Código Secreto
5 Capítulo 5 - Promessa: Uma vida pela outra.
Notas iniciais
Eles fugiram levando Hyoga e outro refém, por segurança. Os policiais rapidamente se ergueram assim que ouviram os pneus do carro cantando, queriam pegar todas as informações disponíveis.
Kanon ergueu-se e olhou para Ikki, Afrodite e Milo.
– Acho que essa é a prova de que ele é o tal chefe! Tiveram a audácia de vir aqui resgatá-lo! O que me diz disso, hein Ikki? Vai continuar sustentando a inocência do garoto!? – Ikki não disse nada.– Pegue-o de volta! – Foi uma ordem direta. Os amigos se entreolharam, aquilo não fazia muito sentido. Mas teriam que dar um jeito de pegar o garoto de volta. E Milo já tinha uma ideia de como fazer isso.
---------------------*---------------------*--------------------
Na sala do delegado Kanon, imperava o silêncio analítico sob as vozes que vinham do lado de fora da sala. Ikki, Milo e Afrodite estavam sentados à frente da mesa do geminiano, lado a lado e calados sem, contudo, olhar diretamente para o chefe de policia. Com o olhar vagando pelo local, o delegado tamborilava os dedos em sua mesa inquietamente, analisando o que tinha acabado de ouvir, enquanto tentava entender o que tinha acontecido naquela delegacia. Em todos os seus anos de polícia, poucas vezes viu um grupo tão audacioso.
A ousadia e a precisão daqueles que vieram resgatar o adolescente o alertava de que algo bem mais elaborado estava por trás disso. As suspeitas de Ikki Amamiya eram todas absurdas, não condiziam com os últimos acontecimentos, afinal, não teriam os jovens amigos de Hyoga coragem e preparo suficientes para arquitetar um resgate dentro de uma delegacia. Esses homens eram experientes e sabiam o que estavam fazendo. Assim, a probabilidade do loiro ser quem eles procuravam aumentava consideravelmente.
Logo imaginou que Ikki sabia mais do que aparentava. E se o conhecesse bem como sabia que conhecia, ele não estava muito preocupado em esconder que quer seja. Na verdade, a sua prioridade era o que considerava correto mesmo que isso fosse contra as suas ordens. Essa atitude independente o irritava, mas sabia reconhecer o valor do leonino. Sua experiência e habilidade sempre lhe foram úteis, apesar da evidente e incômoda indisciplina.
Kanon pigarreou e se ajeitou melhor em sua confortável cadeira, mirando Ikki desconfiado.
- Eu só queria entender como é que você tem tanta certeza que ele é inocente, se todos os indícios mostram justamente o contrário! As provas são deveras contundentes...
- Tão contundentes quanto as que provavam que o chefe era o Heitor... – Ikki retorquiu pela primeira vez. Kanon bufou e o encarou com um algo de raiva.
- Muito bem... O que está sugerindo é que o jovem é inocente e que os homens que vieram aqui são outro bando de adolescentes maconheiros e revoltados?! – Inquiriu ao seu melhor investigador, analisando-o. Milo e Afrodite se entreolharam desconfortáveis enquanto Ikki sequer se movia. Parecia apenas esperar que o liberasse para fazer seja lá o que for.
- Não temos certeza de quem arquitetou esse resgate, mas estamos trabalhando na hipótese de que o garoto é na verdade um ‘laranja’ nas mãos do verdadeiro chefe... – Afrodite disse suave e seguro de si como só ele sabia fazer. Kanon o encarou em silêncio por algum tempo, e só depois comentou.
- Então o que sugere? Devemos descartar as provas e os indícios que temos? – Perguntou um fio de voz, levemente irritado. Ikki não se intimidou. Aprumou-se na cadeira e encarando-o nos olhos retorquiu mais uma vez:
- Sugiro levantarmos nossos rabos dessas cadeiras e ir atrás de mais provas. Enquanto estamos aqui teorizando, o chefe está lá fora rindo da nossa cara... – O moreno desafiou tranquilamente, mesmo sabendo que isso irritava o delegado, o que colocava sua cabeça a prêmio na corporação, mas isso não o importava. Queria apenas pegar o chefe, o que viesse depois não importava.
