Círculo Secreto A Prisioneira
7 Capítulo 7
Cassie seguiu o movimento do cristal. Ele estava apontando para
cima, ela decidiu ir à direção oposta que levou em uma parede.
— É melhor sair ao ar livre, de qualquer maneira — , disse
Adam. — Caso contrário, poderá não ser capaz de segui-lo.
Cassie assentiu. Ela e Adam estavam falando rapidamente, tensos —
mas com calma. A causa das agitações violentas acontecia justamente sob
a superfície, mantida para baixo por pura força de vontade. Ter alguma
coisa para fazer foi o que fez a diferença, ela pensou enquanto subiam as
escadas. Ela não podia se dar ao luxo de ter ataques histéricos agora, ela
tinha que manter sua mente clara para rastrear assassino de Jeffrey. No
corredor de fora do escritório do custodiante se depararam com Deborah e
os irmãos Henderson.
— Adam, cara, o que está acontecendo? — Chris disse. Cassie viu
que ele havia bebido. — Nós estávamos vindo para baixo para um tomar
um pouco de ar fresco, sabe...
— Não lá em baixo —, Adam disse secamente. Ele olhou para Doug,
que parecia menos embriagado. — Vá buscar Melanie — , disse ele. — E
diga a ela para chamar a polícia. Jeffrey Lovejoy foi assassinado.
— Você está falando sério? — Deborah disse. Sua expressão era
cruel. — Certo!
— Não —, disse Cassie antes que ela pudesse se conter. — Você não
o viu. É terrível — e não há nada para se brincar com isso.
Adam colocou o braço na frente de Cassie quando Deborah tentava se
aproximar.
— Por que você não nos ajuda ao invés de brigar com gente do nosso
time? Estamos tentando rastrear a energia sombria que o matou.
— A energia sombria —, Deborah repetiu com desdém.
Cassie respirou rápido, mas Nick estava falando.
— Eu não acredito nisso também — , disse ele calmamente. — Mas
se não for a energia sombria, isso significa que foi uma pessoa quem fez
isso, alguém que tinha um rancor profundo por Jeffrey.
Ele olhou para Deborah, seus olhos frios.
Deborah olhou de volta com arrogância. Cassie olhou para ela em seu
vestido preto decotado, mais como um top sem mangas de um vestido e
botas de camurça. Deborah estava beligerante, antagônica, hostil e forte.
Pela primeira vez em muito tempo Cassie notou a tatuagem de uma lua
crescente sobre clavícula de Deborah.
— Por que você não nos ajuda, Deborah? —, ela disse. — Este cristal
está apontando algo no alto, desde antes de começarmos a conversar.
Ajude-nos a encontrar o que está sendo rastreado.
E depois acrescentou inspirada por algum instinto inconsciente: —
Claro, é provavelmente perigoso...
— E daí? Você acha que eu estou com medo? — Deborah exigia. —
Tudo bem, eu estou voltando. Vocês, garotos, dêem um fora daqui —
disse ela aos Henderson.
Para surpresa de Cassie, Chris e Doug saíram, provavelmente indo
contar à Melanie.
— Tudo bem — Cassie disse, segurando o cristal novamente.
Ela estava com medo que ele não faria nada, agora que a sua
concentração tinha sido interrompida.
E no início ele simplesmente parou no final da corrente, oscilando
muito pouco. Mas então, enquanto os quatro deles ficaram olhando para
ele, o balanço lentamente tornou-se mais pronunciado. Cassie prendeu a
respiração, tentando impedir que a mão tremesse. Ela não queria
influenciar o cristal de forma alguma.
Definitivamente era balançando agora. Em direção à sala de
aquecimento e para fora na direção da frente da escola.
— Leste —, Adam disse em voz baixa.
Segurando o cristal no alto na mão esquerda, Cassie seguiu a direção
do balançar pelo corredor.
Lá fora, a lua estava quase cheia, alta no céu, deixando-se cair a oeste
por trás deles.
