Horas se passaram e ele ficou lá, sozinho, apenas repassando a briga mentalmente, imaginando finais diferentes para tal discussão e se perguntando por que diabos o Alfred tinha que ser tão estúpido. Será que aquele idiota não sabia que ele estivera procupado com seu irmãozinho o tempo inteiro? Que ele apenas agiu como um babaca porque o alívio de vê-lo são e salvo foi tão grande que sentiu que não poderia baixar sua guarda e mostrar, assim como mostrou ao perder na guerra da independência do irmão, o quão fraco ele era a ponto de deixar que lágrimas escorressem pelo seu rosto?

Resolveu prepar um chá de camomila para se acalmar e, descendo as escadas, viu o abandonado pacote rosa no meio do hall de entrada. Lentamente dirigu-se até o presente e abriu-o com cuidado, tirando e examinando o que tinha dentro.

E foi então que ele percebeu algo importante.

Mas quer saber? Para que gastar horas preciosas que jamais irão retornar apenas imaginando um final diferente para aquela briguinha tola se ele mesmo podia ir fazer um agora mesmo?

Embora suas roupas fossem grossas e estivesse usando duas camisas por baixo de um grosso colete marrom de lã de ovelha, era um homem friorento, portanto, apanhou um agasalho e, segurando o pacote, saiu de sua aconchegante casa.

Ao ouvir alguém bater na porta duas vezes, Alfred suspirou e gritou:

- Eu já falei, Jayson, eu estou... – o americano parou ao se deparar com o ‘irmão’ e não com o empregado de cabelos presos em um rabo-de-cavalo – Oh, olá.

- Posso perguntar por que você me deu a bandeira americana de presente? Eu sou inglês, e receber uma bandeira de um outro país pode ser considerado uma ofensa, sabia?

- Olha, se você veio pra...

- Eu vim para esclarecer umas coisas – o britânico o interrompeu, fechando a porta e sentando-se na beirada da cama king size do ‘irmão’ caçula americano – Por que você me deu a sua bandeira nacional? Preferia receber seu carinho, afeto e amor.

- Mas você recebeu!

- É, tem razão. Eu recebi, no Pretérito.

- Não, seu imbecil tomador de suco de folhas secas!! – ele tomou o símbolo nacional americano das mãos do irmão – A bandeira, seu jumento! Não percebe? Ou melhor... Não se lembra?

Os olhos verdes e franzidos por causa da concentração do inglês percorriam a bandeira, lembrando-se de diversos momentos que os dois ‘irmãos’ passaram juntos.

- As cores... São as mesmas cores da do Reino Unido – o inglês balbiciou, arregalando os olhos.

- Que é um conjunto de países que já foram um glorioso reino juntos... E você é um deles, certo?

O inglês acentiu, tentando entender.

- A bandeira é assim e não é por coincidência! Ela tem as mesmas cores pois eu te admiro e tento seguir seu exemplo e ser igual a você em todos os bons aspectos e tento ser glorioso como você é!

- Você quis dizer “fui”...

- Não, para mim você continua sendo! Você é aquele que me acolheu, que fez tudo apenas para me ajudar. Um heroi protege aqueles que ele ama, faz de tudo para deixar uma situação em controle... – ele falou, olhando fundo nos olhos do mais velho – E eu tenho essa obssessão por herois porque, desde pequeno, você foi o meu heroi.

Um silêncio dominou o quarto nacionalista do americano.

Sabe o que são essas estrelas? – ele perguntou, apontando.

O inglês balançou negativamente a cabeça, esperando uma explicação do outro, que respirou fundo, enchendo so pulmões de ar:

- Quando eu viajei para o espaço, minha real finalidade era cumprir aquela promessa que eu fiz quando ainda era um moleque com medo de tempestades. Mas... Quando eu vi que as estrelas não podiam ser de fato tocadas, eu... Eu resolvi trazê-las de outro jeito – e ele passou os dedos pelos desenhos brancos no pano que constituía a bandeira – E todas elas estão aqui, todas as cinquenta estrelas que eu achei mais bonitas.

- Eu... – foi o que Arthur apenas conseguiu balbuciar e então ele sorriu ao assoprar um riso.

Neste exato momento, uma claridade sem igual vinda da luz do luar entrou pela alta e extensa janela que dava para uma sacada do quarto do americano iluminou aquele clima pesado e aquela escuridão. A grande, densa e escura nuvem que ameaçava uma tempestade de neve havia de dissipado e Alfred se lembrou dos versos de “Paradise” e daquela noite chuvosa.

- Sabe por que eu falei sobre como seria o meu Paraíso quando eu era pequeno?

- Não...

- Eu disse aquilo porque aquilo era tudo o que você representa para mim. Você foi, é, e sempre será as estrelas do meu universo inteiro – e sorriu – Você sempre foi meu heroi.

Aquele silêncio pesado encheu o ar novamente.

- Alfred, eu sinto muit...

- E quer saber mais? Eu sempre estive vivendo no Paraíso. Mas só falta uma coisinha... – e estendeu seus braços — ... Que você me abrace.

O inglês sentiu suas bochehcas começarem a queimar e viu o quarto e o amado ‘irmão’ se tornarem nada mais do que um borrão quando lágrimas quentes começaram a se formar em seus olhos, ameaçando escorrer a qualquer momento apesar de estar tentando se controlar. Um soluço escapou entre seus dentes e, gemendo o nome do irmãozinho, se jogou nos braços do outro, escondendo seu rosto choroso no ombro do outro, sentindo a mão direita do americano pousar suavemente na cabeça loiro-escura do inglês. Soluçando e gemendo, ele sentia as lágrimas escorrerem pela sua face e molharem a roupa de dormir do americano, que não se importava.

-Eu te amo, Alfred.

-Eu te amo, irmãozão Arthur.

Notas finais
Bom, e com isso, "Paradise" está completo! Espero que tenham gostado da estória.
Por estar interligada com uma outra fanfic que ainda está por vir, explicarei apenas na fanfic que serviu como um "começo" para esta estória.
Mereço reviews?
"Paradise" foi baseado em um doujinshi de Hetalia chamado "Star Collector". Link: http://animoobs.tumblr.com/post/7070396582/starcollecter-usuk
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!