Em algum lugar no primeiro andar, Cassie parou sentindo culpa.

Ela não sabia exatamente como aconteceu. Mas era necessário, se

fosse sobreviver a isso. Estava fazendo tudo o que podia para

proteger Diana — e Adam, também, de uma forma. Adam nunca deveria

saber sobre a chantagem de Faye. Então, Cassie faria o que fosse preciso

para proteger os dois, mas, por Deus, não sentiria culpa bem no meio

daquilo.

E de alguma forma tinha que dar um jeito em Faye, pensou,

marchando atrás da alta garota, passando pelo escritório do pai de Diana.

Ela tinha que impedir que Faye fizesse algo muito radical com a caveira.

Não sabia como; tinha que pensar a respeito disso mais tarde. Mas, de

alguma forma, faria.

Se Faye olhasse agora para trás, Cassie pensou, iria se surpreender ao

ver o rosto da garota atrás dela. Pela primeira vez na sua vida, Cassie sentia

que os olhos eram severos, como o aço azul de um revólver ao invés do

azul suave de flores silvestres.

Mas agora tinha que parecer neutra — composta. O grupo na entrada

da garagem olhou quando ela e Faye saíram pela porta.

— Por que demoraram tanto? — perguntou Laurel.

— Estávamos planejando matar todos vocês — Faye disse

jovialmente. — Vamos? — Gesticulou em direção à garagem.

Só havia traços do círculo de giz de ontem deixado no chão. Mais uma

vez, a garagem estava vazia de carros — tinham sorte pelo pai de Diana

trabalhar tanto no escritório de advocacia.

Diana, o punho esquerdo ainda fechado, se aproximou da parede da

garagem, diretamente atrás do lugar onde Cassie estivera sentada quando

realizaram a cerimônia da caveira. Cassie a seguiu e então respirou fundo

rispidamente.

— Está queimado. — Não percebera isso na noite passada. Bem,

claro que não; estava muito escuro.

Diana assentia.

— Espero que ninguém continue discutindo sobre a suposta

existência de uma energia sombria — disse, com um olhar voltado a

Deborah e Suzan.

A madeira e reboco da parede da garagem estava chamuscada num

círculo de aproximadamente quarenta e cinco centímetros de diâmetro.

Cassie olhou para ele, e então para o resto do círculo de giz no chão.

Estivera sentada ali, mas parte dela estivera dentro da caveira. Diana falou

a todas elas para olhar nela, se concentrar, e de repente Cassie se

encontrou dentro dela. Foi onde viu — sentiu — o poder sombrio.

Começou a correr para fora, aumentando, determinado a sair do cristal. E

vira um rosto...

Ficou grata, de repente, pela voz calma de Adam.

— Bem, sabemos em que direção começou. Vamos ver se o cristal

concorda.

Estavam todos em volta de Diana. Ela olhou para eles, então estendeu

o punho esquerdo, a palma para cima, e abriu a mão. Pegou a ponta

superior da corrente de prata com a mão direita e a esticou, de forma que

o peridoto descansasse em sua palma.

— Concentrem-se — disse. — Terra e Ar ajudem-nos a ver o que

precisamos ver. Mostre os traços da energia sombria para nós. Todos se

concentrem no cristal.

Terra e Ar, vento e árvore, mostrem-nos o que precisamos ver, pensou

Cassie, a mente automaticamente formando uma frase do simples

conceito. A madeira da parede, o ar externo; aquilo que precisava ajudá-

los. Ela se encontrou murmurando as palavras em voz baixa e rapidamente

parou, mas os olhos verdes de Diana brilharam para ela.

— Continue — disse Diana tensa numa voz baixa, e Cassie

recomeçou, sentindo-se autoconsciente.

Diana removeu a mão que segurava o cristal.

Ele rodopiou na corrente, torcendo-se até a corrente estar enroscada

firmemente, e depois se torcendo para o outro lado. Cassie observou o

borrão verde pálido, murmurando cada vez mais rápido os versos. Terra e

Ar... Não, era inútil. O peridoto estava só girando loucamente como um

cume enlouquecido.

