Céu Selvagem
2 Os sentimentos que a tempestade traz
Notas iniciais
Era nascer do sol quando o Arcobaleno acordou os garotos. Gokudera tratou de pular da cama, em sua lógica tinha que estar preparado antes de todos para poder auxiliar seu “Judaime”, que mesmo Reborn falando que Tsuna seria o Novo Primo, o guardião da tempestade criou um hábito de chama-lo desta forma.
Mas algo não saia de seus pensamentos desde ontem à noite. Já era de seu conhecimento os sentimentos de Tsuna por Kyoko. Obvio Gokudera não era cego apesar de não parecer e muito menos, burro.
Apesar de não querer dividir a atenção do seu chefe, como seu braço direito, era seu dever auxilia-lo em suas dificuldades e uma delas era obvia: Tsuna não conseguia transmitir seus sentimentos para a ruiva.
Gokudera nunca foi um cara de ligar muito para a área romântica e sequer entendia da coisa, mas estava sentindo-se um incompetente por não ajudar o jovem futuro chefe. Um dos motivos que vinha ele lendo sobre livros e revistas de relacionamentos. E depois do que vira ontem, alguma ação urgente era necessária, hora de botar seus planos em ação. Só imaginava o quanto o seu chefe iria agradecê-lo mais tarde.
Reborn anunciou seu treinamento para os garotos, o que já não era surpresa. O treino era um trecho extremamente “fácil”, extenso, cheio de obstáculos e surpresas.
–Este será nosso trecho!-mostrava Reborn fantasiado de aventureiro com um grande bigode preto, apontando para um grande mapa.
–Aposto que tem mais de suas surpresas nele.
–Ora Tsuna, será apenas uma caminhada relaxante.
–Nada melhor que uma caminhada para começar um dia extremo!!!
–Ei Reborn, porque não levamos as garotas?- Sugeria Gokudera.
“Caminhar com a Kyoko-chan...” –imaginava Tsuna já nas nuvens. Em sua mente estava andando juntinhos e de mãos dadas.
–Ok! Mas se acontecer algo terão que protegê-las!
E assim partiram para as montanhas. As garotas estavam mega animadas e preparam um delicioso lanche para o almoço. As imaginações românticas de Tsuna foram pelo ralo, já que Hana e Haru grudaram na Kyoko, andando em trio pelo caminho e fofocando sobre a vida. O jovem vongola mostrava sua decepção em seu semblante.
–Ei Tsuna, você está bem? – perguntava Yamamoto – Parece estar com dor de barriga.
–Ehhh!!! Não, só estou....estou meio enjoado de ontem. Só isso! Hehe!
“Maníaco do beisebol burro! Será que não percebe o verdadeiro motivo? Huh! Claro, ele não é um gênio como eu sou! “– ria o rapaz de cabelos pratas alto.
–Se anime ao extremo Tsuna. Veja como o Gokudera está animado!!!
“Eu acho que não é por esse motivo.” – pensava Tsuna.
“Como meu plano A falhou, colocarei o plano B em ação!!!”- Gokudera aproximou-se de Ryohei disfarçadamente – Ei, cabeça de grama! O que você acha de se aproximar um pouco da Hana hoje?
–Eeehhhhhh!!! – o homem fica vermelho como pimentão. O urru dele faz todos olharem para os dois. Gokudera só faz sinal que era nada demais.
–Xiuuu! Fala baixo idiota!
–Me aproxi...xi...ximar!? Isso é extremo demais para mim!!!
–Você mesmo contou que ela é sua futura namorada.
–Mas...mas...
–Seja extremamente sociável e vá falar com ela. Agora!
E Ryohei foi. Parecia andar como um robô e seu corpo tremia inteiro. Estava com o rosto tão vermelho que parecia que logo iria sair fumaça dos ouvidos. Gokudera ria do senhor extremo, mas sem distrações, ele precisava executar a outra parte do plano: fazer Yamamoto conversar com a Haru e tendo o seu precioso décimo a chance de conversar com Kyoko. Mas tinha um problema, Reborn parecia conversar animadamente com Yamamoto em seu ombro e como Gokudera julgava que o maníaco do beisebol era uma anta, não ia entender suas intenções. Só restava ele mesmo ir distrair a menina, o que não lhe agradava nem um pouco. Mas um sacrifício pelo Décimo pela sua felicidade iria valer a pena e assim se aproximou da menina.
