CADIMUS: Mutação
6 Rixon – O culpado Inocente
Notas iniciais
Rixon estava em sua sala, seu rosto estava entre suas mãos para esconder a preocupação que sentia. Jhoana havia morrido, mas não era isso que preocupava a Rixon, a imagem perfeitamente desenhada com o símbolo da Cadimus e a frase “Cadimus eu sei o que você é”, eram o motivo dele ter saído do meio de todos, e faltado a reunião de funcionários da Cadimus para estar em seu escritório pensando.
Em sua mente, rostos de funcionários da Cadimus voavam e brincavam fazendo círculos, e nenhum deles pareciam a Rixon culpado, ou mesmo capazes de fazer tal atrocidade.
Rixon levantou-se, o tic-tac do relógio de parede do seu escritório ecoava alto em seu ouvido. Ele parou em frente a sua estante coberta de livros, e puxou devagar um livro com a lombada verde e com letras douradas em alto relevo. Uma portinha se abriu no canto da sala, revelando uma prateleira feita de vidro, na qual havia vários frascos de bebidas, alguns livros juntamente com antigas experiências que foram secretadas e passadas a Rixon no dia da morte de Tessa Jenks a antiga líder do projeto Cadimus.
Rixon sorriu. E isso era algo incomum dele (Rixon não sorria mais de um mês, desde sua antiga discussão com o presidente da Cadimus). Mas havia algo naquela prateleira que o fazia sorrir. Rixon foi até a prateleira e encheu um copo de conhaque, colocou na boca, fechou os olhos e deixou as lembranças o invadirem por completo.
Um pequeno garoto corria na rua. Ele era negro, magrela e com olhos muitos castanhos. Ele estava descalço e suas roupas eram muito gastas. Mas ele sorria, seu sorriso era o seu ponto forte os vizinhos chamavam seu sorriso de “Diamante”, pois era um sorriso puro e brilhante. O garoto corria atrás de um carrinho vermelho comprando em segunda mão pelos seus pais. “Não é um presente muito bom, mas é aquilo que podemos comprar”. Eles disseram ao entregar o carrinho ao menino, o menino por sua vez com lagrimas de alegria em seus olhos e um sorriso muito branco disse: “É perfeito”.
Rixon mirou um espelho que estava na estante. O espelho refletiu um homem negro com olhos muito castanhos, não era mais magrelo como antigamente, os músculos em seu corpo haviam ficado grandes e esculpidos, não sorria mais como antigamente, desde quando virara adulto seu sorriso havia ficado mais difícil de aparecer, e a maioria das vezes em que aparecia ele era frio e falso. Rixon abaixou a gola de seu paletó, em seu pescoço uma tatuagem de uma ampulheta velha com duas cobras se enroscando nela chegava a brilhar. A tatuagem que foi obrigado a aderir quando entrou na Cadimus era sua maior alegria. Para muitos aquela tatuagem significava submissão. Mas para Rixon aquela tatuagem significava alegria, trabalho duro, e esforço. Rixon admirou aquela tatuagem com tanto fervor, que nem percebeu o barulho da porta se abrindo, enquanto Mark entrava.
– É uma bela tatuagem, mas se eu fosse o assassino da Cadimus você estaria morto agora. – Mark disse, fazendo com que Rixon corasse enquanto arrumava a gola de seu paletó.
– Não deveria estar na reunião? – Rixon disse com uma antipatia na voz. Quando falava daquele jeito todos saiam de perto dele, mas Mark era diferente. Mark foi a primeira pessoa que Rixon conheceu quando entrou na Cadimus. Ainda continuava o mesmo depois de vários anos, loiro com olhos azuis e uma boca vermelha como sangue, Mark estava mais para modelo como para medico. Mark em meio a muitos na Cadimus foi o único que viu o Rixon alegre e feliz se tornar o Rixon dos dias atuais.
– Acho que isso sou eu que devo perguntar. – Mark disse. Porém Rixon não respondeu. – A reunião acabou se você quer saber, acho que deveria ter ido Rixon, falaram coisas muito interessantes sobre ti.
– Sobre mim? – Rixon perguntou, e já sabia que não era coisa boa. Ele sabia o que falavam pelas costas dele na Cadimus.
– Sim. Algumas pessoas acham que foi você que matou Jhoana na noite passada.
– Normal. Aposto que até você falou mal de mim.
– Errou, eu defendi você. — Aquilo pegou Rixon de surpresa, porém Mark não percebeu. Com o tempo Rixon aprendera a não se surpreender com as coisas.
– Me defendeu? Por quê?
– Te defendi, porque ainda acho que o Rixon de antigamente tá vivo e tenho esperança que ele volte. E também porque sei que você não mataria a Jhoana. – Mark disse, mas antes que Rixon pudesse dizer um “Ok”, ele completou. – Ou mataria?
