Cânone
1 Meu destino é persegui-lo, não alcançá-lo.
Notas iniciais
Bem, então, vocês não precisam necessariamente saber o que é cânone para ler a estória, já que eu citei tanto aqui, mas eu acharia legal se vocês dessem uma olhada ~
CÂNONE
"(...) é uma espécie de corrida onde a segunda jamais alcança a primeira."
Eu sou seu cânone,
nós somos cânone.
Por que eu fui feito para persegui-lo,
e não para alcançá-lo.
Conheci-o de uma forma tão comumente banal que sequer merece ser mencionada, mas posso afirmar-lhes que desde que o conheci eu venho perseguindo-o.
— Sou Roxas — disse com seu olhar perdido e sua voz de quem estava entediado.
— Axel. — limitei-me a isto e sequer cogitei dizer qualquer outra palavra.
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Eu estava correndo atrás dele. Desde o início, eu corria atrás dele.
Não havia motivo aparente, eu apenas queria alcança-lo.
Mas nós somos cânone. Não podemos simplesmente ficarmos juntos.
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— O quanto você acredita nas coisas, Axel? — Indagou-lhe repentinamente, quebrando todos seus pensamentos e devaneios para poder encarar o ser menor e loiro ao seu lado.
Houve um rápido momento padecedor. Axel suspirou levemente e então sorriu com um sorriso libidinoso que Roxas nunca entendia, mas que estava sempre lá. Como se Axel desejasse apenas beijá-lo.
— O quanto impossíveis elas forem. — Respondeu-lhe rapidamente.
—... — A resposta, obviamente, frustrou o menor, porém seus lábios não moveram-se mais em momento algum. Roxas era assim, quieto. Axel era seu extremo oposto, isso irritava Roxas.
Axel era a pessoa mais irritante do mundo, Roxas o odiava.
Roxas odiava Axel no âmago de seu estomago.
Ele sabe da verdade, mas odeia admitir. Roxas é teimoso.
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Ele sabe que Roxas não gosta de ser acompanhado, Axel sabe disso. Mas que se pode fazer se não continuar perseguindo-o? Eles são cânone, afinal! Não existe argumento plausível para que ambos simplesmente se afastem.
O ruivo lembra-se bem do dia em que soube que era destinado a cânone; as nuvens estavam cinzas.
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— Quem somos nós? — Roxas encarou-me nos olhos, como se procurasse minha alma.
— Quem você quer ser, Roxas? — De fato, eu adorava quando o pequeno iniciava uma das suas perguntas com sua significância complexa e existencial.
— Quero ser algo que me permita ficar ao seu lado. — Respondeu-me rapidamente, engasguei-me com a saliva, mas pigarreei para disfarçar.
— Você não pode. — Balancei meu dedo perto de seu rosto e sorri conformador.
Roxas é tão jovem e irresponsável. Ele não entende o que é ser cânone.
Ele nunca entendeu.
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E então o loiro bufou, ele pegou algumas roupas — estava bravo demais para conseguir ver quais eram, e também sequer se importava — colocou-as de qualquer forma na mochila em suas mãos e saiu a passos largos, o maior resmungou algo, mas Roxas estava ocupado demais odiando-o mais ainda. Sentindo seus punhos quererem acertar o rosto do ruivo.
Então o homem alto de olhos verdes parou magicamente a sua frente, barrando sua passagem, proibindo-o de abrir a porta e abandoná-lo.
Por que, por mais que Axel jamais pudesse alcançar Roxas, ele jamais deixaria que o outro o abandonasse; aquilo não era característico da música cânone.
— Deixe-me passar. — Disse o pequeno, tentando ir pelo lado direito, sendo barrado pelo corpo de Axel.
— Não.
— Axel.
— Não.
— Saia da minha frente.
— Eu não posso!
— Eu vou dar um chute nas suas bolas!
— Vá em frente, Roxas. Eu não me importo. Eu não vou deixa-lo me abandonar. Isso não é característico de cânone.
— Pare com essa sua comparação ridícula! Pelo amor de Deus, nós não somos partituras, nós somos pessoas, Axel, PESSOAS. Nós temos sentimentos. Eu tenho sentimentos.
— E eu também, Roxas. Por isso não posso deixa-lo partir. Por que somos cânone; por que eu não posso alcança-lo, mas eu ainda amo você. Eu amo! Amo!
—... Axel... — O loiro baixou os olhos azuis tempestuosos.
Não houveram palavras, eles não precisavam delas. Axel abraçou o corpo pequeno a sua frente e sentiu seu corpo estremecer a sensação da respiração do menor roçando em sua curva do pescoço. Roxas era tão baixo, tão frágil.
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Nós poderíamos ser cânone, e eu jamais conseguiria alcançar Roxas, mas ao menos eu poderia segui-lo;
Ele (Roxas) não gosta de ser acompanhado, ele não gosta de nada. Ele só gosta de mim. Mas ele nunca realmente gostou de coisa alguma. Porém, nós somos cânone. Amamo-nos;
Sei que Roxas tenta entender o porquê de eu comparar-nos a cânone. Mas ele não pode, por que ele está a minha frente. Ele é a voz inicial e eu a segundaria, ele não pode parar por mim. Roxas é jovem demais para conseguir compreender a complexidade que existe nas partituras.
Notas finais
mas assim, caso queiram me amar lá no AS também, meu nome é Haennie, bjao ♥
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