Cassie seguiu o movimento do cristal. Ele estava apontando para

cima, ela decidiu ir à direção oposta que levou em uma parede.

— É melhor sair ao ar livre, de qualquer maneira — , disse

Adam. — Caso contrário, poderá não ser capaz de segui-lo.

Cassie assentiu. Ela e Adam estavam falando rapidamente, tensos —

mas com calma. A causa das agitações violentas acontecia justamente sob

a superfície, mantida para baixo por pura força de vontade. Ter alguma

coisa para fazer foi o que fez a diferença, ela pensou enquanto subiam as

escadas. Ela não podia se dar ao luxo de ter ataques histéricos agora, ela

tinha que manter sua mente clara para rastrear assassino de Jeffrey. No

corredor de fora do escritório do custodiante se depararam com Deborah e

os irmãos Henderson.

— Adam, cara, o que está acontecendo? — Chris disse. Cassie viu

que ele havia bebido. — Nós estávamos vindo para baixo para um tomar

um pouco de ar fresco, sabe...

— Não lá em baixo —, Adam disse secamente. Ele olhou para Doug,

que parecia menos embriagado. — Vá buscar Melanie — , disse ele. — E

diga a ela para chamar a polícia. Jeffrey Lovejoy foi assassinado.

— Você está falando sério? — Deborah disse. Sua expressão era

cruel. — Certo!

— Não —, disse Cassie antes que ela pudesse se conter. — Você não

o viu. É terrível — e não há nada para se brincar com isso.

Adam colocou o braço na frente de Cassie quando Deborah tentava se

aproximar.

— Por que você não nos ajuda ao invés de brigar com gente do nosso

time? Estamos tentando rastrear a energia sombria que o matou.

— A energia sombria —, Deborah repetiu com desdém.

Cassie respirou rápido, mas Nick estava falando.

— Eu não acredito nisso também — , disse ele calmamente. — Mas

se não for a energia sombria, isso significa que foi uma pessoa quem fez

isso, alguém que tinha um rancor profundo por Jeffrey.

Ele olhou para Deborah, seus olhos frios.

Deborah olhou de volta com arrogância. Cassie olhou para ela em seu

vestido preto decotado, mais como um top sem mangas de um vestido e

botas de camurça. Deborah estava beligerante, antagônica, hostil e forte.

Pela primeira vez em muito tempo Cassie notou a tatuagem de uma lua

crescente sobre clavícula de Deborah.

— Por que você não nos ajuda, Deborah? —, ela disse. — Este cristal

está apontando algo no alto, desde antes de começarmos a conversar.

Ajude-nos a encontrar o que está sendo rastreado.

E depois acrescentou inspirada por algum instinto inconsciente: —

Claro, é provavelmente perigoso...

— E daí? Você acha que eu estou com medo? — Deborah exigia. —

Tudo bem, eu estou voltando. Vocês, garotos, dêem um fora daqui —

disse ela aos Henderson.

Para surpresa de Cassie, Chris e Doug saíram, provavelmente indo

contar à Melanie.

— Tudo bem — Cassie disse, segurando o cristal novamente.

Ela estava com medo que ele não faria nada, agora que a sua

concentração tinha sido interrompida.

E no início ele simplesmente parou no final da corrente, oscilando

muito pouco. Mas então, enquanto os quatro deles ficaram olhando para

ele, o balanço lentamente tornou-se mais pronunciado. Cassie prendeu a

respiração, tentando impedir que a mão tremesse. Ela não queria

influenciar o cristal de forma alguma.

Definitivamente era balançando agora. Em direção à sala de

aquecimento e para fora na direção da frente da escola.

— Leste —, Adam disse em voz baixa.

Segurando o cristal no alto na mão esquerda, Cassie seguiu a direção

do balançar pelo corredor.

Lá fora, a lua estava quase cheia, alta no céu, deixando-se cair a oeste

por trás deles.

