Cálice de Fogo

9 A Entrevista do Campeão de Hogwarts


Notas iniciais
Olá, desejo um bom final de semana a todos!!! Confesso q quase ñ escrevo o capítulo desse mês por puro desânimo, ñ tava me sentindo muito motivada, mas aí eu assisti One Piece (a série) e agora tô assistindo o anime pela primeira vez na vida e me deu uma renovada. Quem já assistiu (ou leu o mangá) sabe o poder q ele tem de fazer você querer correr atrás dos seus sonhos E no momento, o meu é escrever, por enquanto é só um hobby, mas quem sabe no futuro eu não tente lançar um original hein?! Enfim, espero que curtam o capítulo

Naruto acordou naquele dia em específico se sentindo bastante estranho.

O choque de se ver no papel de campeão da escola agora já tinha diminuído um pouquinho e o medo do que o aguardava estava começando a penetrar fundo em sua mente. A primeira tarefa se aproximava; o garoto tinha a sensação de que ela estava de tocaia logo ali, como um monstro aterrorizante, barrando o seu avanço. Nunca tinha se sentido tão nervoso; ultrapassava e muito qualquer sentimento que tinha experimentado antes de uma partida de quadribol, até mesmo a última contra a Sonserina no quarto ano, que tinha decidido quem ganharia a Taça de Quadribol. Naruto estava achando difícil pensar no futuro, sentia que a sua vida inteira o conduzia à primeira tarefa e que nela terminaria…

Mas ao acordar um tanto atrasado e saindo apressado pelo túnel do quadro na torre da Grifinória não deixou de notar os olhares condescendentes dos colegas e a medida que chegava mais e mais perto do Salão Principal só piorava, muitos apontavam para ele de forma discreta ou descaradamente mesmo. Só respirou aliviado quando viu a cabeleira rosa da melhor amiga e quase correu para chegar até ela.

— Bom dia – ele desejou se sentando de frente para ela, mas congelou ao notar os olhos dela em pânico.

— Bom dia campeão – Temari debochou.

— O quê…? – ele olhou em volta sem entender.

Não eram só os colegas, parecia que todos na escola inteira estavam olhando para ele.

— Saiu sua entrevista no Profeta Diário – Sakura estendeu o jornal para ele.

Naruto pegou no automático.

Kabuto Yakushi publicou seu artigo sobre o Torneio Tribruxo, que afinal não foi tanto uma notícia sobre o torneio, mas uma versão das respostas de Naruto extremamente pitoresca. Quase toda a primeira página fora ocupada por uma foto do garoto; o artigo só falava dele, os nomes dos campeões da Beauxbatons, Durmstrang e Ilvermorny sequer tinham sido mencionados.

K: O que fez você decidir entrar no Torneio Tribruxo?

N: E todos não querem participar? Eu sou a melhor escolha do Cálice de Fogo!

K: E como é que você se sente com relação às tarefas que o aguardam? Excitado? Nervoso?

N: Vai ser moleza!

K: Houve campeões que morreram no passado, não é? Você chegou a pensar nisso? Não tem medo?

N: Nem um pouco, eu sou da Grifinória! A melhor casa de Hogwarts!

K: E sobre os outros campeões? Acha que é páreo para eles?

N: Claro! Só estou um ano atrás, não vou ter tantas dificuldades quanto os outros, principalmente contra o Uchiha, ele só é bom em andar de vassoura!

Naruto abriu a boca indignado, foi assolado por uma ardência de náusea e vergonha ao mesmo tempo no estômago. Kabuto Yakushi pusera em sua boca uma porção de coisas que ele sequer lembrava ter dito na vida, muito menos no armário de vassouras.

— Eu não disse isso! – exclamou o garoto indignado. – Nada disso saiu da minha boca!

— Eu não duvidaria que você tivesse dito tudo isso – falou Kankuro com desdém. – É bem a sua cara.

— Como é que é? – Naruto ficou embasbacado.

— É, campeão – debochou Temari. – Você é a melhor escolha do Cálice? – a garota estava irritada.

— O que é que deu em vocês dois? – Sakura estava chocada com o comportamento dos amigos.

— Nem fala comigo, aposto que você sabia quem ia ser escolhido! – a loira apontou um dedo na cara da garota de cabelos cor de rosa.

Sakura hesitou por um momento na resposta, o que foi brecha suficiente para a garota continuar atacando.

— Aposto que você trapaceou para que o Naruto fosse escolhido!

