Notas iniciais
Olá, espero que gostem desse capitulo, eu me emocionei ao escreve-lo pois a historia do meu personagem "Math" tem um pouco de mim, enfim. Salve para meus amigos do #Velha_Guarda

A única coisa que Math sabia era que havia alguém atrás dele e que ele morreria se não parasse de correr. Ele não sabia como fora parar em uma floresta ou ao menos o porquê estava sendo caçado. "Como cego em tiroteio", a mãe dele diria se estivesse ali. Mas ela não estava ali, não havia ninguém naquela floresta a não ser ele e a "coisa".

A camisa de Math estava empapada de suor, e sua perna estava começando a ficar dolorida devido aos esforços físicos de tanto correr, porém toda vez que sua perna latejava ele ignorava a dor e continuava correndo e em sua mente ele dizia o que seria seu lema naquele momento: “Correr para viver”.

Correr naquela floresta era uma missão impossível, a mata era fechada e havia árvores quebradas no chão, e muitas vezes os galhos das arvores se enroscavam em suas roupas o arranhando e o fazendo tropeçar. A cada passo corrido, o medo de cair e ser alcançado o envolvia como um cobertor. Math tentava não pensar naquilo. Não queria cair. Não queria morrer. Pulou um tronco quebrado que atrapalhava seu caminho e continuou correndo. Sua mente de segundo a segundo tentava reviver os momentos anteriores aquilo, mas não conseguia, sua mente estava fechada para o passado, o presente era o que importava ali. Desviou de uma arvore, e parou de correr se encostando em uma arvore, o silencio tomou o ar naquele momento, o coração dele estava muito acelerado e sua testa suava, ele olhou para trás, estava calmo ao seu redor, as arvores se mexiam apenas com o vento. Porem ele não queria ficar ali para ter certeza de que era apenas o vento balançando as arvores, virou-se para voltar a correr, mas não foi muito longe. Seus pés deslizaram sobre o lodo no chão e ele caiu, e rodou varias vezes pela estrada íngreme que seguia até um pequeno riacho que estava verde de tanto lodo que havia em sua superfície. "É o fim". Ele pensou. Seu corpo bateu em algo molhado e ele afundou em direção ao fundo do rio. Abriu os olhos, queria ver alguma coisa antes de morrer, a água estava muito suja, mas ele conseguiu ver vários rostos com vários formatos e de varias cores boiando ao redor e olhando fixamente para ele em meio à água suja. Os rostos variavam de cores e tamanhos, alguns eram brancos, outros eram negros, com nariz empinado, com nariz achatado, mas havia algo em comum entre todos aqueles rostos, todos usavam a mesma camisa com o emblema de uma águia olhando para o céu no peito. Eram estudantes. Math se encolheu o Maximo que pode sem tirar os olhos dos rostos que o cercavam, o medo invadiu seu corpo mais uma vez, a certeza de que morreria ali era grande e pavorosa. Os estudantes olhavam para ele com um ar serio.

– Por favor, não... — Ele começou a dizer, mas parou, seu ar havia se esvaziado de seu corpo com a vã tentativa que ele teve de falar.

Iria morrer afogado. Os estudantes que antes estavam sérios agora riam e diziam "Chorão" em um coro ensurdecedor. Math começou a chorar enquanto os rostos desapareciam juntamente com a vida dele.

Math acordou, seu rosto estava comprimido sobre uma mesa de madeira, papeis estavam espalhados por toda a mesa e alguns haviam caído ao chão. Ele se levantou e olhou para os papeis, entre todos eles havia um em especial, ele o pegou entre as mãos o papel estava velho e rasgado e as letras estavam desbotadas pela água.

Math havia tentado vagamente reconstruir seu projeto, virara já duas noites em vão. O projeto sobre depressão em que Math ficara dias trabalhando fora destruído na tentativa de ele entregar a alguém que visse seu projeto. Ele encarou o papel destruído por um momento e deixou sua mente viajar por aquilo que ele poderia ter conseguido carros, mulheres, respeito, vingança. Ele amassou o papel em uma bola e jogou no lixo. Talvez aquilo não valesse nada, pois se ele tivesse aquilo seria comparado ao Rick. Fechou os olhos e se concentrou em esquecer aquilo, e ficou ali parado por um bom tempo, sua mente viajando em flashes do que ouvira aquele de passeio. O dia em que seus sonhos foram molhados em uma fonte. “Ficou a noite toda trabalhando nesse lixo”. Ele olhou para o frasco com conteúdo azul que estava em cima de sua cama. O que era aquilo?. Ele foi em direção a sua cama e pegou o frasco, a substancia azul brilhava como substancia de uma lanterna. Ele destampou o frasco, levou ao nariz para sentir a fragrância, amora, aquilo era como maconha para um viciado em reabilitação para Math, ele queria experimentar o gosto, mas tinha medo das consequências, poderia ser veneno ou algo do tipo. Ele tampou o frasco, foi em direção à mesa e o colocou lá. Covarde. Ele disse para si mesmo enquanto vestia uma camisa para beber água.

