Céu Selvagem
14 O mistério por detrás da marca azul
Notas iniciais
Era um tédio a voz do professor, a conversa dos colegas e o ambiente por si só. Sequer sabia do que se tratava a aula, não havia anotações no seu caderno hoje. Olhava através da janela. Ela era a porta de entrada para suas reflexões mais profundas.
Não havia qualquer sinal de sorriso na face de Haru. Passava pela sua cabeça inúmeras vezes aquele festival e como ela tinha sido idiota naquela hora. E quando teve a última chance de falar com ele, ela teve que escorregar e desmaiar. Sua mãe havia contado que Gokudera a havia trazido desacordada para casa, quando acordou pela manhã, havia tentado ligar para ele e mandar mensagens, mas nunca havia resposta.
Ela havia perdido um amigo e o rapaz por qual estava apaixonada.
Sobre Patrícia e Kyoko? Haru sequer processou sobre o assunto. Ela estava cansada dessas confusões, brigas e desentendimentos por amor. Ela relembrou os velhos tempos, quando todos eram apenas amigos, unidos para tudo: as viagens, as lutas, as festas, aulas. Queria tanto a volta deles, pelo menos ela poderia estar ao lado de todos, inclusive de Gokudera.
–Você também é uma boa garota! – Haru se lembrava da fala de Gokudera enquanto estavam vendo os fogos. Ele ria de forma espontânea, uma forma que ela jamais tinha visto antes. Isso fez surgir um sorriso em sua face e uma lágrima rolou pelas bochechas.
As aulas finalmente acabaram. Gokudera juntou seus pertencentes, deu um breve adeus para os amigos e saiu rapidamente pela porta. Tsuna o observou surpreso. Olhou para o outro amigo, seu olhar estava fixado na carteira onde Patrícia sentava.
–Tsuna-kun!-era a voz de Kyoko. Quando percebeu, ela estava em pé ao lado da carteira dele.
–Yamamoto-kun, você vai ficar aí? – Indagou Hana, ele apenas balançou a cabeça afirmando.
–Kyoko-chan, você pode avisar o Ryohei-kun que vou demorar um pouco?
–Claro Hana-chan! Mas por que?
–Depois te conto. – Ela piscou e sentou na carteira diante de Yamamoto.
Kyoko e Tsuna já entendendo o que ela ia fazer e saíram da sala.
–Yamamoto-kun, não somos amigos íntimos, mas está na cara que você está sofrendo por amor.
–Eu não sei lidar com isso...
–É a primeira vez que você se apaixona por alguém, não é?
Yamamoto confirma ao reagir surpreso.
–Ryohei-kun me contou que você ficou correndo pela cidade atrás dela ontem, indo ao lugares que ela costumava ir. Sabe Yamamoto-kun, quando estamos apaixonados o nosso cérebro não trabalho direito. Agimos totalmente por impulso, mas com o tempo, conseguimos controla-los. Como por exemplo a não mergulhar profundamente em uma paixão e ser destruído por ela tão facilmente, como o que houve com você.
–Eu sou uma anta, como Gokudera diz.
–Não, você não é. A paixão o deixou assim e ela faz isso com todos.
–Eu não soube lidar com isso!
–Patrícia também não.
–Como assim?
–Ambos sabiam de seus sentimentos e que eram correspondidos, mas os medos impediam de fazerem algo. Era o mesmo caso com Gokudera-kun e Haru-chan. O que atrapalhava vocês era o medo e a insegurança!
–Quem te contou isso?
–Ninguém Yamamoto-kun. Eu sou uma excelente observadora. Além de vocês deixarem isso as claras, então foi fácil. Mas a uma diferença entre o seu caso e o de Gokudera-kun.
–E qual seria?
–Patrícia tem algo estranho! O medo dela não era por querer te magoar, por fazer algo errado ou se iludir. Era por algo maior.
Yamamoto se lembra automaticamente quando ela ficou assustada com algo no festival, antes dele tentar beija-la.
–O que houve!?.
–Eh...eu...eu...Acho que vi coisas!
–Você está tremendo!
–Yamamoto-kun? Yamamoto-kun?
–Ah! Desculpe.
–Acho que se lembrou de algo!
–Mais ou menos. “Gokudera sempre comentou que havia algo estranho nela.”