Ela tinha dito aquela última frase tão alto que várias cabeças de outras mesas se viraram em direção a elas.

Sakura sentiu uma quentura subir pelo corpo, mas não queria dar o gostinho nem a amiga nem aos alunos de outras escolas.

— Que lisonjeiro da sua parte achar que eu sou capaz de enganar um objeto mágico de centenas de anos e o próprio diretor Hiruzen – Sakura debochou da garota, deixando-a ainda mais enfurecida. – Me diga, se eu tivesse mesmo tal capacidade, por que é que eu não faria o Cálice me escolher?

— Talvez porque você estivesse com medo – Kankuro cruzou os braços, na tentativa de defender a irmã.

Sakura mal lançou um olhar para ele antes de sorrir de forma fria e soltar:

— Vocês estão sendo ridículos. Só estão com ciúmes do Naruto por ele ter sido escolhido ao invés de um de vocês.

Muitos ofegaram surpresos na mesa com a briga de palavras, afinal, o quarteto era conhecido por ser muito unido desde o primeiro ano.

Temari saiu pisando os pés com força, quase dava para ver a fumaça saindo da cabeça dela de tanta raiva que a garota sentia. O irmão foi atrás.

Sakura pegou suas coisas e foi na direção oposta, igualmente irritada.

Naruto pegou alguns pãezinhos e algumas frutas antes de seguir a amiga. Ele é que não iria ficar sozinho depois daquela entrevista, nem se atrevia a olhar na direção do jogador famoso de tanta vergonha que sentia.

O que é que iria fazer?

. . .

As coisas não melhoraram nos próximos dias. Parecia que a escola inteira estava contra ele. Os alunos da Sonserina eram os piores caçoando dele o tempo todo, inclusive em sala de aula no horário do professor Orochimaru que não fazia nada para impedí-los, mas se Naruto ousasse revidar era ele quem levava bronca e perdia pontos da casa.

Outro artigo havia saído, listando todas as características (quase nulas) e os defeitos do garoto. O pior era que até a melhor amiga fora mencionada em um trecho:

“Seu amigo íntimo, Konohamaru Sarutobi, neto do diretor da escola Hiruzen Sarutobi, diz que o garoto raramente é visto sem a companhia de Sakura Haruno, uma linda menina nascida trouxa que é uma das melhores alunas da escola.”

— Eu vou acabar com seu amigo íntimo – a garota de cabelos rosa cantarolou antes de estender o jornal a ele.

— Como é que ela conseguiu falar com ele? – Naruto reclamou. – O diretor está mantendo jornalistas longe da escola até o dia do torneio justamente para não dar margem para esse tipo de situação.

— Decorou palavra por palavra, hein – Sakura se admirou do amigo.

Mas o garoto não estava prestando atenção, ele arregalou os olhos e tampou o rosto com o livro que a amiga estava segurando enquanto caminhavam ao redor do lago.

— Merda! – ele soltou.

— Ei! – ela reclamou de ter o livro tirado de seus braços. – Qual é o seu problema?

— O Uchiha tá logo atrás da gente e ele não tá sozinho – Naruto choramingou.

Sakura se virou para trás e constatou que o amigo falava parcialmente a verdade.

— Naruto! – Sakura o repreendeu gentilmente. – Ele só tá sentado com os amigos dele, relaxa – ela pôs a mão em um dos ombros dele.

Mas a garota de cabelos cor de rosa não falou que percebia sim os olhares do famoso jogador, ele sempre desviava quando ela o flagrava, mas ela sabia que ele sempre olhava para eles com uma frequência que não existia antes do primeiro artigo ser publicado.

Contanto que o garoto não fizesse nada além de olhar, Sakura deixaria aquela situação quieta.

— Adivinha de que casa Kabuto Yakushi é? – ela lançou para o amigo.

O loiro olhou surpreso para ela.

— Por favor, Sonserina não – ele rogou.

— Sinto muito – disse ela, dando um tapinha de consolo no ombro do amigo.

— O povinho invejoso e nojento – o garoto estremeceu.

— Você vai calar a boca deles na primeira tarefa – disse a amiga com convicção.

— É uma previsão? – ele perguntou esperançoso.

Sakura somente deu de ombros, nem confirmando nem negando. Apenas confiava no amigo e sabia que ele daria tudo de si para realizar a primeira tarefa.

— Aposto que os pais do Gaara conhecem o jornalista bem de pertinho – pensou Naruto.

— Não duvido – disse a amiga em um tom melancólico.