— A Lua de Sangue —, Adam disse suavemente. Cassie se lembrou

de Diana dizendo que as bruxas contavam seus anos em luas, não em

meses. O nome desse ano era terrivelmente apropriado, mas ela não olhou

para trás novamente. Ela estava se concentrando no cristal.

No início, eles caminharam pela cidade, com lojas fechadas e edifícios

vazios em cada lado deles. Nada ficou aberto à meia-noite em New Salem.

Em seguida, as lojas tornaram-se menos frequentes, e havia algumas casas

aglomeradas. Finalmente, eles estavam andando por uma estrada que

ficava mais solitária a cada passo, e tudo que os cercavam eram os

barulhos da noite.

Não havia nenhuma habitação humana aqui fora, mas a lua estava

brilhante o suficiente para poder enxergar. Suas sombras ficavam esticadas

na frente deles enquanto eles passavam. O ar estava frio, e Cassie

estremeceu sem tirar os olhos do cristal.

Ela sentiu algo cair sob seus ombros. A jaqueta de Adam. Ela lhe deu

um olhar agradecido, e rapidamente olhou para o cristal de novo; se ela

vacilasse em sua concentração, isso poderia ser ruim, correndo o risco de

perder a direção do crista. Nunca balançou tão vigorosamente quanto o

peridoto tinha balançado por Diana, mas, em seguida, Cassie não era

Diana, e ela não tinha um coven quase completo para apoiá-la.

Atrás dela ela ouviu Adam falar com firmeza: — Nick?

E depois a voz rouca de Deborah:

— Eu não aceitaria de qualquer forma. Eu nunca fico com frio.

Eles estavam em uma estrada de terra estreita agora, ainda rumo ao

leste. De repente, Cassie teve um pensamento terrível.

Oh, meu Deus... A casa de Faye. É onde nos perdemos e é para onde

estamos indo. Vamos rastrear algo diretamente para o quarto de Faye, e

depois?

A frieza que passou por ela agora era mais profunda e mais

entorpecente que o vento da noite. Se a energia sombria que tinha

explodido através do teto de Faye tinha matado Jeffrey, Cassie era tão

culpada como Faye era.

Ela era uma assassina.

Então pare de rastreá-lo, uma voz fraca dentro dela sussurrou. Você

está controlando o cristal; dê um giro para a direção errada.

Mas ela não parou.

Ela manteve os olhos no cristal em formato de lágrima, que parecia

brilhar com uma luz leitosa na escuridão, e ela o deixou balançar do jeito

que queria.

Se a verdade vier à tona, ele sai, ela disse a si mesma frieza. E se ela

era uma assassina, ela merecia ser presa. Ela iria seguir essa trilha onde

quer que desse.

Mas não parecia estar levando a Estrada Crowhaven. Eles ainda

estavam indo para o leste, e não nordeste. E de repente a estrada estreita e

esburacada que estavam começou a parecer familiar.

Lá na frente, ela vislumbrou uma cerca de arame.

— O cemitério — Adam disse suavemente.

— Espera — Deborah disse. — Você viu? Olha!

— O que, no cemitério? — Adam perguntou.

— Não! Naquela coisa, de novo! No alto da estrada.

— Não vejo nada — Nick disse.

— Você tem que ver. Olha, está se movendo e…

— Eu vejo uma sombra — Adam disse. — Ou talvez um gambá ou

um...

— Não, é grande — Deborah insistiu. — Lá! Você não consegue ver?

Cassie olhou; ela não poderia ajudar. De primeira vista, a estrada

solitária parecia sombria e parada, mas então ela viu algo. Uma sombra, ela

pensou... Mas uma sombra do que? Não parecia mentira ser uma sombra.

Parecia estar de pé, e estava se movendo.

— Não vejo nada — Nick disse novamente, áspero.

— Então você é cego — Deborah surtou. — Parece com uma pessoa.

Debaixo da jaqueta de Adam, Cassie sentia arrepios. Parecia com uma

pessoa — exceto que parecia se transformar a cada minuto, ora alto, ora

baixo, ora gordo, ora magro. Às vezes desaparecia completamente.

