Céu Obscuro
19 Reviravoltas

A luta diante da Mansão continuava. Gokudera, junto a Masao e Giustizia, haviam conseguido derrotar seis membros da Epifania. Kenjiro e Fabricio ainda estavam no combate um contra um. Hayato estava impressionado com a habilidade de ambos jovens.
Fabricio começou a observar o cenário, o escudo da mansão estava quase sendo derrotado, havia muitos membros machucados ou feridos de ambos grupos. Ele já estava ficando exausto e seu braço já estava ardendo já fazia algum tempo. O garoto sabia que aquela luta deveria se encerrar, tirou de seu cinto de munição uma bala de cor amarela e colocou em sua arma de fogo.
—Tomando medidas desesperadas Fabricio? Eu sei o que essa bala faz, sou resistente aos seus efeitos. –dizia Kenjiro arrogantemente. Sem dar ouvidos, Fabricio atira e Kenjiro consegue desviar facilmente com ela explodindo logo depois. – Viu, eu disse.
—Não se vanglorie cedo demais.
Kenjiro começa a sentir seu corpo formigar e ter dificuldades em respirar. –Ve-veneno! — O suor frio veio rapidamente o obrigando a ficar de joelhos no chão. –Mal-mal-maldito...
—Não se preocupe. Os efeitos são temporários.
—Kenjiro-kun!!! –gritou alguém da Epifania. — Epifania, bater em retirada. – e em segundos todos os membros somem.
Sem pensar duas vezes, os três entram correndo dentro da mansão, mas apenas Fabricio e Gokudera chegam até o galpão. Haru estava abraçada com Lavina. Kazumi estava de tocaia na porta do galpão, Sakura e Charlotte estavam no canto conversando com as crianças. Hayato corre ao encontro de Haru, abraçando as duas em seguida.
—Estão bem?
—Haru e Lavina-chan estão bem.
—Está com os olhos vermelhos, estava chorando?
—É o cheiro de mofo que fez ela chorar Onii-san.
—Bem, já podem sair. Eles foram embora.
***
Duas horas depois...
—Estou tão cansado. –dizia Gokudera à caminho de casa. –Há tanta coisas para entender.
Haru permaneceu em silêncio.
—O que aconteceu que está tão pensativa? Haru? Haru!!!
—Hahi! O que aconteceu?
—Eu que pergunto.
Ela o olha e se aproxima mais dele. Tira algo do bolso e coloca no dele. –Lavina-chan perdeu isso e Haru esqueceu de entregar. –Quando Gokudera foi para ver o que era e ela o impede. –Não Gokudera-kun. Espere Haru sair.
—Por que?
—Só espere a Haru sair, só assim Gokudera-kun pode ver o que é e ir devolver para Lavina-chan.
—Mas...
—Respostas. –e ela o beija e sai correndo deixando o namorado sem entender nada.
Ele a observa até sumir do seu campo de visão, pegando o medalhão em mãos, surpreendendo-se logo em seguida, pois ele era idêntico ao que Haru e ele usavam. Rapidamente virou para ver se havia alguma inscrição e seus olhos se arregalaram.
Tempo depois, na mansão Lavina estava tentando tocar uma música, mas sempre errava a mesma nota. Gokudera a observava deslumbrado encostado na soleira da porta. Aquela era a música que a sua mãe havia composto.
—Por que a Lavina não consegue? –se indagava.
—Está errando no tempo. –disse Gokudera assustando a garota. Ele aponta perguntando se podia sentar e ela afirma com a cabeça. –É assim. – ele toca uma bela melodia.
—Ohhh. Assim?
—Exatamente.
—Lavina conseguiu. Obrigada Onii-san.
Ele sorri. – A propósito, você perdeu isso.
—Lavina não perdeu. Quer dizer, Lavina perdeu, mas a onee-san achou, aí a onee-san pediu emprestado.
Ele ri. –Ela é bem espertinha para armar certas situações. – disse colocando o medalhão no pescoço dela. – Então...
—Onii-san sabe tudo como a Onee-san. Lavina-chan falhou. –dizia deprimida.
—Não podemos controlar todas as situações quando estamos em uma missão. Quando algo foge do controle, precisamos pensar em uma nova estratégia.
—Hum... Apagar as memórias do Onii-san e da Onee-san?
—É uma opção, mas não vamos fazer isso. Com certeza conseguirá pensar em uma alternativa.
—O que é isso?-indagou Fabricio surpreso observando os dois.
—Ele sabe. –afirmou Masao.
—Mas e agora?
—O que? Apagar as memórias dele? Lavina acabou de sugerir.? –disse brincando.
—Não me desafie que eu peço para o Claudio. –ele deu uma pausa. –Vai contar para o tio?
Masao ri. –Talvez um dia.
—Tínhamos certeza que isso ia acabar acontecendo. –afirmou Charlotte junto a Sakura.
À noite...
—O que houve com você? – indagou Tsuna enquanto subia as escadas do templo.
—Giustizia. – respondeu Kenjiro cheio de hematomas sentado em um degrau. -Estávamos tentando abrir caminho e acho que conseguimos. O problema é driblar a Vongola.
—Poderíamos usar a Giustizia para criar uma distração. Daremos uma chance de me eliminarem.