Desde a briga no salão principal, ela e Temari não se falavam; Naruto e Kankuro também não, eram os irmãos de um lado e os melhores amigos do outro.

Naruto suspirou baixinho pensando naquele dia.

— Você sabia mesmo quem ia ser escolhido? – o amigo perguntou baixinho. – Você teve uma visão?

— Não foi uma visão – respondeu ela, exasperada. – Foi mais um pressentimento.

— Não sei a diferença – o garoto falou só para irritar a amiga e deu certo.

Sakura deu um safanão no garoto.

— Só explica – pediu ele.

A garota suspirou.

— Tá bem! – ela suspirou. – Eu tive essa… sensação… na primeira noite. Conforme as escolas foram chegando e se sentando nas mesas… – começou, mas se embananou na explicação. – A Beauxbatons se sentou com a Corvinal, certo? – o loiro acenou acompanhando o raciocínio da amiga. – A Ilvermorny se sentou com a Lufa-Lufa, mas quando a Durmstrang se sentou com a Sonserina… Eu não sei explicar – balançou a cabeça de um lado para o outro. – Eu só sabia que o campeão de Hogwarts seria alguém da Grifinória, porque eu sentia que cada campeão sairia de cada uma das mesas das casas. Entendeu?

— Uau – soltou Naruto. – Você podia ter dito isso antes, imagina só a cara da Sonserina ao ouvir isso — ele sorriu.

— Naruto – Sakura o repreendeu. – Se esqueceu do quarto ano? – Naruto engoliu em seco com a menção.

— Nem me lembra, eu achei que você fosse morrer – disse o garoto com um arrepio.

— Eu não vou mais me meter com o destino se eu puder evitar – disse Sakura estremecendo.

. . .

Era uma coisa estranha, mas quando se está com medo de alguma coisa e se daria tudo para retardar o tempo, o tempo tinha o mau hábito de correr.

Os dias que faltavam para a primeira tarefa pareciam passar como se alguém tivesse ajustado os relógios para trabalharem em velocidade dobrada. Naruto gostaria de um vira-tempo àquela altura. A sensação de pânico mal controlado do garoto o acompanhava para onde fosse, sempre presente como os comentários depreciativos sobre o artigo do Profeta Diário.

No sábado que antecedeu a primeira tarefa, todos os estudantes do terceiro ano, e acima, tiveram permissão para visitar o povoado de Hogsmeade.

Sakura disse a Naruto que lhe faria bem sair um pouco do castelo e o garoto não precisou de muita persuasão, mas avisou:

— Eu vou usar minha capa da invisibilidade.

— Tudo bem, mas saiba que eu odeio falar com você naquela capa, nunca sei se estou olhando para você ou não e os outros me acham maluca por falar sozinha – ela reclamou, mas sabia como o amigo precisava de um descanso.

Então Naruto vestiu a Capa da Invisibilidade no dormitório e tornou a descer e, juntos, ele e a amiga seguiram para Hogsmeade.

Naruto se sentia maravilhosamente livre sob a capa; observou os estudantes que passavam por eles na entrada do povoado, a maioria usando distintivos apoiando os outros campeões, mas para variar, ninguém atirou piadas horríveis para ele nem citou os artigos idiotas.

Teve um momento em que Sakura paralisou ao ver o jornalista Kabuto e o acompanhante que Naruto disse ser o fotógrafo. Ela se encostou na parede da Dedosdemel para evitar que os dois reparassem nela e funcionou, eles passaram por ela conversando baixo e sem nem prestar atenção. Usar um gorro e um casaco grande para esconder o cabelo tinha dado certo.

Quando os dois se afastaram, Naruto comentou:

— Ele está hospedado no povoado. Aposto como vai assistir à primeira tarefa.

Ao dizer isso, seu estômago foi inundado por uma onda de pânico derretido. Mas não disse nada, ele e Sakura não tinham discutido muito o que o aguardava na primeira tarefa, tinha a sensação de que a amiga não queria pensar no assunto.

— Depois de todos aqueles artigos eu ficaria surpresa se ele não fosse assistir – ela disse olhando para a rua principal através de Naruto sem saber. – Bom, ele já foi embora, vamos ao Três Vassouras? Eu quero muito uma cerveja amanteigada.

— Você não é viciada nisso não, né?! – ele brincou.

— Se eu pudesse ver você ia te dar um safanão – ela reclamou.

