Código Secreto
6 Capítulo 6 - Frágil aliança
– Bom, devo dizer que por enquanto você é o único suspeito e do jeito que estamos, será o único. Logo você terá que conviver com o fato de ser um fugitivo, sempre com medo de ser pego, e por crime que não cometeu. É isso o que você quer? Enquanto você estiver fugindo, o verdadeiro chefe estará cometendo diversos crimes. Sabe disso? – Perguntou seriamente, mas sem deixar de comer. Hyoga sabia daquilo, claro, mas ouvir de boca de outro confirmava algo que ele tinha esperanças de não ser verdade. Bufou irritado. – Sei que está assustado e com medo... Não tiro sua razão, vai ser sim muito arriscado. Mas se aceitar me ajudar a pegar esse cara, você ganhará a sua vida e sua liberdade de volta. – Ikki olhou fixamente nos olhos assustados do loiro e prometeu: — E eu te prometo Hyoga, te prometo pela vida do meu filho, que eu estarei contigo nessa, que vou te proteger e te ajudar, prometo que darei minha vida pela sua se for preciso.
Continua...
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Três longos dias se passaram desde o sequestro de Hyoga sem que alguém tivesse alguma notícia sua, para o desespero de sua mãe. Camus, apesar de não demonstrar, também estava bastante preocupado com o neto e com aquela situação que cada vez mais fugia de sua razão. Não acreditava na teoria da polícia, de que o sequestro na verdade fora resgate dos homens pertencentes ao grupo do tal chefe, supostamente o próprio Hyoga. Por isso, enquanto Natássia buscava por notícias com amigos do filho, o ruivo foi buscar respostas na delegacia.
Logo que chegou percebeu algo que lhe pareceu estranho no lugar. O movimento calmo, poucos policiais a vista, como se todos estivessem na rua, em alguma missão. Bem diferente do estado em que ela se encontrava quando o neto fora preso. Ele caminhou devagar até o balcão de informações, mas o policial que estava lá simplesmente não lhe deu atenção. Bufou, seu neto sabe se lá onde e esse sujeito mais preocupado em falar ao telefone com alguma puta, de certo.
Mas ele não se deu por vencido. Não foi muito difícil convencer o jovem e preguiçoso policial a deixá-lo entrar na área reservada. Bastou alguns dólares e pronto, já estava dentro da delegacia. Já estivera ali, sabia cada corredor a passar, que portas entrar, com quem falar, ou a quem ouvir. Em verdade já tinha uma pessoa em mente, o policial que o salvara de ser atropelado. Mas não o encontrou e nem os outros que conheceu naquele fatídico dia. Talvez estivessem procurando seu neto. Bufou irritado. Devia ter ligado para o número que Milo deixou antes de ir procurá-lo.
Já estava de saída quando um grito chamou sua atenção. ‘Não!’ foi o que ouviu. Alto e irritado, o grito ecoou no corredor e o fez estancar o passo. A voz era familiar, mas não conseguiu identificar o dono dela. Olhou ao seu redor e percebeu que estava perto da sala do delegado. As portas estavam todas fechadas, indicando que o grito realmente fora alto. Novamente ouviu um grito estridente e ele resolveu se aproximar. Aquele grito parecia realmente irritado e talvez não fosse nada, mas aprendeu com a vida a dar ouvidos a sua intuição e ela dizia que era para ficar e ouvir mais.
– Eu não estou envolvido com nada disso! Você está colocando palavras na minha boca! – Ouviu novamente e depois silêncio.Camus ficou olhando para a porta da sala do delegado, pensativo.Era um interrogatório, com certeza... E aquela voz, conhecia aquela voz, mas simplesmente não conseguia se lembrar de quem era. Olhou para os lados e viu que estava sozinho. Talvez estivesse em alerta a toa, provavelmente era algum outro caso. Mas aquela voz era muito familiar e ele estava tentando se lembrar de quem ela era. Aguçou os ouvidos para ver se escutava mais alguma coisa, mas tudo ficou muito silencioso e não mais ouviu qualquer coisa.
– Senhor Camus?! – Estava tão concentrado que não percebeu a chegada de mais alguém e se assustou, virando rapidamente para onde fora chamado. Era o policial Milo. – O que faz aqui?– Ele perguntou.