- Não se preocupe com a ação, Ikki, já mandei alguns homens vigiarem a casa da mãe do seu protegidinho. Assim que ele entrar em contato com a família, nós o pegaremos novamente. – Ele encarou o investigador com um sorriso de escárnio nos lábios ao ver a expressão morena mudar levemente.
- Ótimo. – Respondeu sem vontade. Kanon respirou fundo e se virou para o pisciano.
- Afrodite, quero um relatório detalhado sobre a vida desse garoto. Tudo o que for possível saber do seu passado, histórico, família, amigos, tudo! Eu ainda não estou convencido de que ele é um mero ‘laranja’... Quero isso o mais rápido possível.
- Sim, senhor...
- Vocês dois... – Voltou-se para Milo e Ikki. – Independente do que vocês acham, não posso ignorar as provas que estão em minhas mãos. Quero esse garoto na minha sala o quanto antes, estamos entendidos?
- Claro. – Milo respondeu.
- A propósito, porque desligou a câmera? – Perguntou visivelmente desconfiado. O moreno o encarou e demorou alguns segundos para responder.
- Ele disse que estava desconfortável com a câmera. Achei que ele estava pronto para falar, se estivesse mais seguro de que nada lhe aconteceria. – Respondeu mantendo o ar tranquilo.
- Sabe que esse tipo de conduta não é permitido. – Disse, mas Ikki não respondeu nada. Se fosse outro certamente já teria sido mandado embora. Suspirou cansado e dispensou os investigadores. Assim que os viu levantar, chamou o leonino.
- Ikki? – Levantou-se e ao chegar perto deles fez sinal para que os outros dois saíssem, ficando a sós com o moreno. Este apenas cruzou os braços e esperou o que o outro diria. – Eu não sei o que está acontecendo, nem consigo entender suas razões para defender esse garoto desse jeito, mas sei que você é um excelente profissional e está tão determinado quanto eu para pegá-lo.
- Sim... – Confirmou.
- Só quero alertá-lo, que apesar de todas as suas qualidades, não vou tolerar mais nenhum tipo de postura inadequada... Não se deixe enganar por um rosto bonito. – Disse e levou as mãos ao braço do moreno, acariciando levemente. O investigador encarou os olhos do geminiano, algo ofendido.
- Não se preocupe, não vou me aproveitar do garoto... Eu bem sei que envolver trabalho com lazer não dá certo. – Disse rispidamente afastando as mãos de Kanon do seu braço.
- Ikki... – Tentou falar, mas foi logo cortado.
- Se for só isso, eu preciso ir delegado. – Frisou a última palavra, com semblante visivelmente irritado. Kanon, conformado, o soltou e confirmou gestualmente que ele poderia sair. O moreno não precisou de mais e saiu da sala do chefe.
A sua noite estava só começando. Precisava sair da delegacia o quanto antes. O rapaz devia estar assustado e isso era perigoso, precisava ir a seu encontro logo.Pensando assim decidiu ir até sua mesa pegar seus pertences e ir até o encontro do loiro, mas logo avistou seus colegas e eles estavam com caras de poucos amigos, esperando-o em sua mesa. Não acreditava que eles não desconfiassem de si, muito pelo contrário.
- E então...? Onde ele está? – Milo perguntou, cruzando os braços. O moreno ergueu uma sobrancelha pelo modo como aquele loiro lhe falou.
- Quem?
- Não se faça de cínico, Ikki! – Afrodite ralhou sem paciência, cruzando os braços também.
- Sabemos que você está por trás disso. Pode enganar o idiota do Kanon, mas não a nós! – Milo emendou.
- Vamos Ikki! Somos parceiros ou não? – Milo argumentou e Ikki bufou. Sim, se tinha alguém com quem pudesse contar por ali, certamente seriam seus parceiros Milo e Afrodite. Ciente de que precisava da ajuda dos amigos para dar segurança ao que Hyoga faria, não teve muita escolha e acabou falando a verdade.
- Eu ainda não sei onde colocá-lo... – Disse baixo e começou a recolher alguns objetos pessoais de sua mesa. O escorpiano riu baixinho.
- Aqui não seria o melhor lugar? Estaria numa cela e na nossa vista, não muito confortável, tudo bem, mas individual, seguro... – O loiro retorquiu o que lhe parecia o óbvio. – A menos que você tenha algo mais em mente... – Sondou.
