Código de conduta 2
36 Um último adeus!
Chichi chegava à universidade e assim que desceu do carro de seu pai já avistou Sam parado em frente ao portão e ela sabia que ele estava esperando por Bulma, balança a cabeça negativamente, estava na hora de ter uma conversa com ele.
— Sam? – ela se aproxima dele no portão.
— Oi Chichi?!
— Eu quero falar com você.
— Claro, você... Sabe se a Bulma vem hoje?
— Não ela não vem e se eu fosse você a deixaria em paz, o que mais você quer?
— Eu só quero conversar com ela Chichi, me explicar, não quero que ela tenha raiva de mim.
— Você já causou problemas demais pra Bulma, dá um tempo.
— Eu não tinha a intenção Chichi, eu não queria causar problemas pra ela.
— Mas você causou, o Vegeta tá quase terminando com ela por causa desse beijo que você deu nela na frente de todo mundo.
— Eu gosto dela de verdade Chichi.
— Mas ela não gosta de você, não assim, eu já te falei ela é louca pelo Vegeta e você não devia ter feito isso.
— Bulma não quer nem olhar na minha cara...
— E ela está com a razão não acha? Olha o que você fez com o namoro dela. O Vegeta só não veio ainda tirar satisfação com você porque aconteceu alguma coisa com o pai dele e eles estão indo pra Portland hoje...
— Ela vai viajar?
— Vai, já devem estar na estrada há essa hora e eu espero de verdade que nessa viagem eles consigam se entender porque se os dois terminarem pode ter certeza que a Bulma não vai querer te ver nem pintado de ouro!
— Ele não merece ficar com ela... — Sam disse cerrando os dentes e Chichi olhou pra ele com a sobrancelha levantada e por um instante não reconheceu o rapaz que estava diante de si. Sam estava com uma expressão sombria no olhar que a assustou...
***
A viagem para Portland durou 4h e 45 minutos em uma distância de 328,80 km uma viagem completamente silenciosa onde só se ouvia o barulho dos outros carros em volta e as músicas aleatórias que tocava no rádio.
''Bem vindos a Portland''
''População 652.503 habitantes''
— Já chegamos, quer parar um pouco para esticar as costas? – Vegeta pergunta assim que passaram pelo arco dourado de entrada da cidade, era a primeira frase inteira que diz desde que saíram de Oregon, passou a viagem inteira concentrado na estrada e pensando.
— Não, eu tô bem. – ela tira os fones do ouvido e se estica no banco mesmo. _ Em que hospital seu pai está?
— Family clinice!
— Está longe daqui?
— Não, é na avenida 13th número 800 de acordo com o GPS está há uns 13,5km quilômetro daqui.
— Tá bom.
— Você quer que eu te deixe em algum hotel pra você descansar? Depois eu vou te buscar. – pergunta e a olha.
— Não, eu quero ir ao hospital também ver seu pai.
— Certo.
Vegeta ligou para a mãe e avisou que já estavam na cidade e que em poucos minutos estariam no hospital. Bulma olhava pela janela vendo aquela cidade bonita e cheia de prédios altos e muitas pessoas na rua ela gostava de lá era uma cidade acolhedora e animada, só não queria estar indo para lá num momento como esse.
Poucos minutos depois entraram nos portões da clínica que era muito popular naquela região e Vegeta estacionou numa vaga próxima ao pronto-socorro. Era uma clínica particular localizada em um dos bairros nobres da cidade. Saíram do carro e Bulma esticou a coluna antes de entrar na recepção do pronto socorro, Vegeta já estava indo pedir informação, ela olhou pela sala branca e fria e viu Laura, a mãe de Vegeta sentada em um dos bancos com certeza esperando por eles.
— Dona Laura! – ela vai até a mulher que se levanta e sorri ao ver a garota de cabelos azuis que morava com seu filho.
— Oi minha filha, graças a Deus vocês chegaram!
Laura abraçou Bulma com força e a garota correspondeu.
— Como à senhora está? – pergunta e se solta do abraço.