–E agora esse desaparecimento repentino.
–Ela havia comentado que talvez tivesse que voltar por problemas familiares.
–Talvez? Da maneira que voltou, ela já tinha certeza a muito tempo, Yamamoto-kun!
–Mas pode ter sido alguma emergência.
–Por que então o número dela não existe mais? Sequer mandou mensagens avisando que teria que voltar. Isso não está fazendo sentido. Ela plantou a bomba, a estourou no festival e simplesmente some?
Yamamoto afunda-se em lembranças.
–Ela merece um Oscar. Que atuação Patrícia.
–Calem a boca!
Os olhos do rapaz se arregalam.
–Obrigado Hana-chan!- e ele sai feito um tufão da sala. Hana apenas sorria, a face do rapaz havia se iluminado novamente.
–Me desculpe por ter sido rude com você no sábado.- desculpava-se Tsuna. Ele e sua ruiva estavam no parque favorito do casal. Gostavam de ir nele, quando precisam conversar sobre algo. O mais engraçado, que sempre sentavam encostados na mesma árvore.
–Tudo bem!
–É que eu fiquei muito... Assustado com tudo aquilo.
–Eu só quero te dizer algo, Tsuna-kun. Algo que eu não consegui falar aquela noite.
–O que seria Kyoko-chan?
–Não é que eu não confie em você Tsuna-kun, mas eu gosto de você que eu tenho medo de perdê-lo. Tenho medo de não alcançar suas expectativas, de não ser uma boa namorada. Eu sei que foi péssimo em querer a minha melhor amiga longe de você, mas, você não faria o mesmo se estivesse na minha situação?
Tsuna olhou para ela, aquela doce e pequena garota que ele tanto amava e sonhava em tê-la. Ele se colocou na situação dela e tinha certeza que faria o mesmo.
–Eu sou um idiota por ter sido rude com você por esse assunto. — ele abaixou a cabeça.
–Não é não! – ela o abraçou suas costas. – Eu reagiria da mesma forma.- ele a abraçou e a beijou.
–Tsuna-kun estamos em lugar público.
–Não me importo!
Ele a puxou de tal modo que suas pernas ficaram no colo dele. Dava-lhe leves mordiscadas nos lábios e a abraçava com tanta força que Kyoko achou que não conseguiria respirar, mas ela adorava os momentos onde Tsuna ficava mais agressivo. Ela forçou-se a afastar dele, quando percebeu que tinha pessoas se aproximando.
–Que droga...- murmurou ele.
–Não tenho culpa se você me agarrou em um lugar público. – ela riu em seguida.
–Está me dizendo que a confusão do festival foi uma armação?- indagava Gokudera, ele estava sentado no sofá da sua casa.
–Sim! Era por isso que ela estava tão apreensiva. — afirmava Yamamoto, que andava de um lado para o outro diante do amigo.
–Então Patricia-chan é uma inimiga!
–Não quero pensar assim dela.
–É uma possibilidade que temos que levar em conta!
–Mas...Eu penso qual seria a finalidade da confusão no festival.
–Pare para pensar Maníaco do Beisebol, ela conseguiu fazer o grupo se desentender. Mas, eu acho que ela não contava que eu e Haru-chan iriamos brigar.
–Como assim?
–Pense, se eu e a Haru tivéssemos ficados juntos aquela noite, ela viesse e fala-se que na verdade gostava de mim e que Haru estava apenas me usando. Na verdade, ela tentou isso se eu não estiver enganado.
–Nós dois provavelmente estaríamos afastados.
–Exato! Além de ela ter feito Haru-chan e Kyoko-chan se afastarem novamente, o décimo ficou decepcionado com a namorada e Haru-chan saiu de interesseira na história. Essa confusão serviu para abalar os laços do grupo e afastar nossa atenção para algo mais importante. Ela só teve o erro de não ter atacado o Cabeça de grama e a namorada dele, tanto que Hana-chan conseguiu perceber algo por estar de fora.
–Mas Gokudera o que seria?
–Aquele cara estranho que nos atacou outro dia, disse que outra família mafiosa estaria planejando algo contra a Vongola.
–Patricia-chan não pode estar envolvida na máfia!!!- Yamamoto ergue a voz.
