Notas iniciais
Sim, eu sei que o jogo da final em si foi em Nova Iorque, eu acompanhei todos os jogos (mesmo morrendo de ódio da Argentina), mas eu quis continuar no cenário em Atlanta. Beijinhos e boa leitura!



Se Jillian achava que o maior choque de sua viagem tinha sido ver vinte e dois homens correndo atrás de uma bola, ela que se preparasse para o poder de um algoritmo mundial.

Na quinta-feira de manhã, seu celular quase derreteu. Ela acordou com setenta e duas chamadas perdidas de seu irmão mais velho, quatrocentas notificações do Instagram e um link enviado por Maya no WhatsApp com a legenda: “VOCÊ É UM MEME GLOBAL, ACORDA!”.

No TikTok, o seu vídeo mastigando o nacho com queijo, fazendo a dancinha desengonçada e, em seguida, o corte para o Son Heung-min abrindo o maior sorriso da vida dele já passava de trinta milhões de visualizações. A trilha sonora era uma música romântica do James Arthur em modo acelerado. A internet tinha decidido, em menos de vinte e quatro horas, que eles eram o casal oficial da Copa do Mundo.

— Meu Deus… Eu não posso sair na rua — Jillian lamentou, afundando o rosto no travesseiro do hotel. — Eu sou a Garota do Nacho. A Garota do Chapéu. Eu virei uma piada internacional.

— Piada? — Cami entrou no quarto, carregando três cafés e um saco de rosquinhas. — Jill, o apelido que te deram é Stetson Girl. E adivinha quem postou uma foto oficial no perfil do Instagram?

Jillian sentou-se na cama em um pulo, Maya praticamente jogou o celular em seu rosto.

O coração de Jillian deu uma pirueta dentro do peito, o estômago ficou agitado e suas mãos gelaram no mesmo instante.

— Ele me marcou? — ela perguntou, a voz sumindo.

— Não, porque ele não sabe o seu arroba — Maya respondeu, pegando o celular de volta. — Mas as coreanas já acharam o seu perfil, o da Cami, o meu, o do seu irmão e provavelmente o histórico escolar da sua primeira série. O seu direct deve estar um caos.

Antes que Jillian pudesse processar a informação, o celular emitiu o som de uma notificação de mensagem direta. O remetente tinha um selo de verificação azul bem ao lado do nome: son_hm7.

Jillian piscou três vezes.

— Meninas... — ela chamou num fio de voz. — Acho que o caubói coreano acabou de me mandar uma mensagem.

Maya e Cami se jogaram na cama, quase derrubando o café, os olhos arregalados, ambas falando eufóricas ao mesmo tempo enquanto Jillian abria a mensagem.

son_hm7:Espero que o chapéu não sinta saudades do Texas ainda. Ele está fazendo sucesso por aqui. Você vem no domingo? Tenho três ingressos na área VIP com o seu nome na bilheteria. Só preciso que você prometa não comer nachos no telão de novo (brincadeira, pode comer à vontade).

Jillian olhou para as amigas. Cami estava sem ar e Maya já estava procurando que roupa elas usariam no domingo.

— O que eu respondo? — Jillian perguntou, sentindo um frio na barriga que definitivamente não era fome.

— Você diz que vai, mulher! — Cami sacudiu os ombros dela. — Mas avisa que, como você está sem chapéu, vai ter que ir usando a camisa dele.

Jillian sorriu com a audácia que somente a proteção por detrás de uma tela podia emitir. Ela digitou rapidamente:

jill.mwest:O chapéu está em boas mãos. E sobre domingo, acho bom você jogar muito, Capitão. Porque eu vou usar a sua camisa e se vocês perderem, a culpa vai ser do meu Stetson.

A resposta dele veio em menos de um minuto:

son_hm7:Desafio aceito, Stetson Girl. Te vejo no domingo. 📷🤠

O silêncio que se seguiu após o último bipe do celular foi quase assustador. Jillian ficou encarando a tela, pasma, com o polegar congelado no ar.