— Ele está indo para o cemitério — Deborah disse.

— Não, olha! Está indo em direção ao galpão! — Adam gritou. —

Nick, vamos!

Ao lado da estrada estava um galpão abandonado. Mesmo à luz do luar

estava claro que estava caindo aos pedaços. A forma ofuscada parecia

misturada para ela, se fundindo com a escuridão por trás do galpão.

Adam e Nick estavam correndo, Nick rosnava:

— Estamos correndo atrás de nada!

Deborah estava tensa e alerta, escaneando a estrada. Cassie olhou

para a cerca com desânimo.

A concentração de todos tinha sido abalada, o cristal estava girando

sem rumo.

Ela olhou para cima para dizer algo e inspirou fundo e rápido. — Está

lá!

Ele reapareceu ao lado do galpão, e foi se movendo rapidamente. Ele

atravessou a cerca de arame.

Deborah estava em um instante, correndo como um cervo. E Cassie,

sem qualquer ideia do que ela estava fazendo, estava bem atrás dela.

— Adam! — ela gritou. — Nick, é por aqui!

Deborah chegou a cerca de altura da cintura e passou sobre ela, seu

vestido tomara que caia não atrapalhou.

Cassie a alcançou um segundo depois, hesitante, então se posicionou

na cerca, sacudindo suas saias para fora do caminho e ela impulsionou-se

mais. Ela desceu com uma sacudida que machucou o tornozelo, mas não

houve tempo para se preocupar com isso. Deborah estava correndo à

frente.

— Eu consegui —, Deborah gritou. — Eu consegui!

Cassie podia ver apenas na frente de Deborah. Ele tinha parado em

seu vôo em linha reta e foi pulando de um lado para outro como se

estivesse procurando escapar. Deborah estava correndo, também,

bloqueando-o como se fosse um protetor em um time de basquete.

Devemos estar loucas Cassie pensou, enquanto ela alcançou a outra

menina. Ela não podia deixar que Deborah enfrente a coisa sombria

sozinho, mas o que elas iriam fazer com ele?

— Há um feitiço ou alguma coisa para segurá-lo? — ela ofegou.

Deborah jogou-lhe um olhar assustado, e Cassie viu que ela não tinha

percebido Cassie estava atrás dela.

— O que?

— Temos que prendê-lo de alguma forma! Existe um feitiço…

— Se abaixem! — Deborah berrou.

Cassie mergulhou para o chão. A sombra-coisa havia aumentado

subitamente o dobro do seu tamanho, como um gato enfurecido, e então

ele tinha se lançado contra elas. Diretamente para elas. Cassie sentiu que

ele passou sobre a sua cabeça, mais frio do que gelo e mais negro do que o

céu noturno.

E então desapareceu.

Deborah e Cassie se sentaram e se olharam;

Nick e Adam apareceram, correndo.

— Você está bem? — Adam exigiu.

— Sim — Cassie disse tremendo.

— O que vocês duas estavam fazendo? — Nick disse, olhando para

elas em descrença. E até mesmo Adam perguntou: — Como você

conseguiu pular a cerca?

Deborah deu-lhe um olhar de desprezo.

— Não quis dizer você — ele disse.

Cassie deu-lhe um olhar de desprezo.

— Garotas podem pular — ela disse.

Ela e Deborah se levantaram e começaram a arrumar o cabelo

bagunçado uma da outra, trocando um olhar de cumplicidade.

— Sumiu, agora — Adam disse, sabiamente ao esquecer o tema das

cercas. — Mas pelo menos sabemos agora como se parece.

Nick fez um som zombeteiro.

— Como que se parece?

— Você ainda diz que não viu — Deborah disse sem paciência. —

Estava aqui. Foi até Cassie e eu.

— Eu vi alguma coisa, mas o que te faz pensar que era a energia

sombria?

— Nós o estávamos rastreando — Adam disse.