–Temos que pensar em tudo!- Gokudera responde na mesma altura. A situação o fez até levantar do sofá e encarar o amigo. — Você tem que parar de pensar com seus sentimentos e pensar com o raciocínio lógico.
–Então por que ela estaria com medo?
Isso fez o rapaz de cabelos pratas pensar. Sentou novamente no sofá e entrou em suas reflexões. Yamamoto apenas o observava.
–Você não disse que algo aconteceu com a família dela?
–Não entendo o que isso tem haver.
–Use o cérebro o pouco sua anta, ela pode ter sido pressionada a fazer aquilo!
–Claro, ela ficaria nervosa se fizessem algo para a família dela.
–Não precisa necessariamente ser com a família dela, isso apenas pode ser uma desculpa.
– Então ela pode estar em perigo!?
–Se acalme! Falaremos com o décimo acerca do que desconfiamos.
–O que iremos fazer agora, Tsuna-kun?
–Você podia ir lá a minha casa.
–Você está atrevido hoje.
O celular do jovem toca, era Reborn na tela.
–Olá Reborn. Que!? Vai reclamar que demorei a atender o celular agora! Aff! Vocês o acharam???
A Vongola finalmente havia conseguido achar Talbot e o coração de Tsuna se encheu de esperança. Há tempos que esperava para descobrir sobre a marquinha azul. Kyoko foi para casa e Tsuna se reuniu com apenas quatro guardiões e seguiram para Osaka, no estilo “Vongola” de viajar. Foram tão rapidamente, que o jovem futuro chefe chegou com vômitos no lugar.
–Tsuna devemos treinar seu estomago!
–...nem pense...-e sai correndo para vomitar.
O homem velho estava vivendo temporariamente em uma caverna afastada de Osaka. Na entrada tinha resto de velhas e plantas.
–Olá Talbot!- cumprimentou Reborn.
–Você pequeno!?
–Precisamos da sua ajuda.
–Em que posso ajudar?
–Talbot-jin-san, poderia dizer o que é isso em minha mão?- indagava Tsuna.
–O que é você?
–Não se lembra de mim!?
–Ele é o décimo Vongola Talbot.- afirmava Reborn.
–Não! Eu não perguntei quem ele é! Eu perguntei o que ele é!
–Quê!?
–Você é algo muito parecido com o décimo Vongola.
–Ehhhh!? Como assim!?
–Estou dizendo que você não é quem pensa! Mas incrível! – ele analisava tsuna de muitoooo perto. -O trabalho ficou perfeito!
–Do que está falando velhote? Como assim o décimo não quem pensa?
–Em poucas palavras, esse garoto aqui é um clone do verdadeiro décimo Vongola.
–Impossível!!!- todos falaram.
–Como assim Talbot? Não estamos entendendo.- Reborn estava confuso.
–Primeiramente, sobre o que queriam falar comigo?
–Sobre está marca em minha mão! Ela ativou algumas vezes e sugou minha energia.
Talbot analisou o símbolo por breve tempo. A mão de Tsuna tremida de nervo pelo o que o velho senhor havia lhe dito anteriormente.
–Agora tudo faz sentido. Você foi feito por um membro de um grupo especialista em clonagem e transmissão de energia. É por isso sua perfeição.
–Eu, eu, eu não estou entendo.
–Já disse, você é um clone. Fizeram-lhe pensar que é o verdadeiro décimo Vongola, mas você é um clone.
–Ele tem os poderes, as memorias e a energias fluindo nele Talbot, não faz sentido. — afirmou Reborn.
–Faz sim! Aquele sinal é para transferir energia de um receptáculo ao outro. Ele está recebendo os poderes e memorias do verdadeiro.
–Então quando a energia estava sendo sugada estava indo para o verdadeiro?- indagou Tsuna olhando sua mão.
–Necessariamente não! Quem o comanda pode fazer o que quiser com a energia.
–Eu, eu, — Tsuna cai de joelhos e coloca as mãos na cabeça. Não! Nãoooo! Eu sou o verdadeiro!!! VOCÊ ESTÁ MENTINDO!!!
–Mentindo garoto? –Talbot pega o braço de Tsuna e libera alguma energia estranha. O braço dele reage liberando pequenas faíscas e bolinhas quase transparentes. – O braço de um ser humano faz isso? E se eu tentar te corta com magia, seu corpo irá suga-la.