— Estou bem cansada na verdade, há dias eu não durmo. – Bulma a olha e nota o cansaço em seu rosto, ela estava com os olhos fundos e muitas olheiras escuras manchavam o rosto ainda jovem.
— Oi mãe! — assim que Bulma soltou a mulher Vegeta a abraçou também lhe beijando o alto da cabeça.
— Eu tô tão feliz de vocês estarem aqui. – ela diz agarrada ao filho, a quem não via há quase um ano. _ Desculpe ter tirado vocês dos seus compromissos, mas é que eu estava muito aflita.
— Tudo bem, deveria ter me avisado antes. Como ele está?
— Nada bem, ele não dormiu nada à noite e sentiu muitas dores de cabeça. – Laura responde e seu sorriso agora desaparece, estava preocupada com o marido.
— Mas o que os médicos dizem?
— Eu acho melhor você mesmo conversar com o médico dele ele vai saber te explicar melhor. Venha, eu levo vocês lá.
Laura conversou com a recepcionista e a mulher entregou a Vegeta e Bulma um crachá de visita e salientou que os dois não poderiam entrar juntos no leito o homem estava no terceiro andar do prédio em um leito na UTI seu estado era grave e estavam sendo feitos todos os exames e procedimentos necessários para regredir o aneurisma antes de partirem para a cirurgia. Eles pegaram um elevador e assim que chegaram ao andar Laura mostrou o quarto.
— Eu vou esperar você aqui. — Bulma diz a Vegeta e o homem sorriu para ela, assim que Vegeta entrou no quarto Laura pegou na mão de Bulma e se sentou um pouco com ela em umas cadeiras que ficava no corredor.
— Como foi que isso aconteceu Dona Laura? – Bulma pergunta assim que se sentam.
— Já tem uns dias que ele vinha reclamando de muitas dores e que achava que os remédios não estavam fazendo efeito, porque a dor não passava, aí uma noite ele sentiu muita dor e colocou sangue pelas orelhas eu fiquei desesperada chamei uma ambulância e trouxe ele pra cá.
— Meus Deus... Porque a senhora não ligou antes pra avisar? Poderíamos ter vindo antes.
— Eu quis ligar, mas você sabe como é o Vegeta, teimoso igual uma mula não queria que eu ligasse, não queria preocupar o filho, eu fui tentando levar, mas a situação dele foi ficando grave e eu não consegui mais suportar sozinha.
— Tadinho do senhor Vegeta... Tomara que ele fique bom logo.
— Como estão às coisas lá na cidade? E a sua faculdade? – Laura pergunta voltando a sorrir pra namorada do seu filho.
— Está tudo bem, logo, logo começa o 3º semestre e eu estou estudando bastante.
— Ah que bom, passa rápido, não é? Já tinha um tempo que eu vinha combinando com o Vegeta de fazer uma visita pra vocês, mas ele estava sempre enfiado naquele trabalho dele e não tinha tempo.
— Nisso ele é igualzinho a Vegeta, vive para o trabalho dele é quase impossível arrancar ele de lá para fazer outra coisa. — Bulma diz e sorri tentando não deixar transparecer que as coisas não estavam bem entre ela e o filho da mulher.
— Bulma quando Vegeta me abraçou eu notei um curativo no ombro dele o que foi aquilo?
Bulma engoliu em seco, não tinham comentado com Laura sobre o tiro ela bem que quis ligar, mas Vegeta disse que não queria preocupar a mãe com besteira e não imaginou que ela fosse notar.
— Dona Laura é melhor a gente conversar sobre isso depois...
— Não, pode me contar, o que foi aquilo ele se machucou?
Bulma ficou olhando pra mulher na sua frente sabendo que Vegeta iria lhe matar se ela contasse.
...
Vegeta abriu a porta do quarto e viu seu pai deitado na cama estava com uma máscara de oxigênio no rosto e seus batimentos cardíacos estavam sendo monitorados em um aparelho grande. Ele parecia estar dormindo então se aproximou da cama vendo que ele estava ligando a muitos outros aparelhos, o chamou baixo.
— Pai...
Vegeta abriu os olhos devagar vendo seu filho a sua cópia mais que fiel e sorriu tirando a máscara do rosto um pouco.