— A Lua de Sangue —, Adam disse suavemente. Cassie se lembrou
de Diana dizendo que as bruxas contavam seus anos em luas, não em
meses. O nome desse ano era terrivelmente apropriado, mas ela não olhou
para trás novamente. Ela estava se concentrando no cristal.
No início, eles caminharam pela cidade, com lojas fechadas e edifícios
vazios em cada lado deles. Nada ficou aberto à meia-noite em New Salem.
Em seguida, as lojas tornaram-se menos frequentes, e havia algumas casas
aglomeradas. Finalmente, eles estavam andando por uma estrada que
ficava mais solitária a cada passo, e tudo que os cercavam eram os
barulhos da noite.
Não havia nenhuma habitação humana aqui fora, mas a lua estava
brilhante o suficiente para poder enxergar. Suas sombras ficavam esticadas
na frente deles enquanto eles passavam. O ar estava frio, e Cassie
estremeceu sem tirar os olhos do cristal.
Ela sentiu algo cair sob seus ombros. A jaqueta de Adam. Ela lhe deu
um olhar agradecido, e rapidamente olhou para o cristal de novo; se ela
vacilasse em sua concentração, isso poderia ser ruim, correndo o risco de
perder a direção do crista. Nunca balançou tão vigorosamente quanto o
peridoto tinha balançado por Diana, mas, em seguida, Cassie não era
Diana, e ela não tinha um coven quase completo para apoiá-la.
Atrás dela ela ouviu Adam falar com firmeza: — Nick?
E depois a voz rouca de Deborah:
— Eu não aceitaria de qualquer forma. Eu nunca fico com frio.
Eles estavam em uma estrada de terra estreita agora, ainda rumo ao
leste. De repente, Cassie teve um pensamento terrível.
Oh, meu Deus... A casa de Faye. É onde nos perdemos e é para onde
estamos indo. Vamos rastrear algo diretamente para o quarto de Faye, e
depois?
A frieza que passou por ela agora era mais profunda e mais
entorpecente que o vento da noite. Se a energia sombria que tinha
explodido através do teto de Faye tinha matado Jeffrey, Cassie era tão
culpada como Faye era.
Ela era uma assassina.
Então pare de rastreá-lo, uma voz fraca dentro dela sussurrou. Você
está controlando o cristal; dê um giro para a direção errada.
Mas ela não parou.
Ela manteve os olhos no cristal em formato de lágrima, que parecia
brilhar com uma luz leitosa na escuridão, e ela o deixou balançar do jeito
que queria.
Se a verdade vier à tona, ele sai, ela disse a si mesma frieza. E se ela
era uma assassina, ela merecia ser presa. Ela iria seguir essa trilha onde
quer que desse.
Mas não parecia estar levando a Estrada Crowhaven. Eles ainda
estavam indo para o leste, e não nordeste. E de repente a estrada estreita e
esburacada que estavam começou a parecer familiar.
Lá na frente, ela vislumbrou uma cerca de arame.
— O cemitério — Adam disse suavemente.
— Espera — Deborah disse. — Você viu? Olha!
— O que, no cemitério? — Adam perguntou.
— Não! Naquela coisa, de novo! No alto da estrada.
— Não vejo nada — Nick disse.
— Você tem que ver. Olha, está se movendo e…
— Eu vejo uma sombra — Adam disse. — Ou talvez um gambá ou
um...
— Não, é grande — Deborah insistiu. — Lá! Você não consegue ver?
Cassie olhou; ela não poderia ajudar. De primeira vista, a estrada
solitária parecia sombria e parada, mas então ela viu algo. Uma sombra, ela
pensou... Mas uma sombra do que? Não parecia mentira ser uma sombra.
Parecia estar de pé, e estava se movendo.
— Não vejo nada — Nick disse novamente, áspero.
— Então você é cego — Deborah surtou. — Parece com uma pessoa.
Debaixo da jaqueta de Adam, Cassie sentia arrepios. Parecia com uma
pessoa — exceto que parecia se transformar a cada minuto, ora alto, ora
baixo, ora gordo, ora magro. Às vezes desaparecia completamente.