Foi Maya quem rompeu a paralisia, soltando um guincho agudo que parecia o de uma chaleira fervendo, antes de se jogar para trás na cama, chutando as cobertas para o alto.

— Ele respondeu! Ele usou o emoji de caubói! — Maya gritava no travesseiro, abafando o som. — Jillian, o capitão da Coreia do Sul, o homem que para o continente asiático se espirrar, acabou de te desafiar no direct!

— Gente, pelo amor de Deus, respira — Jillian pediu, sentindo a própria espinha gelar. Ela colocou o celular na mesa de cabeceira como se o aparelho estivesse radioativo. — É só um jogador de futebol. Ele só foi educado por causa do chapéu.

Cami interrompeu a arrumação dos cafés com uma risada que beirava a insanidade. Ela caminhou até Jillian, pegou-a pelos ombros e a sacudiu com força.

— Só um jogador de futebol? Jillian West, você vive sob uma rocha no Texas ou o quê?! Esse homem não é só um jogador, ele é um herói nacional! Se ele pedir, as pessoas mudam o nome de Seul para Son-city! Ele tem outdoors gigantescos em Londres, Jill! Ele posa de cueca para a Calvin Klein!

Jillian piscou. Seu rosto mudando de vermelho para uma tonalidade completamente pálida.

— Ele... ele faz o quê?

— Ah, ela não sabe. Ela realmente não tem noção! — Maya se levantou da cama como um furacão, pegando o próprio celular e digitando freneticamente. — Olha aqui. Olha para essa tela, sua caipira alienada.

Maya estendeu o aparelho. Na tela, o perfil de Son Heung-min exibia dezenas de milhões de seguidores. Havia fotos dele em tapetes vermelhos com ternos de grife impecáveis, campanhas de relógios de luxo e vídeos de gols que pareciam desafiar as leis da física, tudo cercado por comentários em uns dez idiomas diferentes.

— Ele tem mais seguidores do que a população inteira do Texas, Jillian! — Maya apontou o dedo para o número, quase furando a tela. — E o direct dele deve ser um buraco negro de modelos, atrizes e misses do mundo todo tentando uma chance. E quem ele procurou? Isso mesmo, a garota que estava se engasgando com um nacho de seis dólares no telão!

Jillian cobriu o rosto com as duas mãos, a ficha finalmente caindo.

Seus pretendentes habituais eram rapazes da faculdade de agronomia ou fazendeiros locais cujas maiores conquistas eram ganhar um prêmio no rodeio do condado ou comprar uma picape nova. Ela não sabia como lidar com um superastro global.

— Eu mandei ele "jogar muito" — ela choramingou por entre os dedos. — Eu ameacei culpar o meu chapéu se eles perderem. Eu sou uma idiota. Eu vou apagar a mensagem. Como se apaga a mensagem?!

— Nem se atreva a tocar nesse botão! — Cami deu um tapa leve na mão dela. — Você foi perfeita! A internet está surtando exatamente porque você não agiu como uma fã desesperada. Você foi você mesma. Uma caipira abusada de Houston. E ele amou!

Nesse momento, o celular de Jillian começou a tocar de novo. Na tela, a foto de seu irmão mais velho, Benjamin, usando um chapéu de palha e segurando uma corda de laço, brilhava.

Jillian atendeu no viva-voz, desesperada por uma voz de bom senso.

— Ben, graças a Deus...

— Jillian Mae West! — a voz do irmão ecoou grave e arrastada pelo quarto do hotel, competindo com o barulho de um motor de trator ao fundo. — Que diabos está acontecendo aí na Geórgia? Eu acabei de entrar no grupo dos criadores de gado e o velho Chad mandou um link dizendo que você deu o chapéu que o vovô te deu para um rapaz coreano no meio de um estádio!

