Notas iniciais
Yo! Eu não ia postar esse capítulo, minha intenção era fazê-lo e deixá-lo guardado para o meu deleite, no entanto pensei que como já havia postado toda a história, postaria esse bendito também. Sobre ele: — é narrado pela pessoa mais maravilhosa disso aqui tudo; — tem um capítulo nessa surpresa; — não tem trecho de música dessa vez, as frases destacadas vieram de minha mente; — formatação um pouquinho diferente. Estou deixando o link da música All of me do John Legend que para mim é a música do Ita para a Ka. ♥ https://www.youtube.com/watch?v=Spe6113csjU Obrigada a Thais Fernandes por comentar (vou lhe responder, amora, desculpe não ter feito antes), a Marcia Bruxinha 10 por colocar nos acompanhamentos e a outra pessoinha que colocou formando agora 44 pessoas acompanhando CASU. Eu percebi que não havia dedicado o capítulo a minha chuchu The Epic quando ela recomendou a fic, então para não ser injusta, já que homenageei a Sayuri, farei esta homenagem neste. The Epic (Isa linda!) dedico este capítulo a sua pessoa (e devo dizer que o atraso lhe deu uma baita sorte ^^) Boa leitura!

“Às vezes, eles eram imaturos

e isto fortalecia o laço que os unia mais do que imaginavam.“

O vento sussurrava seu lamento frio sacudindo a janela da jovem que olhou para ela apenas o tempo suficiente para pensar em algo que ajudasse a mantê-la aberta. Pegou a vassoura, calculou o espaço e quebrou a madeira com um golpe, colocando-a entre as duas partes da janela.

— Pronto! Sem barulho e com vento! — Kaoru pôs as mãos no batente, sentindo as rajadas golpearem seu cabelo.

Ela amava correntes de ar — e isto nada tinha a ver com seu sobrenome — porque a fazia se sentir livre. E Kaoru amava a liberdade tanto quanto amava outras coisas: suas famílias, a que ganhara ao nascer e a que recebeu ao renascer, seus amigos e Itachi.

Ah, sim, os pensamentos dela estavam cheios do rapaz de olheiras profundas e cabelos negros. Já eram antes e se tornaram ainda mais depois daquela noite na praia. Ela relembrava constantemente a sequência de momentos que se iniciou com dois jovens hesitantes e nervosos e teve seu fim em dois amantes descobrindo o prazer único de doarem seus corpos um ao outro. Perguntava-se quando aconteceria de novo e esperava que a iniciativa partisse dele na próxima vez. Pensava em como Itachi demonstraria seu desejo e sentia arrepios ao imaginá-lo conduzindo-a para a cama.

Balançou a cabeça devagar. Não era hora de fantasiar obscenidades e não havia como torná-las realidade. Desistiu de contar os dias de ausência e foi para a cozinha preparar o almoço, que deveria ter começado quando o relógio marcava treze horas, e podia dizer “não é tão tarde”.

O macarrão para udon amolecia na água fervente enquanto Kaoru picava um punhado de alimentos tirados da geladeira. Ela não possuía muito critério para cozinhar, geralmente catava o que tinha e jogava na panela. A coisa mudava de figura quando recebia visitas, principalmente as de Kushina. Nestas ocasiões, ela se esforçava para cozinhar de acordo com o padrão da culinária.

Com o almoço pronto e a fome a ponto de virar lembrança, Kaoru teve seu “finalmente” interrompido pelas batidas na porta. Ela bufou e revirou os olhos num desgosto quase palpável, arrastando os pés com má vontade para atender o indivíduo que fizera o favor de atrasar um momento tão pessoal.

Itachi estava incerto sobre sua atitude, pensava que a mesma poderia demonstrar fragilidade, carência e uma pá de outras coisas que nadavam em sua mente. De todas elas, a única e verdadeira era a última que ele acreditava que passaria pela cabeça da menina ruiva.

E se dissesse, tornaria tudo mais fácil, não?