— Ele está indo para o cemitério — Deborah disse.
— Não, olha! Está indo em direção ao galpão! — Adam gritou. —
Nick, vamos!
Ao lado da estrada estava um galpão abandonado. Mesmo à luz do luar
estava claro que estava caindo aos pedaços. A forma ofuscada parecia
misturada para ela, se fundindo com a escuridão por trás do galpão.
Adam e Nick estavam correndo, Nick rosnava:
— Estamos correndo atrás de nada!
Deborah estava tensa e alerta, escaneando a estrada. Cassie olhou
para a cerca com desânimo.
A concentração de todos tinha sido abalada, o cristal estava girando
sem rumo.
Ela olhou para cima para dizer algo e inspirou fundo e rápido. — Está
lá!
Ele reapareceu ao lado do galpão, e foi se movendo rapidamente. Ele
atravessou a cerca de arame.
Deborah estava em um instante, correndo como um cervo. E Cassie,
sem qualquer ideia do que ela estava fazendo, estava bem atrás dela.
— Adam! — ela gritou. — Nick, é por aqui!
Deborah chegou a cerca de altura da cintura e passou sobre ela, seu
vestido tomara que caia não atrapalhou.
Cassie a alcançou um segundo depois, hesitante, então se posicionou
na cerca, sacudindo suas saias para fora do caminho e ela impulsionou-se
mais. Ela desceu com uma sacudida que machucou o tornozelo, mas não
houve tempo para se preocupar com isso. Deborah estava correndo à
frente.
— Eu consegui —, Deborah gritou. — Eu consegui!
Cassie podia ver apenas na frente de Deborah. Ele tinha parado em
seu vôo em linha reta e foi pulando de um lado para outro como se
estivesse procurando escapar. Deborah estava correndo, também,
bloqueando-o como se fosse um protetor em um time de basquete.
Devemos estar loucas Cassie pensou, enquanto ela alcançou a outra
menina. Ela não podia deixar que Deborah enfrente a coisa sombria
sozinho, mas o que elas iriam fazer com ele?
— Há um feitiço ou alguma coisa para segurá-lo? — ela ofegou.
Deborah jogou-lhe um olhar assustado, e Cassie viu que ela não tinha
percebido Cassie estava atrás dela.
— O que?
— Temos que prendê-lo de alguma forma! Existe um feitiço…
— Se abaixem! — Deborah berrou.
Cassie mergulhou para o chão. A sombra-coisa havia aumentado
subitamente o dobro do seu tamanho, como um gato enfurecido, e então
ele tinha se lançado contra elas. Diretamente para elas. Cassie sentiu que
ele passou sobre a sua cabeça, mais frio do que gelo e mais negro do que o
céu noturno.
E então desapareceu.
Deborah e Cassie se sentaram e se olharam;
Nick e Adam apareceram, correndo.
— Você está bem? — Adam exigiu.
— Sim — Cassie disse tremendo.
— O que vocês duas estavam fazendo? — Nick disse, olhando para
elas em descrença. E até mesmo Adam perguntou: — Como você
conseguiu pular a cerca?
Deborah deu-lhe um olhar de desprezo.
— Não quis dizer você — ele disse.
Cassie deu-lhe um olhar de desprezo.
— Garotas podem pular — ela disse.
Ela e Deborah se levantaram e começaram a arrumar o cabelo
bagunçado uma da outra, trocando um olhar de cumplicidade.
— Sumiu, agora — Adam disse, sabiamente ao esquecer o tema das
cercas. — Mas pelo menos sabemos agora como se parece.
Nick fez um som zombeteiro.
— Como que se parece?
— Você ainda diz que não viu — Deborah disse sem paciência. —
Estava aqui. Foi até Cassie e eu.
— Eu vi alguma coisa, mas o que te faz pensar que era a energia
sombria?
— Nós o estávamos rastreando — Adam disse.