- Não... aqui ele não poderia nos ajudar.
- Como é? – Milo pensou não ter entendido o que o amigo queria dizer.
- Espera! Você não está pensando no que eu acho que você está pensando, está? – Afrodite perguntou, pasmado com o que pareceu ter entendido.
- Hyoga vai entrar no ‘ninho’ do chefe e nos entregar as provas de que precisamos. – Respondeu naturalmente. Afrodite o encarou ainda mais incrédulo.
- Está dizendo que vai mandar um adolescente investigar a quadrilha mais procurada e perigosa da cidade? – Afrodite retorquiu, como que para alertá-lo de algo que ele já devia saber.
- Sim... Com a nossa ajuda, é claro. – Respondeu naturalmente.
- Eu não ouvi isso...! Essa é uma ideia absurda! Ele é só um garoto, completamente despreparado, vão jantá-lo assim que botarem a mão nele, o que muito provavelmente irá acontecer! Além de que com certeza o Kanon vai comer o seu fígado quando descobrir! Ikki, pelo amor de Deus! Não pode fazer isso com o garoto, é muito perigoso! – Volveu preocupado.
- Você tem uma ideia melhor? – Rebateu retoricamente. – Estamos na cola desse cara há tempo demais e sem nenhum resultado favorável. Não se preocupe, nós daremos todo o suporte de que ele precise e se algo der errado nós entraremos onde ele estiver e o resgataremos... E quanto ao Kanon, ele não vai saber.
- Nós...? – Afrodite suspirou, quanto mais ele falava menos acreditava.
- E ele topou? – Milo afirmou, depois de um tempo em silêncio. Afrodite o encarou surpreso, até ele estava apoiando essa ideia! – É muito arriscado sim, mas é a nossa melhor chance Afrodite! Agora o loirinho vai precisar ser muito habilidoso... – O pisciano revirou os olhos, vencido.
- A princípio sim, mas eu ainda preciso conversar com ele, pegar a confiança dele para que ele me obedeça e não faça nenhuma besteira... Se ele é habilidoso, teremos que ver na prática.
– Leve-o para sua casa... Ele não vai poder voltar para casa devido a escolta. – Milo sugeriu.
- Minha casa... — Ikki repetiu, mais para si mesmo. Sua hesitação foi notada pelo amigo, que não entendeu.
- O que foi?Algum problema?
- Não, nenhum problema. – Disfarçou seu incomodo com a situação.
- Woww... espera, espera, espera! Eu já vi essa cara antes!... Ikki, nada de se envolver com os suspeitos! Você sabe... – Afrodite alertou.
- Ele não é suspeito! E eu não estou envolvido com ele! – Irritou-se, acabando por aceitar a sugestão de Milo. – Eu vou levá-lo para minha casa! – Disse saindo e indo ao encontro do adolescente.
- Ele já está envolvido, Afrodite... E o pior é que nem sabe disso. – Milo concluiu, olhando o amigo.
- Era só o que faltava... – O pisciano meneou a cabeça, previa problema e dos grandes aparecendo pela frente.
- Eu vou com ele... – O escorpião disse, seguindo o moreno. Afrodite suspirou, precisava muito de um café para acalmar seus nervos. Mas afinal, onde é que estavam Natássia e Camus? Pensou olhando em volta da delegacia.
Do lado de fora, Ikki mal tinha entrado em seu carro e Milo já se apoiava na janela do lado do motorista. Assim que o percebeu, riu da pose sugestiva do amigo. Era um gozador.
- Não adianta rodar a bolsa hoje Milo, estou com pressa... – Zombou, fazendo o outro rir.
- Sim, eu sei... Mas ainda não desisti de você moreno... – Disse fazendo o outro rir ainda mais. — Não vai me dizer que não marcou nenhum local de encontro pra pegar o garoto né... – Adotou uma postura mais séria. O moreno riu e se aprumou no banco.
- Se não se importa prefiro conversar com ele as sós, primeiro... – O loiro sorriu sacana.
-Ikki, Ikki...
- Não começa você também... Eu não me envolveria com o garoto.
- Ah ok... E também você nem gosta de loiros não é?! – Disse mordendo o canto do lábio, irônico e malicioso. Ikki meneou a cabeça. Isso não podia negar.