Não! Porque a pessoa em questão era Uchiha Itachi, e ele possuía um problema — que não era seu privilégio — difícil de resolver: como expressar sentimentos. Fosse por palavras ou gestos, enfrentava praticamente uma batalha quando precisava exprimi-los. Claro que nem sempre era assim, com Sasuke e Shisui, eles fluíam tranquilamente, porém de forma contida e de tanto moldar o espaço para suas emoções respirarem, elas acabaram aprendendo a viver com pouco ar.

Valeria à pena ceder àquela emoção que corria em seu peito?

Não tinha certeza, mas os passos dela gradativamente ficavam mais rápidos e percorriam os corredores de seu coração fazendo de seu calmo palpitar, um latejar ansioso e sofrido.

Mas por que diabos era tão complicado?

Ele só queria vê-la, isto era tão corriqueiro que não deveria causar tanto frisson... Não causaria se uma droga de mês inteiro não os tivesse separado e a bendita missão não fosse quase do outro lado do mundo!

Itachi soltou um pequeno suspiro, estava mentalmente discutindo consigo mesmo sobre ir, não ir e as consequências de ambos. Fechou os olhos, inspirou e lavou as mãos quanto ao desejo que o dominava. Acabava de se tornar refém dele.

A boca de Kaoru escancarou de imediato ao vê-lo. Esperava até um vendedor de panelas, mas não o jovem Uchiha. Ele, por sua vez, sentiu os passos desacelerarem dentro de si, e a sensação remetia a uma inundação vagarosa que engolia tudo que tocava. Quem os olhasse, diria que eram dois idiotas, no entanto não negaria que aquela troca de olhares abobalhados gritava o que suas gargantas mantinham preso dentro de si.

Kaoru foi a primeira a sair do transe. Sorriu abertamente, puxou-o para o interior ao passo que fechou a porta e se agarrou ao seu pescoço. Apertou e apertou como se ele fosse um urso de pelúcia, colou sua bochecha a dele e deixou escapar um gritinho quando seus pés se libertaram do esforço de se manterem sobre os próprios dedos e passaram a levitar devido ao abraço que a suspendeu.

Os ponteiros do relógio não esperaram o casal se atentar ao seu trabalho e caminharam conforme deviam. Após um bocado de tempo indefinido, Itachi a deixou deslizar de seus braços.

Kaoru ofereceu comida sem perguntar se ele a queria, questionou sobre a vontade de tomar um banho e organizou tudo em segundos. De uma forma pouco convencional para alguém como Itachi.

— Não há outra toalha? — Ele perguntou educadamente.

— Tem a do Naruto, mas acho que você não vai querer se enxugar com ela.

Itachi olhou para o tecido felpudo e roxo se conformando com aquilo. Não era tão absurdo assim se pensasse que já havia provado intimidade maior e era melhor do que se secar com a toalha de outro homem.

Enquanto estava no chuveiro, ouviu seu nome e relutou responder por um instante, contudo cedeu a leve curiosidade de saber o que Kaoru desejava de seu ser ensaboado. Um fio de decepção e surpresa se enroscou em sua mente quando ela inocentemente perguntou se possuía roupas limpas para vestir.

Ao sair do banheiro, encontrou as tigelas devidamente colocadas sobre a mesa expulsando uma cortina de fumaça delgada que bailava pelo ar até desaparecer. A garota apontou para o lugar na cabeceira, esperando-o sentar para fazer o mesmo. Ele percebeu que a quantidade de refeição servia a duas pessoas muito bem e se questionou se Kaoru esperava alguém apesar da hora do almoço há muito ter se passado. Optou por não indagar, se fosse o caso, ela teria dito.

Colocou a primeira porção na boca com o máximo de educação que a fome permitiu, pois não queria deixar transparecer que seu estômago se debatia por comida, apertou os olhos e engoliu rapidamente quando sentiu a inconfundível ardência. Estava acostumado ao tempero suave de sua mãe e com o próprio, que seguia uma nuance similar, além disso, sempre evitava pimenta ao se alimentar fora de casa. Tomou metade da água de um copo decorado com morangos e se concentrou em evitar que a reação fosse percebida. Encarou o macarrão mentalizando que sua aversão ao condimento era exagerada e, imbuído do poder do estômago vazio, deu cabo do udon.