— Ben, foi uma troca! Ele me deu a camisa dele! — Jillian tentou se defender, enquanto Maya e Cami se contorciam de rir no chão.

— A camisa dele? Jill, o Dallas, que joga futebol na liga da escola, quase teve um treco quando viu o vídeo. Ele disse que aquela camisa vale mais que a nossa caminhonete nova! O pai quer saber se o rapaz vem passar o Dia de Ação de Graças aqui para ajudar na colheita ou se ele só vai ficar usando o seu Stetson por aí.

— Ben, desliga! — Jillian gritou, o rosto ardendo de vergonha, e encerrou a chamada, jogando-se de cama.

Maya se ajoelhou ao lado dela, seus olhos brilhando de pura diversão maliciosa.

— Amiga, aceita. O seu irmão já está planejando o casamento na fazenda. E quer saber do melhor? Domingo nós vamos para o camarote VIP. Você vai usar aquela camisa 7 como se fosse um vestido de alta costura, e nós duas vamos dar tchauzinho para as câmeras. Se o Son Heung-min quer uma cowgirl, ele vai ter a melhor do Texas.

Jillian olhou para o teto, o coração ainda batendo a mil por hora, mas um sorriso inevitável começou a desenhar no seu rosto. A loucura estava feita.


⚽🏆


O domingo da grande final da Copa do Mundo amanheceu em Atlanta, e para Jillian, a ficha de que ela estava prestes a presenciar a história passar diante de seus olhos e que, de alguma forma boba, ela fazia parte dos bastidores daquilo, ainda se recusava a cair totalmente.

O quarto de hotel parecia o camarim de uma turnê. Maya estava sentada no chão, cercada por três paletas de sombra diferentes, tentando acertar o delineado perfeito, enquanto Cami andava de um lado para o outro com um babyliss na mão, cantarolando uma música do Scotty McCreery que tocava na playlist do seu celular conectada ao som do quarto.

No centro de tudo, Jillian encarava o espelho de corpo inteiro.

Ela estava usando um par de shorts jeans de cintura alta, suas botas de couro de cano longo, com costuras intrincadas que ela mesma tinha limpado na noite anterior e, por cima de tudo, a camisa vermelha número 7 da Coreia do Sul. O tecido tecnológico da FIFA tinha um caimento diferente; era a camisa oficial que Heung-min havia usado no jogo de quarta-feira. Como ele era um atleta esguio e alto, a camisa ficava levemente folgada nela, o comprimento cobrindo parte dos shorts, exalando um estilo despojado que Cami jurava ser a coisa mais estilosa que já tinha visto.

— Jill, sério... você está um absurdo de linda — Cami parou com o babyliss no ar para admirá-la. — Essa camisa com essas botas... é o puro suco do charme country-chic encontrando o futebol global. Se as câmeras te pegarem hoje, a internet quebra de vez.

Jillian suspirou.

— Eu só me sinto estranha sem o meu chapéu — ela confessou, levando a mão à cabeça por puro reflexo, tocando apenas nos fios loiros que Maya tinha texturizado com spray. — Parece que esqueci de colocar as calças. É como se eu estivesse desprotegida.

— Considere que o seu chapéu está protegendo a cabeça mais valiosa da Coreia do Sul hoje — Maya brincou, levantando-se. — E falando no seu chapéu... você viu o vídeo do desembarque do time no estádio que saiu há dez minutos?

Jillian nem precisou responder. Maya já estava esticando o celular.

O vídeo mostrava a chegada oficial do ônibus da seleção coreana ao Mercedes-Benz Stadium. Os jogadores desciam de terno escuro, impecáveis, cercados por dezenas de fotógrafos. Mas quando o capitão apareceu na porta do veículo, a horda de repórteres disparou os flashes duas vezes mais rápido. Heung-min estava de terno, com a mala de viagem na mão direita, e na cabeça o Stetson dela. Ele não o tinha deixado no hotel. Ele fez questão de entrar no estádio da final da Copa do Mundo usando o chapéu de uma fazendeira do Texas. Na imagem, ele dava um meio sorriso para a câmera e ajeitava a aba com aquela arrogância charmosa que só os grandes craques têm.

