C.A.S.U. [Em Revisão]
19 Segunda voz: Caminhando com pés quebrados
Notas iniciais
“Respirando o vazio de dias nublados
Que chovem tristeza em mim
Tropeço a cada passo buscando colar meus pedaços
Enquanto a esperança ameaça seu fim.”
O cheiro familiar de Konoha era um alento que machucava, petrificando meu corpo num telhado qualquer, tornando-me expectadora da vida na tentativa de me desprender da sensação de que perdia a batalha contra a morte.
Segurei os enjoos que meus pensamentos me provocavam e as lágrimas que mantinham meus olhos úmidos. Eu só conseguia me imaginar lutando para ficar de pé ou deitada numa cama esperando que um remédio me tirasse dela, a expressão de tristeza da minha família e a certeza de que nada reverteria aquela situação.
Balancei a cabeça para espantar as imagens, mas elas se misturavam as do passado numa reprise incessante de um filme que não queria ver: eu velando o sono de mamãe enquanto disputava contra minhas pálpebras pesadas o direito de ficar acordada, perdendo-me em cochilos involuntários e despertando assustada para retomar a briga até perdê-la de uma vez por todas. Fingindo que estava tudo bem durante o dia, mas sempre a observando pelo canto dos olhos quando ela se distraía com seus afazeres.
Eu aprendi a ler seus lábios temendo que no futuro ela se tornasse fraca demais para falar, no entanto isto a fez mudar a forma de se comunicar com Haiiro, tornando as palavras dispensáveis para se fazer entender. Pouco tempo depois mamãe se fechou em mistério e sua tranquilidade se tornou uma máscara que só caia perante o velho lobo. Na mesma época o silêncio começou a se sentar conosco nas refeições até caminhar entre nós tomando um espaço gradativamente maior. Passei a sonhar com mamãe sentada sobre o dorso de Haiiro caminhando para o horizonte, a névoa ao redor deles abrindo espaço para acolhê-los e se fechando em seguida. Eu ficando para trás. Sozinha.
— Deveria ter enchido a cara de saquê — murmurei, saltando para o chão. Duas esquinas e eu poderia jogar álcool nas memórias, mas havia prometido a mim mesma que não faria isso. Restava continuar com a cabeça cheia. — Você sorria tanto antes de papai morrer. Hoje eu lembro mais do seu rosto melancólico do que do seu sorriso... Será que também se sentia sufocada por isso?... Agora parece que você escondeu tanta coisa de mim, assim como eu escondo dos outros. — Olhei para a escuridão do céu sentindo o peso das respostas se aninhando em minha mente.
Segui a noite como um cão vadio, contando as horas para o sol nascer enquanto desejava que sua luz não voltasse. Outro dia significava enfrentar tudo que queria evitar e a vontade de me enfiar numa bolha invisível. Eu não tinha outra coisa para pensar além dos meus problemas e beber deles me embriagava de sentimentos ruins. Nessas horas podia ouvir os conselhos de Minato e Kushina sobre manter a esperança e não se entregar ao desânimo, mas suas vozes eram apenas zumbidos fracos e incapazes de me alcançar no meio daquele vazio imenso.
Meu estômago foi o primeiro a reclamar do descaso com meu corpo, depois os olhos arderam e pesaram ao mesmo tempo em que cada parte de mim decidiu reclamar o direito de ser cuidada. Encostei a testa nos joelhos e fechei os olhos para ignorar a perturbação que crescia dentro de mim. O chão havia se mostrado um lugar seguro e deixá-lo uma ideia estúpida. Segurei mais alguns protestos violentos do meu estômago que sofria com pontadas de fome, desviando minha atenção para o conforto causado pela sonolência.
— Aqui não é lugar pra ficar, mocinha. Está atrapalhando o caminho da minha loja — disse uma mulher de voz rouca sem economizar na seriedade.
— Eu sei — respondi sem levantar a cabeça. — Já estou indo.
