(CDZ)Diligit quod transcendit
5 Cap. 4 Visão e planos
Notas iniciais
Gente, eu sou católica, mas nessa fic Deus vai ser um personagem, então se alguém tem algum problema com isso, encare como o Morgan No filme todo poderoso
Desculpe, mas eu precisava falar e pedir desculpas às várias religiões monoteístas ou não.
É apenas uma obra ficcional, sem fins lucrativos, então, tentem não surtar muito.
Personagens de Masami Kurumada, exceto a Eliza Derus e a Mila que são minhas.
Ah e peço desculpas pelas piadas com os nomes, eu não sou criativa para inventar sobrenomes para os Cav's, aí já sabem, saem coisas toscas como Virgon, Carneiro, e por aí vai...
Mu: Exatamente.
Deus: Alguma idéia do que pretende fazer?Mu: Creio que outro anjo deve ser designado para proteger Mila. Eu sumirei, nunca mais aparecerei e ela... ela pensará que foi um sonho.Deus sorriu indulgentemente para Mu.Deus: Acredita realmente nisso? Que ela simplesmente se esquecerá da experiência?Mu: Não é o que tendemos fazer? Nos esquecermos das coisas quando elas não voltam a se repetir?Deus: É o que vocês tencionam a fazer na maioria das vezes. Mas este não é o caso de Mila.Mu ficou calado. Deus continuou.Deus: Ela tentou morrer duas vezes por você. A dor dela o atingiu tão fundo que você apareceu para ela e a reconheceu. Ela não desistirá. Não enquanto houver a esperança de revê-lo, seja em vida ou em morte.Mu: Se o Senhor acredita nisso... o que devo fazer? Não posso interferir na vida de Mila. Estou morto e ela possui o livre arbítrio.Deus: Não lhe ocorre nada para fazer? Você é a única pessoa que ela amou. Está procurando unicamente por você. Não basta apenas você sumir, Mu... isso apenas traria mais dor para ela. Ela viveria esperando pelo seu reaparecimento e poderia... se matar de vez ou enlouquecer.Mu: Mas então... o que faço?Deus: Você precisa aparecer mais uma vez para ela e falar com ela. Dizer para ela esquecê-lo e que deve seguir sem você. Consegue fazer isso Mu? Renunciar claramente a essa mulher? Mu: Acredito... que isso já seja pedir demais. Eu a amo. Não poderia simplesmente lhe dizer aDeus.Deus: Você tem que fazer isso. Ela não pode ter esperanças. Entenda Mu, ela não desistirá de você, a menos que você diga para ela fazer isso. Você teve o poder de deter a morte dela. Poderá deter os sentimentos dela.Mu preferiu olhar para qualquer outro ponto, que não fosse o rosto de Deus.Mu: Mas eu não sei se quero fazer isso.Deus: Como assim?Mu: Bom... é difícil renunciar a um amor que consegue sobreviver a morte. Ela deveria ter seguido em frente e eu deveria ter esquecido Mila. Mas cá está ela tentando morrer para me encontrar e eu me lembrando dela. Esse não é um amor que merece ser vivido?Dessa fez foi Deus que preferiu não encarar Mu.Deus: Você está morto. Não posso reviver os mortos, vai contra tudo o que criei e preguei. E como explicaríamos a sua volta? Você viraria uma figura, um símbolo e não poderia viver esse amor de qualquer modo. Não, Mu, essa não é uma opção. Você morreu porque chegou a sua hora. Deve se conformar com isso.Mu: Mas então por que me lembrei? Se é o Senhor que detém a verdade sobre nós, como permitiu que eu me lembrasse? Não é da Sua alçada impedir que isso acontecesse?Ao invés de fazer um sermão ou se mostrar ofendido, Deus sorriu com um sentimento de saudade.Deus: Me superestimei. Sabe Mu, antes do monoteísmo ganhar os continentes, as pessoas acreditavam em Deuses. E bem, um dos Deuses idolatrados era a Deusa Vênus, a Deusa do amor. Quando passaram a Me adorar, esses Deuses ficaram esquecidos, devido à ditos humanos, mas não deixaram de existir. Dizia-se que Vênus, quando devidamente invocada, poderia vencer outros Deuses, com