— Ele não tem juízo nenhum — ela sussurrou, sentindo uma risada boba escapar junto com um frio na barriga que já estava virando seu companheiro constante.

— Ele sabe exatamente o que está fazendo, Jill — Cami comentou, piscando para ela. — Agora vamos, porque o nosso Uber VIP está chegando e eu não pretendo perder um segundo do all incluse daquele camarote.

Se o clima nos arredores do estádio na quarta-feira já parecia insano, o domingo da final era uma dimensão completamente diferente. Havia barreiras policiais a quilômetros de distância. O mar de torcedores era composto por uma mistura massiva de argentinos, os adversários da Coreia, vestindo branco e azul carregando latinhas de cerveja, e o bloco vermelho e vibrante dos sul-coreanos, que pareciam ter se multiplicado por dez.

Quando o carro parou na entrada exclusiva para convidados da FIFA, Jillian sentiu o poder do privilégio. O segurança na barreira, um homem enorme com um terno preto e um ponto eletrônico no ouvido, pegou os documentos delas. Assim que ele leu o nome de Jillian na lista, ele abaixou a prancheta e abriu um sorriso de lado.

— Ah, a senhorita West. O capitão deixou ordens expressas. Por aqui, por favor. As credenciais de vocês são de acesso livre ao lounge dos atletas pós-jogo.

Maya soltou um som de engasgo, e Cami teve que se apoiar no ombro de Jillian para não perder o equilíbrio.

— Credenciais de acesso livre ao lounge dos atletas? — Maya sibilou enquanto caminhavam pelos corredores acarpetados e silenciosos do setor VIP, longe do barulho da multidão. — Jill, se você não casar com esse homem, eu mesma me mudo para Seul e me ofereço para o cargo de esposa.

Cami concordou freneticamente.

— Parem com isso, vocês duas — ela pediu, embora suas próprias mãos estivessem úmidas de nervoso. — É só uma cortesia. Ele é um cara legal.

O camarote VIP da FIFA era algo saído de um filme sobre bilionários. Paredes de vidro do chão ao teto davam uma visão panorâmica e perfeita de todo o estádio. Garçons serviam champanhe em taças de cristal e havia estações de comida que iam de sushi fresco a pequenas porções de costela de boi defumada, acompanhadas de molho barbecue — uma clara homenagem ao paladar texano.

Jillian caminhou até a sacada de vidro, apoiando as mãos no parapeito. O gramado parecia um tapete perfeito sob as luzes da arena. Faltava pouco mais de uma hora para o jogo, e os times estavam prestes a entrar para o aquecimento. Quando os alto-falantes anunciaram os jogadores, a torcida coreana, que ocupava mais da metade do estádio, soltou um rugido que fez o vidro do camarote vibrar.

Ela deu um passo à frente, os olhos fixos no túnel de acesso. Os jogadores coreanos entraram correndo em fila, usando os coletes de treino. Son estava na liderança, como sempre. Ele correu para o centro do gramado, aplaudindo em direção às arquibancadas para saudar o público. Jill achou que, no meio de setenta mil pessoas e estando tão alto no camarote, seria impossível qualquer contato. Mas ela havia subestimado a visão de um atacante de elite.

Após dar duas voltas leves para destravar as pernas, Son parou no meio do campo, colocou as mãos nos quadris e ergueu os olhos diretamente para o setor dos camarotes VIP da FIFA. Ele sabia exatamente qual era o quadrante destinado às famílias e convidados especiais. Jillian estava bem na beira do vidro, com a camisa 7 vermelha se destacando contra o fundo meio escuro do camarote.