Fiquei de pé sentindo o olhar dela sobre mim e me curvei pedindo desculpas.
— Eu ainda não abri, mas você pode comer alguma coisa — falou girando a chave na fechadura. — Andar por aí nesse estado provoca falatório.
Não notei os detalhes do lugar quando entrei apenas vi o chão de madeira e os pés das prateleiras velhas de cedro. Andei até o balcão, ajeitando-me no banco ao receber uma ordem para sentar, sentindo que a mulher tentava espiar meu rosto por trás do meu cabelo. Puxei a franja para frente até enxergar somente pequenas frestas através dela e abaixei ainda mais a cabeça como se não conseguisse aguentar o cansaço.
— Se você quiser chá, logo estará pronto. — Ela disse suavemente. — Pode pegar os bolinhos que estão nessa cesta. — Apontou para o meu lado esquerdo.
— Obrigada. Mas só o bolinho está bom.
— Eu imagino que sim — retrucou se dirigindo à cozinha.
Meus olhos a acompanharam enquanto eu puxava o fio daquela resposta.
Chieko aparentava uns sessenta anos, tinha poucas rugas e o cabelo igual à neve. Seu semblante emanava um espírito duro, mas seus gestos transmitiam paz. Não parecia ser alguém fácil de enganar, muito menos que se contentava com histórias pela metade. Era provável que ela arrancasse as verdades sem fazer uma pergunta.
— Os bêbados costumam dormir na minha porta. Pensei que fosse mais um. — Chieko explicou entre um assopro e outro no chá fumegante.
— Eu espantaria qualquer um que dormisse na minha, bêbado ou não.
— Ninguém fica ao relento sem motivo e se não for pelo álcool vale a pena saber porquê.
— Não há nada para saber — respondi ao olhar que me analisava. — Quanto lhe devo pela comida?
— Trinta minutos — soltou casualmente. — O tempo necessário para você colocar uma expressão melhor no seu rosto. Fique tentando até conseguir.
Chieko iniciou suas tarefas como se eu não estivesse ali, o que me deixou à vontade menos tempo do que imaginei. Logo eu estava arrumando prateleiras e procurando coisas para pôr em ordem.
— Você não vai abrir? Tudo está pronto — perguntei tentando ser despretensiosa.
— Estou esperando uma pessoa.
Ainda faltavam dez minutos quando a ansiedade veio marcar seu ponto. A obrigação de estar ali me agoniava, mas não cederia a vontade de burlar o “acordo”. Estranhamente me senti numa espécie de teste enquanto contava os segundos de forma regressiva.
O sino da porta soou em 350.
Naruto entrou vasculhando o lugar, encontrando-me num instante. Não havia surpresa em seus olhos ao contrário dos meus que precisaram ser controlados quando ameaçaram se arregalar.
— Achei melhor não chamar seus pais. — Ela falou para Naruto. — Como irmão dela você saberá melhor do que eu se deve dizer a eles.
— Obrigado, Chieko-san. — Ele assentiu e depois me encarou. Seu rosto deixava claro que deveríamos partir naquele momento.
Sem escolha, eu o segui.
Ele manteve as mãos no bolso e o ritmo lento, nem ao meu lado, nem muito a frente sem conferir se eu realmente o acompanhava. Seu silêncio despertava minha desconfiança e o modo que ignorava as pessoas que o cumprimentavam despejou um balde de água fervente na tensão que eu sentia.
Esperei a loja ficar alguns metros para trás antes de me separar dele, diminuindo o passo até obter uma distância que não gerasse desconfiança, mas fosse capaz de propiciar o escape. No entanto, o primeiro passo para longe de Naruto foi interrompido por sua mão segurando a minha.
— Você vai voltar comigo — murmurou num tom rouco que tentava esconder a raiva, mas a transbordava. — Estou cansado da sua teimosia. — Apertou meus dedos com força.