Tsuna lembrou-se automaticamente quando Mukuro tentou invadir seu corpo. Devia ser isso que o seu guardião da nevoa queria lhe dizer aquele dia.
–Pensando bem, Tsuna não teve quase nenhum machucado quando caiu daquele prédio.- lembrou Yamamoto.
–O corpo de um clone é feito de um material muito resistente.
–O que me intriga que ninguém percebeu que ele não era o décimo.
–A transmissão de energia trouxe tudo, até mesmo a energia que o corpo dele remete a vocês, o que não permitiu que o identificassem como sendo falso. Ele enganou até você, arcobaleno.
–Talbot, como encontramos o verdadeiro?
–Se encontrarem o mestre do clone, pode encontrar a resposta!
–Mas como encontraremos essa pessoa?
–O mestre não pode ficar longe da sua criação, senão ela se desfaz. Ele precisa ficar realizando a manutenção e troca de energias. Então ele está próximo a vocês.
–Temos que encontrar o quanto antes. Não se sabe o que estão fazendo com o décimo!!!
–E ele não necessita estar vivo! Podem colocar tudo o que precisam em receptáculos.
O terror surge na face de todos.
–Ele está vivo e conheço sua localização!- alguém surge e interrompe aconversa.
–É o cara estranho! – Gokudera tinha um dom de dar apelidos para as pessoas.
–Me chamo Basílio! Ele está preso em um antigo monastério. As pessoas o chamam de Cielo.
–O que faz aqui?- pergunta Reborn.
–Eu segui vocês!
–Não confiamos em você homem!- afirmava Gokudera.
–Eu não sei como poderia mostrar minha confiança a vocês, mas eu posso leva-los até Cielo, ou melhor, Sawada Tsunayoshi.
–É uma armadilha com certeza Reborn!- falava Gokudera.
Basílio retira o seu capuz e sua mascara. Ele era o um homem de uns trinta e poucos anos, olhos azuis, cabelos castanho claro que iam até os ombros. Ele ajoelha-se diante de todos.
–Meu nome é Basílio Palatino, eu trabalhava a serviço do antigo chefe da família Céu Selvagem. Meu Trabalho era fazer era realizar as transações entre nossos aliados.
–Levante-se homem!- ordena Reborn.- Por que quer aliança?
– Quando meu antigo chefe foi morto e todos que estavam com ele, exceto o seu filho e um de seus seguranças, minha família ficou despedaçada. Havia traição e desconfiança em todos. Em meio ao caos, a esposa do meu chefe assumiu o cargo e trouxe o filho do meu antigo chefe para casa e o está treinando.
–Então Céu selvagem possui herdeiros. E onde entramos nessa história?
–Desconfiamos da viúva! Ela alega que foi o chefe da Vongola que mandou fazer isso com o seu marido e que ela quer se vingar se livrando do décimo Vongola. Mas temos que ela que planejou tudo para se livrar do chefe. Implantamos espiões pela casa, e descobrimos os seus planos de derrotar não somente a Vongola, como outras famílias mafiosas.
–E você decidiu fazer aliança conosco por isso?
–Sim, e porque sei de algo fundamental, a localização do verdadeiro décimo Vongola.
–Como sabe dele?
–Em nossas investigações, descobrimos esse garoto e que o nome dele era Sawada Tsunayoshi. Não foi muito difícil descobrir que era o nome do décimo Vongola e isso que nos deixou mais curiosos já que sabíamos da existência dele.- Basílio aponta para Tsuna.- Eu vim aqui pessoalmente para confirmar qual era o verdadeiro.
Reborn olha para todos e volta o seu olhar sobre Basílio.
–Conversaremos posteriormente sobre isso. Somente eu e você.
–Como desejar.
–Talbot, como localizamos o mestre do clone?- indagava Reborn.
Talbot estava analisando a pulseira de Tsuna.
–Talbot?
–Se acalme arcobaleno! Poderia me emprestar um pouco? – ele se referia à pulseira.
–Claro!- Tsuna a retira do pulso e a entrega.
Talbot a analisa mais profundamente, emite uma risada medonha e começa a rodopiar a pulseira no ar pelo dedo indicador. Em um rápido gesto ele joga a pulseira em direção a Gokudera.