— Como que sabemos o que estávamos rastreando? — Nick rebate.
— Algo que estava perto do lugar onde LoveJoy foi assassinado, isso é
tudo. Isso podia ser a “energia sombria” ou um fantasma de jardim
qualquer.
— Um fantasma? — Cassie disse, assustada.
— Claro. Se você acredita, alguns deles rondam lugares onde ocorreu
um assassinato.
Deborah falou ansiosamente.
— Sim, como a Mulher das Lamentações de Beverly, aquela senhora
de preto que aparece quando alguém vai morrer pela violência.
— Assim como o navio fantasma de Kennybunk — o Isidoro. O que
vem e mostra-lhe o seu caixão, se você vai morrer no mar — Adam disse,
parecendo pensativo.
Cassie estava confusa.
Ela pensou que estavam caçando a energia sombria, quem diria?
— Ele acaba no cemitério —, disse ela lentamente. — O que parece
ser um lugar lógico para um fantasma. Mas se não foi a energia sombria
que matou Jeffrey, quem foi? Quem iria querer matá-lo?
Assim que ela perguntou, obteve a resposta. Vividamente em sua
mente, ela viu Jeffrey entre duas garotas: uma alta, sombria, e
perturbadoramente linda; a outra pequena e magra, com cabelo oxidado e
um rosto belicoso.
— Faye ou Sally — , ela sussurrou. — Ambas estavam esta noite com
ciúmes. Mas, oh, olha, mesmo se eram loucas o suficiente para matá-lo,
nenhuma delas poderia ter realmente feito isso! Jeffrey era um atleta.
— Uma bruxa poderia ter feito isso —, disse Deborah com
naturalidade. — Faye poderia ter feito ele se matar.
— E Sally tem amigos no time de futebol —, acrescentou Nick
secamente. — É assim que ela conseguiu se votada para Rainha do Baile.
Se eles o estrangularam e depois o amarraram...
Adam estava parecendo perturbado com essa discussão a sangue frio.
— Você não acredita nisso de verdade.
— Hey, uma mulher desprezada, sabe? — Nick disse. — Eu não
estou dizendo que nenhuma deles fez isso. Estou dizendo que qualquer
uma delas poderia ter feito.
— Bem, não vamos descobrir isso permanecendo aqui —, disse
Cassie, tremendo. A jaqueta de Adam tinha escorregado quando ela saltou
por cima da cerca. — Talvez se a gente pudesse tentar rastreá-lo
novamente...
Foi então que ela percebeu que não estava segurando o cristal.
— Desapareceu —, ela disse. — O cristal de Melanie. Eu devo ter
perdido quando tivemos que correr. Deve estar aqui no chão, bem aqui.
Tem que estar —, ela disse.
Mas não estava. Eles pararam para olhar, e Cassie verificou a grama
com as mãos, mas não havia nada.
De alguma forma, este desastre final, incrivelmente minúsculo em
comparação com tudo o que tinha acontecido naquela noite, trouxe Cassie
às lágrimas.
— Estava na família de Melanie por gerações —, disse ela, piscando.
— Melanie vai entender — Adam disse-lhe suavemente. Ele colocou
uma mão em seu ombro, não facilmente, mas com cuidado, em plena
consciência de que eles estavam na frente de testemunhas.
— É verdade, porém, não há utilidade em ficar em pé aqui — disse
ele para os outros. — Vamos voltar para a escola. Talvez tenham
descoberto algo sobre Jeffrey lá.
Enquanto Cassie caminhava, os sapatos da Cinderela machucavam
seus pés e o vestido prateado de Laurel está riscado de sujeira, ela
encontrou-se olhando direto para a Lua de Sangue. Ela pairava sobre New
Salem, como o Anjo da Morte, ela pensou.
Normalmente, na noite de lua cheia, o Círculo se reuniria e
comemoraria. Mas no dia seguinte ao assassinato de Jeffrey Diana ainda
estava doente, Faye estava se recusando a falar com qualquer pessoa, e
ninguém mais teve coragem de convocar uma reunião.