sua força e determinação. E acredito que sem querer, você e Mila a invocaram. Fiquei tão confiante de que possuía o controle que... me esqueci destes pequenos detalhes. E Vênus me venceu nesse momento. Mu nada disse. Deus se virou de costas para ele.Deus: stranho não? No fim, o Deus Uno aceita a existências de outros Deuses... é certo que eles perderam o poder, mas Vênus tem ainda o poder de se instalar no coração de algumas pessoas. E ela se instalou em vocês e... fez você se lembrar e fez ela ver você. Ela acha que o amor de vocês deve ser vivido... e está meio que me instingando a achar uma solução.Mu: Então há uma solução? Eu poderia ficar com Mila?Deus: Para a morte não há solução, Mu. E você está morto. Aceite isso. A única solução possível para isso é você fazer ela compreender que não podem ficar juntos. Entenda, lhe peço isso por ela. Se você sumir, ela acabará se matando para seguir você.... e ela parará no Inferno. Você sabe disso. Eu sei disso. Não quero que Mila tenha um destino tão cruel, apenas por não aceitar o inevitável. Quero salvá-la e acho que você é o único que pode fazer isso. Fale com ela. Mu: Não sei se conseguirei dizer o que tenho que dizer. É difícil demais.. Deus: Você prefere que Mila morra e sofra eternamente no inferno, por um ato meramente infantil? Pensei que a amasse.Mu: E eu a amo... mas não sei se posso desistir dela. Talvez, no fundo, eu também queira achar uma solução.Deus deu de ombros.Deus: Não posso forçá-lo. Anjos e humanos possuem livre arbítrio. Aja de acordo com a sua consciência. Entenda apenas que, quero salvar Mila, não causar sofrimentos.Mu: E eu entendo. E prometo pensar. Apenas... não consigo agir nesse momento.Deus: Terá todo o tempo que precisar. Pode ir, Mu.Mu saiu, desolado, as palavras de Deus ainda ecoando na sua mente. Pouco tempo depois, Shion apareceu ao lado de Deus.Shion: Acha que ele falará com ela, Senhor?
Deus: Eu não acho meu caro... eu tenho certeza. Ele realmente estava certo. Depois de muito pensar, realmente Mu falaria com Mila. Mas apenas depois de muito pensar.Enquanto ele pensava, o dia passou lentamente, começando a nascer um sol brilhante, que prometia um dia bonito, sem nuvens e com céu azul e límpido. Um dia perfeito para ser vivido plenamente. Era o que eu fazia, a minha maneira, enquanto trabalhava e resistia aos assédios de Kanon. Parecia um dia promissor. Pelo menos, parecia até o momento em que recebo um telefonema no meu celular, que poucas pessoas possuem.E para minha maior surpresa, o número era de Shaka. Respirei fundo, ensaiei minha melhor voz de desdém e atendi.Eliza: Ainda tem esse número, Virgon? Achei que havia rasgado no dia seguinte que sucedeu nossa louca noite de sexo.Shaka: Não comece, Eliza. Cale a boca e me escute.Eliza: Pedindo com tanta gentileza, eu penso em atender. Vem cá, quem você pensa que é?Shaka: Mila piorou. Aquilo bastou para eu me calar. Silenciei.Eliza: Piorou? Como assim?Shaka: Está alucinando. De acordo com a enfermeira da noite e da manhã, Mila jura que foi visitada pelo Mu.Eu precisava de um café. E urgente. Mas não havia nenhum na minha mesa.Eliza: Ótimo, suicida e agora ela está enlouquecendo. Que beleza.Shaka: E não é só isso. Tiveram que levar ela para o tratamento intensivo, porque ela vive dizendo que Mu vai voltar e que ela tem que ver ele.Já que não tinha café, resolvi riscar uma folha em branco mesmo.Eliza: Ela está enlouquecendo. (minha voz perdeu a ironia) Está realmente enlouquecendo. E temos que assistir isso quietos, sem poder fazer nada.Shaka: Eliza...A voz dele também havia mudado. Era quase como se houvéssemos feito uma trégua.Eliza: Estou indo para o hospital. Talvez se eu falar com