–Pense rápido, Guardião da Tempestade!
–Mas o que...- Gokudera pega a pulseira em mãos. Ela mal tinha tocado sua pele, quando liberou faíscas repelindo a pulseira para longe. –Mas o que foi isso!?
Talbot ri novamente do seu jeito medonho. – Sua energia e a do mestre se repelem.
–Mestre? Mas foi a Patricia-chan que deu isso!- afirmava Tsuna.
–Parece que vocês já possuem sua resposta!
–Isso explica muita coisa. – afirmava Yamamoto pensativo. — Mas ela sumiu!
–Isso é fácil! Guardião da Tempestade ache sinais de energias que repelem a sua e assim encontrará o mestre!
–Pode deixar!- Gokudera apertava a sua mão com raiva.
–Quanto a você – ele se referia a Tsuna. – Fique com aquela pulseira, com certeza o seu mestre deve estar enviando energias para você através dela.
Tsuna apenas balança a cabeça afirmando, vai até onde a pulseira estava e a recoloca no braço. Ele a olha de forma repulsiva. Após a conversa, todos foram para perto do ônibus, menos Reborn e Basílio, que se retiram para uma conversa em particular. Foram para perto de um bosque, fizeram as rochas de suas poltronas e se deu inicio a conversa.
–Não acredito que estou falando com o famoso assassino Reborn.
–Vai querer um autografo?- Reborn brinca.
Basílio ria brevemente. –Por que quis uma conversa em particular?
–Posso ver que não está mentindo Palatino-san.
–Chame-me pelo primeiro nome, por favor.
–Basílio-san, vejo em sua face que é honesto, mas não posso confiar e sequer fazer uma aliança se não contar o que esconde.
Basílio esfrega os olhos com uma das mãos, ele respira fundo e olha ao redor.
–Segundo os boatos que ouvi sobre você, sei que não irei convence-lo de outra forma. Tudo bem, eu contarei!
–Não tem como ele ser um clone! Para mim ele é o décimo!
–Essa situação é extremamente estranha. Eu não sei como reagir a isso.
–Estive enganando vocês esse tempo todo. Eu não acredito nisso! E a Kyoko-chan? Ela estava com um cara que não era o namorado dela! Não sei o que fazer!- Tsuna andava de um lado para o outro.
–Se acalme Tsuna! –Yamamoto faz ele sentar na porta do ônibus.-Você não sabia de nada!
–Não me chame de Tsuna! Eu não sou ele.- ele levanta e se encosta em uma árvore.
–Não acreditamos que você seja um clone! Você é o Tsuna de sempre!- afirmava Yamamoto..
–Não viram o que aconteceu com o meu braço quando Talbot usou aquela energia estranha em mim? Nenhum ser humano normal faz isso. Não entendem como isso é horrível? Eu tinha certeza de quem eu era e agora descubro que sou um clone? Se eu soubesse disso antes e estivesse atuando para enganar vocês. Mas, para mim, eu sou o Tsuna. Não consigo me imaginar de outra forma.
–Se acalme décimo!
–EU NÃO SOU O DÉCIMO!EU NÃO SOU O TSUNA! Parem de me chamar assim!!!- Um vulto rápido passa atrás dele e Tsuna desmaia logo em seguida.
–Décimo!!!- Gokudera e Yamamoto o seguram e o colocam no chão.
–Garoto, foi você?-Ryohei falava para Reborn.
–Fui obrigado a fazer isso. Ele vai pirar desse jeito!
–O iremos fazer então?
–Não é obvio cabeça de grama? Temos que achar o mestre do clone do décimo. Ou seja, temos que encontrar a Patricia-chan.
–Mas ela voltou para a Itália!- afirmava Yamamoto.
–Ou apenas fingiu que voltou! Ela ainda deve estar em Namimori.- era um hipótese de Reborn.
Os olhos de Yamamoto brilham.
–Yamamoto não confunda as coisas. Ela é nossa inimiga!- afirmava Gokudera.
–Você mesmo disse que devem estar forçando ela a fazer essas coisas!
–Do que estão falando?-pergunta Reborn, os rapazes se olham.