Mas Naruto reparou nos dois amigos mais fiéis do Uchiha não muito longe de onde ele e a amiga estavam e estremeceu. Aqueles garotos não podiam estar seguindo amiga, né? Eles conversavam um com outro e gesticulavam discretamente na direção dela. O platinado parecia gesticular mais, enquanto que o ruivo cruzava os braços negando com a cabeça.

Naruto ainda não tivera coragem de falar com o Uchiha, para tentar se explicar, pois só de pensar travava, era muito fã do jogador e o cara nem sabia. Esperava que os amigos dele não tentassem se vingar usando Sakura.

O Três Vassouras estava lotado, principalmente com alunos de Hogwarts que aproveitavam a tarde livre, mas também com uma variedade de gente mágica que Naruto raramente via em outro lugar. Ele imaginava que Hogsmeade, o único povoado inteiramente mágico da Grã-Bretanha, constituía uma espécie de refúgio para gente como as bruxas, que não gostavam tanto de se disfarçar quanto os bruxos.

Era difícil caminhar entre muita gente com a Capa da Invisibilidade, pois se pisasse em alguém sem querer, poderia provocar perguntas embaraçosas. Naruto dirigiu-se com cautela a uma mesa vazia em um canto e Sakura foi comprar as bebidas.

A garota não demorou para se juntar a ele e lhe passou a cerveja por baixo da capa.

— Pareço uma idiota sentada aqui sozinha – resmungou ela. – Por sorte trouxe alguma coisa para fazer.

E tirou um pequeno livro de um dos bolsos do enorme casaco que usava. O título não era familiar ao loiro, mas ele não era do tipo que lia se não fosse para estudar.

— Esse livro aí é um do nosso mundo ou um do outro? – ele perguntou curioso.

— Do outro – ela respondeu simplesmente. – Chama-se livro de bolso, minha mãe me enviou, às vezes eu sinto falta de histórias que não sejam sobre magia.

— Faz sentido se chamar assim, esse livro é tão pequeno – e deu um gole na bebida.

Enquanto Sakura se concentrava na leitura, Naruto ficou imaginando como estariam se sentindo os outros campeões. Todas as vezes que via Utakata ultimamente, o garoto estava cercado de admiradores e parecia nervoso, mas excitado. De vez em quando via Ino de relance nos corredores, ela tinha a mesma aparência de sempre, arrogante e orgulhosa. E o Uchiha simplesmente ficava sentado na biblioteca, examinando livros, imperturbável.

— Olha, é o Jiraya – soltou Naruto antes de se conter para não mexer na capa e se revelar.

— Olá, Sakura – disse o homem se aproximando um tempo depois, cumprimentando a garota. – Tudo bem?

— Olá – respondeu a garota sorrindo.

— O Naruto não veio com você? – ele perguntou confuso olhando de um lado para o outro.

Sakura hesitou por um momento.

— Queria falar com ele?

— Sim – respondeu ele, ainda olhando ao redor do estabelecimento. Ele se abaixou e disse baixinho para que somente a garota ouvisse: – Pode dizer a ele para ir hoje na minha cabana à meia-noite? E que é para ele levar a capa? – Então ele se ergueu e falou em alto e bom som: – É muito bom ver você.

Depois que ele se afastou, Naruto comentou curioso:

— Por que será que ele quer que eu vá encontrá-lo à meia-noite?

— O que será que ele está aprontando? É perigoso e contra as regras sair do castelo depois do horário – ela apontou.

— Deve ser importante – disse o loiro. – Ele nunca me pediu isso antes.

Jiraya era um amigo muito próximo dos pais de Naruto, tanto que era padrinho do garoto, poucos tinham conhecimento do fato, além do mais, Jiraya é quem tinha dado a capa de invisibilidade de presente de aniversário para Naruto no primeiro ano escolar.

— E se você for pego? Sorte sua que hoje sou eu quem está nas rondas – ela avisou.

— Está falando sozinha, Sakura? – Karin se sentou ao lado da garota.

O local estava tão lotado que Naruto ficou surpreso de não perceber a irmã caminhando entre os transeuntes. Sakura estava igualmente surpresa.

— Estou lendo – Sakura respondeu rapidamente. – O que faz aqui? Seus amigos não vão gostar — comentou antes de dar um gole na cerveja amanteigada.

— Só por alguns minutos, eu quero estar ao lado de uma alma que não vá falar mal do meu irmão mais novo – disse a ruiva apoiando a cabeça entre os braços na mesa.

— Own – Sakura sorriu. – Naruto não iria acreditar se eu disse que você se importa com ele.

— Uhum – resmungou a garota.

