CCC Game

2 Capítulo 2: Desistência


–Alex! O que diabos você fez?! – berrava Ryan em meus ouvidos. Eu não sabia o que eu havia feito, realmente, isso envolve coisas paranormais?! O ginásio está completamente fechado, não tem como ter sido o vento, além de que nem está ventando hoje! O que diabos aconteceu, está acontecendo aqui?!

–Haha... só por que o cabo se mexeu, vocês todos irão ficar morrendo de medo? Nem vem com essa – eu disse isso, mas quem está prestes a ter um ataque cardíaco aqui, sou eu. Deus, me ajuda...

–Não adianta pedir a Deus... – uma voz obscura ecoava de repente nas paredes do ginásio. Todos observavam a sua volta para encontrar o dono da voz, eu mesma estava a fazer isso. Mas, nada. Não havia ninguém de diferente nesse local, além de nossa sala e de nossa professora.

–AHHH! – começou a gritaria, estavam desesperados. Eles corriam de onde estavam e iam em direção a saída, mas quando chegaram ao portão, ela estava trancada, não abria a qualquer custo.

–Q.quem é!?!? – perguntava Ryan. Ele gaguejava, rangia os dentes de tanto medo que estava presente nele e no ar no ginásio. O medo, o pavor, a angústia que estavam presentes no ar estava me consumindo aos poucos.

–Ora, ora, quanta ousadia – a voz respondia normalmente, ela parecia calma, e não havia indícios de que alguém daquela sala estava fazendo essa brincadeira de mal gosto. Essa porcaria de voz, parecia vir de todos os lados, pareciam que saiam das paredes – as pobres crianças me chamam e depois perguntam quem sou.

–Você é bem educado para um... demônio? – saiu em um pulo da minha boca.

–A pequena garotinha que me chamou, Alex Sato, não é? – c.c.como ele s.s.sabe o meu nome?! Como?!

–Quem que está fazendo essa brincadeira de mal gosto, pode parar agora! Se descobrirmos quem foi, com certeza, será expulsão! – dizia a professora da aula.

–ALEX SUA IDIOTA! NÓS HAVÍAMOS FALADO QUE NÃO ÉRAMOS PARA MEXER MAIS COM ISSO! MAS NÃO, VOCÊ TINHA QUE FAZER ESSA BESTEIRA! VOCÊ NÃO PRESTA! – a Íris berrava tanto que acabou ficando vermelha de tanta raiva, onde era possível de sentir de longe o ódio que era direcionada a mim – OLHA O QUE VOCÊ FEZ!

Nessa hora, estava tão pensativa em mim mesma, que não havia pensado, que Maya estava quase quebrando o celular de tanto pavor que estava. Onde estava junto a Naomi, que ambas estavam abaixadas e com lágrimas de pavor estavam escorrendo por seus rostos. Naomi estava com os olhos fechados, enquanto Maya estava com os olhos abertos, que observava o nada, com um olhar de que estava prestes a perder a cabeça. Luke estava imóvel e com um olhar de desesperado, junto ao Oliver que estava tentando manter a calma inúmeras vezes. Apenas eu e Ryan estávamos ainda com o que restara de nossa sanidade.

Muitos pegavam seus celulares para pedir ajuda, mas estava sem sinal. Eu mesma peguei meu celular, não para pedir ajuda, e sim para ver o horário.

–Ryan! Que horas são no seu celular?! – eu berrava. Minha sanidade estava chegando ao seu limite, o ar pesado do momento estava me consumindo!

–São 12h22min! – ele me respondeu aos berros.

–Não adianta, seus celulares serão inúteis aqui – a voz novamente voltava a dizer. A voz dele, parecia que entrava pelos meus ouvidos e devorava tudo que havia dentro de meu corpo, até chegar onde queria, minha alma. Isso é agonizante, faça parar! Deus eu estou-lhe implorando! – Não adianta implorar a Deus, pois eu sou ele a partir de agora.

–Não é! Deus é do bem, e você nunca será do bem, NUNCA! – Sophia berrava com os olhos encharcados de lágrimas, que estava abraçada com Íris em frente do portão trancado do ginásio.

–Vocês me convidaram para jogar, e eu escolherei o jogo. Caso eu perca, darei a permissão para partirem daqui – a porcaria da voz diz como se fossemos seus brinquedos, droga! Concentre-se, concentre-se, mantenha sua última sanidade em mãos, não perca agora!

O silêncio permaneceu por algum tempo, e todos estavam pior do que o normal. Tem pessoal da sala que está quase desmaiando, até mesmo Íris e Sophia não estão aguentando, elas estavam prestes a desistir da própria vida.

–Não desistam! Pensem em seus pais! Nas pessoas que te amam! Quem vocês amam! Não se rendam aqui! Vamos lá! Nós venceremos esse jogo, e sairemos todos daqui! – Ryan gritava com todas forças que lhe restavam, eram a única esperança que lhe restava, acreditar em seus amigos. Mas ninguém pensaria que eles o trairiam.

–Não tem como. Esse é nosso fim. Desista. Vamos lá, mate-nos logo – todos murmuravam, até mesmo Maya estava junto a eles, e não só ela, Naomi e Oliver também.

–Luke, você não... – ele me olhava com um olhar morto, não havia mais nada a esperar dele. Ele estava vazio, ninguém ali mais tinha esperanças que sairíamos vivos.

–Alex... somos rivais... é a sua vitória, ganhe logo de uma vez! – Luke pedia se aproximando de mim, logo apoiando suas mão em meus ombros e me olhando com aquele olhar vazio. Ele não tinha mais vontade de viver, ninguém ali tinha! Eu continuava com o celular na mão, e se passaram apenas 5 minutos! Humanos são tão fracos assim?!

–AHHH! SAI! – minha sanidade, chegou ao seu fim. Eu empurrei Luke para trás, com todas as minhas forças, mas ele apenas deu dois passou para trás e voltou a ter equilíbrio – AHHH! – eu só sabia gritar, não pensava em mais nada, EM MAIS NADA. Eu gritava mais e mais, minhas mãos estavam em minha cabeça, estava perdendo completamente o raciocínio das coisas, eu perdi totalmente a minha cabeça.

–Se acalma Alex! Se acalma! – Ryan se apoia em meus ombros e olhando em meus olhos – se acalma!

–A CULPA É MINHA! FUI QUE TIVE ESSA IDEIA! CULPA É TODA MINHA! – lágrimas geladas escorriam pelos meu rosto. Eu estava igualmente a todos, a Maya, a Naomi, ao Oliver, ao Luke, a Íris e a Sophia, acabou minhas forças para viver essa vida. Claro, a vida sempre foi cruel, nunca houve esperanças nessa bando de podres humanos.

–ALEX, NÃO É APENAS SUA CULPA! FICA AQUI! ELES NÃO FALOU NEM O JOGO! – ele me balançava para frente e para trás, mas eu não escutava mais suas palavras, apenas via seu rosto desesperado dele, de perder tudo que tinha, de tudo que tinha conquistado nessa pequena cidade. Mas isso não importa mais, acabou. Ele está sozinho.

–Quem disse que eu não disse qual jogo será? – sim, a voz está certa. Ele disse, esse é o jogo, e nós perdemos. O jogo era testar quanto tempo nós aguentaríamos. Que hilário, é minha derrota.

Minha visão está ficando escura, estou perdendo minha consciência, é meu fim. Adeus... todos... Deus... Ryan...