C a i r o
2 I
Good Samaritan, Los Angeles
Eu estava completamente nervosa e sozinha. Eu não conseguia acreditar que teria que decidir sobre a vida de alguém sem sequer poder consultá-la e não tinha muitas opções e eu ainda nem sabia o que eu realmente queria e se aquilo seria tão ruim como estava aparentando ou se realmente seria uma dádiva de Deus, como minha avó Elizabeth costumava dizer.
"Eles são lindos, não é ?", alguém murmura ao meu lado. Esse alguém, era um médico. E, cheguei a essa conclusão apenas por olhar seu jaleco e como ele anotava algumas coisas em uma prancheta azul-marinho transparente. Ele não estava me olhando, então eu me dei ao luxo de virar um pouco o meu rosto e analisa-lo. Ele parecia completamente concentrado nos bebês em sua frente e também na prancheta. Seus cabelos eram escuros, seu nariz era redondinho e um pouco arrebitado, seus lábios eram cheios e avermelhados e um pouco escondidos por causa da barba rala.
"Sim.", murmuro. E, em seguida prendo meus cabelos em um rabo de cavalo extremamente desajeitado e agarro a alça da minha bolsa com força, deixando a ponta dos meus dedos brancas.
"Um desses é seu ?", ele questiona, ainda anotando alguma coisa.
Mordo meu lábio inferior. Não, e eu acho que não gostaria de um bebê.
"Na verdade não..", pauso. "Eu posso ficar aqui ?", questiono deixando minha atenção nos bebês.
Ele, finalmente, ergueu seu rosto e virou-se para mim. Ele apertou seus lábios e em seguida curvou as pontas para baixo e deu de ombros logo em seguida. "Bem, se você não vai roubar nenhum bebê.. eu acho que tudo bem.", ele ergue o canto direito de seus lábios em um sorriso torto.
Solto uma risada nasalada e extremamente sem graça. "O que eu menos queria agora era um bebê.", conto. Depois de assumir em voz alta, acabo me sentindo uma pessoa ruim por dizer isso de um bebê sem culpa alguma da minha burrice e em seguida me arrependo por ter dito.
"Ah, então você não gosta de bebês ?", ele questiona. Deixa sua prancheta de lado e vira de frente para mim, seus olhos se encontram com os meus e eu consigo ver um azul esverdeado extremamente intenso e vazio. E, assim que analiso seu jaleco e consigo ver seu nome, Dr. King Cairo Khalil — Médico Pediatra, bordado em azul-marinho.
"Eu gosto de bebês.. eu só, não gostaria de ser mãe no momento.", murmuro dando de ombros em seguida.
Ele limpa a garganta e passa o polegar em seu queixo. "Você tem opções, sabia ?", ele resmunga. Eu afirmo, mostrando os panfletos que a Doutora Walsh havia me entregado mais cedo. Ele segura os mesmos e em seguida analisa-os rapidamente, me devolvendo segundos depois de segurá-los.
"Eu tenho que ir.", murmuro enquanto dou alguns passos para trás. Ele abre os lábios e os fecha rapidamente, e em seguida afirma. Eu apenas dou-lhe um sorrisinho meia boca e dou as costas para o mesmo.
"Ei, não me disse o seu nome !", ele afirma fazendo com que eu pare de caminhar em seguida e vire de frente para ele novamente.
"Mallory.", resmungo apertando meus lábios em um sorriso.
"Cairo.", ele dá de ombros como se dissesse que sabe que eu não perguntei. "Quer tomar um café comigo ?", Cairo pergunta caminhando até ficar ao meu lado.
Lembro-me de Troy e meu corpo inteiro treme. "Adoraria, mas não posso.", resmungo cruzando meus braços e mordendo meu lábio inferior.
"Quem sabe uma outra hora.", ele me sorri levemente. Cairo abre e fecha seus lábios novamente, desistindo de falar qualquer coisa. Ele me acena rapidamente, enquanto começa a caminhar pelo corredor.
Troy Anthony era o meu maior pesadelo. Maior até do que o bebê que eu carrego a duas semanas em segredo. Sinceramente, eu precisava me livrar do Troy e só depois eu teria certeza do que eu gostaria de fazer sobre o bebê.
"Cairo ?", chamo-o alto o suficiente para que ele ouvisse mesmo estando quase no final do corredor. Ele para, gira seus calcanhares e em seguida está virado de frente para onde eu estou e eu prontamente caminho até ele.