– Eu vim falar com você. Queria alguma notícia do Hyoga. – Disse assim que se recuperou do susto. Milo o olhou curioso. Hyoga havia dito que possivelmente ele o procuraria e que tomasse cuidado, pois era muito grosso e inteligente.
– Por favor, venha comigo. – Pediu e o ruivo o acompanhou até sua sala.
– Já faz três dias que ele está sumido e eu não consigo acreditar no que vocês me disseram... – Camus disse assim que entrou na sala.
– Sente-se, por favor. – Indicou indo até sua mesa. – Entendo o que diz, mas as provas são bem contundentes. E sem saber quem teria interesse em tirá-lo daqui, fica muito difícil acreditar que ele seja apenas um adolescente rebelde. – Milo disse, esforçando-se para parecer convincente. A essa altura já não acreditava em uma palavra do que dizia, mas precisava manter segredo do caso ou todo o plano de Ikki, que exigia muito sangue frio, iria por água abaixo.
– Mas é exatamente isso o que ele é! Um garoto rebelde e completamente irresponsável, eu confesso... – Disse rendendo-se. – Nunca esperei muita coisa daquele garoto, já imaginava que ele pudesse virar um ‘marginalzinho’ de bairro, mas não a esse ponto! Ele não teria... condições... para isso! – Camus dizia sem perceber a forma desdenhosa que falava do próprio neto. Ele encarava os olhos do policial com determinação, com a firmeza de que tem absoluta convicção do que está dizendo. Era visível que para ele, o neto não passava de um ‘marginalzinho’ de bairro, como ele mesmo disse. Por outro lado, Milo o encarava com olhos neutros, calmos, mas intrigantes. O ruivo sabia que estava sendo analisado, profundamente analisado, na verdade. Recostou-se na cadeira e desviou o olhar, incomodado. Tentando relaxar, movimentou os ombros de leve, detalhe que chamou a atenção do policial.
– Eu sei que é uma situação complicada para a família...
– Isaak! – Camus murmurou, lembrando-se do dono da voz, ignorando o que o outro dizia.
– O que disse?
– É o Isaak que estava na sala do delegado, agora a pouco! Vocês o estão interrogando? — Milo franziu o cenho.
– O delegado não costuma fazer os interrogatórios.
– Mas eu ouvi muito bem, e vinha da sala do delegado! – A certeza de Camus pôs Milo em dúvida. Talvez fosse engano, mas iria averiguar.
– Como eu estava dizendo, sei que é um momento difícil para a família, mas estamos trabalhando para encontrar o seu neto e esclarecer todo o ocorrido. Quanto ao...
– Isaak! Ele é amigo do Hyoga.
– Sim, quanto ao Isaak. Nós não descartamos nenhuma possibilidade. Hyoga foi encontrado com um carro importado no nome dele, no mínimo ele tem que explicar essa ocorrência. – Camus suspirou e meneou a cabeça, fazendo com que alguns fios ruivos caíssem perto de seus olhos, que miravam um ponto imaginário. A cena pareceu uma pintura para Milo. O homem a sua frente era belo, mas não tinha parado para reparar até o presente momento. Com tudo o que aconteceu, não teve tempo de reparar melhor no ruivo e o quanto ele era lindo e o quanto parecia ainda mais bonito quando preocupado.
– Isso é realmente estranho, ele vai ter que se explicar... – Disse num baixo tom de voz. Imerso na preocupação, o ruivo não percebeu os olhares que o admiravam a beleza. – Sinto pela minha filha, mas eu avisei que isso poderia acontecer! – Balbuciou para si mesmo, mas o policial estava atento, muito atento a ele e conseguiu ouvir as palavras que lhe pareceram suspeitas.
– Avisou? – Perguntou demonstrando interesse. Camus o olhou percebendo a falha, já era tarde demais. Seu pensamento fora alto demais.
– Não se trata desse caso. É um problema familiar antigo. Como disse, já imaginava que Hyoga pudesse tomar caminhos errados, apesar de sinceramente não acreditar que ele esteja tão envolvido nesse problema. – Disse vagamente.Não queria entrar naquele mérito, pois ainda era doloroso lembrar toda a história do nascimento do neto. Milo percebeu de imediato que havia mais naquela história do que eles contavam, mas também percebeu que o ruivo não estava disposto a falar.