Kaoru assistiu a cena espantada com a capacidade de Itachi ser incapaz de reclamar. Se estivesse certa, — e lhe faltava uma porcentagem mínima para ter certeza — o rapaz havia ingerido, mesmo insatisfeito, em vez de dizer que não apreciara o preparo do alimento. Era educação demais! Ela completou o copo dele com água e enfiou as tigelas na pia ainda pensando naquilo, balançou a cabeça como se não acreditasse no ocorrido e de soslaio o observou desidratar os moranguinhos do vidro transparente.

— Você deveria dormir um pouco... — sugeriu suavemente, secando a louça.

— Não estou cansado.

— Não precisa se manter acordado só porque está aqui, se estivesse em sua casa provavelmente estaria descansando.

— Eu estou bem. Dormi algumas horas no caminho de volta.

Kaoru bufou. Sabia que havia aceitado uma batalha quando iniciou o diálogo e que a mesma seria árdua.

— Itachi, suas olheiras estão tão fundas que posso enfiar meu dedo nelas! Pode ser bonitinho e tudo o mais, você querer ficar acordado para me fazer companhia, mas olhar para sua cara de acabado me dá agonia!

Ele a fitou espantado. Qualquer mulher se sentiria feliz ao ver seu homem ignorar o cansaço para permanecer ao seu lado, era uma prova da importância dela para ele. Kaoru não enxergava isso?

Ela se aproximou devagar e pousou a mão carinhosamente sobre o rosto dele.

— Você ter vindo já foi maravilhoso... — Roçou o polegar num movimento lento e circular. — Se for um pedido,... pode acatá-lo? Pode dormir um pouco, Ita?... Hum?...

Itachi não respondeu, no entanto a resposta estava lá. Sua fraqueza diante daquela tática se confirmara em algum momento e, desde então, nunca foi superada. Porque a mistura de voz manhosa, olhar meigo e toque suave lhe afetava, era um mistério acima de sua compreensão. Cerrou os olhos devagar em confirmação, recebendo um beijo calmo e um afago na nuca que derrubaria até um leão.

Deitar-se na cama da garota foi singularmente estranho, por mais que ouvisse “fique à vontade”. O termo era exatamente o oposto do que ele conseguia sentir embora não soubesse a razão. Sobressaltou-se ao perceber os dedos em seus cabelos, porém gradativamente se deixou levar pelo contato deles. Kaoru possuía uma habilidade inegável com as mãos, ou talvez fosse apenas sua sensibilidade diante delas. O silêncio perdeu força quando uma canção sussurrada passou a dividir o espaço com ele, e guiado por ela, Itachi mergulhou nas nuvens do sono.

Kaoru se acomodou no chão com um sorriso satisfeito mal acreditando que conseguira fazê-lo dormir e o observou ressonar tranquilamente. Itachi estava de bruços com uma das mãos segurando o travesseiro enquanto a outra se escondia debaixo dele, o cabelo se espalhava pela fronha e lençol negros, camuflando-se neles e a boca entreaberta o deixava com uma expressão levemente infantil.

A alegria de vê-lo relaxado era indescritível!

Ela possuía consciência de suas obrigações e do quanto ele se cobrava por causa delas, aliás, cobrava-se por tudo. Era um hábito enraizado como uma erva daninha que passava despercebido, entretanto regia sua vida e atitudes. Kaoru compreendia, mas não aceitava. Era injusto e cruel que alguém fizesse isso consigo mesmo. Obviamente, não poderia se intrometer e forçar o amado a mudar sua perspectiva, Itachi teria que aprender sozinho e essa era uma caminhada que prometia ser longa, contudo isto não a impediria de tentar mostrar algumas luzes no caminho.

Só percebeu que o olhava como uma boba quando ele lhe encarou.

— Quanto tempo, eu dormi? — indagou com a voz rouca e arranhada provocando um sorriso sutil na garota.