Na volta para Namimori, os rapazes colocam os seus pontos de vista sobre o que ocorrera no festival e as ações da loira. Gokudera pode entender finalmente porque ele sentia algo estranho vindo da garota, eram os poderes dela repelindo os dele.
Começou a entender também porque ela havia se transferido tão repentinamente para o colégio e escolheu andar no grupo deles. Ele não queria dizer ao Yamamoto, mas tinha certeza que essa história sobre gostar do rapaz foi apenas uma invenção para se aproximar deles. O que não saia da cabeça dele, na qual achava o ponto mais estranho na história, era o fato de ela não estar confortável em nada de armar aquela confusão no festival. Ele ainda continuava a achar que ela estava sendo forçada a fazer aquilo.
–Você realmente acha que estão chantageando ela, Gokudera? – perguntava Reborn.
–Ela nunca pareceu confortável com aquilo. O problema que não a conhecemos muito bem para saber o que poderiam usar para chantageá-la.- comentava Gokudra.
–Ela disse que estava com problemas na família.- completa Yamamoto.
–Qualquer um usa essa desculpa.- afirma Gokudera.
–Ela é apegada a família. Ela mesma me afirmou e havia inúmeros quadros espalhados pelo apartamento.
–Yamamoto, ela apenas pode ter usado isso para passar a imagem de uma menina frágil com saudades de casa. Afirma Gokudera, que já estava ficando irritado com Takeshi estar defendendo tanto a loira.
–Isso é verdade Yamamoto! Gokudera tem razão.- concorda Reborn.
–Me contem, o que houve depois da confusão do festival?- indaga Yamamoto, que deixou Reborn e Gokudera sem entender o motivo da pergunta.
–Eu e Hana-chan ficamos no festival. –respondeu Ryohei.-Tsuna foi embora com minha irmã, Gokudera foi atrás da Haru-chan, Patrícia e você foram embora sozinhos.
–Ah sim!Eu a segui até a casa dela aquela noite.
–Você virou um stalker, Yamamoto!? Ficou maluco?-falava Gokudera.
–Hahaha, não! Era tarde da noite e eu fiquei preocupado com ela. Aquela noite é um pouco confusa para mim.
–Confesse que você bebeu algo. – falava Gokudera.
–Hahaha não. Eu lembro que fui atrás dela, surgiram duas moças gêmeas que vieram falar com ela. Eram as mesmas gurias do baile de casamento que queria dançar conosco e uma delas eu fui me ligar que era a mulher que me vendeu o terno. Tive a impressão de serem as mesmas que estavam do festival também, Patrícia olhou assustada para a direção delas e depois disso foi à confusão.
–Coincidências demais!- afirmava Reborn.- E o que aconteceu?
–Eu consegui entender que elas parabenizaram a Patricia-chan por alguma coisa.
–Sua anta!!! Como que você não contou isso antes!?
–Como falei, aquela noite é confusa para mim! Hahaha.
–Não ria de um assunto sério, idiota!
–O que houve depois?- perguntava Ryohei extremamente interessado.
–Elas bateram na face dela por algo que não consegui entender e sumiram. Continuei a segui-la e daí entrei na casa dela e começamos a conversar.
–Espere! Espere! Como conseguiu entrar na casa dela?-perguntava Ryohei.
–Poupe-me dos detalhes e continue.- falava Gokudera.
–Começamos a conversar e...
–Sobre o que conversaram!?- Ryohei interrompeu bruscamente.
–Cala boca cabeça de grama!
–Mas eu quero saber, cabelo de polvo!
–Não está vendo que é um assunto sério, seu idiota!? Continue logo!
–Hahaha. Bem, eu senti uma grande dor de cabeça e desacordei. Mas alguém falou um nome familiar, qual era mesmo... –Yamamoto parecia fazer um grande esforço pelas caretas que fazia.- Ah! Magno! Isso! Era Magno! Juro que já ouvi esse nome em algum lugar!
–Temos um nome pelo menos! Vamos investiga-lo!- falava Reborn.- então estamos decididos. Vamos achar o mestre do clone e partiremos para a Itália resgatar Tsuna.
–Você fez aliança com aquele homem Reborn?-indagava Gokudera.
–Sim!- ele sorriu sarcasticamente. – Está tudo sobre controle.