– É curioso o modo como vê o seu neto. Ao contrário de sua filha, você o vê verdadeiramente como um marginal, mas ele tem a ficha limpa por aqui, não consta antecedentes.
– Eu sou realista, policial...
– Por favor, me chame apenas de Milo.
– Milo... Eu sou realista, ao contrário da minha filha. Sei muito bem quem é aquele garoto. Ela fica passando a mão na cabeça dele, mas ele sempre foi assim!
– Assim como?
– Eu sempre desconfiei desse envolvimento dele com drogas, sempre foi um vagabundo irresponsável! Desde criança já mostrava essa tendência. Não foram poucas as vezes em que eu e Natássia tivemos que ir ao colégio dele por causa de alguma besteira que ele fazia, batia nas outras crianças, não queria saber de estudar, era um inferno! E quando ficou adolescente, tudo piorou! Começou a sair e beber e se descobriu nos motores. O garoto leva jeito mesmo, mas ao invés de fazer algo que preste, fica fazendo esses ‘pegas’! Destruiu o meu carro numa dessas vezes!
– Não é um retrato muito bom...
– Mas é como eu estava te dizendo, ele é sim um irresponsável, mas não é nenhum mafioso!
– Entendo... Não se preocupe que nós iremos esclarecer tudo o que está acontecendo. – Camus o mirou. O policial parecia jovem, dava no máximo uns 35 anos para ele, mas mesmo assim transmitia muita confiança. Não sabia explicar, mas sentia que nele poderia confiar, sabendo que estava realmente cuidando do caso de Hyoga.
– Obrigado. Por favor, se tiver quaisquer notícias, me avise.
– Claro! – Levantou-se para acompanhá-lo até a saída.
– Ah propósito, naquele dia eu estava muito atordoado e aconteceram tantas coisas que eu não tive tempo para agradecê-lo.
– Agradecer...?
– Sim, eu queria agradecer por ter me salvado de ser atropelado. Quando saí daqui estava muito perturbado. – Desviou o olhar, sem graça. – E acabei me colocando em risco, andando daquele jeito.
– Ah claro, o que é isso! Não precisa agradecer, é minha função salvar as pessoas. Geralmente salvo dos bandidos, mas salvar de motoqueiros também está no pacote. – Riu.
– Imagina, você foi muito perspicaz ao perceber meu estado. Se não fosse isso, eu poderia ter morrido. – Disse casualmente. Milo não soube o porquê, mas ficou um pouco constrangido com o elogio.
– Que isso, não foi nada!
– Eu resolvi trazer uma lembrança, como agradecimento. – Disse e retirou do bolso uma bela caneta prateada talhada na ponta com o símbolo da justiça. – Espero que goste.
– Ah que isso! Não precisava disso Camus! – Apesar das palavras, o loiro pegou a caneta. Ela era realmente muito bonita. O ruivo riu.
– Ok, mas eu quis presenteá-lo, é apenas uma lembrança em agradecimento por seu ato. Aceite, por favor. – Milo o encarou e sorriu.
– Se faz questão... É uma bela caneta.
– Sim, eu faço. – Riram. – Bom, eu já vou. Deixarei você trabalhar.
– Muito obrigado pela caneta. – Sorriu de volta. O ruivo acenou com a cabeça e saiu. Milo ficou observando o belo homem saindo da delegacia, embalando a caneta que recebeu como símbolo do agradecimento do ruivo, tão distraído com a beleza de Camus que não percebeu um rapaz de cabelos pintados de verde passando por ele ao sair da delegacia.
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O som alto do coldplay e a concentração no jogo do GTA no Playstation de Hagen impediram que Isaak ouvisse o seu celular tocar. Estava no apartamento de Jabu junto de Eire, Freya e Hagen, numa reunião entre amigos regados de muita cerveja. Enquanto o casal namorava, Jabu e Isaak jogavam. Eire mantinha-se um pouco isolada, preocupada com o sumiço de Hyoga.