Cassie passou o dia se sentindo miserável. Ontem à noite no colégio a
polícia não havia encontrado nenhuma pista quanto ao assassino de
Jeffrey. Eles não disseram se ele tinha sido estrangulado e depois
pendurado, ou se ele tinha acabado de ser enforcado. Eles não diziam
muita coisa, e eles não gostavam de perguntas.
Melanie tinha sido gentil com o colar, mas Cassie ainda se sentia
culpada. Ela usou-o para sair em que acabou por ser uma perseguição
selvagem e depois que ela o perdeu. Mas muito pior era o sentimento de
culpa por Jeffrey.
Se ela não tivesse dançado com ele, talvez Faye e Sally não teriam
ficado tão zangadas. Se ela não tivesse deixado Faye ficar com a caveira,
então a energia sombria não teria sido liberada. No entanto, ela olhou para
ele, ela se sentia responsável, e ela não tinha dormido a noite toda para
pensar nisso.
— Você quer conversar? — sua avó disse, olhando da mesa onde ela
estava cortando a raiz de gengibre. A cozinha arcaica que parecia tão
confusa para Cassie quando ela chegou a New Salem era agora uma
espécie de paraíso. Havia sempre alguma coisa para fazer aqui, de corte ou
de secagem ou preservar as ervas do jardim de sua avó, e muitas vezes
havia um fogo na lareira. Era um lugar alegre, acolhedor.
— Oh, vovó — disse Cassie, depois parou. Ela queria falar, sim, mas
como ela poderia?
Ela olhou para as mãos enrugadas da avó espalhando a raiz em um
rack de madeira para a secagem.
— Você sabe, Cassie, que estou sempre aqui para você e a sua mãe
também — a avó continuou.
Ela lançou um olhar súbito até a porta da cozinha, e Cassie viu que
sua mãe estava lá.
Os grandes olhos escuros de Mrs. Blake estavam fixos em Cassie, e
Cassie achava que havia algo triste neles. Desde que tinha vindo para estas
"férias" de Massachusetts, a mãe parecia perturbada, mas estes dias houve
uma espécie de melancolia em seu rosto cansado que intrigou Cassie. Sua
mãe era tão bonita, tão jovem e bonita, e o desamparo novo em sua
expressão a fazia parecer ainda mais jovem do que nunca.
— E você sabe, Cassie, que se você está realmente infeliz aqui ... —
sua mãe começou, com uma espécie de desafio em seu olhar.
A vó de Cassie ficou rígida e parou de espalhar as raízes.
— ... não temos de ficar. — sua mãe finalizou.
Cassie ficou estarrecida. Afinal, ela tinha passado as primeiras
semanas em New Salem, depois de todas aquelas noites que ela queria
morrer de saudade, agora a mãe dela disse que elas poderiam ir? Mas
ainda mais estranho foi a forma como a avó Cassie estava encarando.
— Fugir nunca resolveu nada —, disse a mulher mais velha. — Você
não aprendeu isso ainda? Não temos nós todos...
— Há duas crianças mortas —, a mãe de Cassie disse. — E se Cassie
quer deixar aqui, nós o faremos.
Cassie olhou de uma para a outra em perplexidade. O que elas
estavam falando?
— Mãe —, disse ela abruptamente — por que você me trouxe aqui?
Sua mãe e avó estavam ainda olhando para a outra, uma batalha de
vontades, Cassie pensou. Então a mãe de Cassie olhou para longe.
— Vejo você no jantar — disse ela, e tão de repente como tinha
aparecido, ela saiu da sala.
A avó de Cassie soltou um longo suspiro. Suas mãos tremiam um
pouco enquanto ela pegou outra raiz.
— Há algumas coisas que você só pode entender mais tarde — disse a
Cassie, depois de um momento. — Você vai ter que confiar em nós para
isso, Cassie.
— Isso tem algo a ver com o porquê de você e mamãe foram afastadas
por tanto tempo? Não é?