Math desceu as escadas de dois em dois degraus, sabia que sua mãe havia bebido aquela noite enquanto esperava Tom voltar para casa, não queria falar com ela. Desde pequeno Math fora amaldiçoado pela mãe, pois fora por ele que ela teve de deixar o lar com os pais e tudo que os pais prometiam que iria ficar de herança para ela foi dada a irmã, desde então a mãe o culpava pelas desgraças da vida dela, como quando uma conta chegou atrasada e ela ficou durante horas dizendo como Math era um imprestável, ou quando o programa de TV favorito dela fora cancelado e ela batera em Math dizendo que aquilo era culpa dele ter nascido, ou quando ela descobrira que Tom a estava traindo e ela disse que aquilo era culpa de Math estar atrapalhando a vida dela. Ele sempre se sentiu triste por isso, por varias vezes ele pensara na calada da noite em fugir e nunca mais voltar, mas quando isso o ocorria ele se perguntava “Pra onde eu vou?”, não tenho casa, não tenho lugar, então ele desistia de fugir, se trancava em seu quarto e chorava até adormecer, já pensara em se matar varias vezes, já até bolara planos para isso: Se cortar, amarrar uma corda em seu pescoço, pular de um prédio e tomar veneno, eram divididos em vários tópicos, mas ele nunca fizera, talvez porque fosse covarde demais, ou talvez porque ainda tinha esperança de que um dia tudo iria mudar e ele iria viver feliz em algum lugar. Porem aquilo estava tão perto dele como a possibilidade de apanhar fumaça com as mãos.

Math pegou uma garrafa de água da geladeira e começou a beber, o liquido transparente descendo pela garganta e refrescando seu corpo inteiro, a sensação era maravilhosa.

– Tom? – Uma voz feminina veio de trás dele. Ele se virou para ver quem era e se deparou com uma mulher loira, mas com cabelos já meio brancos devido ao tempo e com seu semblante estava alterado devido às doses de álcool que ela havia tomado àquela noite. Math encarou sua mãe com um suspiro. — Ah! E você.

– Sim, sou eu. — Ele fechou a geladeira e começou a ir em direção as escadas.

– Não vire as costas para mim seu inútil. — Math parou em frente às escadas e virou-se para mãe.

– Deseja alguma coisa? — Ele disse amargamente.

– Não desejo nada, mas quero que desapareça da minha vida.

– Você acabou de me mandar ficar.

– Não, eu mandei você não virar as costas para mim, não gosto de ser rejeitada.

– Ok então, eu irei subir a escada olhando para você, tá bem? — ele então começou a subir de costas a escadas.

– Espere, antes limpe o chão. — Math olhou para o chão de pisos brancos da cozinha.

– O chão não está sujo. — Ela olhou para o chão e viu que realmente estava limpo.

– Realmente, o chão está limpo. — Então ela lançou o copo com cerveja ao chão. — Agora está sujo. Limpe.

Math cerrou os dentes enquanto observava o liquido amarelado se espalhar pelo chão junto com os cacos de vidro, sua mãe havia se sentado novamente na cadeira e olhava a porta da cozinha com ansiedade. Math colocou a garrafa de água que segurava na mesa e pegou um pano, se ajoelhou no chão tomando cuidado com os cacos de vidro espalhados e começou a limpar, esfregava o chão com amargura enquanto secava a cerveja espalhada e juntava os cacos de vidro.

– Já passa da uma da manhã, aonde deve estar Tom? — Sua mãe disse. Math se levantou do chão e foi em direção à pequena cesta de lixo que ficava em cima da pia. — Tomara que esteja seguro.

– Sim ele está seguro, na cama de alguma outra mulher por ai — Math cochichou baixinho com sigo mesmo.

– Disse alguma coisa? — A mãe dele disse enquanto se levantava da cadeira com raiva.

– Não disse nada. — Ele mentiu.

– Sim, você disse. Não minta para mim Math, você acha que Tom está com alguma mulher por ai.

– Eu não disse nada. — Math começou a se encolher o máximo que pode na pia, mas não conseguiu se livrar quando a mão de sua mãe se fechou em seu pescoço.

– A próxima... Vez que disser... Que Tom está me traindo... Eu... Vou... Matar... Você. — Ela disse com os dentes cerrados batendo a cabeça de Math na parede a cada pausa, então o encarando com um olhar frio o soltou.