Lá embaixo, o jogador pareceu congelar por um segundo. Mesmo à distância, Jillian viu o momento exato em que ele a identificou. Ele não usava o Stetson no campo, claro, mas levou a mão direita à cabeça, imitando o gesto de tirar um chapéu invisível e fazer uma reverência profunda e dramática na direção dela.

— Meu Deus, as câmeras do estádio pegaram isso? — Maya perguntou, olhando desesperada para o telão central.

Não tinham pegado — a transmissão oficial estava focada no goleiro argentino —, mas para Jillian, aquilo não importava. Aquele pequeno teatro particular no meio do maior palco do esporte mundial era mais do que suficiente. Ela ergueu a mão, acenando de volta com um sorriso enorme, sentindo a adrenalina do jogo começar a invadi-la antes mesmo do apito inicial.

Son deu uma última piscada em direção ao camarote, virou-se de costas e chutou uma bola com força na direção do gol, pronto para a partida mais importante da sua vida.

Se a semifinal contra a França tinha sido tensa, a final contra a Argentina era uma guerra com literalmente muita pancadaria, porque os “hermanos” não eram só precisos em chutar para golear, mas também em chutar canelas, pisar em panturrilhas, e cavar faltas, além de tocar na bola e trocar passes com uma velocidade assustadora. A Coreia do Sul, por outro lado, jogava com o coração na ponta das chuteiras e de forma limpa, defendendo com tudo o que tinha e apostando na velocidade explosiva de Son nos contra-ataques. Eles também não estavam para brincadeira.

Aos trinta minutos do primeiro tempo, a Argentina abriu o placar. Um chute rasteiro, indefensável no canto esquerdo. O camarote VIP mergulhou em um silêncio tenso, exceto por alguns executivos latinos que comemoraram discretamente.

Jillian sentiu um aperto no peito. Ela olhou para o campo e viu Son caminhando até o círculo central para reiniciar o jogo. Ele estava sério, batendo palmas e gritando com os companheiros de equipe, recusando-se a deixar o ritmo cair.

O empate veio logo no início do segundo tempo, em uma jogada confusa de escanteio onde a bola sobrou para o volante coreano chutar de bica para o gol. O estádio quase rachou ao meio com o grito da torcida. No camarote, Jill, Maya e Cami pularam juntas, derramando um pouco de refrigerante no carpete, abraçadas como se fossem amigas de infância de todo o elenco sul-coreano.

O relógio corria irredutível. 80 minutos. 85 minutos. 89 minutos.

O fantasma da prorrogação pairava sobre o estádio. Os jogadores de ambos os times mostravam sinais claros de exaustão extrema, inclusive o camisa 10 argentino. Heung-min mal conseguia andar quando a bola saía pela lateral, mas bastava ela entrar em jogo para ele recuperar sua energia sobrenatural.

Aos 92 minutos, no último lance dos acréscimos, o destino resolveu intervir.

O meia argentino errou um passe curto no campo de ataque da Coreia. O zagueiro coreano recuperou a bola e, sem olhar, deu um chutão para frente, isolando a bola em direção ao campo adversário. Era a última jogada.

Heung-min, que parecia não ter mais nenhuma gota de energia no corpo, arrancou no meio de campo como um leopardo. Ele deixou dois defensores argentinos para trás na base do puro desejo e da força de vontade. A bola quicou duas vezes na entrada da área argentina. O goleiro adversário saiu desesperado, tentando fechar o ângulo.

No camarote, Jillian estava com as duas mãos coladas no vidro, os olhos arregalados, o coração parecendo parar de bater.

— Meu Deus. Vai... por favor, vai... — ela sussurrou com a voz sumindo na garganta.

Com um toque sutil e genial de bico de chuteira, Son deu um lençol leve sobre o goleiro. A bola viajou em uma parábola lenta, quase agonizante, enquanto o estádio inteiro prendia a respiração.

Ela tocou a grama e rolou mansa para dentro das redes vazias.

Gol. Coreia do Sul 2 x Argentina 1.