De repente, com golpes amplos e largos, o cristal começou a balançar

para frente e para trás.

A respiração de alguém sibilou no outro lado do círculo.

O peridoto se esticou; não se torcia mais, mas balançava constante e

firmemente.

Como um pêndulo, percebeu Cassie. Diana não estava fazendo

aquilo; a mão que segurava à corrente permanecia parada. Mas o peridoto

balançava muito, para trás no centro do círculo de giz no chão e para

frente no lugar queimado na parede.

— Bingo — disse Adam suavemente.

— Conseguimos — sussurrou Melanie. — Muito bem, agora vocês

vão ter que desfazer o alinhamento para sair. Andem, com cuidado, até a

porta, e então tentem voltar a esse exato lugar no outro lado da parede.

Diana molhou os lábios e assentiu, então, segurando a corrente de

prata sempre na mesma distância do corpo, virou-se calmamente e fez o

que Melanie disse. O pacto se quebrou para lhe dar espaço e se reagrupou

em torno dela no lado de fora. Encontrar o lugar certo não foi difícil; havia

outro círculo queimado na parede externa, um pouco mais fraco que o de

dentro.

Quando Diana trouxe o cristal ao alinhamento mais uma vez, este

recomeçou a balançar. Direto para o lugar queimado, direto para fora.

Descendo a estrada Crowhaven, na direção da cidade.

Um calafrio subiu pela espinha de Cassie.

Todo mundo olhou para todo mundo.

Segurando o cristal longe dela, Diana seguiu a direção da oscilação.

Todos avançavam atrás dela, apesar de Cassie notar que o grupo de Faye

mantinha a retaguarda. A própria Cassie ainda estava lutando em cada

segundo para não olhar para Adam.

Árvores farfalharam em volta. Bordo vermelho, faia, olmo — Cassie

podia identificar várias delas agora. Mas tentou manter os olhos na

oscilação rápida do pêndulo.

Andaram e andaram, seguindo a curva da estrada Crowhaven em

direção à água. Agora, grama e sebes cresciam pobremente no solo

arenosos. A pedra verde pálida balançou num ângulo, e Diana virou para

segui-lo.

Agora rumavam ao oeste, seguindo uma estrada suja e profundamente

esburacada. Cassie nunca esteve ali antes, mas os outros membros do

Círculo obviamente já — trocavam olhares cautelosos. Cassie viu uma

grade à frente, e depois uma linha irregular de lápides.

— Ah, ótimo — murmurou Laurel do lado de Cassie, e de algum

outro lugar no fundo, Suzan disse:

— Eu não acredito nisso. Primeiro temos que andar por quilômetros,

e agora...

— Qual é o problema? Só vamos visitar alguns de nossos ancestrais

debaixo da terra — disse Doug Henderson, seus olhos azul-esverdeados

brilhando estranhamente.

— Cala a boca — disse Adam.

Cassie não queria entrar. Vira vários cemitérios na Nova Inglaterra —

parecia que tinha um em cada rua de Massachusetts, e ela foi ao funeral

de Kori na cidade. Esse não era tão diferentes dos outros: era uma terra

quadrada e pequena com várias lápides espalhadas, várias delas quase

completamente gastas com o tempo. Mas Cassie mal pôde seguir os outros

na escassa grama marrom entre os túmulos.

Diana os levou direto para o meio do cemitério. A maioria das lápides

eram pequenas, quase mais baixas que os joelhos de Cassie. Tinham

formas de arco, com dois arcos menores em cada lado.

— Quem quer que tenha esculpido esses, tinha um terrível senso de

humor — tomou fôlego. Várias lápides estavam gravadas com feias

caveiras, algumas delas aladas, outras em frente a ossos cruzados. Uma

tinha um esqueleto inteiro, segurando um sol e uma lua nas mãos.

— A morte vence — disse Faye suavemente, tão perto que Cassie

sentiu calor atrás do pescoço.

Cassie deu um pulo, mas se recusou a olhar para trás.

— Assustador — disse Laurel quando Diana diminuiu o passo.