Os amigos tentaram fazê-la relaxar, mas não tinha jeito. Apesar deles não serem oficialmente namorados, ela gostava dele de verdade. Por ela, eles teriam um relacionamento mais sério, mas sabia que o loiro não correspondia aos seus sentimentos. Então, para se manter perto, ela fingia não se importar e levar tudo para o casual.
Mas com tudo o que aconteceu era impossível fingir que não estava tão envolvida. Aflita, ela procurou a mãe de Hyoga para ter notícias, mas nem ela sabia do paradeiro dele. Quando soube do sequestro, ficou ainda mais aflita. Não imaginou que um simples ‘pega’ pudesse ter uma conseqüência tão grave. Ele era tão bom no volante, como foi que deixou que o pegassem? E o que será que tinha acontecido com ele?
Sentindo-se perdida e pela primeira vez deslocada no grupo, ela pegou uma latinha de cerveja e foi para perto da janela. Queria poder conversar e desabafar, mas não dava. Adorava seus amigos, mas eles não eram bons ouvintes e piores como conselheiros. Sempre conversava com o seu loiro lindo e maluco, mas agora ele não estava mais ali. Desejando muito poder falar com ele, pegou o seu celular e ficou encarando-o e pedindo aos céus para que ele aparecesse.
Seu coração estremeceu junto do celular, quando sem avisar viu o nome de Hyoga no visor e o aparelho começar a vibrar.
– Gente, gente abaixa o som! É o Hyoga!! – Gritou enquanto corria para a cozinha para atender. Assim que ouviu, Isaak parou o jogo e desligou o som e todos correram atrás de Eire.
– Hyoga? Hyoga?! – Ela chamava, aflita.
– É ele? É o Hyoga? – Perguntou Isaak, mas ela não prestou atenção.
– Calma, Eire... sou eu.
– Ah Hyoga, o que aconteceu? Onde você está?! – Perguntou afobada.
– Eire, eu não posso dizer nada. Mas não se preocupe, vai dar tudo certo. – Ele até tentou passar confiança, mas não conseguiu. A sua hesitação era visível.
– Está bem, eu fiquei tão preocupada! – Disse manhosa.
– Não se preocupe, vai ficar tudo bem. Você sabe onde está o Isaak?
– Está aqui... – Ela olhou para o rapaz.
– Eu preciso falar com ele, liguei para o celular dele, mas ninguém atendeu.
– Ok, mas olha... liga para sua mãe, ela está muito nervosa. – Hyoga silenciou-se por uns segundos, não queria dar tanta preocupação para a mãe.
– Fala com ela que estou bem e que logo tudo vai se resolver e vou voltar para a casa...
– Porque você mesmo não fala com ela? O que está acontecendo, Hyoga?
– Agora não posso...
– Porque não?
– Não me faça perguntas demais Eire, por favor. Passa pro Isaak!
– Ta, ta legal... Um beijo loiro. – Disse num muxoxo e sem esperar resposta entregou o celular para o amigo. – Ele quer falar com você, disse que está bem.
– Cara! Que porra que ta acontecendo? Que merda é essa que tu se meteu!!
– Eu não me meti em porra nenhuma, armaram contra mim!
– Como é? Do que tu ta falando?
– Aquele carro que você me arranjou para correr tava no meu nome, e tava com drogas dentro cara! E você sabe que to limpo! Agora como é que aquela porra foi para lá? – Isaak percebeu a seriedade da situação e mandou os outros saírem, o que fizeram a contragosto.
– O que você ta querendo dizer com isso?!
– Armaram pra cima de mim, cara! E com certeza o Cassius ta metido nisso! Você tem que me ajudar a chegar nele!
– Não, cara! Se você aparecer por lá eles vão te comer frito no almoço! Você bateu com o melhor carro da temporada, foi pego pelos canas e ainda sumiu daquele jeito! Estão te caçando como se você fosse um bicho! – Hyoga suspirou, a situação ia ser mais difícil do que ele imaginava.
– Eu não tenho escolha Isaak, se eu não descobrir quem armou para mim eu vou preso! Todas as provas estão contra mim.
– Porra, melhor ficar na cadeia uns meses por conta do ‘pega’ do que encarar o chefe! Se ele realmente armou para você...