— Horas.

Itachi franziu o cenho com a réplica evasiva e procurou pelas frestas da janela alguma luz, encontrando uma pálida lembrança da tarde.

— Deve ser por volta de seis. — Kaoru respondeu o questionamento nítido da expressão dele.

— Deveria ter me acordado antes — rebateu com um toque de mal-humor na voz.

— É falta de educação acordar as pessoas sem motivo... Está com fome? — perguntou se levantando e constatando que o rapaz ainda mantinha a expressão séria. — Com ou sem reposta, estou providenciando — finalizou indo em direção à cozinha.

Itachi não acreditava que havia dormido tanto, menos ainda que Kaoru tivesse permitido. Porém a raiz de sua irritação não eram os muitos minutos de sono, e sim o desconforto de imaginar que eles foram velados por ela.

Ele não tocou no onigiri, sua atenção estava totalmente voltada ao modo que a garota a sua frente lambia os dedos após passá-los pelo prato a fim de colher o molho contido nele. Do polegar ao médio, todos passearam pela louça e tiveram como destino, os afagos da língua de Kaoru. Desconcertante assumiu duas vertentes naquele instante, a primeira dizia respeito à naturalidade com que ela fazia aquilo, a segunda, remetia a excitação que crescia em si mesmo.

Resolveu se concentrar na comida antes que transparecesse o que sentia ao mesmo tempo em que mentalmente começava a se questionar se não era um pervertido como a maioria dos homens.

— Você preparou enquanto eu dormia? — Iniciou o diálogo para fugir de seus próprios pensamentos.

— Não. É de ontem.

Itachi piscou lentamente processando a informação, encarou-a esperando que fosse uma piada, mas logo se deu conta de que não era e continuou estático vendo-a comer outro bolinho sem a mínima culpa. Olhou para os seus tentando se lembrar quando havia se alimentado com comida requentada. Em missões, isto não era uma possibilidade e em casa também não. Sua mãe era exímia cozinheira e se dedicava amorosamente à tarefa de alimentar sua família com refeições saborosas... e frescas.

Ele não queria ser indelicado e rejeitar o que lhe fora servido, todavia sua vontade de comer era nula e o que fazer se tornou uma pergunta-tormento que o deixou numa embaraçosa situação. Fitou o chão por mínimos segundos e levantou os olhos a fim de encarar o inconveniente. No trajeto, acabou parando nas pernas da garota e pela primeira vez notou as linhas brancas que se destacavam em sua pele. Pareciam ter alguns anos e possuíam diversos tamanhos e formatos, provavelmente contavam histórias, talvez medo e dor.

Ele conhecia sobre o passado de Kaoru apenas o que ela lhe contara e algumas coisas que ouviu por aí. Não era de seu feitio bisbilhotar a vida alheia, por isso nunca a questionou sobre suas recordações e pelo mesmo motivo não sabia dizer se a porção que tomara conhecimento era considerável ou apenas a ponta de um iceberg.

O remorso sussurrou duras palavras em seu ouvido, e Itachi engoliu a saliva como uma pedra rasgando sua garganta. Voltou seus olhos às cicatrizes, joelhos e punhos refletindo sobre quais acontecimentos, as características da jovem se formaram. Sua vivacidade e desembaraço seriam os frutos de seu pretérito amargo ou um traço que persistiu através dele? Ela ainda carregava uma essência, algo que se evidenciava na forma que seu olhar vez ou outra se perdia, feito uma marca talhada na alma.

Itachi mordeu o onigiri em meio as reflexões. Talvez sua personalidade introspectiva se traduzisse de modo negativo, talvez fosse complicado e ruim. Igualmente, para ambos. E a garota tivesse razão quando dissera que ele precisava ser mais claro quanto aos seus sentimentos e vontades.

Não era fácil. Porém não deveria ser tão difícil!

Uma mordida irritada pôs fim ao primeiro bolinho. Itachi admitia para si mesmo seu fracasso como uma pessoa comunicativa e imaginava que talvez a Uzumaki achasse que ele não possuía interesse em sua história.