- Eu combinei com o garoto que iria sozinho... ele vai estranhar se você for. Pode acabar estragando tudo. Ainda não peguei a confiança dele. – Explicou-se. O loiro ficou encarando-o. Até acreditava no amigo, mas algo lhe dizia que o moreno estava se envolvendo mais do que deveria no problema de Hyoga.
- Amanha estarei na sua casa bem cedo, então...
- Valeu... – Assim que o amigo se afastou, o moreno acelerou com seu carro rumo ao local marcado. No caminho foi traçando uma estratégia mental para ganhar sua confiança. Esse era um ponto crucial naquela ação perigosa e percebera logo de cara que o loiro era extremamente rebelde e arredio. Essa seria uma missão bem complicada, mas todo o sucesso dessa ação dependia de sua capacidade de ganhar a confiança de Hyoga.
Não levou muito tempo para chegar ao local marcado, que era na verdade o seu apartamento. Morava perto da delegacia, mas num local residencial e que ficava um pouco deserto a noite. Era o lugar perfeito afinal, a sugestão de Milo. Assim, Hyoga estaria sempre perto de si, e ao mesmo tempo escondido.
Desceu do carro e olhou ao redor. No final da rua encontrou o carro que tinha levado o adolescente. Sabia que seus amigos de muito tempo estavam lá, velando o loiro que já estava dentro de sua casa. Assim que foi visto, o carro se movimentou, deixando-o. Ele meneou a cabeça em agradecimento quando o carro passou devagar rente ao seu lado. Assim que se viu sozinho, ele subiu para seu apartamento. Propositadamente deixou a porta destrancada, justamente para que Hyoga não tivesse problemas ao entrar.
Entrou e parou ao vê-lo em pé perto da janela. Ele estava visivelmente tenso e assustado. Era esperado, é claro, afinal ele estava em local desconhecido, sozinho depois de descobrir estar tão enrolado com a polícia.
Oi... – Cumprimentou entrando devagar. Hyoga não respondeu, apenas o encarava fixamente. – Sei que deve estar confuso, mas... pode confiar em mim. Quero apenas ajudá-lo. – Tentou um diálogo, e céus! Só agora se deu conta de como isso seria difícil. Amparar os medos, as dúvidas, confortá-lo para que ele pudesse confiar em si, habilidades que definitivamente não faziam parte de sua vida. Na verdade era péssimo para lidar com as palavras, sentimentos... Toda essa psicologia que sempre preferia passar para Afrodite.
Sem saber o que dizer para tirar aquele olhar confuso e assustado sobre si, Ikki bufou discretamente.
- Eu vou à cozinha, quer comer alguma coisa? – Preferiu um papo mais casual. Sim, estava fugindo de uma conversa, tão necessária, mas que ainda não sabia como lidar. O loiro não respondeu nada novamente e isso já estava irritando-o. Seguiu para a cozinha. Alguns minutos depois ouve Hyoga perguntar.
- Aqueles homens foram embora? – Ikki estava pegando o lamen quando ouviu a pergunta e estranhou. Foi até a sala encará-lo e perguntou:
- Já foram. Por quê?
- Por nada... – Apressou-se a responder. O moreno ainda o fitou por algum tempo antes de oferecer novamente.
- Vou fazer lamen para mim, tem certeza que não quer nada? Posso preparar um lanche para você, se preferir.
- Estou sem fome... – Respondeu simplesmente. Até que ele não estava causando problemas. Estava visivelmente assustado, mas não arredio e agressivo e isso era bom.
- Fique a vontade... Se quiser ir ao banheiro é naquela porta. – Indicou, tentando ser gentil. Hyoga não disse nada novamente, e então o moreno voltou para cozinha preparar seu macarrão.
O loiro não sabia o que fazer. Em sua cabeça só se passava que estava muito enrascado e que talvez o ideal fosse fugir dali. Não queria ter que bancar o espião dos policiais, principalmente porque sabia que se o pegassem seria o seu fim. Queria fugir, mas pra onde? Talvez até tivesse que fugir do país, mas com que dinheiro? Camus jamais o ajudaria, certeza que ele seria o primeiro a denunciá-lo se pudesse. E sua mãe... bom, talvez sua mãe pudesse ajudá-lo a fugir. Só que ela nunca iria acreditar que ele é inocente. Piegas como só ela, iria aconselhá-lo a ficar e encarar a justiça, pois se era inocente certamente a justiça provaria isso. Se ainda estivesse com seu celular, poderia tentar algo com Hagen, seu pai tinha dinheiro, poderia ajudá-lo.