–Vamos ser extremamente rápidos. Não sabemos quanto tempo ele vai aguentar!- Ryohei olhava para Tsuna deitado nos bancos do ônibus, desacordado.
–Uhuuu! Vamos mocinha, acorde! Tem alguém querendo falar com você! – era uma das gêmeas com um celular em mãos.- ela estava na porta de um espaçoso e moderno quarto feminino.
–Me deixe em paz Sabrina!- falava a voz abafada debaixo dos cobertores.
Sabrina tira rapidamente as cobertas e puxa a garotas pelos cabelos. Era Patrícia.
–Com quem você pensa que está falando?
–Com uma vadia!-respondeu ela com ódio.
Sabrina joga Patrícia com força para o chão. A loira conseguiu amortecer a queda com os braços. Ela coloca o celular ao lado da garota.
–É o inútil do seu...
–Eu não quero falar com ninguém, muito menos com ele!
Sabrina toma o celular em mãos, dispondo ele em seu ouvido direito.- Você ouviu, ela não quer falar com você. – ela a se direcionar para a porta de saída...-Os pais dela não ensinaram educação a essa garota? Ela me...- Patrícia não escutou o resto quando a porta se fechou.
Sentou-se novamente na cama. Ela estava de pijamas, os cabelos totalmente revirados e a face demonstrava que havia chorado muito. A janela do quarto ela grande, mas possuía grades do lado de fora. O quarto não era ruim, pelo contrário, era bonito e espaçoso. Havia uma cama meia casal encostada-se à uma parede, uma escrivaninha de frente com a grande janela, um grande armário na outra parede e uma porta que dava para o seu banheiro particular. Em um canto estava às malas de Patrícia. Tudo estava lá ainda, apenas uma dela estava aberta, onde obviamente deveria ser de onde a moça pegou o pijama.
A loira não via aquele quarto como algo bonito, mas sim sua prisão. As gêmeas permitiram ela sair do quarto, menos sair do apartamento. Diziam que não faltava muito para a loira retornar ao seu país de origem, mas ainda precisavam completar algumas coisas no Japão.
Ela pegou o celular em mãos, começou a ver as fotos que havia tirados com seus amigos daquele país. Aquilo lhe trazia uma felicidade passageira. Às vezes fingia que podia ligar para eles, algo inútil, já que as gêmeas haviam cancelado o seu número.
–Eu te odeio!- Ela deitou e falou para o ar. Algumas lágrimas escorreram pelas bochechas.- Eu me odeio! Eu te odeio por fazer eu me odiar. Eu te odeio por me obrigar a machucar o garoto que eu gosto. Por machucar os meus amigos que tanto amo. Afinal eu devia ter falado com você e dizer o que eu sinto agora. Mas você apenas vai dizer que é por um bem maior. Você não vai se importar. Então não quero falar com você.
–E eu odeio pessoas que falam sozinhas, loirinha.
–Sabrina? Ah, é você Sandra!
–Você é uma das poucas pessoas que sabe diferenciar quem é quem.
–Eu sou uma observadora.
–Ao invés de ficar falando sozinha, fale com ele.
–Eu o odeio. Não quero ouvir sua voz e suas desculpas.
–A um sentido para tudo isso.
–Sentido? – ela senta-se na cama.- Huf! Eu nem sei o que estou fazendo neste país e todas as coisas que já me obrigaram a fazer. – levanta-se e começa a andar pelo quarto.- Não faço ideia pelo o que eu estou trabalhando. Eu me transformei em uma pessoa má. Eu me odeio. Ouviu? Eu me odeio! Eu odeio ele! Eu odeio todos vocês!!!
–Esqueceu que se não fizer tudo o que ordenamos...
–Vocês iram mata-los! É eu sei, escuto isso há milênios!!!
–Não faz nem dois anos.
–Queria minha vida normal de novo.
–Você nunca foi normal garota!
–O que é normal para mim, não é para você.
–Comparado com as outras pessoas...
–Apenas vivemos em uma realidade diferente. E dentro desta realidade, a minha vida era normal. Eu derrotarei vocês e seu chefe e voltarei a ter a minha antiga vida!- Sandra pode sentir a respiração da loira na pele dela. Os olhares delas se confrontavam.
–Huhuhu, vai sonhando Patrícia vai sonhando!
–Espere para ver!- ela sorria ironicamente.
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