Por que diabos colocar para fora algumas palavras parecia uma coisa quase de outro mundo?!

Outro assassinato, e apenas depois deste que Itachi apurou o paladar. Havia atum, morango, um molho que se sabe lá de onde veio e um inconfundível toque de sabor de geladeira. Era estranho, mas comestível e depois da terceira mordida se tornou minimamente apetitoso. Ele não percebeu quando instintivamente lambeu um fio de molho que escorreu por seu dedo, nem Kaoru esconder o riso diante de um enfurecido — e fofo — aniquilador de onigiris indefesos.

— Pensei em passar a noite aqui. — Ele soltou o mais natural que conseguiu.

— Ah? — Kaoru devolveu a habitual interjeição que indicava sua incapacidade de formular resposta.

— Se não for incomodar...

Itachi contava com a costumeira desinibição da garota para facilitar o trabalho de expressar seu desejo, no entanto a frase a pegara de surpresa e aliada a falta de habilidade de seu emissor, tornou algo simples num embaraço inacreditável.

— Não incomoda, só não esperava. Você não é de se oferecer... — interrompeu-se ao se dar conta da palavra utilizada. Achou por bem calar a boca e aguardar a réplica dele.

— Senti saudade... — A voz de Itachi foi um sopro modesto e desajeitado.

Kaoru pulou em seu colo enlaçando as pernas em sua cintura e o beijou com ansiedade enquanto ele permaneceu estático com as mãos suspensas e vagarosamente as moveu, devolvendo o abraço.

Dormir se mostrou a última opção, e isto se comprovou pela incapacidade de pegar sono, entretanto nenhum deles se mostrava hábil em converter a segunda alternativa em atitude.

Itachi não queria deixar a impressão que a sugestão do pernoite ocultava intenções libidinosas embora as mesmas borbulhassem em sua mente como água fervente desde que Kaoru concordou. Definitivamente não era aquele o motivo de ter mandando sua habitual cerimônia para o espaço e esperava que ela não pensasse mal dele. Mas afinal... que mal havia mesmo? Não era mais a primeira. Não precisava de acanhamento, receio e todo aquele conjunto de emoções que faziam tremer involuntariamente. Certo?

Ele se achou um imensurável idiota. Estava escuro, silencioso, temperatura agradável, havia uma cama debaixo deles, bem diferente de antes, e...

— Por que você tem uma cama de casal? — A pergunta saiu sem pedir licença.

— Como por quê? Não é óbvio?! — Ela respondeu sem olhá-lo. Havia deitado de costas para ele e não se mexido desde então. — Espera... Não acredito que pensou nisso!

— O que exatamente acha que eu pensei? — questionou com uma pontinha de receio devido ao tom acusatório.

— Que a comprei para outro objetivo além de dormir confortavelmente espalhada nela. — Virou-se e o encarou. — Estou errada?

— Não diga besteiras. — Desviou o olhar.

— Se é besteira porque não respondeu olhando em meus olhos. — Em segundos, a luz foi acesa e um par de íris cor de mel grudou na expressão de Itachi. — Responda: estou errada?

Ele piscou repetidamente ao passo que Kaoru aproximava seu rosto até tocar seus narizes.

— Foi apenas uma curiosidade, não precisa fazer disso um interrogatório.

— E eu posso saber desde quando o senhor é curioso? — Esforçou-se para manter a seriedade na voz e não rir abertamente da reação dele.

— Sempre, mas não expresso. É desagradável encher os outros de perguntas, parece bisbilhotice.

— Algumas coisas só sabemos quando perguntamos — disse sem intenção de transformar a sentença numa indireta, porém a carapuça vestiu melhor do que um kimono de gala. — Não precisa admitir, eu já sabia mesmo... — Deu de ombros e devolveu a escuridão ao ambiente. — que existe um pervertido dentro de você!

Os pensamentos se embolaram e, em sua defesa, Itachi conseguiu apenas emitir uma interjeição de espanto enquanto Kaoru enfiava o rosto no travesseiro e gargalhava. Ele a esperou terminar de afogar o riso, e isto durou longos minutos que o ajudaram a recuperar o raciocínio e esquecer o constrangimento.