Mas mesmo que conseguisse fugir, ainda seria caçado por eles, com certeza. Seria como assumir a culpa de algo que ele não fez e nunca mais poderia viver em paz. Viveria fugindo como um bandido. Sem falar que fugir não fazia nem um pouco o seu estilo... Não era medroso, mas nesse caso, admitia mesmo que relutantemente, que estava com medo, e muito!
- Merda... – Murmurou para si mesmo. E ainda por cima aquele policial não falava nada. Entrou e logo foi para a cozinha como se ele fosse uma mera visita e não estivesse acontecendo nada. E essa atitude estava deixando-o louco de tanta angustia. Esperava que ele fosse falar alguma coisa, traçar uma estratégia com ele, dar-lhe instruções, armas, bombas, sei lá, qualquer coisa!
Vacilante, Hyoga caminhou para a cozinha e viu o moreno mexendo algo no fogão. O cheiro do molho do macarrão lentamente entrou nas suas narinas e só então sentiu a fome abater-lhe. Estava desde o almoço sem comer nada, e já estava tarde da noite. Como se pressentisse a sua presença, Ikki sorriu de lado e disse:
- Estou fazendo pra você também, caso queira comer mais tarde... – Disse sem encará-lo, contudo.
- Obrigado. – Agradeceu e ficou em silêncio vendo-o cozinhar sem dizer mais nada. Porque raios ele não falava nada, cassete! Ele que traçou essa ideia toda de sequestro, de infiltração, essa merda toda, e agora fica nesse silêncio? Que merda! Pensava consigo mesmo. Queria, mas queria muito pedir a ele que o ajudasse a fugir, já que a princípio ele queria ajudá-lo. Suspirou, a quem queria enganar?! O policial a sua frente não estava nem um pouco preocupado consigo. Não estava querendo ajudá-lo. Só queria pegar o bandido, e faria o que fosse para isso, nem que para isso tivesse que envolvê-lo. Era um homem inescrupuloso, pelo visto. E isso não era bom, não mesmo!
- Hyoga? — Piscou ao ser retirado abruptamente de seus devaneios. O moreno já estava com a mesa posta e parecia apetitoso. – Vai querer agora? – Ouviu-o perguntar e ele respondeu que sim gestualmente. Ikki o serviu e indicou que sentasse. – No que estava pensando? – Perguntou percebendo que ele estava bem longe dali.
- Estava pensando... Se você quer me ajudar mesmo ou se só quer pegar o tal chefe. – Respondeu enquanto sentava a mesa para comer.
- Quero os dois... – Respondeu enquanto começava a comer.
- Então não adianta pedir para me ajudar a fugir... – Murmurou desanimado. Ikki o encarou finalmente. Não pode dizer que foi uma surpresa que ele quisesse fugir.
- É o que quer? – Hyoga o olhou como se aquilo fosse a pergunta mais idiota do mundo.
- Sim, claro!
- Bom, devo dizer que por enquanto você é o único suspeito e do jeito que estamos, será o único. Logo você terá que conviver com o fato de ser um fugitivo, sempre com medo de ser pego, e por crime que não cometeu. É isso o que você quer? Enquanto você estiver fugindo, o verdadeiro chefe estará cometendo diversos crimes. Sabe disso? – Perguntou seriamente, mas sem deixar de comer. Hyoga sabia daquilo, claro, mas ouvir de boca de outro confirmava algo que ele tinha esperanças de não ser verdade. Bufou irritado. – Sei que está assustado e com medo... Não tiro sua razão, vai ser sim muito arriscado. Mas se aceitar me ajudar a pegar esse cara, você ganhará a sua vida e sua liberdade de volta. – Ikki olhou fixamente nos olhos assustados do loiro e prometeu: — E eu te prometo Hyoga, te prometo pela vida do meu filho, que eu estarei contigo nessa, que vou te proteger e te ajudar, prometo que darei minha vida pela sua se for preciso.
Continua...
Fale com o autor