Notas iniciais
Este capítulo irá dar inicio a história, mas antes é necessário ler o prefácio "Um Doutor no Mundo Errado".

Um apito.

Um apito de trem.

Lena acordou de sobressalto. Alguém a cutucava.

—Acorde! — dizia a voz – Você está tendo um pesadelo.

A menina piscou várias vezes. Uma garota de longos cabelos prateados e face branca como a neve a olhava da porta da cabine.

—O quê...? -murmurou Lena, ainda atordoada. Ela olhou em volta e se viu, nada mais nada menos, em uma cabine de trem e apesar de nunca ter estado em um antes, soube pelo barulho das rodas nos trilhos.

—Você está bem, Lena? -Perguntou a garota loira.

Lena engoliu em seco.

—Luna? Luna Lovegood?

—Sim-respondeu Luna e depois disse mais para si do que para Lena- Deve estar um pouco enjoada por causa da viagem. — Depois ela se foi, sem dizer mais nada.

Lena se ajeitou na poltrona. Não havia mais ninguém com ela na cabine, nada a não ser duas maletas, com etiquetas nomeadas. Ela pegou uma delas ao ver seu nome na etiqueta correspondente e a abriu. Havia algumas roupas e uma pequena bolsa no fundo contendo moedas, não moedas comuns, mas grandes e de ouro.

Fechando a maleta a garota saiu da cabine em desespero. Não poderia estar ali. Como poderia estar ali?

Conversas e cochichos percorriam o ar, mas o corredor entre as cabines estava completamente vazio.

—Doutor! -Berrava a menina que corria abrindo as portas dos compartimentos vizinhos. A cada um que abria, olhos curiosos a olhavam.

—Precisa de ajuda?-perguntavam os passageiros.

Mas ela continuava a gritar ”Doutor! Doutor! Doutor! ” .

Ela se virou para correr em direção a outra porta quando bateu de frente com um homem.

—Desculpe! -Disse ela, assustada e com lagrimas escorrendo pelo rosto. Respirado fundo e olhando freneticamente para os lados ela perguntou- O senhor viu o Doutor?

—Vi. –O homem respondeu- E você também viu. Todos viram e provavelmente mais vão ver. Mas ele está diferente agora.

E dizendo isso, pegou uma pequena garrafa do fundo do sobretudo e ingeriu um grande gole.

Lena o olhou abismada. Ele vestia as mesmas roupas do Doutor; terno azul e um sobretudo, mas não era o Doutor. Tinha estatura mediana, era corpulento e ruivo. Enquanto passava os olhos nos cabelos do homem, ele disse animado:

—Sim! Sou ruivo! Sempre quis ser ruivo. E depois de um longo silencio, suspirou aliviado- Ainda bem que acordou, Lena.

O Doutor a abraçou forte e girou-a no ar. Ao coloca-la de volta ao chão ele estendeu a pequena garrafa e sussurrou:

—Poção Polissuco.

Lena riu limpando as lagrimas do rosto. Não podia acreditar em tudo aquilo. Primeiro o Doutor aparece no seu quarto, depois a leva a um cemitério e agora eles estavam ali, rindo de tudo. Mas "ali" onde?

—Estamos no expresso de Hogwarts! — Gritou o Doutor, como se lesse os pensamentos da garota- E você estuda em Hogwarts, minha cara Lena. É da Grifinória. E vai estudar no segundo ano este ano!!!

De repente Lena ficou pálida.

—Segundo ano?! Mas e o primeiro ano? -Ela franziu a testa, olhando para a maleta que ainda segurava na mão direita- O que quis dizer com “ainda bem que acordou”? E por que está usando Poção Polissuco?

O Doutor puxou-a de volta a cabine em que estava, olhou para os dois lados do corredor, depois entrou e fechou a porta. Sentando-se de frente para a menina, ele começou:

—Lembra de quando abriu a porta dentro da Tardis?

—Sim-respondeu a garota.

—Então. Aconteceu muita coisa depois daquilo-ele disse- Não me lembro de nada antes de estar na enfermaria de Hogwarts, sendo chamado de Dr. Smith, e de abrir minha maleta e ver uma sacola cheia de cabelo ruivo dentro dela. Te vi dias depois de ter “acordado” desse transe psíquico. Foi então que notei algo de errado. Você não se lembrava de mim como Doutor, e sim como seu pai adotivo que mora sozinho em algum lugar no centro de Londres.

—Tentei lhe contar tudo o que havia se passado quando nos conhecemos, mas você me disse que eu deveria estar louco. Disse também que tinha sido adotada quando tinha 5 anos por mim e desde então vive comigo, um bruxo mestiço. Passei muito tempo tentando convence-la de que morava no Brasil e que provavelmente nunca tinha vindo a Londres.

Ele fez uma pausa, depois continuou.

—Nunca acreditou em mim. Dizia que eu precisava falar com a Pomfrey sobre meu distúrbio mental. -O Doutor riu, uma risada triste e melancólica- Você se deu muito bem, conseguiu boas notas se quer saber. E sobre a poção, deduzi que precisava toma-la para que não fosse confundido com o Crouch Jr.

—Espera-disse a garota, sem fôlego- Os personagens são iguais aos...

—Filmes? -Completou ele.- Nem todos. Harry Potter não é. Ele tem olhos verdes e é mais franzino.

—Oh, meu Deus! -Murmurou Lena- Harry Potter está aqui...

—Sim, e vai estudar no terceiro ano...

—Sirius Black!!!-berrou Lena-Sirius Black, ele vai aparecer este...-o Doutor tapou a boca da garota

Notas finais
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