Céu Prateado, Mundo Celeste
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“Isso não é loucura?”
Foi a única coisa que eu pude perguntar ao escutar o convite inusitado de meu amigo naquela manhã de céu estranhamente prateado.
— Confia em mim, você vai se surpreender. É o maior projeto da minha vida, e ainda está sendo expandido.
Eu o encarei, e novamente olhei para a superfície da água. “Um aquário natural”, ele disse. Respirei fundo, prendi a respiração, fechei os olhos e mergulhei. Sem o equipamento que normalmente qualquer pessoa deveria utilizar. Prontamente, o pavor tomou conta de mim.
“É loucura…”
Desisti, decidi voltar para a superfície, eu precisava me preparar um pouco mais para aquela experiência; foi quando abri os olhos que mudei de ideia. Tudo nas proximidades era da cor celeste, um lugar onde peixes vivem não deveria ter esse tom de azul naturalmente, deveria ser mais escuro. Uma infinidade de tipos de peixes, de todas as cores e tamanhos, nadava ao meu redor, aproveitando suas vidas, interagindo entre si e com corais e plantas em um ritmo único, como uma orquestra comandada por um maestro. Eu havia inconscientemente desistido de subir, o que eu só percebi quando senti a areia do mar nos meus pés descalços.
Tudo parecia mágico. Olhei ao meu redor, vislumbrando um pouco mais daquele admirável mundo novo, me assustando com a visão que tive do que tinha detrás de mim: um enorme tubarão. Por um segundo senti medo, no entanto notei que estava morto, preso no que pareciam algas bem resistentes, e os peixes lentamente se alimentavam de seu corpo. Seria algum tipo de precaução? Eu não sabia o que esperar daquele mundo.
Foi depois de vagar um pouco mais pelas redondezas que eu me dei conta de algumas coisas fora do normal: eu não sabia há quanto tempo eu havia submergido àquele “palácio”; eu era capaz de respirar normalmente; eu não sentia a pressão da água, mesmo estando dezenas de metros abaixo do nível do mar; e, o que era mais esquisito para mim, eu podia nadar, algo que eu nunca havia aprendido. Decidi voltar à superfície, o meu mundo, algo que fiz estranhamente rápido.
Saí da água. Me sentia diferente, mas não sabia o que era. O céu prateado havia se tornado azul granito. Meu amigo me esperava, lendo um livro que parecia ser sobre peixes. Ele me entregou uma toalha, olhando para mim com uma expressão de puro divertimento.
— O que achou? Preciso do parecer da primeira pessoa a vivenciar meu projeto.
— Eu…
Eu o encarei, obviamente com uma expressão cheia de perplexidade. Tinha muito o que falar, mas nem mesmo sabia por onde começar. Queria saber como tudo aquilo foi possível. Sorri.
— Primeiro, eu quero saber quais tipos de livros você leu para ter a ideia daquele universo incrível. Eu tenho algumas críticas…
Ele sorriu, animado.
— Então vamos voltar. É uma longa história.
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