O apito final veio logo em seguida, engolido pelo maior estrondo humano que Atlanta já havia testemunhado: A Coreia do Sul era campeã do mundo.


⚽🏆


Duas horas depois, a cerimônia de premiação já tinha acontecido regada a muito choro de felicidade, os confetes dourados cobriam o gramado vazio e o estádio começava a esvaziar de forma lenta. No entanto, nos corredores internos do setor dos vestiários, o movimento ainda era frenético.

Jillian, Cami e Maya caminhavam escoltadas pelo mesmo segurança de terno de mais cedo. Jill segurava a bolsa com força, sentindo uma mistura de timidez extrema e empolgação. O corredor estava cheio de jornalistas internacionais, autoridades da FIFA e familiares de jogadores.

Quando as portas do lounge VIP dos atletas se abriram, o ambiente era de pura festa. Música pop coreana tocava ao fundo, jogadores bebiam champanhe com as medalhas de ouro brilhando no peito e riam alto.

Perto de uma das mesas de centro, cercado por alguns dirigentes, estava o homem da noite. Son já havia tomado banho, usava uma calça de moletom preta da seleção e uma camiseta branca simples. A medalha de ouro reluzia contra seu peito. E, ao lado dele na mesa, repousava o Stetson dela.

Assim que ele olhou para a porta e viu o trio de garotas americanas entrando, ele abriu o maior sorriso que Jillian já tinha visto na vida. Ele pediu licença aos dirigentes com um aceno rápido e caminhou na direção delas.

Maya e Cami deram um passo sincronizado para trás, deixando Jillian na frente, fingindo uma súbita e intensa fascinação pelos quadros decorativos na parede do lounge.

— Você conseguiu — Son disse, parando a pouco menos de um metro dela. Os olhos dele brilhavam de cansaço, mas havia uma energia vitoriosa impressionante ao redor dele. — E veio usando a minha camisa. Ficou bem melhor em você do que em mim, admito.

Jillian sentiu as bochechas corarem, mas sustentou o olhar dele com um sorriso divertido.

— Eu cumpro as minhas promessas, Capitão. E pelo que eu vi lá embaixo, o meu chapéu realmente faz milagres. Aquele último gol foi um absurdo.

Son soltou uma risada baixa e olhou para trás, pegando o Stetson da mesa. Ele caminhou de volta até ela e, com uma delicadeza que contrastava com a agressividade que ele tinha mostrado em campo há duas horas, colocou o chapéu de volta na cabeça dela, ajustando a aba milimetricamente para cima, deixando os olhos azuis dela visíveis.

— Promessa é promessa — ele disse num tom mais baixo, apenas para ela ouvir por cima da música do lounge. — Entregue de volta a legítima dona. Com um bônus de campeão do mundo.

Jillian tocou a aba do feltro familiar, sentindo o calor do tecido, e depois olhou para a medalha de ouro no peito dele.

— E o que o campeão do mundo faz agora que o torneio acabou? — ela perguntou, com uma pitada de audácia que fez o sorriso dele aumentar.

Son inclinou o corpo levemente na direção dela.

— Bom... o campeão do mundo está morrendo de fome. E eu ouvi falar que tem um lugar incrível em Atlanta que serve os melhores nachos da Geórgia. Você aceitaria ir comigo até lá? Prometo que, dessa vez, eu não vou ficar fazendo gracinhas do campo. Só se você me pedir muito.

Jillian deu uma risada leve, ajeitando a camisa no corpo e olhando para o capitão que tinha o mundo aos seus pés, mas que só queria comer um lanche com a garota do Texas.

— Só se você prometer usar o chapéu até lá, Heung-min — ela rebateu, estendendo a mão para ele.

— Negócio fechado, Stetson Girl — ele respondeu, envolvendo a mão dela com a sua.

Antes de realmente saírem, Son cumprimentou suas novas amigas, agradecendo muito pela ajuda delas em levar Jill até ele.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.