Nós nos encaramos testando quem desistiria mesmo sabendo que não haveria desistência. Estávamos decididos, com igual intensidade, a fazer valer o que queríamos.
— Onde acha que vai chegar agindo assim? — Naruto perguntou forçando a calma na voz seca.
— Independente de onde eu chegue, minha vida não é do seu interesse.
— Pro inferno que não é! — gritou. — Acha que eu finjo quando lhe chamo de irmã?! Que foi manha de criança quando eu pedi para você morar com a gente?!
— Abaixe a voz e me solte, Naruto.
— Não! Você vai me ouvir nem que eu precise gritar no seu ouvido!
— Abaixe... a merda da sua... voz! — sussurrei, afundando minhas unhas em sua pele. — Não vou conversar com um moleque histérico! — avisei dividida entre observar a reação dele e a aglomeração que surgia.
Durante o espaço de tempo daquela discussão, um número considerável de pessoas parou diante de nós como se estivessem presenciando um espetáculo gratuito enquanto outras atrasavam o ritmo da caminhada esperando que o desenrolar da briga se desse antes que partissem.
Naruto percebeu minha distração e se aproveitou dela para segurar meus braços, encarando-me com o olhar feroz.
— Você se afastar, eu até entendo, mas que tipo de idiota rejeita o trat-...
Meu soco estalou na mão dele, que apesar do reflexo atrasado conseguiu apará-lo. Imediatamente o espanto tomou seu rosto cedendo, aos poucos, espaço para a decepção. Aquela imagem me cortaria o coração outrora, porém naquele momento trazia o alívio que eu precisava.
— Eu nunca o machuquei, mas não vou hesitar se disser mais uma palavra.
Ele ficou estático por um tempo, em seguida assentiu para si mesmo e endureceu a expressão antes de socar a palma esquerda.
— Certo! Cai dentro!
“Nada de bom vai sair disso’, minha mente avisou, no entanto eu já havia me posicionado para o ataque. Ignorei os pensamentos que voaram para Minato e Kushina, embolando-se com consequências que eu sabia sem ao menos ter pensando nelas e afiei o chakra nos dedos, formando lâminas de vento. “Vamos, idiota, recue!”, esperei embora não houvesse chance de isso acontecer. Eu havia inflamado a determinação dele de me convencer que estava errada e Naruto não pararia até conseguir.
— Por Deus, o que estão fazendo?! — Sakura gritou correndo em nossa direção.
— Não se intrometa, Sakura-chan. — Ele respondeu sem deixar de me encarar.
— Naruto, você sabe que isso é errado! Seja lá o que tiver acontecido...
— A Kaoru decidiu como resolver. — Ele a fitou por um segundo e voltou seus olhos a mim. — Às vezes não adianta falar com ela.
Naruto se aproximou ao mesmo tempo em que afastou Sakura com a mão num claro desafio a mim. De repente, a garota se colocou entre nós e iniciou uma discussão com meu irmão. A voz dela tinha uma aflição que me irritava. Ela argumentou com Naruto de todas as formas possíveis, passando em poucos minutos de uma explosão de raiva diante da birra de uma criança para a súplica angustiada de quem via suas tentativas queimando na fogueira da derrota.
Ainda que eu aproveitasse as brechas para desferir meu ataque, a visão das costas de Sakura esfarelava meus planos. O quão estúpida ela era para dar a retaguarda para alguém com um ataque pronto nas mãos?
— Chega. — Recolhi meu chakra. — Não vou envolver uma terceira pessoa nisso. Se ainda quiser lutar sabe onde me encontrar.
— Você não vai sair assim! — Naruto avançou sendo impedido por Sakura.
— Se quiser chegar nela vai ter que passar por mim primeiro!
Naruto percebeu a mudança na postura de Sakura e a dúvida brincou em seu semblante, depois a resignação o tomou e uma silenciosa desculpa se expressou em suas íris azuis.