—Creio que não funcionará. Giustizia está contendo seus ataques. Em certo ponto é bom, não teremos problemas para sair.
Tsuna levanta-se pensativo fazendo uma curta caminhada e retornando logo em seguida. –Sei como iremos sair. –disse sorrindo vitorioso.
No dia seguinte, reunião da Vongola na casa de Tsuna.
—Tsuna-kun, venho aqui pessoalmente lhe alertar de um perigo eminente. Epifania não tem boas intenções acerca de você. Eles apenas querem se aproveitar da sua situação.
—Nono, estamos desesperados. Sei que foi uma medida sem cautela mas... –dizia Iemitsu.
—Eu entendo Nono. Pensei muito no assunto e vejo que não seria sábio agir desta forma. –responde Tsuna.
—Teria chances de você retornar para Itália junto à mim?
Tsuna abaixa a cabeça pensativo.
—Temos mais recursos lá na Itália Tsuna. Claudio com ajuda da Céu Selvagem e de Gokudera-kun, conseguirão com certeza, obter resultados rapidamente. Sair de toda essa situação aqui no Japão, com certeza ajudará a conter a corrupção da sua alma. Você me compreende?
—...Sim. Mas... Antes de cortar ligações com Epifania, Kenjiro-kun contou-me que quando sequestraram um membro da Giustizia, descobriram que possuem planos caso eu saia do país.
—Não sabemos se é uma informação verídica, Tsuna-kun.
—De qualquer forma, não quero arriscar. Eu pensei em um plano. Me clonar novamente. – ele olha para Claudio.
—Te clonar novamente? Está louco Tsuna!? – falava seu pai.
—Sim. Meu clone ficaria por aqui até eu partir e chegar em segurança na Itália.
—Não é uma má ideia. –disse Reborn. –Há condições Claudio?
—Sim. Estou com meus poderes totais. Mas sugiro em fazer um clone que dure no máximo dois dias.
—Perfeito. Poderíamos simular que eu estivesse saindo do país, no caso usaríamos o clone, atrairíamos todas as atenções eles. E eu, estaria indo para a Itália disfarçado.
—Então porque não fazer a viagem com a Epifania? Daríamos-lhe o clone. –sugeriu Claudio.
—Mas ele não sumiria logo que levantassem voo? Epifania descobriria imediatamente. –perguntou Iemitsu.
—Coloco uma pequena quantidade de energia para durar um dia.
—Então, vamos fazer.
No dia seguinte, logo pela manhã, o clone de Tsuna e os guardiões, que não sabia da situação em si por pura precaução, estavam aguardando na pista o jato que partiria com a Epifania.
—Estamos muito felizes que tenham mudado de ideia. – dizia Alexandre. –Sei que tudo que fazem é pelo bem estar de seu chefe.
—Sempre pensamos em sua proteção. – dizia Iemitsu.
—Que pai exemplar. –disse Kenjiro em tom irônico. Fazendo Iemitsu o olhar torto.
—Mais respeito garoto! Bem, o jato está quase pronto. Vou ver quando partimos. –disse Alexandre.
—Nervoso Tsuna? Na última vez que te vi, você não gostava muito de aviões. –falou Kenjiro.
—Podemos não falar nisso!? –respondeu o clone temeroso.
—Fez um bom trabalho Claudio. – cochichou Reborn.
—Tenho que aceitar, desta vez me superei.
—Estou animado para conhecer Sidney!!! – dizia Yamamoto para Gokudera, que parecia pensativo. –Aconteceu alguma coisa Gokudera?
—Algo não parece estar certo por aqui.
—Besteira Gokudera-kun. –disse Ryohei. –Vamos Aproveitar esta viagem ao extremo!!!
Ignorando o cabeça de gram, Gokudera ativou seu poder de conhecimento. Desta vez os arabescos estavam mais complicados para o entendimento. Ele foi interrompido por ataques na pista, quando perceberam, viram que tratavam da Giustizia.
—Protejam o Décimo. Estamos em campo aberto.
—Vamos Tsuna. Vamos para o jato e rápido. –disse Kenjiro.
Os guardiões iniciaram a defesa e neste momento Epifania aproveitou para colocar Tsuna no voo sem a Vongola e partir viagem.
—O que pensam que estão fazendo? Voltem aqui!!! –gritava Ryohei.
—DÉCIMO!!! “Tem algo estranho acontecendo”.
“O plano deu certo”. –pensou Iemitsu.
Em outro voo que decolou um pouco antes...
—Como diz o ditado. Matamos dois coelhos com uma cajadada só. –disse Nono enquanto observava a luta pela janela do Jato.- Tsuna-kun, você está muito quieto.
Tsuna estava sentada diante do Nono, totalmente agarrado à poltrona e mordendo os lábios. – Estarei aliviado quando estivermos em terra.
—Terá que se acostumar. Quando for chefe terá que realizar muitas viagens.
—O que!? Ninguém me avisou isso antes.
Voo da Epifania...
—Onde conseguiu aqueles caras para se passarem como a Giustizia?
—São membros da Epifania disfarçados.
—Inteligente.
—Qual é a sensação de enganar a própria família, Tsuna-kun? –perguntou Kenjiro.
—Sinto uma pequena parcela de culpa, mas eles não estão vendo que isso será para o meu próprio bem.
—Provaremos que estavam enganados.
E os dois riam.
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