– Desconfia de mim Mark. – Rixon disse, sua voz saiu em um tom ameaçador.
– Não. – Mark disse.
– Bom garoto. – Rixon disse – Mas alguma coisa que queira me contar?
– A elite quer fazer uma reunião as 15:00, e nosso querido presidente Will estará voltando o mais rápido possível de sua viagem.
– Aquele velho parece que nunca morre.
– Não, e nem o tempo, são quase 15:00 vamos logo para sala de reuniões.
– Vamos.
Rixon colocou o livro verde de volta na estante e o armário de vidro se fechou, e juntamente com Mark ele foi para a sala de reuniões.
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A sala de reuniões era grande, havia uma mesa feita com madeira preta, quando Rixon e Mark chegaram Jade, Daniel e Alice estavam sentados na mesa, eles conversavam entre si, mas ao verem Rixon seus rostos ficaram sérios e tensos. Mark tomou seu lugar na mesa, Rixon sentou-se na ponta e começou a falar.
– Não entendo o motivo dessa reunião. – Ele começou a dizer e todos ficaram calados, a sala ficou tão quieta que era possível ouvir o barulho das engrenagens do ar-condicionado.
– Rixon, como sabe houve um assassinato – Jade começou a dizer. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. – E uma mensagem foi deixada para todos da Cadimus. Sabemos que você sabe o que é, queremos que nos conte.
– Marcaram a reunião por que acham que sou o assassino, entendi.
– Não achamos que você e o assassino. – Daniel disse. – Mas sabemos que você conhece a Cadimus mais do que o próprio Will. Se sabe de alguma coisa e melhor contar.
– E se eu não quiser?.
– Então iremos votar por um novo presidente da elite. – Jade disse. Rixon ficou perplexo, abriu a boca para resmungar mas foi interrompido por Daniel.
– Então sabe de alguma coisa. – Daniel disse.
– Não sei de nada Daniel, a morte de Jhoana foi um choque para mim também.
– Não acreditamos em você. – Jade disse.
– O que disse? – Rixon perguntou com um tom ameaçador.
– Eu disse que não acreditamos em você. – Pela primeira vez Rixon foi confrontado, Não sabia de onde Jade havia arranjado tanta coragem. Mas não tinha palavras para perguntar. – Vamos então a votação. E meu voto já e não. Não quero um assassino na liderança da elite.
Rixon sentiu sua garganta apertar. Olhou para Mark e Alice, os únicos que sabiam dos segredos e dos projetos.
– Estou contigo Jade, meu voto também e não. – Daniel disse.
– Meu voto é sim. – Mark disse, Jade e Daniel olharam para ele perplexo.
– Amizade não conta aqui Mark. – Daniel começou a dizer.
– Não e pela amizade. Rixon sempre foi um bom líder, e eu me recuso a acreditar de que foi ele que matou a Jhoana. – Mark disse olhando fixamente para Daniel.
– Entendo. Alice, qual e seu voto? – Jade disse.
Todos encararam Alice, por um momento Rixon viu seus investimentos desmoronando. Mas foi por pouco tempo.
– Meu voto e sim, e creio que o do Rixon também seja sim. – Ela disse e encarou uma Jade que se enrubescia de raiva.
– O.k. – Ela disse – Reunião...
– Creio que ainda sou eu que digo isso Jade. – Rixon a interrompeu. Jade o encarou com a boca aberta. – Reunião terminada.
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Rixon caminhava pelos corredores da Cadimus, sua mente que antes estava focada na morte de Jhoana agora estava focada na reunião que acabara de acontecer. Jade e Daniel o confrontaram não demoraria muito para que ele perdesse seu cargo.
Uma porta se abriu, a sua frente e a medica Gabriela saiu dela.
– Boa noite Rixon. – Ela disse com tom de medo.
– Boa noite. – Rixon respondeu e ficou parado no corredor. Gabriela o encarou, abaixou a cabeça e foi embora. Rixon olhou a porta branca em que ela havia saído. O número 213 estava brilhando na porta, como se fosse um convite para que ele entrasse. Rixon colocou a mão na porta e a abriu.
O quarto era como qualquer um da Cadimus, com paredes brancas, com uma televisão que era segurada por ferros nas paredes, um criado-mudo branco com um abajur e um vaso para plantas, ao lado de uma grande cama, o aparelho que era usado para medir os batimentos cardíacos estava ligado, e havia uma poltrona branca com uma prancheta ao lado da cama. Rixon foi em direção a prancheta. Não olhou o que o paciente tinha apenas o nome “Erick Thompson”. Rixon olhou para o garoto. Ele aparentava não ter mais que 19 anos, estava dormindo, tinha uma barba rala e um cabelo muito preto.
Rixon pegou seu celular, digitou o número de Mark, quando ele atendeu disse.
– Mark, venha para o quarto 213, temos um novo paciente.
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