– É claro que ele armou, ou você acha que eu comprei aquele carro? Porra Isaak, acorda! A coisa é séria! Eu to com a corda no pescoço!
– Ta, calma! É melhor a gente se encontrar, por telefone não dá para conversar... Onde você está?
– Eu não posso te dizer...
– Qual é cara? Ta desconfiando de mim, parceiro?
– Não, claro que não, você é meu parceiro! Sempre! Mas é por isso mesmo, pra te proteger... sei que parece bobeira, mas a coisa é pior do que você pensa, não é só o ‘pega’.
– Ta, ta.... mas, o que você vai fazer!?
– A equipe do cara é grande, você tem como ver pra mim um jeito de entrar naquela cúpula e chegar perto do chefe?
– Porra malandro! Você pirou de vez!? Você quer entrar na cúpula do chefe!? Eu não faço nem idéia de quem entra nessa porra! Aquele circulo é fechado pra caramba, você sabe disso!
– Por favor, cara! Eu só posso contar contigo! Eu preciso chegar até eles! Se não for contigo, eu estou perdido!
– Merda! Se a parada é tão braba assim, porque você não foge?!
– A polícia está atrás de mim, esqueceu? Quebra essa pra mim, cara, por favor! Sempre fechei com as suas paradas, até as mais loucas! Eu preciso de você de mais do que nunca, cara! Preciso da nossa aliança! Você sabe que eu não pediria isso se não fosse realmente preciso! Nunca te coloquei na merda! Mas eu preciso, eu... por favor, parceiro! — Isaak bufou.
– Ta, chega de implorar...! Cara, depois dessa você vai ficar me devendo pro resto da sua vida!
– Valeu, cara! Valeu mesmo!
– Ta, e como eu entro em contato?
– Deixa que eu te procuro. E vê se deixa a porra do celular ligado.
– Valeu, valeu!
– Valeu, vou desligar, mano.
– Ta, se cuida ai. – Desligaram. O loiro desligou o celular e olhou para Ikki, que estava sentado ao seu lado, prestando atenção na conversa do loiro.
– Você tem certeza que pode contar com ele? Lembre-se que tudo depende disso... E pelo que sei foi ele quem te colocou nesse carro...?
– Não tem nada a ver! O Isaak é meu parceiro, meu amigo de anos!
– Vamos torcer para que sim... — Ikki disse, não confiando muito na amizade do loiro.
– Eu não tenho mais ninguém... – O jovem disse, fazendo o moreno se virar. - Só posso contar com ele. — Ikki logo entendeu o recado. Sendo de confiança ou não, teriam que arriscar.
Assim que desligou o celular, Isaak suspirou. Não conseguiu acreditar que tinha feito isso! Prometeu ao amigo que veria como fazê-lo entrar no covil dos lobos. Se o pouco que ouviu for verdade, Hyoga estará morto antes mesmo de pisar na calçada da casa do chefe.
– Ele ta na merda, né?! – Eire apareceu na cozinha vendo como o amigo tinha ficado perturbado com a ligação.
– Do que você ta falando, garota?! – Desconversou.
– Ei, eu não sou nenhuma burra, ta legal?! Percebi no tom de voz dele que a coisa ta preta e pela sua reação, é pior do que eu imaginava... O que é? Drogas? Ele se meteu com drogas?!
– Que drogas, garota! Não viaja!
Quer saber?! Valeu, não quer me contar, não conta! Mas olha só, daqui a pouco vou ter que ir pra delegacia depor, e o que eu falo?! Mando a real ou ele pediu alguma coisa?!
– Não, ele não falou nada sobre isso. Mas sei lá, acho que dizer que ele tava fazendo ‘pega’ é o menor dos problemas dele agora... – Disse preocupado. Eire o encarou, confusa e também preocupada.
– O que você falou para os caras?!
– Falei que ele participa de ‘pegas’ e só. Que não sabia nada das drogas e tal...
– Drogas?
– Tinha droga no carro que ele tava. Eu não sei, ta legal?! Eu não sei, faz e fala o que você quiser! – Ele saiu irritado, deixando Eire com a pulga atrás da orelha. O que será que estava acontecendo?
Continua...
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