— Sakura, não pedi sua defesa! — Apressei-me. — Do meu irmão, cuido eu! — cuspi ao perceber a intenção dela de retrucar e andei até Naruto para dar um ponto final à situação. — Minato vai detestar se fizermos uma cena no meio da vila. Encontre-me no lugar que costumávamos treinar daqui a duas horas.
Ele assentiu a contragosto e partiu.
Contrariando minha palavra, fui para a floresta do lado oposto ao combinado com Naruto. Diferente dele havia alguém que eu gostaria de ver naquele momento.
— Fugir é uma solução temporária com os minutos contados. — Hiro disse com uma sabedoria assustadora depois de ouvir a história.
— Fale algo que eu não sei... — respondi atirando uma pedra no rio. — Mas é a única coisa que consigo fazer.
— Não é verdade.
— A verdade é que tem uma rede de problemas em cima da minha cabeça esperando a hora de cair e me esmagar. Se eu puder evitar um deles, eu evitarei.
Fitamos a água seguir seu curso numa tranquilidade que parecia pertencer à outra vida. Era estranho e reconfortante experimentar aquela calma de novo e me senti tão grata quanto hipócrita por desfrutar o presente dado pela presença de Hiro.
— Você não me disse o motivo da briga... — Ele franziu o cenho e eu prendi a respiração. — Por que insiste em me enrolar? Sabe que posso descobrir seus sentimentos através do cheiro. Tem algo grande que está escondendo, não é?
— Eu...
Eu não havia contado a ninguém. Nunca saíram da minha bocas aquelas palavras e dizê-las para Hiro era como dizer para mim mesma algo que jamais pensei que dissesse.
— Eu tenho...
Uma doença. Feito tantas outras que existiam. Incurável como algumas delas. O motivo de eu ter vindo morar em Konoha.
— Eu tenho a doença da mamãe.
Senti-me dormente quando a dor apertou meu coração. Ela o esmagou dentro de mim, furando-o com suas agulhas quentes, mas ainda era pequena comparada a que me atingiu quando notei a reação de Hiro: seus trincados com força, os olhos apertados tremendo e os músculos retesados.
— Não... — Ele negou com a cabeça. — Não é justo!
— A vida é injusta. Ela não se importa com o que a gente já passou. Só... joga a pedra. E a gente se vira como pode.
O tempo parou quando nos fitamos como se demonstrasse respeito por nossas almas quebradas, e eu tirei forças dos meus cacos para consolar Hiro.
— Não fique assim... — Envolvi seu pescoço em meus braços pressionando meu rosto contra seu pelo.
— Não peça coisas impossíveis! — Ele rebateu saindo do meu abraço. A raiva cintilava em suas pupilas, mas seu brilho morreu num suspiro profundo que deu lugar a serenidade discreta de quem se abre para a realidade — Que idiotice a minha agir desse jeito justo quando você precisa de apoio. Não sou um filhote para ficar choramingando. Tenho que me manter forte para ajudar você... — disse endireitando a postura. — Então, procurou um médico? O que ele disse? Está tomando remédios? — Sua voz voltou à docilidade natural.
Ela ainda era uma das melhores coisas do mundo.
— Kaoru! — Hiro gritou enfiando o focinho no meu rosto. — Eu não acredito!
Sua expressão brava quase me fez rir, era como se eu estivesse diante do filhote manhoso que tentava copiar o jeito turrão do pai. Meus olhos se aqueceram de repente me obrigando a desviá-los.
— Vai me deixar surda. — Tentei me desvencilhar sem sucesso. — Tira o seu focinho do meu nariz pra gente conversar.
— Como pode ser tão irresponsável com sua saúde?! Você sabe que...
— Não tem cura? — devolvi a verdade com qual eu me torturava.
— Não que os humanos de agora saibam, mas se existia podem redescobrir.
— Quanto tempo a mamãe esperou por isso?... Por que acha que vai aparecer um médico que consiga?