– Talvez eu me mate antes. — Math disse enquanto com as duas mão massageava o seu pescoço e a sua nuca.

– Você, Você e covarde demais para tentar qualquer coisa Math. Ainda me pergunto o que houve quando você nasceu. Um covarde. Eu criei um covarde inútil. — Math sentiu que as lagrimas iriam começar a descer, não queria que sua mãe o visse chorar então por isso começou a andar para as escadas o mais rápido que podia. — Isso, fuja e viva sozinho, seu inútil.

Math ao chegar ao seu quarto bateu a porta e a trancou. Deitou de bruços em sua cama enquanto as lagrimas corriam por seu rosto. Morrer. Era o que ele queria naquele momento. Mas como a mãe dele disse para ele "ele era covarde". Como ele queria ser corajoso para se matar e ir embora para sempre. Ele não ligava se alguém não fosse sentir falta dele, pelo menos ele estaria longe o suficiente para que ninguém olhasse para ele e visse a desgraça que ele era.

Math se levantou e pegou seu notebook embaixo de sua cama. Estava empoeirado pelo tempo em que estava sem necessidade de ser usado. Ele apertou o botão de ligar e esperou enquanto o notebook ligava. Precisava mandar uma mensagem para alguém, precisava contar o que sentia. Quando o notebook ligou ele abriu o navegador e começou a procurar sites com o tema "O que fazer quando Família e amigos te odeiam". Vários sites eram de psicólogos famosos, mas apenas um chamou a sua atenção, era um site simples com vários relatos em anônimo de pessoas que sofreram bullying e se encontravam ali para procurar ajuda. Então ele começou a ler um a um os relatos das pessoas que escreveram a maioria das pessoas ali escreviam contando que o bullying que elas sofriam eram verbal e as magoava profundamente. Mas dentre esses vários relatos anônimos apenas um chamou a sua atenção:

“Olá! Eu sou Lorena e estou aqui para falar de um caso de bullying. Falando de um colega meu que todas dizem que ele é gay. Todos os dias os garotos da minha rua abusam ele de várias coisas horríveis. Por exemplo: “frango”, “boiola”, “fresco”, “gay”, “dorme na caixa” e várias outras coisas. Ele fica tão triste que às vezes ele chorava. Um dia ele vinha andando e as meninas fizeram um corredor e quando ele passou as garotas deram nele. Ele com medo pediu a mãe dele para nunca mais ir à escola e nem sair de casa. Ele ficou tão traumatizado que ele e sua família se mudaram. Seu nome era Tel.”.

Math leu aquele relato com amargura e começou a pensar em como Tel se sentia. E em como ele fora corajoso ao contar seu caso para o mundo, então ele decidiu que deveria ser igual ao Tel, deveria contar ao mundo. Clicou em cima de um quadrado que dizia “Conte sua historia, talvez possamos te ajudar.” E começou a digitar.

" Oi, meu nome e Math S. Martin, eu sofro bullying."

Ele analisou a primeira linha, respirou fundo e lentamente letra por letra ele digitou o texto mais triste de sua vida.

“Desde pequeno minha vida era uma droga, nasci em um lar em que minha mãe quer apenas ver minha morte, mas eu não me importava com aquilo, pois sentia dentro de mim que ela me amava. Não sei se estou certo, não sei se estou errado. Talvez nunca descubra, mas isso não e a questão, a questão e que quando eu mudei para o colégio Saint' Bullets minha vida fora virada de cabeça para baixo. Literalmente. Já fui jogado em uma lata de lixo, já me espancaram até eu desmaiar, já cuspiram em meu rosto. E isso só me deixava cada vez mais para baixo. Mas havia algo que me impedia de me matar. Meus sonhos. Mas até isso eles destruíram, corroeram minha vida a tal ponto em que eu não consigo mais sonhar. Preciso de ajuda, mas não falarei com meus pais, eles vão rir de mim e me chamar de covarde. Não escrevo isso para comover ninguém, mas se você está lendo e quer me ajudar, entre em contato o mais rápido possível.".

Math colocou seu telefone nas ultimas linhas do seu post, e percebeu que estava chorando, nunca fizera aquilo, tinha medo daquilo ser mais um motivo para pegarem em seu pé. Ele fechou o Notebook e deitou-se na sua cama, em sua mente a esperança de que alguém ouvisse sua voz e seu coração gritando por socorro enquanto lentamente lá fora a chuva começava a cair, gota a gota, Math adormeceu.

Notas finais
Bullying e um assunto muito triste se você já sofreu Bullying deixe sua historia nos comentarios, e não se esqueça de dizer o que achou do capitulo.... Obrigado desde já... :) :* #No_Bullying