–Ei mulher idiota, o que trouxeram para o almoço?
–Hahi! Haru não é idiota! Trouxemos sanduíches e bolo.
–Todos feitos por você? Espero não ter dor de barriga!
–As comidas que a Haru faz são todas boas.
–Hahaha! Será mesmo? – Gokudera era mestre em ser grosso e provocador.
–Nahhhh!!! Haru vai fazer Gokudera comer tudo!
–Ah claro, mulher idiota! E não vai sobrar nada para ninguém.
E as discussões bobas continuaram e pioraram quando Lambo seguiu o “bakadera” atrás de doces. Ryohei por milagre conseguiu conversar com Hana, suas falas eram travadas o que Hana achava hilário. Como resultado Kyoko acabou ficando sozinha e acabou conversando o restante do caminho com Tsuna.
Por fim, chegaram ao topo das montanhas que revelaram uma magnifica visão, menos para Gokudera, porque Biachi o esperava lá, logo fazendo o rapaz passar mal. Após o almoço, Reborn obrigou os garotos as treinarem como já era esperado e as garotas foram coletar flores e nadar no rio.
No fim na tarde, quando estavam retornando pela mesma trilha, veio novamente uma tempestade de verão e com ventos fortes. Caminhavam com cuidado pelo caminho, já que a trilha era íngreme e de terra, com vários trechos com precipícios.
–Hahi! Haru está com medo, parece que Haru vai cair a qualquer momento.
–Só tomarmos cuidado que chegamos! – Falava Hana.
–Droga!!! Falta muito? – Reclamava Gokudera.
–Ehhhhh! Eu não quero morrer hoje. – choramingava Tsuna.
–Calma judaime, eu lhe protegerei. – Gokudera fazia pose confiante, mas quase acabou escorregando.
–Considere isso um treinamento! – Falava Reborn.
–Mas você envolveu as garotas!
–Tsuna, um chefe deve conseguir proteger os membros indefesos da família.
–Calma Tsuna-san. Vamos conseguir chegar se estivermos unidos. – falava kyoko sorrindo e Tsuna retribui.
Mas logo o sorriso virou pânico, quando Kyoko pisou em falso e escorregou ladeira abaixo. Tsuna sem pensar, se joga e abraça Kyoko para protege-la.
–DÉCIMOOOOOOOOOOOOOOOO!!!
–TSUNAAAAAAAAAAAAAAAA!!!
–KYKOOOOOOOOOOOOOOO!!!
Gritavam seus amigos.
Dor...humidade...peso...sangue...e a desesperada voz de alguém...
–Tsuna-san! Tsuna-san! Acorde!
Custou o rapaz abrir os olhos. Sentia cansaço, dores e seu corpo ardia. Viu seus braços todos arranhados. Quando Kyoko o ajudou a levantar, sua cabeça doía tanto como se não dormia-se a dias.
–Tsuna-san, como está se sentindo?
–Com dor e zonzo.
–Consegue levantar?
–Acho que sim! Isso não é nada comparado ao que a Vongola já me fez passar.
Kyoko ri e ajuda Tsuna a levantar.
–Eu ouvi algumas vozes! Eles devem estar por perto.
E ambos saem pelo bosque, ele apoiando-se nas árvores ainda zonzo e tropeçava em várias coisas pelo caminho. Praguejava-se por não ser mais forte e resiste, odiava mostrar sua parte fraca para a Kyoko.
Já a garota estava ainda mais admirada com ele. Nunca pensaria ela, que Tsuna iria se jogar em um desfiladeiro para salva-la. “Sempre me impressionando, Tsuna-san.”-pensava ela. Ele parou, se encostou-se a uma árvore e remexeu o bolso.
–O que está fazendo Tsuna-san?
–Vou entrar no Hyper mode. – Dizia vestindo as luvas.
–Não faça isso! Você está machucado.
Tarde demais, ele já havia entrado no Hyper mode.
–Logo vai escurecer- dizia já com sua característica voz madura quando estava nesse modo – Temos que sair daqui. – Já pegava Kyoko no colo e saia voando no topo das árvores. Yamamoto e Gokudera conseguiram avista-lo, o futuro chefe lhe avisou que esperaria na cabana e seguiu seu rumo. Os dois guardiões foram avisar o restante do grupo.