— Como que sabemos o que estávamos rastreando? — Nick rebate.

— Algo que estava perto do lugar onde LoveJoy foi assassinado, isso é

tudo. Isso podia ser a “energia sombria” ou um fantasma de jardim

qualquer.

— Um fantasma? — Cassie disse, assustada.

— Claro. Se você acredita, alguns deles rondam lugares onde ocorreu

um assassinato.

Deborah falou ansiosamente.

— Sim, como a Mulher das Lamentações de Beverly, aquela senhora

de preto que aparece quando alguém vai morrer pela violência.

— Assim como o navio fantasma de Kennybunk — o Isidoro. O que

vem e mostra-lhe o seu caixão, se você vai morrer no mar — Adam disse,

parecendo pensativo.

Cassie estava confusa.

Ela pensou que estavam caçando a energia sombria, quem diria?

— Ele acaba no cemitério —, disse ela lentamente. — O que parece

ser um lugar lógico para um fantasma. Mas se não foi a energia sombria

que matou Jeffrey, quem foi? Quem iria querer matá-lo?

Assim que ela perguntou, obteve a resposta. Vividamente em sua

mente, ela viu Jeffrey entre duas garotas: uma alta, sombria, e

perturbadoramente linda; a outra pequena e magra, com cabelo oxidado e

um rosto belicoso.

— Faye ou Sally — , ela sussurrou. — Ambas estavam esta noite com

ciúmes. Mas, oh, olha, mesmo se eram loucas o suficiente para matá-lo,

nenhuma delas poderia ter realmente feito isso! Jeffrey era um atleta.

— Uma bruxa poderia ter feito isso —, disse Deborah com

naturalidade. — Faye poderia ter feito ele se matar.

— E Sally tem amigos no time de futebol —, acrescentou Nick

secamente. — É assim que ela conseguiu se votada para Rainha do Baile.

Se eles o estrangularam e depois o amarraram...

Adam estava parecendo perturbado com essa discussão a sangue frio.

— Você não acredita nisso de verdade.

— Hey, uma mulher desprezada, sabe? — Nick disse. — Eu não

estou dizendo que nenhuma deles fez isso. Estou dizendo que qualquer

uma delas poderia ter feito.

— Bem, não vamos descobrir isso permanecendo aqui —, disse

Cassie, tremendo. A jaqueta de Adam tinha escorregado quando ela saltou

por cima da cerca. — Talvez se a gente pudesse tentar rastreá-lo

novamente...

Foi então que ela percebeu que não estava segurando o cristal.

— Desapareceu —, ela disse. — O cristal de Melanie. Eu devo ter

perdido quando tivemos que correr. Deve estar aqui no chão, bem aqui.

Tem que estar —, ela disse.

Mas não estava. Eles pararam para olhar, e Cassie verificou a grama

com as mãos, mas não havia nada.

De alguma forma, este desastre final, incrivelmente minúsculo em

comparação com tudo o que tinha acontecido naquela noite, trouxe Cassie

às lágrimas.

— Estava na família de Melanie por gerações —, disse ela, piscando.

— Melanie vai entender — Adam disse-lhe suavemente. Ele colocou

uma mão em seu ombro, não facilmente, mas com cuidado, em plena

consciência de que eles estavam na frente de testemunhas.

— É verdade, porém, não há utilidade em ficar em pé aqui — disse

ele para os outros. — Vamos voltar para a escola. Talvez tenham

descoberto algo sobre Jeffrey lá.

Enquanto Cassie caminhava, os sapatos da Cinderela machucavam

seus pés e o vestido prateado de Laurel está riscado de sujeira, ela

encontrou-se olhando direto para a Lua de Sangue. Ela pairava sobre New

Salem, como o Anjo da Morte, ela pensou.

Normalmente, na noite de lua cheia, o Círculo se reuniria e

comemoraria. Mas no dia seguinte ao assassinato de Jeffrey Diana ainda

estava doente, Faye estava se recusando a falar com qualquer pessoa, e

ninguém mais teve coragem de convocar uma reunião.