— Sua mãe fez mesmo você vir até aqui! – a voz dele estava fraca, tinha um pouco de dificuldade para respirar.
— Ela devia ter me ligado antes!
— Eu pedi pra ela não ligar... Não queria preocupar você...
— Como você está?
— Sinto muita dor... Eu acho que estou morrendo...
— Não diz uma besteira dessas pai! – Vegeta sente um nó na garganta, seu pai estava muito pálido e os olhos profundos.
— Tudo bem Vegeta... Não ligo... Já vivi muito nessa vida.
— E ainda vai viver muitas outras!
— Essa doença não vai deixar... — ele colocou a máscara de novo, pois estava com muita dificuldade para respirar.
— Não faz esforço, estou esperando seu médico pra conversar com ele.
— Bulma veio com você? — ele perguntou com dificuldade e a voz bem baixa e Vegeta senti o nó na garganta aumentar, seu pai não estava nada bem.
— Veio sim, ela ficou lá fora com minha mãe.
— Eu ainda não consigo acreditar que você está namorando com aquela menina...
— Se já está me criticando é porque está bem!
— Você sempre fez tudo ao contrário do que eu esperava... — ele puxou o ar com força e tossiu.
— Eu só quis ter a minha vida pai.
— Mas olha só... Você se tornou um homem mais forte do que eu... – ele força um sorriso por debaixo da máscara.
— O senhor não me deu muita escolha, não é?
— Eu tenho muito orgulho de você Vegeta... Sei que nunca disse isso... — ele parou um tempo para respirar.
— Não se esforce pai...
— Não, eu quero falar... — Ele estava respirando com muita dificuldade e Vegeta ficou preocupado.
— Sei que nunca fui um pai muito presente, que sempre fui muito rígido com você, mas quero que saiba que me orgulho muito de você meu filho... Apesar de você ter feito tudo ao contrário do que eu esperava você se tornou um homem forte, um homem muito melhor do que eu... – tossi.
— Para pai, não fala essas coisas agora, descanse.
— Onde está à Bulma?... Chama ela aqui, quero ver ela também... — o homem pediu.
— Tá bom, eu vou chamar, mas não se esforce tanto.
Vegeta colocou a máscara de volta no rosto do pai e foi chamar Bulma que tinha ficado na frente do quarto com a mãe.
— Bulma! — ele a chamou e ela se levantou da cadeira onde estava sentada. _ Vem cá, ele quer te ver.
— Tá bom. — deixou Laura ainda no banco e foi até Vegeta.
— Só não o deixa falar demais ele está com muita dificuldade para respirar. – pede.
— Tudo bem.
Vegeta sai da porta do leito e deixou Bulma entrar, ela se aproximou vendo o homem cercado por aparelhos e foi estranho vê-lo assim, o senhor Vegeta era um homem sempre dono de si, imponente, forte e era estranho vê-lo em uma cama de hospital dependendo de tantos aparelhos para ficar vivo.
— Oi senhor Vegeta, como o senhor está? — ela disse baixinho assim que chegou perto da cama e o homem tirou a máscara para sorrir a ela.
— Oi minha criança... Estou bem melhor agora... Você está linda. — ele disse puxando o ar.
— Obrigada, mas não se esforce tanto pro senhor ficar bom logo. – ela pede colocando a máscara dele de volta.
— Eu não vou ficar bom... Acho que vou me despedir aqui...
— Não desista senhor Vegeta, o senhor vai ficar bom, o senhor vai ver!
— A única coisa que eu temia era morrer sem ver meu filho... – tossi e Bulma senti um nó na garganta.
— Descanse um pouco, nós vamos ficar bem aqui esperando o senhor ficar bom...
— Bulma... — o homem chamou a garota e segurou a mão dela com força tirando a máscara do rosto de novo. Bulma olhou para ele com os olhos arregalados. _ Cuida do Vegeta por mim...
Bulma ainda olhava para ele com os olhos completamente arregalados e sem saber o que dizer, viu o homem puxando o ar com muita força e colocou a máscara de volta no rosto dele, assustada viu que de repente o aparelho que media os batimentos cardíacos dele começou a disparar ela não fazia ideia do que estava acontecendo, mas sabia que aquilo não era bom. Soltou da mão do homem com dificuldade e correu para a porta da sala.