— Você tá bem? Parece cansada – percebeu Sakura.

— Só preciso de uns minutos para me recompor, estudar para os N.I.E.M.S. está acabando comigo – revelou a ruiva. – Se contar para alguém…

— Já sei – Sakura sorriu com a familiar ameaça.

Já Naruto olhava admirado para a irmã. Jamais esperaria que ela se preocupasse tanto consigo ou o tentasse defender. Eles brigavam muito, mas ainda eram irmãos. Não podia perder a primeira tarefa do torneio de jeito nenhum.

. . .

Às onze e meia daquela noite, Naruto, que tinha fingido ir se deitar mais cedo, jogou a Capa da Invisibilidade por cima do corpo e saiu sorrateiramente pela sala comunal. Ainda havia muitos colegas lá. Naruto passou por eles em direção ao buraco do retrato e esperou um minuto mais ou menos, de olho no relógio. Depois, Sakura abriu o quadro pelo lado de fora conforme tinham planejado. Ele passou pela amiga murmurando “Obrigado!” e saiu pelo castelo.

Os jardins estavam muito escuros. Naruto desceu os gramados em direção às luzes que brilhavam na cabana de Jiraya. O interior da enorme carruagem da Beauxbatons também estava aceso; ele podia ouvir Madame Mei falando lá dentro, quando bateu na porta do padrinho.

— É você aí, Naruto? – sussurrou Jiraya, abrindo a porta e espiando para os lados.

— Sim – respondeu Naruto, entrando na cabana e tirando a capa de cima da cabeça. – Que é que está havendo?

— Tenho uma coisa para lhe mostrar – ele disse com um ar de enorme excitação.

— Que é que você vai me mostrar? – perguntou Naruto cauteloso.

— Venha comigo, fique quieto e coberto com a capa – disse o padrinho. – Não vamos levar Akamaru, ele não vai gostar… Tente se manter o mais silencioso possível, tudo bem?

O garoto concordou.

E eles caminharam e caminharam, Naruto às vezes tendo que correr para acompanhar o passo de Jiraya, se perguntando que plano o padrinho tinha na cabeça quando tinham se distanciado tanto ao longo do perímetro da Floresta que o castelo e o lago desapareceram de vista.

Então Naruto ouviu alguma coisa.

Havia homens gritando adiante... depois ouviram um rugido ensurdecedor, de rachar os tímpanos...

Jiraya fez uma volta em um arvoredo e parou. Naruto parou ao lado dele e, por uma fração de segundo, achou que estava vendo fogueiras e homens que corriam em torno delas, mas então seu queixo caiu com o que viu.

Dragões.

Quatro dragões adultos, enormes, de aspecto feroz se empinavam nas patas traseiras, dentro de um cercado feito com grossas pranchas de madeira, rugindo e bufando torrentes de fogo se erguiam quinze metros para o céu escuro de suas bocas abertas e cheias de dentes, no alto de pescoços esticados. Havia um azul-prateado com chifres longos e pontiagudos, que rosnava para os bruxos no chão e tentava mordê-los; outro de escamas lisas e verdes, que se contorcia e batia as patas com toda a força; um vermelho, com uma estranha franja de belas pontas de ouro ao redor do focinho, que soprava para o ar nuvens de fogo em forma de cogumelo; e um último negro e gigantesco, mais parecido com um lagarto do que os demais, que era o mais próximo.

No mínimo uns trinta bruxos, sete ou oito para cada dragão, tentavam controlá-los, puxando correntes presas a grossas tiras de couro em volta dos pescoços e das pernas dos bichos. Hipnotizado, Naruto olhou bem para o alto e viu os olhos do dragão negro, com pupilas verticais como as de um gato, arregalados de medo ou de fúria, não saberia dizer qual fazia um barulho terrível, um uivo penetrante...

— Fique aí, Jiraya! – berrou um bruxo junto à cerca, puxando com força a corrente que segurava. – Eles podem cuspir fogo a uma distância de seis metros, sabe! Já vi este Rabo-Córneo chegar a doze!

— Ele não é lindo? – perguntou Jiraya baixinho.

— Não adianta! – berrou outro bruxo. – Feitiço Estuporante quando eu contar três!

Naruto viu cada um dos guardadores de dragões puxar a varinha.

Estupore!— gritaram eles em uníssono, e os feitiços dispararam pela escuridão como foguetes chamejantes, explodindo em chuvas de estrelas sobre os couros escamosos dos dragões...