Cassie passou o dia se sentindo miserável. Ontem à noite no colégio a

polícia não havia encontrado nenhuma pista quanto ao assassino de

Jeffrey. Eles não disseram se ele tinha sido estrangulado e depois

pendurado, ou se ele tinha acabado de ser enforcado. Eles não diziam

muita coisa, e eles não gostavam de perguntas.

Melanie tinha sido gentil com o colar, mas Cassie ainda se sentia

culpada. Ela usou-o para sair em que acabou por ser uma perseguição

selvagem e depois que ela o perdeu. Mas muito pior era o sentimento de

culpa por Jeffrey.

Se ela não tivesse dançado com ele, talvez Faye e Sally não teriam

ficado tão zangadas. Se ela não tivesse deixado Faye ficar com a caveira,

então a energia sombria não teria sido liberada. No entanto, ela olhou para

ele, ela se sentia responsável, e ela não tinha dormido a noite toda para

pensar nisso.

— Você quer conversar? — sua avó disse, olhando da mesa onde ela

estava cortando a raiz de gengibre. A cozinha arcaica que parecia tão

confusa para Cassie quando ela chegou a New Salem era agora uma

espécie de paraíso. Havia sempre alguma coisa para fazer aqui, de corte ou

de secagem ou preservar as ervas do jardim de sua avó, e muitas vezes

havia um fogo na lareira. Era um lugar alegre, acolhedor.

— Oh, vovó — disse Cassie, depois parou. Ela queria falar, sim, mas

como ela poderia?

Ela olhou para as mãos enrugadas da avó espalhando a raiz em um

rack de madeira para a secagem.

— Você sabe, Cassie, que estou sempre aqui para você e a sua mãe

também — a avó continuou.

Ela lançou um olhar súbito até a porta da cozinha, e Cassie viu que

sua mãe estava lá.

Os grandes olhos escuros de Mrs. Blake estavam fixos em Cassie, e

Cassie achava que havia algo triste neles. Desde que tinha vindo para estas

"férias" de Massachusetts, a mãe parecia perturbada, mas estes dias houve

uma espécie de melancolia em seu rosto cansado que intrigou Cassie. Sua

mãe era tão bonita, tão jovem e bonita, e o desamparo novo em sua

expressão a fazia parecer ainda mais jovem do que nunca.

— E você sabe, Cassie, que se você está realmente infeliz aqui ... —

sua mãe começou, com uma espécie de desafio em seu olhar.

A vó de Cassie ficou rígida e parou de espalhar as raízes.

— ... não temos de ficar. — sua mãe finalizou.

Cassie ficou estarrecida. Afinal, ela tinha passado as primeiras

semanas em New Salem, depois de todas aquelas noites que ela queria

morrer de saudade, agora a mãe dela disse que elas poderiam ir? Mas

ainda mais estranho foi a forma como a avó Cassie estava encarando.

— Fugir nunca resolveu nada —, disse a mulher mais velha. — Você

não aprendeu isso ainda? Não temos nós todos...

— Há duas crianças mortas —, a mãe de Cassie disse. — E se Cassie

quer deixar aqui, nós o faremos.

Cassie olhou de uma para a outra em perplexidade. O que elas

estavam falando?

— Mãe —, disse ela abruptamente — por que você me trouxe aqui?

Sua mãe e avó estavam ainda olhando para a outra, uma batalha de

vontades, Cassie pensou. Então a mãe de Cassie olhou para longe.

— Vejo você no jantar — disse ela, e tão de repente como tinha

aparecido, ela saiu da sala.

A avó de Cassie soltou um longo suspiro. Suas mãos tremiam um

pouco enquanto ela pegou outra raiz.

— Há algumas coisas que você só pode entender mais tarde — disse a

Cassie, depois de um momento. — Você vai ter que confiar em nós para

isso, Cassie.

— Isso tem algo a ver com o porquê de você e mamãe foram afastadas

por tanto tempo? Não é?