— Vegeta! — chamou apavorada e ela não precisou dizer muito para ele entender.
Vegeta saiu de perto da mãe e correu para dentro do quarto, Laura correu atrás dele e Bulma encostou-se à parede branca meio apavorada, viu no que pareceu ser segundos depois outros enfermeiros também correndo pelo corredor e entrando no leito apressados, ficou de longe e percebeu a grande movimentação dentro do quarto o senhor Vegeta estava morrendo, ela sabia, e os enfermeiros e o médico corriam para tentar salva-lo.
Viu outro enfermeiro correndo para dentro do quarto enquanto arrastava uma mesa com um aparelho grande, se aproximou da porta agora e viu quando os homens de branco afastaram a senhora Laura do corpo do marido e Vegeta segurou a mãe pelos ombros enquanto o médico abria o macacão que o senhor Vegeta usava e colocava no peito dele um aparelho que mais parecia um ferro de passar roupa que chamavam de desfibrilador, contavam um, dois e três e parecia que lhe dava um choque, mas ele não reagia.
— De novo! Um, dois, três...
O médico contava. Bulma sentiu o seu coração ficar acelerado demais e se afastou da porta, quem estava com dificuldades para respirar agora era ela. Se sentou no banco e foi impossível não levar aquela cena para algo dentro do seu passado que tentava esquecer, se lembrou do que viveu a 11 anos atrás quando tinha ido ver a mãe no hospital pela última vez. Ela foi acompanhada da babá e quando entrou no corredor viu Vegeta sentado em banco semelhante a aquele em que estava se aproximou do homem e ele se ajoelhou e acariciou seus cabelos azuis sorrindo pra ela, se lembrava bem do que ele disse naquele momento.
— Bulma, você vai precisar ser uma garotinha bem forte agora, sua mãe precisa que você seja muito, muito forte e corajosa e quando você sair de lá de dentro eu vou estar bem aqui esperando você... — ela assentiu com a cabeça e foi acompanhada pela enfermeira até o leito da mãe e antes de entrar no quarto ainda olhou para trás e viu Vegeta perto dos bancos esperando por ela.
Quando entrou no quarto não entendeu o porquê de sua mãe está cercada por tantos aparelhos, ela estava deitada na cama e estava muito magra e quase não a reconheceu estava pálida e com os olhos fundos, por conta do Câncer tinha perdido todos os seus fios loiros. Desde que a mãe havia sido internada ela tinha ido muito pouco vê-la e fazia mais de uma semana que tinha a visto pela última vez. Bulma se aproximou da cama e sua cabeça de criança tentava entender porque ela não levantava dali, Meirin olhou para sua pequena garotinha de cabelos azuis e sorriu, mas não conseguiu dizer nada a ela, a dias ela não conseguia falar só balbuciava algumas palavras. Bulma segurou nas mãos geladas da mãe e olhava para ela com seus olhos arregalados ficava conversando com ela, perguntando quando ela iria pra casa e não entendia porque sua mãe não lhe respondia, viu que ela chorava enquanto sorria para ela e aquela imagem seria difícil de esquecer, pois aos poucos percebeu que o sorriso de Meirin e ia se desfazendo, os aparelhos ao lado começaram a disparar e Bulma não entendeu o que estava acontecendo sua mãe já não segurava mais a sua mão e ela tinha fechado os olhos... Viu o quarto se encher de médicos e enfermeiros que tiraram a garota de lá Bulma ainda gritou, mas não deixaram ela ficar ainda viu os médicos em volta de sua mãe tentando reanimá-la usando o mesmo aparelho que era usado agora no pai de Vegeta, a enfermeira lhe levou de volta para o corredor onde estava Vegeta e correu até o homem o abraçando pela cintura e mesmo sendo criança demais para entender Bulma sabia naquele momento que estava perdendo a mãe... Pra sempre...
...