O céu escurecia. Estavam no centro do cemitério, e uma fria brisa

soprou na pouca grama, trazendo um fraco cheiro de sal com ela. Os

cabelos na parte de trás do pescoço de Cassie formigavam.

Você é uma bruxa, lembrou a si mesma. Deveria amar cemitérios. São

provavelmente seu habitat natural.

O pensamento não lhe deixou menos assustada, mas agora o medo se

misturou com algo mais — um tipo de estranha animação. A escuridão se

reunindo no céu e nos cantos do cemitério parecia mais próxima. Ela era

parte disso, parte de todo um mundo novo de sombras e poder.

Diana parou.

A corrente de prata era uma linha fina na luz, com uma bola pálida

abaixo. Mas Cassie podia ver que o peridoto não mais balançava como um

pêndulo. Em vez disso, mexia-se erraticamente, em círculos. Ia por um

tempo para um lado, depois diminuía a velocidade e voltava para o outro

lado.

Cassie olhava para ele, então olhou para o rosto franzido de Diana.

Todos observavam a pedra circulando em silêncio.

Não conseguiu mais aguentar.

— O que significa? — sibilou para Laurel, quem apenas sacudiu a

cabeça. Diana, porém, olhou para cima.

— Tem algo errado com ele. Trouxe-nos até aqui... e depois

simplesmente parou. Mas se encontramos o lugar, não deveria estar se

mexendo. A pedra só devia meio que apontar e tremer; certo, Melanie?

— Como um cachorro direito — disse Doug, com seu sorriso

malicioso.

Melanie o ignorou.

— Essa é a teoria — disse. — Mas nunca tentamos antes. Talvez

signifique... — Sua voz falhou enquanto olhava em volta do cemitério,

depois deu de ombros. — Eu não sei o que significa.

O calafrio atrás do pescoço de Cassie aumentava. A energia sombria

veio aqui... e fez o quê? Desapareceu? Se dissipou? Ou...

Laurel respirava rápido, seu rosto élfico anormalmente tenso. Cassie

instintivamente se aproximou um pouco dela. Ela, Laurel e Sean eram os

juniores, os membros mais novos do Círculo, e bruxa ou não, os braços de

Cassie ficaram arrepiados.

— E se ainda estiver aqui, em algum lugar... esperando? —

perguntou.

— Duvido — disse Melanie, a voz calma e inflexiva como sempre. —

Não poderia vaguear sem ser restaurada de alguma forma; iria

simplesmente evaporar. Veio-se aqui e fez algo, ou... — Contudo,

novamente só pôde terminar a frase com um dar de ombros.

— Mas o que poderia fazer aqui? Não estou vendo nenhum sinal de

dano, e sinto... — Ainda franzindo a testa, Diana pegou o peridoto na mão

esquerda e o segurou. — Esse lugar está confuso, estranho, mas não sinto

nenhum dano que a energia sombria pode ter causado. Cassie?

Cassie tentou procurar pelas sensações. Confusão — como Diana

disse. E sentiu medo e raiva e todos os tipos de emoções agitadas — mas

talvez fosse só ela. Ela não estava no estado para ler qualquer coisa

claramente.

— Eu não sei — teve que dizer a Diana. — Não gosto daqui.

— Pode ser, mas não é isso. Eu não vejo queimaduras que a energia

sombria tenha deixado nem sinto nada destruído ou ferido — disse Diana.

— Por que você está perguntando a ela, aliás? — disse Deborah,

numa voz impaciente, virando a cabeça de cabelos negros para Cassie. —

Ela nem é uma de nós...

— Cassie faz mais parte do Círculo do que você — interrompeu

Adam, anormalmente breve. Cassie viu o olhar entretido que Faye o

lançou e quis intervir, mas Diana concordava calorosamente com Adam, e

Deborah controlando-se, fitando os dois. Parecia que um argumento

estava para sair.

— Silêncio! — gritou Laurel agudamente. — Ouçam! — Cassie

ouviu assim que as vozes morreram; o quieto barulho de passos nos

pedregulhos no lado da estrada. Era notável apenas na quietude mortal do

crepúsculo outonal.

— Tem alguém vindo — disse Chris Henderson. Ele e Doug estavam

equilibrados para uma briga.