— Porque se passaram mais de dez anos, então talvez uma pessoa tenha se tornado esse médico. E porque eu vou acreditar até o fim.
— Mesmo depois do que viu acontecer com a minha mãe?
— Sim! — rebateu com convicção. — O que eu posso fazer além de acreditar e apoiar você? Me entregar à tristeza, esperar a confirmação das coisas ruins? Não, Kaoru! Eu não vou! Odeio saber que você está passando por isso, odeio não ser mais útil do que um simples apoio, mas não vou negar a realidade como uma criança e deixar você sozinha!
As lágrimas desceram apesar do meu esforço em não derramá-las e eu as vi refletidas nas pupilas grandes de Hiro.
— Vamos, garota, você precisa lutar!
— Eu não tenho... esperança.
— Algumas coisas a gente acha no caminho. E se você não achar, eu lhe dou a minha. Por favor, Kaoru.
— Okay... — disse em meio a um suspiro.
— Progresso! Agora vamos ao hospital encontrar um médico — falou confiante. — Aliás, já temos um! Quem melhor que a Tsunade para cuidar de você?
Fitei o lago ouvindo Hiro desfiar um rosário de elogios e expectativas enquanto a perspectiva de contar o ocorrido para ele se tornava uma nuvem carregada de tempestade.
— Ela não vai. Discutimos porque Naruto ficou sabendo da minha doença por culpa dela — cuspi num segundo.
— Eu lhe deixo sozinha alguns meses e você destrói o mundo?! Tem batata na sua cabeça?! — Começou a socar a terra com as patas. — O que eu faço com você?! Desmiolada! O pior é que não vai pedir desculpas de jeito nenhum. — Continuou sovando o chão e resmungando.
— Tsunade deixou a Sakura no lugar dela.
— Sakura? — Ele parou e olhou para cima tentando lembrar. — A garota do Naruto?
— Ela não é a garota do Naruto!
— Tá, tá, mas é aquela que ele gosta, né?
— Essa.
— Hum... se ela aprendeu com a Tsunade pode ser boa. Ok, vamos vê-la!
A única razão para eu ter permitido ser arrastada até o hospital de Konoha era Hiro. “Não” era uma palavra que ele analisava criteriosamente se deveria aceitar e de mim naquele momento, o “sim” era o que importava, então antes que ele me levasse pelos dentes, decidi ir com minhas próprias pernas.
— A porta é estreita para mim. Vou esperar aqui. — Sentou com imponência. — Tem certeza que ela está aí?
— Tenho, as terças ela fica até as três da tarde — respondi recebendo um olhar inquisitivo. — O quê?! Se vou ficar sob os cuidados dela tenho que saber que diabo de pessoa ela é e isso inclui a rotina.
— Tá, né! Agora pare de enrolar e vá! — Gesticulou com a pata.
Acenei em despedida e dei as costas entrando no jardim do hospital. O curto caminho até a porta de entrada dobrou de tamanho e quando finalmente foi cruzado hesitei diante do degrau observando a grandiosidade do prédio.
Durante um tempo da minha vida eu havia visitado desde os maiores hospitais até as menores cabanas de curandeiros. Sempre com esperança de uma resposta positiva. Sempre me decepcionando meses depois. Perdi a conta de quantos exames minha mãe fez, quantos remédios tomou, quantas vezes ela se submeteu a ser cobaia nas mãos dos outros.
Eu aguentaria a metade?
Recuei um passo. Eu sabia o que viria quase como se tivesse sentido na própria pele. Mas eu senti. Testemunhando aquela jornada eu vivi a dor da minha mãe com o meu corpo. Agora seria a minha dor, o meu sofrimento. Sem horas vagas ou fugas, eu viveria aquela doença integralmente.
— Estou aqui — Hiro sussurrou. — para viver isso com você.
Não olhei para trás. O passado me encurralaria novamente se fizesse isso. Meu dever agora era tentar mesmo com os pulmões cansados, o coração abatido e os pés quebrados.
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