"Tudo bem ?", ele questiona analisando minha barriga.
Era tão óbvio e apenas eu não sabia ?
Pisco algumas vezes, e em seguida dou de ombros. "De repente me deu vontade de tomar café.", murmuro fazendo com que ele me dê um pequeno sorriso, enquanto caminhava vagarosamente ao meu lado.
"Você.. quer tomar um café dentro do hospital ou na cafeteria ali da esquina ?", ele questiona parando em frente ao balcão da recepção e entregando a prancheta. "Katina, minha próxima consulta é às duas, então as minhas coisas vão ficar aqui, pode guardar o meu jaleco ?", ele pede, retirando o mesmo e entregando a garota que sorria envergonhada.
"Pode ser na cafeteria da esquina.", resmungo.
"Claro, Doutor Khalil.", ela resmunga.
"Você tem que marcar a próxima consulta ?", ele pergunta me analisando. Eu nego.
"Vou ligar e marcar.", resmungo e sorrio levemente para Katina que retribui o meu sorriso.
Assim que saímos do Good Samaritan, o celular de Cairo tocou e o mesmo disse que atenderia e que seria uma chamada rápida, nada de muito importante. E, assim que chegamos em frente ao café ele se despediu de alguém chamado Jack e escolheu a mesa em que ficariamos.
"O que vai querer ?", Cairo murmura me entregando o cardápio.
"Eu quero suco de maracujá.", respondo sem sequer olhar o cardápio e em seguida estou animada com a ideia de tomar o suco e comer alguma coisa salgada. Ele sorri lemente.
"Achei que quisesse tomar café.", ele debocha e minhas bochechas ficam vermelhas.
"Eu sou uma mulher grávida, as vontades dão e passam.", rebato em um murmúrio.
"Tem razão.", ele ri. "Vou fazer o pedido antes que sua vontade passe.", Cairo brinca.
"Não, eu posso fazer. Eu quero achar alguma coisa para comer. Então.. me diz o que você vai querer e eu vou lá.", me ponho de pé rapidamente.
"Um suco de uva e o que você for comer.", ele dá de ombros.
Eu afirmo, caminhando animada para dentro do estabelecimento. Assim que eu analiso tudo o que tinha para comer, eu acabo pedindo panquecas e os dois sucos e na verdade teriam panquecas para um batalhão e por sorte eu tinha a desculpa de estar comendo por dois. Quando terminei de fazer o pedido, peguei uma garrafa de água e caminhei para a mesinha ao lado de fora onde estávamos.
Meu corpo gela, e eu acabo deixando a garrafa cair e a mesma estoura no chão. Cairo me analisa preocupado, mas tudo o que eu consigo enxergar é um Troy Anthony extremamente revoltado, e tudo o que eu consigo sentir é medo. Medo por mim, o bebê e também Cairo.
"Sua vadia !", Troy estava em minha frente, rosnando.
Ele agarra o meu pescoço antes de deixar um soco no meu nariz. Senti meu corpo inteiro perder as forças e sentia meu nariz quebrado jorrando sangue. Troy apertou meu pescoço com mais força e ergueu a mão para me dar outro soco e eu fecho os olhos rapidamente. Sinto Troy sair de cima de mim rapidamente, e em seguida alguém me ergue do chão. Abro meus olhos e consigo ver Cairo montado em cima de Troy, e os dois estão se enchendo de socos. Olho para quem havia me erguido e era um cabelos louros e olhos escuros.
"Cairo vai ficar bem, não precisa se preocupar com ele.", o homem ao meu lado murmura, dando-me um sorriso suave.
Algumas pessoas separam Cairo de Troy, mas ele ainda consegue acertar um chute em cheio no estômago do mesmo. E em seguida Troy é erguido por policiais e jogado para dentro do carro de polícia. Enquanto Cairo dava um depoimento rápido, ele me analisava e eu estava sentada no chão ao lado do cara louro.
"Menina, precisamos do seu depoimento.", um policial pede.
"Uma outra hora, agora nós vamos ao hospital.", Cairo ordena. "Jack, pode pegar as coisas dela ?"
Então aquele era Jack. E, essa é a última coisa que eu consigo escutar antes de sentir meu corpo inteiro começar a se tremer, e em seguida meus olhos se reviram e a minha língua adormece. Sinto alguém me deitar no chão, colocar alguma coisa na minha boca e me virar de lado.
"Eu to com você, vai ficar tudo bem.", Cairo murmurava enquanto deixava o meu corpo de lado.
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