Céu Azul
1 Capitulo 1
Notas iniciais
Hoje é só mais um dia de céu azul.
Onde o Sol brilha em seu esplendor, as pessoas andam de um lado para o outro se cumprimentando, dando pausas em suas discussões e conversas paralelas para esse pequeno gesto de reconhecimento e claro, a comida e bebida a vontade deve fazer parte significativa desses sorrisos fáceis que constitui essa bolha que parece estarmos agora.
Os garçons andam entre os convidados sem ao menos esbarrar em um só, e claramente eu seria a que já teria derramado bebida em algum rico sem senso de espaço.
—Senhorita, o senhor Carmeron solicitou que a fosse ao seu encontro. – Um rapaz se aproxima de mim para passar o recado.
— É claro, obrigada. – Lembro de ter visto August perto de alguns senhores conversando e vou naquela direção. Quando me aproximo vejo que seus olhos me encontram e o mesmo me oferece um sorriso que é logo retribuído.
Ao me aproximar vou ao seu lado e o mesmo me oferece uma taça de alguma bebida que nem ao menos noto qual, mas que nesse calor ajuda a me hidratar.
—Senhorita Silguer, adorável poder encontra-la aqui hoje. – Um dos acionistas diz me olhando.
—Agradeço, senhor... – digo e aperto o braço de August.
—Senhor Albert querida, acredito que ainda não tenha se familiarizado com tantos nomes. – Ele diz e mesmo sem olha-lo eu posso sentir o sorriso em seu rosto. Belisco de leve seu braço e vejo que ele tenta contar seu riso – Queiram me desculpar senhores, porém, estaremos nos retirando para verificar um assunto de extrema importância.
Todos consentem sobre nossa saída nos dando cumprimentos e informando que aguardam o quanto antes nos reencontrar e então saímos andando para direção oposta enquanto meu braço permanece enlaçado ao dele.
— É qual importante assunto é esse? – Digo em tom baixo enquanto levanto a taça para beber mais um gole.
—Você sabe, aquele de se livrar de mais um pedido de gastar milhões de reais em algo que alguma família rica acha que é o fim do mundo, mas é só o fim de vontades egocêntricas. – Começo a rir e tento ao máximo não chamar a atenção no meio de tanta gente nos observando a cada passo.
—Você claramente deveria me pagar um vida de rainha somente pelas vezes que me usa de pretexto para se safar desses velhos ricos egocêntricos.
Ele para nossa caminhada e pega a taça da minha mão, colocando-a na bandeja de um prestativo garçom que estava por perto. Assim que ele agradece me toma em seus braços e percebo que estamos na pista de dança onde toca alguma melodia calma, então, começa a nos embalar no ritmo da musica enquanto coloco meus braços em seu pescoço e ele enlaça minha cintura.
— Bom, talvez possamos negociar algo, afinal você sabe, uma vida de rainha é muito cara, e como você sabe, não tenho dinheiro para tanto. Tal motivo de ser tão necessário essas fugas dos senhores interesseiros.
— Então, você quer que eu rebaixe o meu valor? Sinto informar ao senhor que sei muito bem o quanto valho, meu caro. – Digo arqueando minhas sobrancelhas como em surpresa a solicitação.
— Oh, longe de mim afirmar que a senhora deva se rebaixar ou tenha um valor menor do que o de uma vida de rainha. Porém, peço humildemente que reconsidere minha proposta, afinal , talvez possamos chegar a algo interessante. – Ele diz e termina a frase me puxando para mais perto de si.
— Bom, acredito que possa lhe dar alguns momentos. Comece.
— Acredito que possamos fazer algo a longo prazo, algo como, não sei, talvez casamento. – Ele diz e olha no fundo dos meus olhos.
— Bom, levando em consideração minha benevolência, acredito que isso já tenha sido proposto e eu aceitei. – Digo sorrindo levemente e sentindo o coração acelerado.
— Sim, você aceitou. – Ele diz suspirando. E então algo muda em sua feição.
— Ei, o que houve?- Digo me preocupando pela mudança na fisionomia dele.
Ele para de nos balançar no ritmo da musica e suspira mais uma vez encostando sua testa a minha e fechando os olhos. Toco seu rosto como se mostrando que estava ali para ele e esperando o tempo que ele precisasse, não importava se estavam nos olhando.
— Eu sei que é te pedir muito, mas, eu preciso tanto de você aqui. – Ele diz e seus braços me puxam para mais perto. Como se não pudesse haver espaço entre nós.
—August, eu estou aqui. Eu quero estar aqui. Esta tudo bem. – Coloco minhas duas mãos em seu rosto enquanto digo. – Olhe para mim, sim? – Ele abre seus olhos e o contraste do castanho ficando mais claro no Sol me faz sorrir. – Seus olhos são incríveis no Sol, você sabe, certo?
Ele sorri para mim e então eu vejo a nuvem se dissipando sobre sua cabeça, ele esta de volta ao dia claro de céu azul, e tudo que eu posso fazer é sorrir enquanto ele volta a nos embalar ao som da musica.
Então eu acordo.
Abro os olhos e vejo meu celular tocando, mais algumas dezenas de mensagens, me viro de costas para a cama olhando o teto e tudo que eu consigo pensar é que eu sei como cheguei aqui, mas a minha maior certeza é que eu não sei para onde ir agora.
Pego o celular para ver o horário e vejo que já são nove da manhã, provavelmente o remédio para o enjoo de ontem me fez dormir mais que o esperado, respiro fundo e fecho os olhos tentando me convencer de levantar, afinal, hoje era o dia não somente de levantar e enfrentar alguns leões, mas o dia de ir para dentro da cova e acima de tudo saber o nome de cada um que eu teria que lutar daqui em diante.
O dia da leitura do testamento.
Notas finais
Deixe uma autora motivada.
Eu sei gente, ninguém quer drama na vida, mas se tem testamento, o drama ja está feito.
Fale com o autor