Uma pausa. Em seguida, a avó disse baixinho: — Você vai ter que

confiar em nós...

Cassie abriu a boca, em seguida, fechá-la novamente. Não houve

razão em pressioná-la ainda mais. Tal como ela já havia aprendido, sua

família era muito boa em guardar segredos.

Ela iria ao cemitério, ela decidiu. Ela poderia aproveitar o ar fresco, e

talvez se encontrasse cristal Melanie, ela iria se sentir um pouco melhor.

***

Uma vez lá, ela desejava que ela tivesse pedido a Laurel para ir junto.

Mesmo que o sol de outubro fosse brilhante, o ar estava incisivo, e algo

sobre o cemitério desanimados deixou Cassie desconfortável.

Gostaria de saber se fantasmas saem durante o dia, pensou ela, enquanto

ela localizou o lugar onde ela e Deborah tiveram de se jogar de bruços.

Mas não apareceram fantasmas. Nada mudou, exceto as pontas da grama

que ondulava na brisa.

Os olhos de Cassie escanearam o chão, à procura de qualquer lampejo

de corrente de prata brilhante ou de quartzo claro. Ela passou pela área de

polegada por polegada. A cerca tinha que estar aqui mesmo. . . mas não

estava. Finalmente, ela desistiu e sentou-se sobre os calcanhares.

Foi quando ela percebeu o galpão novamente.

Ela havia esquecido de perguntar a sua avó sobre isso. Ela tem que se

lembrar hoje à noite. Ela se levantou e caminhou até ele, olhando para ele

com curiosidade.

À luz do dia, ela podia ver que a porta de ferro estava enferrujada. O

cadeado estava enferrujado demais, mas parecia bastante moderno. O

pedaço de cimento na frente da porta era grande, ela não viu como poderia

ter chegado lá. Era certamente muito pesada para uma pessoa carregar.

E por que alguém queria levá-lo até lá?

Cassie se afastou do galpão. As sepulturas deste lado do cemitério

eram modernas demais, ela as tinha visto antes. A escrita nas lápides era

realmente legível. Eve Dulany, 1955-1976, ela leu. Dulany era o

sobrenome de Sean, a qual deve ser sua mãe.

A próxima pedra tinha dois nomes: David Quincey, 1955-1976, e

Melissa B. Quincey, 1955-1976. Pais de Laurel, Cassie pensou. Deus,

deve ser horrível ter ambos seus pais mortos. Mas a Laurel não era a única

criança na Estrada Crowhaven que tinha pais mortos. Aqui mesmo ao lado

da lápide Quincey estava outro indicador: Nicholas Armstrong, 1951-

1976; Sharon Armstrong, 1953-1976. Mãe e pai de Nick.

Tem que ser.

Quando ela viu a terceira lápide, os pelos nos braços de Cassie

começaram a formigar.

Linda Whittier, ela leu. Nascida em 1954, morreu em 1976. Mãe de

Suzan.

Morreu 1976.

Bruscamente, Cassie se virou para olhar para a lápide dos Armstrong

novamente. Ela tinha razão, tanto os pais de Nick tinham morrido em

1976 quanto os Quinceys ... Ela estava andando mais rápido agora. Sim.

Em 1976 novamente. E Eva Dulany, também: morreu 1976.

Algo ondulava até espinha de Cassie e ela quase correu para as lápides

do outro lado do monte. Mary Meade — a mãe de Diana morreu em 1976.

Marshall Glaser e Glaser Sophia Burke. Os pais de Melanie. Morreram

em 1976. Grant Chamberlain. Pai de Faye. Morreu em 1976. Adrian e

Elizabeth Conant. Pais de Adam. Morreram em 1976.

Mil novecentos e setenta e seis. Mil novecentos e setenta e seis!

Houve uma agitação terrível no estômago de Cassie e os cabelos na

parte de trás do pescoço dela estavam arrepiados.

O que em nome de Deus aconteceu em Salem em 1976?