Estavam todos terrivelmente nervosos, percebeu Cassie. O barulho de

passos soava alto como bombinhas, irritando seus nervos tensos. Viu uma

forma obscura ao lado da pista, e então viu Adam avançar, ficando na

frente de Diana e dela. Vou ter que falar com ele sobre isso, pensou

irrelevante.

Os passos pararam, e a forma obscura veio na direção deles. Adam e

os irmãos Henderson pareciam prontos para agarrá-lo. Disputa esquecida,

Deborah também estava pronta. Sean agachava-se atrás de Faye. O

coração de Faye começou a martelar.

Então percebeu um ponto vermelho, como um pedaço de carvão

minúsculo queimando, flutuando perto da figura, e ela ouviu uma voz

familiar.

— Se me querem, já conseguiram. Quatro contra um devia ser meio

justo.

Com um salto, Chris Henderson saiu correndo.

— Nick!

Doug sorriu, enquanto ainda conseguia parecer que ia pular na figura

que se aproximava. Adam relaxou e recuou.

— Tem certeza, Adam? Podemos resolver isso aqui e agora — disse

Nick quando alcançou o grupo, a ponta do cigarro brilhando enquanto

inalava. Os olhos de Adam se estreitaram, e então Cassie viu o sorriso

intrépido que ele abrira no Cape Cod, quando quatro caras com uma arma

o caçaram.

O que havia de errado com ele, o que havia de errado com todo

mundo essa noite? imaginou. Estavam agindo como loucos.

Diana abaixou uma mão restringente no braço de Adam.

— Sem luta — disse calmamente.

Nick olhou para ela, depois deu de ombros.

— Meio assustado, você, não é? — disse, observando o grupo.

Sean emergiu de trás de Faye.

— Sou só muito nervoso.

— É, deve ser... de uma árvore — disse Faye com desdém.

Nick não sorriu, mas, por outro lado, Nick nunca sorria. Como

sempre, seu rosto era bonito porém frio.

— Bem, talvez você tenha um motivo para estar nervoso; pelo menos

alguns de vocês — disse.

— Que significa isso? Viemos aqui procurando a energia sombria que

escapou na noite passada — disse Adam.

Nick ficou parado, como se uma nova ideia lhe prendesse, e então o

cigarro brilhou de novo.

— Vai ver vocês estão olhando no lugar errado — disse sem expressão.

— Nick, você poderia simplesmente nos contar o que quer dizer? —

disse Diana numa voz calma.

Nick olhou para todos eles.

— Eu quero dizer — disse deliberadamente — que, enquanto vocês

estão passeando aqui, apareceu um grupo no Devil’s Cove, tirando as

pedras de cima do velho Fogle.

Fogle? Cassie não se lembrava do nome. E então de repente viu na

mente — num prato de ferro num escritório com uma mesa de madeira.

— Nosso diretor? — ofegou.

— Exatamente. Disseram que ele foi pego numa avalanche.

— Uma avalanche? — perguntou Laurel, descrente. — Nessa região?

— Como então você explica o bloco de duas toneladas de granito que

estava em cima dele? Sem mencionar todas as coisas menores.

Houve um momento de chocado silêncio.

— Ele está... — Cassie não terminou a pergunta.

— Ele não estava com a melhor das aparências quando tiraram aquele

bloco dele — disse Nick e, então, com menos sarcasmo: — Está morto

desde ontem à noite.

— Oh, céus — sussurrou Laurel. Houve outro silêncio, mais chocado

e ainda mais longo dessa vez. Cassie sabia que estavam todos vendo a

mesma coisa: uma caveira de cristal cercada por um círculo protetor de

velas... e uma das velas se apagando.

— Foi culpa de Faye — começou Sean com um lamento, mas Faye o

interrompeu sem nem virar a cara.

— Foi culpa dele.

— Esperem aí — disse Diana. — Não sabemos se a energia sombria

tem algo a ver com isso. Como poderia, quando sabemos que ela veio aqui

e depois parou?

— Não acho que isso é muito conforto — Melanie falou em voz baixa.

— Porque se não foi a energia sombria, quem foi?