Uma pausa. Em seguida, a avó disse baixinho: — Você vai ter que
confiar em nós...
Cassie abriu a boca, em seguida, fechá-la novamente. Não houve
razão em pressioná-la ainda mais. Tal como ela já havia aprendido, sua
família era muito boa em guardar segredos.
Ela iria ao cemitério, ela decidiu. Ela poderia aproveitar o ar fresco, e
talvez se encontrasse cristal Melanie, ela iria se sentir um pouco melhor.
***
Uma vez lá, ela desejava que ela tivesse pedido a Laurel para ir junto.
Mesmo que o sol de outubro fosse brilhante, o ar estava incisivo, e algo
sobre o cemitério desanimados deixou Cassie desconfortável.
Gostaria de saber se fantasmas saem durante o dia, pensou ela, enquanto
ela localizou o lugar onde ela e Deborah tiveram de se jogar de bruços.
Mas não apareceram fantasmas. Nada mudou, exceto as pontas da grama
que ondulava na brisa.
Os olhos de Cassie escanearam o chão, à procura de qualquer lampejo
de corrente de prata brilhante ou de quartzo claro. Ela passou pela área de
polegada por polegada. A cerca tinha que estar aqui mesmo. . . mas não
estava. Finalmente, ela desistiu e sentou-se sobre os calcanhares.
Foi quando ela percebeu o galpão novamente.
Ela havia esquecido de perguntar a sua avó sobre isso. Ela tem que se
lembrar hoje à noite. Ela se levantou e caminhou até ele, olhando para ele
com curiosidade.
À luz do dia, ela podia ver que a porta de ferro estava enferrujada. O
cadeado estava enferrujado demais, mas parecia bastante moderno. O
pedaço de cimento na frente da porta era grande, ela não viu como poderia
ter chegado lá. Era certamente muito pesada para uma pessoa carregar.
E por que alguém queria levá-lo até lá?
Cassie se afastou do galpão. As sepulturas deste lado do cemitério
eram modernas demais, ela as tinha visto antes. A escrita nas lápides era
realmente legível. Eve Dulany, 1955-1976, ela leu. Dulany era o
sobrenome de Sean, a qual deve ser sua mãe.
A próxima pedra tinha dois nomes: David Quincey, 1955-1976, e
Melissa B. Quincey, 1955-1976. Pais de Laurel, Cassie pensou. Deus,
deve ser horrível ter ambos seus pais mortos. Mas a Laurel não era a única
criança na Estrada Crowhaven que tinha pais mortos. Aqui mesmo ao lado
da lápide Quincey estava outro indicador: Nicholas Armstrong, 1951-
1976; Sharon Armstrong, 1953-1976. Mãe e pai de Nick.
Tem que ser.
Quando ela viu a terceira lápide, os pelos nos braços de Cassie
começaram a formigar.
Linda Whittier, ela leu. Nascida em 1954, morreu em 1976. Mãe de
Suzan.
Morreu 1976.
Bruscamente, Cassie se virou para olhar para a lápide dos Armstrong
novamente. Ela tinha razão, tanto os pais de Nick tinham morrido em
1976 quanto os Quinceys ... Ela estava andando mais rápido agora. Sim.
Em 1976 novamente. E Eva Dulany, também: morreu 1976.
Algo ondulava até espinha de Cassie e ela quase correu para as lápides
do outro lado do monte. Mary Meade — a mãe de Diana morreu em 1976.
Marshall Glaser e Glaser Sophia Burke. Os pais de Melanie. Morreram
em 1976. Grant Chamberlain. Pai de Faye. Morreu em 1976. Adrian e
Elizabeth Conant. Pais de Adam. Morreram em 1976.
Mil novecentos e setenta e seis. Mil novecentos e setenta e seis!
Houve uma agitação terrível no estômago de Cassie e os cabelos na
parte de trás do pescoço dela estavam arrepiados.
O que em nome de Deus aconteceu em Salem em 1976?
Fale com o autor