Bulma despertou do seu transe quando ouviu um grito, um grito desesperado de Laura que ecoou por toda a clínica e ela soube naquele momento que não havia mais nada a ser feito, que o senhor Vegeta tinha morrido e sentiu uma angústia tremenda. Se levantou do banco apoiando a mão na parede as lembranças da morte da mãe ainda estavam tão frescas e ela nem fazia ideia de que ainda estavam ali e agora presenciar novamente a mesma cena lhe fez se sentir mal. Se aproximou da porta e levou a mão a boca para chorar, pois o que viu partiu seu coração, os enfermeiros e médicos se afastavam do senhor Vegeta desligando as máquinas e aparelhos e retirando o soro, a senhora Laura estava debruçada sobre o corpo do marido e chorava muito, Vegeta estava mais afastado com as mãos no quadril e olhava para cima, aquela cena era dolorosa demais e seu coração disparou.
Vegeta agora olhou para ela parada na porta do quarto e sem pensar em nada correu até ela e a abraçou, Bulma correspondeu ao abraço o mais forte que conseguia o amparando da mesma forma que ele tinha feito com ela há 11 anos, não conseguiu dizer nada a ele, não sabia o que dizer, só o abraçou alisando as costas dele para que ele soubesse que ela estava ali da mesma forma que ele esteve para ela. Ficou alguns segundos abraçado a ela e depois a soltou, ela olha para o rosto dele molhado de lágrimas e vê-lo chorar acabava com Bulma, pois era raro ver Vegeta chorando.
Vegeta voltou para dentro do quarto para buscar a mãe que ainda chorava no corpo sem vida do pai, pois já não havia mais nada a ser feito agora, a não ser tomar as providencias seguintes. Precisou assinar alguns documentos e o médico prontamente providenciou o atestado de óbito para que pudessem ser tomadas outras providências, encaminhou o corpo para o necrotério do hospital para que fossem realizados mais alguns exames no corpo, como era de praxe, deixou Bulma e a mãe na recepção e foi conversar com o médico que lhe dava algumas instruções.
Vegeta estava completamente aéreo, mas tentava se manter firme, pois sabia que ele era o único ali que poderia resolver todas aquelas situações que viriam a seguir. O hospital deu um prazo de uma hora e meia mais ou menos para entregar o corpo do senhor Vegeta para que fosse arrumado na funerária que a família escolhesse, Vegeta sabia que os pais tinham um plano funerário que era incluso no plano de saúde deles, mas jamais imaginou que estaria ali resolvendo questões para o velório do próprio pai ainda não consegui acreditar que o homem tinha morrido, que só esperou a visita dele, era como se seu pai só estivesse o esperando chegar.
Voltou para a parte onde ficavam as cadeiras na recepção e viu sua mãe tomando um copo de água com açúcar dado por uma das enfermeiras, ela não chorava mais, mas parecia estar em choque e Bulma estava ao lado dela. Se aproximou para pedir a ela o telefone da funerária, precisou perguntar umas três vezes, pois a mulher estava meio em choque. Laura abriu a bolsa para procurar o cartão dentro da carteira eles sempre tiveram aquele plano funerário incluso no plano de saúde deles e parecia até uma ironia. Assim que pegou o cartão Vegeta ligou para o número no impresso e conversou com um dos funcionários explicando a situação e o funcionário pediu que eles fossem até a funerária para escolherem um caixão e resolverem pessoalmente as outras questões burocráticas.
— Mãe, temos que ir à funerária agora para escolhermos o caixão e o local do velório.
— Quando vão liberar o corpo do seu pai? – Laura funga.
— O médico disse que talvez em uma hora e meia, é o tempo que vamos lá e resolvemos isso, eu não quero deixar vocês duas aqui.
Laura concordou com um aceno de cabeça e eles saíram da clínica, foram até onde deixou o carro e Vegeta acomodou sua mãe no banco de trás e depois abriu a porta da frente para Bulma. O caminho até a funerária foi em silêncio a mãe de Vegeta se afundava no banco de trás e chorava baixinho. Bulma tentava dizer alguma coisa ao homem, mas não conseguia olhava para ele dirigindo e sabia que ele estava arrasado, mas mantinha aquela mesma expressão de sempre.