Logo que o rapaz e a moça chegaram, ela o fez sentar em uma sala e saiu buscar a maletinha de primeiros socorros. Tsuna sentou em um sofá e encostou a cabeça na parede, estava melhor da tontura, mas sua cabeça ainda doía. Por sorte, Biachi já havia voltado para a cabana e entregou o que Kyoko precisava, se dirigiu correndo para onde o rapaz estava, sentou ao seu lado e começou a tratar de suas feridas.
–Kyoko-chan...
–Sim, Tsuna-san?
–Você está bem?
–Sim, graças a você tive apenas alguns arranhões.
–Ótimo...
Kyoko tinha a impressão que Tsuna estava meio sonolento.
Não demorou muito para o resto do grupo chegar. Biachi, agora de óculos de mergulho, lhes informou onde ambos estava. Gokudera e Haru pegaram mais que depressa caixas de primeiros socorros e foram correndo até o lugar, brigando quem chegaria primeiro.
–Kyoko-chan...- Tsuna virou de forma que pudesse encara-la nos olhos.
–Sim?
–Você é tão gentil...obrigado...
–É minha forma de agradecer por me salvar. Bem, você sempre me salva.
–Porque... você é importante... para mim....
Kyoko sentiu ternura, vindo das palavras dele e de seu olhar. De tal forma, que ela estava sentindo-se encabulada.
–Você sempre foi, na verdade. – Foi à primeira frase que ele disse firme, parecia se esforçar para tal. – Eu gosto de você Kyoko-chan!
Pensou ela quantas vezes já havia ouvido aquela frase, mas sempre foi de forma tão hilária, que achou ser brincadeira do seu amigo. Mas agora, era tão diferente. Tsuna parecia tão sério. Ela não teve tempo para responder, apenas a mão quente dele em seu rosto e seus lábios nos dela a deixariam surpresa. Havia tanto carinho naquele ato que ela não sabia o que fazer e decidiu seguir seus instintos. Fechou os olhos e deixou Tsuna guiar o beijo, era tão bom, quente, excitante e o som da chuva deixava o clima tão aconchegante. Colocou uma das suas mãos no peito dele e o mesmo a abraçou enquanto a beijava.
O casal não havia notado que a porta estava entre aberta, e no outro lado dela estava Gokudera e Haru surpresos. O guardião da tempestade sorria, seu chefe havia conseguido a garota que tanto queria. Já Haru estava em choque. Quando se deu conta que a cena era verdade, as lágrimas queriam explodir. Abaixou a cabeça e saiu correndo. O rapaz de cabelos pratas foi atrás dela.
–Ei mulher estúpida, o que houve?
–Deixa a Haru em paz.- Gokudera agarra a mão da Haru.
–Porque saiu correndo?
–Deixa a Haru ir!
–Ei!- Gokudera a puxa com força, a fazendo virar cara a cara com ele. O rapaz ficou pasmo, ela estava em lágrimas. Ele avistou Hana e Biachi vindo para o mesmo lado que eles.
–Haru não quer que vejam ela assim. Haru iria estragar a viagem!
Ele pensou rápido e a puxou para uma sala vazia. Haru entrou em prantos e ele não sabia o que fazer. Sem pensar a abraçou e Haru o abraçou muito forte. O rapaz começou a sentir uma ponta de arrependimento de querer ajudar seu chefe, mas como seu braço direito, ele possui o dever de auxiliar quando tivesse dificuldades. Mas não pensou em como Haru ficaria com o resultado da história.
–Eiii mulher, o que eu devo fazer para você melhorar?
–Apenas ...-soluçava- fique aqui comigo.- e o aperta com mais força.
Na sala do casal, Tsuna se afastou um pouco de Kyoko e cochichou no ouvido dela.
–Kyoko-chan...eu te amo...- e desmaiou em seguida.
–Tsuna-san? Nossa, você está fervendo. Está com febre! – e o deitou no sofá para descansar.
Kyoko ficou o comtemplando enquanto ele dormia. Colocou os dedos no lábio dela ainda surpresa pelo o que tinha acontecido.
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