— Há um prazer sádico em me deixar sem jeito...

— Não sabe o quanto!

Itachi arqueou a sobrancelha com a petulância e se virou para Kaoru fitando sua expressão divertida. Naquele instante, percebeu que a coragem de assumir suas emoções e permitir que elas o guiassem até a casa da garota lhe deu uma recompensa sem tamanho. Não poderia descrever o que a singela tarde trouxera ao seu coração, era uma mistura doce e cálida que se derramava por ele, impossível de ser contida.

O silêncio se acomodou íntimo e acolhedor, amarrando-os num laço que se tornava mais apertado a cada minuto. Ela se aproximou, ele fez igual, e logo sentiram a respiração um do outro roçar a pele. Os lábios se uniram devagar contrariando a ansiedade que os agitavam por dentro, as mãos se entrelaçaram e uma longa troca de olhares alimentou a centelha que os queimava.

Do lado de fora, a chuva caía salpicando o chão de grossas gotas que rapidamente cobriram as ruas, no interior do quarto, a melodia da natureza embalava e se mesclava ao som de beijos calmos e toques suaves.

A mão de Itachi deixou a cintura de Kaoru e trilhou o caminho até seu seio arrancando um suspiro quando o envolveu completamente. Sentiu a maciez sob os dedos e apertou a carne delicadamente enquanto sua boca ainda se ocupava da dela. Passou o polegar sobre o mamilo devagar numa meticulosidade que lhe rendeu um arranhão nas costas e, cedendo ao apelo demonstrado por ele, substituiu a falange por sua língua.

O auto-controle de Itachi se perdia a cada minuto enquanto sugava o seio de Kaoru, e logo a calma contida no ato, fruto de um resquício de receio, deu lugar a expressão do puro desejo do jovem.

Ele a despiu, peça por peça, admirando os contornos de seu corpo, memorizando seus detalhes e se excitando ao passo que desnudava cada parte. Os olhos passearam pelas coxas, barriga e colo até encontrar o sossego nos dela. Eles convidaram com ternura e uma chama de lascívia que fez arder o íntimo de Itachi.

Kaoru se adiantou a reação dele e se aproximou lhe tirando a camisa, correu os dedos pelo pescoço, ombros e peito tendo sua exploração interrompida pelas mãos de Itachi que seguraram as suas. Ela o fitou confusa por um instante que terminou ao sentir o caminho que ele havia determinado para o seu toque.

A sensação de calor foi similar a ter a pele queimada e um gemido lhe escapou quando o sentiu plenamente. Era macio, rígido e pulsava sob sua palma acelerando seu coração. Sem perceber, sua outra mão serviu de auxílio para retirar os últimos empecilhos entre seus corpos e, livres de qualquer tecido, Kaoru recebeu a língua de Itachi em sua boca.

Ele se colocou vagarosamente por cima dela enquanto a beijava delicadamente para depois aprofundar o beijo numa carícia libidinosa que foi suspensa quando notou seus cabelos caírem por seus ombros.

A garota o fitou encantada e brincou com algumas mechas, um sorriso se formou em seu rosto e desistindo de conter o motivo dele, sussurrou:

— Você fica extremamente sensual assim.

Itachi não soube reagir por um instante e permaneceu sentindo o toque dela até devolver o elogio com pequenas mordidas que se iniciaram no punho e não demoraram a chegar ao pescoço e orelha, onde descobriu uma interessante sensibilidade que lhe rendia fortes unhadas.

O jogo de provocação se tornou para dois quando Kaoru se voltou ao pênis dele com um movimento lento que o desviou do foco para observar o ato por alguns minutos até retribuí-lo. Itachi queria sentir a umidade de Kaoru em seus dedos, porém ao alcançar seu desejo foi lançado para um novo. Já não bastava aquela sensação, precisava colocar outra parte de si dentro dela.

