu estava alucinando sobre tudo aquilo. Era como se os homens estivessem esperando o momento certo para bater, atirar ou sabe lá fazer o que! E cada vez mais eu percebia que a morte era necessária para aqueles homens, será que era eles que eu tinha que enfrentar para sair daquela situação? Em seguida meu amigo liga a moto e seguimos.
Depois de andar quase meia hora pela cidade encontramos um abrigo mais parecido com uma casa abandonada, era murada até metade e gradeada por cima, dava para visualizar tudo por dentro, a porta estava quebrada, então entramos, e logo encontramos uma pessoa deitada, uma mulher eu acho, aparentava estar morta, e o ambiente fedia, tinha alguns cobertores velhos e asquerosos jogados pelo chão, então meu amigo teve uma ideia e disse:
— Já sei, vamos deitar e nos cobrir com esses cobertores, quando eles passarem não saberão onde estamos, certo?
E naquele momento percebi que ele era meu anjo, ele iria me salvar e não deixar-me para a morte, queria eu que amanhecesse logo, pois já era 3:05 da manhã, uma coincidência entanto pois nasci esse horário, ia ser mais estranho se fosse numa quarta, mas faltavam apenas dois dias para tal. Deitamos e nos cobrimos. Minutos depois percebemos que duas pessoas adentrando onde estávamos, então nos descobriu eram eles “os homens”! partiram para cima de nós, mas meu anjo amigo me defendeu, e desta vez eles brigaram e se bateram, mas eram dois contra um e queriam chegar até mim, mas meu anjo não deixava, então de repente os mais forte saca a arma e meu anjo segura sua mão para não atirar contra eu, e apenas com medo encostado sem fazer nada, sem ação alguma, só ouço um barulho do tiro, e todos param de brigar e olho para meu anjo e o quase não consigo mais distinguir quem estava a minha frente, e olho para minha roupa e só consigo ver o vermelho sobre meu peito, nossa! era eu que tinha sido atingido, então só vejo os vultos dos dois homens saindo de cabisbaixa e jogam a arma, meu anjo só, chora desesperadamente sai dizendo que vai pedir ajuda, então alguns segundos de ar que me resta, sozinho estou, em suspiros e vejo a mulher que estava deitada, cujo pensávamos que estava morta, se aproximou, pegou todas minhas coisas, me despiu, se abaixou e disse em meu ouvido, obrigado! Você fez mais uma vez o mundo brilhar, sinta esse sol que está aparecendo depois de séculos, olha como a felicidade está voltando, e lembre isso é apenas o começo!
O ar da vida em meus últimos segundos estava entrando em meu corpo, mas percebi que não podia sentir por muito tempo, o frio começou a tomar-me por inteiro, comecei a me tremer, e todo o ar a se prender, era a sensação mais agoniante e ao mesmo tempo libertadora, era o fim da escuridão, da solidão, do medo, das dores, de toda aquela esfera sem amor algum, e assim despido no chão, com apenas uma gota de lágrima escorrendo pelo meu rosto, eu finalmente me senti liberto.
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