ela, ela volte à razão... Shaka: Foi o que pensei que diria. Também estou indo para lá.Ficamos em silêncio por um tempo.Eliza: Então nos vemos lá. (e desliguei o telefone)Nada mais havia para ser dito mesmo. Eu estava preparada para ver muitas coisas, mas não o que vi no momento em que cheguei no hospital.Mila parecia... bem.Fiquei consternada. Imaginava ver um ser gritando, dizendo que o marido estava vivo, e todas essas cenas de filme classe B. Mas o que vi foi uma mulher calma, serena e controlada. O que indicaria uma provável loucura em Mila era apenas o brilho em seus olhos. Fiquei sem entender nada. Shaka, tal qual como eu, parecia consternado.Shaka: Confesso que imaginei outra coisa. Será que a sedaram?Eliza: Acredito que isso não importa. Temos que falar com ela. Após uma conversa cheia de explicações de porque amigos estavam lá e não a família, Shaka e eu fomos admitidos. Ambos estávamos preocupados demais com Mila para ver que não havíamos discutidos e, em algum momento, tínhamos até dado razão um para o outro. Quando entramos no quarto e nos aproximamos da cama, vimos que Mila não estava sedada. Mais uma vez, nos olhamos.Eliza: (tentando brincar) Esperava ver você berrando e gritando, mas encontro você aqui em estado quase normal. Acho que deveríamos mandar internar a enfermeira, por exagerar sobre seu estado.Mila sorriu para nós dois.Mila: Eu realmente... fiquei um pouco animada no iníco. Mas depois me acalmei. A felicidade foi tão grande que perdi o controle. Mas sei que não devo agir assim, ou vocês pensarão que fiquei louca.Eliza: Jamais pensaríamos isso.. (ergui as sombrancelhas) Mas... o que aconteceu para você se sentir tão feliz, Mila?Mila jogou a bomba como se fosse uma simples notícia, como se aquilo fosse óbvio.Mila: Vi Mu ontem... e sei que irei vê-lo de novo. Ele voltou, Eliza. Voltou para mim. Me pergunto o que qualquer pessoa pensaria em meu lugar se ouvisse isso.Talvez se fosse um espírita, umbanda, pagão, teria acreditado. E mesmo assim teria reservas duras a respeito do assunto. Sendo católico ou ateu, que era meu caso, a situação se complicava. Até mesmo Shaka, que acreditava no poder do sobrenatural olhou para Mila com pena. Suspirei. Eliza: Mila... Mu está morto. Você sabe disso, não sabe? O enterramos há pouco tempo, você viu o corpo dele no caixão...Ela me interrompeu.Mila: Sei tudo disso Eliza. Sei que Mu está morto. Mas sei que ele voltou para mim. Eu o vi. Ele virou um anjo ou seu espírito... voltou para me guiar, para não me deixar sozinha.A explicação não ajudou a mudar minha opinião de que ela havia enlouquecido. Olhei para Shaka, pedindo ajuda.Shaka: Mila... quando perdemos um ente querido... é normal não aceitarmos que ele partiu definitivamente. Entenda, Mu está morto e... mesmo que acha uma força superior, ela não permitiria que ele voltasse para você assim... você é católica, não?Ela acenou afirmativamente. Shaka continuou.Shaka: Então você sabe que Mu não pode voltar como espírito. E como anjo... mesmo que pudesse, seria um desígnio divino e não para beneficiar tão somente você. Você entende isso?Mila: Entendo perfeitamente Shaka. E sei que é verdade o que diz. Mas afirmo, Mu encontrou uma maneira de voltar para mim. É tudo o que sei.Eliza: É mesmo Mila? E... alguém além de você o viu?Mila: Não. Ele apareceu de madrugada, para mim, no meu quarto, quando eu tentei me matar pela segunda vez.Eliza: Você tentou se matar? De novo?Mila: Não cheguei a tentar. Mu me impediu. (ela sorriu) Ele não deixou que eu morresse da primeira vez e apareceu para mim não tentar novamente, quando viu que não poderia me impedir. Entendem agora? Ele voltou para mim. Repetir constantemente uma