Ajeitou-se entre as coxas grossas, unindo os corpos e deixando o pênis roçar a vagina devagar numa carícia que torturava na mesma intensidade que proporcionava prazer. Inspirou tentando controlar a vontade de penetrar naquele instante, concentrando-se no beijo que o excitou ainda mais ao imaginar aquela língua em sua glande.

Itachi deslizou para dentro de Kaoru sentindo suas pernas se afastarem um pouco para acomodá-lo, preenchendo-a por completo e acalmando o impulso que gritava para abandonar a cautela a fim de satisfazer seus instintos selvagens. Moveu-se lentamente, atento as reações dela ao mesmo tempo em que mergulhava no prazer que era injetado em seu corpo. Fechou os olhos e a mistura de sensações o invadiu com uma onda de calor e arrepio que o desconectava do tempo e espaço. Só havia o ali, e só existiam eles.

O movimento se tornou mais rápido acrescentando ao ambiente o som do ranger da cama e intensificando os gemidos de Kaoru que, entrecortados por beijos ou plenamente emitidos, fizeram Itachi lutar para conter o orgasmo. Ele continuou entrando e saindo, mordendo e sugando o pescoço, orelha e seios até seus olhos se reencontrarem e os dois descobrirem o quanto aquela conexão aumentava o prazer.

Itachi diminuiu a velocidade empurrando mais fundo, observando a expressão de deleite no rosto de Kaoru e sua respiração descompassada. Era certo que não aguentaria se segurar por muito tempo, não com ela lhe fitando daquele jeito, como se o convidasse a mostrar toda a sua libido e a despejar em forma de gozo, porém antes de satisfazer a vontade dela, ele satisfaria a própria. Beijou-a com volúpia e mordiscou seu lábio antes de prender seu lóbulo entre os dentes.

Com o vai e vem que retomou o ritmo anterior, a respiração de Itachi enchia o ouvido de Kaoru que sentia o hálito quente fazer seus pelos se arrepiarem e a excitação crescer tornando sua vagina ainda mais receptiva e ávida pelo pênis dele. Ela tentava manter os gemidos num tom baixo, mas percebia que falhava a cada vez que era preenchida e logo perderia a capacidade de conter o nome que insistia em sair de sua boca. Levou uma das mãos à nuca dele enquanto a outra apertou seu ombro com força. Queria senti-lo, queria tê-lo dentro de si por horas a fio e perdida naquele desejo foi tomada por uma sensação desconcertante que lhe fez envolvê-lo com seus braços e pernas num abraço aflito.

Itachi acordou com o cheiro úmido da manhã de chuva. A claridade que entrava no quarto era singela, quase inexistente. Remexeu-se num ensaio para se levantar, mas notou o braço de Kaoru enroscado ao seu abdome, aliás, o corpo da garota estava colado ao seu como se estivesse agarrado a uma pelúcia. Afastou-a com cuidado, observando seu rosto dormindo e esboçou um sorriso antes de beijá-la na testa e sair da cama.

— Onde você vai? — A pergunta foi ouvida depois de três passos.

— Tomar banho.

— Por que não me chamou? — A voz arranhada e arrastada estava impregnada de indignação. — Egoísta...

Ele se questionou por um segundo se realmente tinha escutado aquilo e então respondeu:

— Preciso de um tempo para mim.

— Ah, claro... Todo mundo precisa... Vai, eu vou ficar aqui cochilando. — Cobriu a cabeça com o cobertor e se encolheu parecendo um casulo.

Itachi desistiu de achar estranho, era mais fácil se acostumar com o comportamento dela e a intimidade acima do que considerava normal. Naquilo existia uma certeza que ele nunca fez questão de possuir, entretanto recebera: jamais ficaria sozinho.

“Às vezes, as diferenças aproximam mais do que as similaridades. Isto eles aprenderam com o tempo.”

Notas finais
E aí minha gente? Faz tempo que não escrevo hentai e esse é apenas o segundo que fiz, então vocês poderiam opinar para eu ter noção do impacto dele em vocês. Eu gostei do resultado. Bjs!