Havia um tipo de estranho deslocamento no grupo, como se todos

estivessem recuando e olhando para todos os outros. Cassie sentiu um

vazio na boca do estômago novamente. O diretor era — tinha sido — um

renegado, que odiava bruxas. E isso significava que todos tinham um

motivo — especialmente alguém que culpava os renegados pela morte de

Kori Henderson. Cassie olhou para Deborah, e depois para Chris e Doug.

A maioria do grupo fazia o mesmo. Doug olhou para trás, depois abriu

um sorriso malicioso e desafiador.

— Quem sabe fomos nós que fizemos isso — disse, os olhos

brilhando.

— Fizemos? — disse Chris, confuso.

Deborah só tinha desprezo.

Mais um momento de silêncio, quebrado por Suzan numa voz

petulante.

— Olhem, já é uma terrível notícia sobre Fogle, mas temos que ficar

em pé aqui para sempre? Meus pés estão me matando.

Adam pareceu se sacudir.

— Ela tem razão; devíamos sair desse lugar. Não há nada a ser feito

aqui. — Ele pôs um braço em volta de Diana e gesticulou para todos à

frente.

Cassie demorou-se. Queria falar uma coisa com Diana.

Mas Diana agora se movia, e Cassie não teve a chance. Com os

Henderson na frente, o grupo ia numa direção diferente da qual vieram,

andando até o nordeste do cemitério. Quando se aproximaram da estrada,

Cassie notou o chão levantado. Havia um pequeno barranco de terra

coberta de grama perto da grade nesse lado; quase tropeçou ao passar.

Mas ainda mais estranho era o que via quando eles passaram por ela e ela

olhou para trás.

A frente do barranco tinha placas de pedra, e havia uma porta de

ferro, talvez com sessenta centímetros quadrados, posta entre elas. A porta

tinha uma dobradiça de ferro e um cadeado nele, mas não podia ser aberta

de qualquer forma. Posto logo acima havia um grande e irregular bloco de

cimento. Grama crescia em volta do cimento, mostrando que ele estava ali

faz tempo.

As mãos de Cassie estavam frias, o coração martelava e ela estava

tonta. Tentou pensar, notando com somente parte da mente que estava

passando por túmulos mais recentes agora, placas de mármore com a

escrita não gasta pelo tempo. Tentava imaginar o que havia de errado com

ela — era só reação a todos os eventos dos passados dia e noite? Era por

isso que ela estava tremendo?

— Cassie, você está bem? — Diana e Adam se viraram. Cassie ficou

grata pela crescente escuridão quando encarou os dois e tentou clarear a

mente.

— Claro. Só... me senti estranha por um minuto. Mas espere, Diana.

— Cassie se lembrou do que queria dizer. — Sabe, você estava

perguntando sobre as minhas sensações antes... bem, eu tenho uma

sensação sobre o sr. Fogle. Acho que a energia sombria teve algo a ver com

isso, de alguma forma. Mas... — Fez uma pausa. — Mas eu não sei. Tem

algo estranho acontecendo.

— Você pode repetir isso — disse Adam, e estendeu a mão na direção

do braço dela para fazê-la se mover mais uma vez. Cassie o evitou e atirou-

lhe um olhar repreensivo enquanto Diana não olhava. Ele olhou para a

própria mão, assustado.

Havia algo estranho acontecendo, algo mais estranho do que qualquer

um deles podia imaginar, pensou Cassie.

— O que é aquilo lá atrás, com a porta de ferro?

— Está ali há mais tempo do que posso lembrar — disse Diana,

distraída. — Algo a ver com o armazenamento, eu acho.

Cassie olhou para trás, mas agora o barranco estava perdido na

escuridão. Abraçou-se, enfiando as mãos debaixo dos braços cruzados para

esquentá-las. O coração ainda martelava.

Vou perguntar para a vovó Howard sobre isso, decidiu. O que quer

que fosse não era um abrigo de armazenamento, sabia disso.

Então notou que Diana brincava com algo no pescoço enquanto

andava perdida em pensamentos. Era uma fina corrente dourada, e na sua

ponta pendurava-se uma chave.