frase também não é sinal de saniedade. Suspirei novamente.Eliza: Mila, querida... você está doente. A morte de Mu a abalou profundamente. Acredito que deva ficar no hospital sob cuidados, por um tempo. Mila: Acha que eu enlouqueci, não acha Eliza?A pergunta definitivamente me pegou desprevinida. Nada respondi. Mila me olhou serenamente.Mila: Eu também acharia... tentei me matar, só falo em morte desde que cheguei aqui e tudo em que penso é rever meu marido. Mas... eu sei que não enlouqueci. Posso enlouquecer, se esse assunto não se resolver, mas não enlouqueci ainda. Eu o amo... e certos amores superam todas as barreiras. Sei que não acredita nisso minha amiga... você sequer acredita em Deus e sofreu muito com o amor. Sei o quanto sofreu... mas eu acredito. E por favor, não tente transformar minha crença em algo reles como uma doença mental ou falta de bom senso.Meu primeiro momento de hesitação foi aquele. Mila não parecia falar como uma louca naquele momento. Parecida dona de uma seriedade e serenidade que nunca possuíra. Olhei para ela e vi que ela podia começar a chorar a qualquer momento.Mila: E mesmo que eu estivesse errada... preciso me apegar nisso. Talvez saber que ele não tenha me deixado em definitivo seja o caminho para sair desse inferno no qual estou desde que ele morreu e perdi meu filho. Por favor, não me tire isso Eliza, com suas palavras duras e frias. Por favor...Me curvei suavemente sob o leito de Mila e beijei sua testa. Acariciei seus cabelos loiros, como uma mãe faria com sua filha.Eliza: Não vou tirar.Em seguida, saí do quarto, sem ter tempo de ouvir um obrigada ou ver um sorriso. Definitivamente, não estava com clima para isso. Saindo da sala, me escorei na porta e respirei fundo três vezes. Tentando me acalmar, me escorei na parede e escondi o rosto nas mãos. Não sei porque as palavras de Mila me fizeram chorar. Talvez ela tenha dito, de maneira suave, mas direta, o quão fria eu sou e talvez isso tenha me magoado. Não sei. Nem sei quanto tempo fiquei lá, deixando as lágrimas silenciosas caírem em meu rosto até que Shaka apareceu, também abalado e me encarou.Shaka: Devo confessar... em todos os anos de psiquiatria que eu tenho, nunca vi uma pessoa tão certa de que sua loucura era realidade.O tom de voz dele, grave, me tirou do meu sofrimento e me fez encará-lo.Eliza: Vai me dizer que acredita nisso? E quanto a seus anos, bem, não podemos dizer que foram muitos.Shaka: Não foram tão poucos quanto você pensa. Quanto a acreditar.... bem, confesso que Mila não apresenta sintomas de uma doida.Eliza: Exceto pela parte que ela diz que Mu virou um anjo para guiá-la, mas quem liga para detalhes?Shaka: Você é atéia, Eliza, mas os que acreditam em anjos... acham a história perfeitamente normal. Nem todo mundo vê o mundo branco e preto como você.Eliza: Obrigada, Shaka, por me lembrar que eu sou uma pessoa frívola, tenebrosa, capaz de querer ver o mal da minha amiga simplesmente por ter duas cores para o mundo. (disse irritada)
E sem mais forças para brigar com ele, dei as costas para ele, voltando a chorar silenciosamente, sem forças para discutir. Shaka ficou me encarando. Podia sentir o olhar dele em minhas costas.Shaka: Mila mencionou que você havia sofrido por amor...Encrespei as mãos, mas não disse nada. Não daria aquele gosto para ele.Shaka: O que ela quis dizer com isso, exatamente? Eliza: O que você entende sofrer por amor, Virgon? Ou acha que eu sou um ser tão vil e maldoso que não sou capaz de sofrer? Ele não respondeu. Aproveitando o silêncio, descarreguei tudo o que queria dizer para ele.
Notas finais
Perdão caso encontrem erros gramaticais...
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