Chegaram à funerária e foram muito bem recebidos pelos funcionários Vegeta conversou com um deles que lhe explicou todo o processo agora e entregou ao funcionário o atestado de óbito emitido pelo hospital e os documentos do pai que estavam com a mãe. Escolheram o caixão e o local onde seria realizado o velório Laura pediu que o velório você realizado em uma pequena capela no bairro onde eles moravam, ela e o marido costumavam frequentar as missas de domingo lá.
Vegeta pegou o número da capela para ligar para lá e vê se estaria disponível e tudo foi acertado, Vegeta ligou para a capela e conseguiu falar com o padre que realizava as missas e reservou o espaço, o pessoal da equipe da funerária já estava indo para lá e montar toda a estrutura para aguardar o corpo. Uma outra equipe já estava a caminho do hospital para aguardar a liberação do corpo lá e assim dá início a arrumação do mesmo.
Vegeta ainda precisaria ir ao cartório para emitir uma certidão de óbito definitiva e fazer o cancelamento dos documentos do pai precisava de todos os documentos do homem, mas nem todos estavam lá com a mãe então ele resolveu passar na casa dos pais para pegar o restante dos documentos que precisava e deixaria Bulma e a mãe lá.
Assim que chegaram à casa Laura abriu a porta e começou a olhar os móveis, cada detalhe da decoração da casa e sentiu um enorme vazio no peito ao saber que dali por diante entraria naquela casa sozinha. Ela começou a soluçar e Bulma se aproximou dela.
— Dona Laura no que a senhora precisar eu estou aqui.
— Que bom que vocês estão aqui... Eu jamais iria conseguir fazer isso sozinha... – ela soluça.
— Vai ficar tudo bem. – Bulma a abraçou pelos ombros não sabia se aquela era melhor frase a se dizer, mas não vinha outra coisa em sua cabeça.
— Mãe, preciso que pegue todos os documentos do pai eu preciso ir ao cartório agora.
— Tá bom... — Laura fungou e foi para o quarto, Vegeta sentou um pouco no sofá e coloca as mãos na cabeça e Bulma se sentou do lado dele.
— Eu sinto muito... – ela alisou o braço dele.
— O que ele disse pra você?
— Ele já estava sentindo que iria morrer... Pediu que eu cuidasse de você.
— Isso é bem a cara dele!
— O que vai acontecer agora?
— Eu vou ao cartório cancelar os documentos dele e emitir a certidão de óbito definitiva e depois voltar na funerária para decidir onde ele vai ser enterrado. Parece que ele só estava esperando a gente chegar. – ele suspira.
— Ele disse que tinha medo de morrer e não ver você pela última vez.
— Isso só pode ser um pesadelo... — coloca as mãos na cabeça de novo e Bulma o abraça pelos ombros conseguia sentir a dor dele, mesmo que ele e o pai não fossem tão próximos sabia que ele amava o homem.
— O que eu posso fazer pra te ajudar?
— Fique aqui com minha mãe, faça companhia pra ela até eu voltar.
— Claro, pode deixar.
— Assim que eu voltar eu pego vocês e levo pra capela.
Laura voltou com os documentos do marido dentro de uma pasta.
— Aqui filho!
Vegeta se levantou para pegar a pasta da mão dela.
— Mãe fica aqui com a Bulma, eu vou ao cartório resolver umas coisas e depois eu volto pra buscar vocês.
— Tá bom filho... Vou aproveitar e ligar para os amigos do seu pai e alguns parentes não sei se dá tempo de todo mundo vim...
— Tá, eu volto assim que der.
Vegeta beijou a testa da mãe e saiu. Laura se sentou no sofá e voltou a chorar novamente, Bulma deixou que ela chorasse sabia que ela deveria viver o luto fingir que nada aconteceu não era a melhor solução. Ficou ao lado da mulher a abraçando para que ela sentisse que não estava sozinha, mas não conseguia dizer nada a ela e sentia um nó na garganta, aquele não era um momento fácil para ninguém muito menos para ela que viveu muitos anos ao lado do marido...
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