Naruto observou o mais próximo deles balançar nas pernas traseiras, as mandíbulas se escancararam em um súbito uivo silencioso, as narinas subitamente se apagaram, embora ainda fumegassem, depois, muito lentamente, o bicho caiu, várias toneladas de dragão negro, musculoso, coberto de escamas, desabaram no chão com um baque que Naruto poderia jurar, fez as árvores atrás dele estremecerem.

Os guardadores de dragões baixaram as varinhas e avançaram até os bichos caídos, cada um destes do tamanho de um morro. Os bruxos se apressaram a esticar as correntes e a prendê-las firmemente em estacas de ferro, que eles enterraram bem fundo no chão, com suas varinhas.

Jiraya se aproximou do homem que tinha dado o aviso antes e Naruto, cheio de uma curiosidade que superava o medo, seguiu atrás dele.

— Tudo bem, Jiraya? – ofegou ele, aproximando-se para falar. – Devem estar OK agora, demos a eles uma poção para dormir durante a viagem, achei que seria melhor acordarem quando estivesse escuro e tranquilo, mas, como você viu, eles não ficaram nada felizes.

— Que raças você tem aqui? – perguntou Jiraya, examinando o dragão mais próximo, o negro, com uma atitude próxima à reverência. Os olhos do bicho ainda estavam ligeiramente abertos. Naruto pôde ver um risco amarelo e brilhante sob a pálpebra enrugada e escura.

— É um Rabo-Córneo húngaro – informou o bruxo. – Tem um Verde-Galês comum lá adiante, é o menor deles; um Focinho-Curto sueco, aquele cinza-azulado e o Meteoro-Chinês, aquele outro vermelho.

— Quatro... – contou Jiraya – então é um para cada campeão, é? O que é que eles vão ter de fazer, lutar com eles?

— Só passar por eles, acho – respondeu o bruxo. – Estaremos por perto se a coisa ficar feia, prontos para lançar Feitiços. Pediram dragões em época de nidificação, não sei o porquê... mas vou lhe dizer uma coisa, eu não invejo o campeão que pegar o Rabo-Córneo. Bicho feroz. A extremidade de trás é tão perigosa quanto a da frente, olha lá.

O bruxo apontou para o rabo do dragão e Naruto viu que, a intervalos de uns poucos centímetros, havia chifrinhos compridos, cor de bronze.

Cinco dos colegas guardadores do bruxo que Naruto ainda não sabia o nome cambaleavam até o Rabo-Córneo naquele momento, transportando, juntos, uma ninhada de ovos em um cobertor. Depositaram sua carga, cuidadosamente, do lado do Rabo-Córneo.

— Como vai seu afilhado? Campeão, né?!

— Ótimo – respondeu Jiraya admirando os ovos.

— Faço votos de que continue ótimo depois de enfrentar esses bichos – disse o bruxo muito sério, contemplando o cercado dos dragões.

Os dois continuaram a conversar, mas para Naruto já era o bastante. Confiando que o padrinho não sentiria falta dele, se virou silenciosamente e começou a caminhar de volta ao castelo.

Não sabia se estava ou não contente de ter visto o que o esperava. Talvez assim fosse melhor. O primeiro choque tinha passado agora. Talvez se visse os dragões pela primeira vez na terça-feira, tivesse caído duro diante de toda a escola... mas quem sabe desmaiaria mesmo assim... Ele estaria armado com a varinha, que naquele momento lhe parecia apenas uma ripinha de madeira, contra um dragão de quinze metros de altura, coberto de escamas e chifres, que cuspia fogo. E precisava passar pelo bicho. Com todo mundo olhando. Como?

No caminho viu as silhuetas dos diretores das outras escolas, de Beauxbatons e Ilvermorny, mas em nenhum lugar viu o de Durmstrang, o que não significava que não estivesse por ali.

Caminhou o mais rápido e silencioso que pôde em direção ao castelo.

. . .

Os corredores de Hogwarts estavam gelados. O tempo em novembro tinha esfriado muito. As serras em torno da escola viraram cinza-gelo e o lago parecia metal congelado. Toda manhã o chão se cobria de geada, mas os alunos ainda não tinham visto a neve cair nos terrenos da escola.

Sakura estava monitorando entre o primeiro e o segundo andar. Já tinha passado e muito do seu horário de dormir, mas não deixava de estar preocupada com o melhor amigo, mesmo sabendo que ele estava seguro com o padrinho. A garota estava com um pressentimento estranho no peito, com a sensação de que… tinha que estar ali.

Foi quando ouviu um barulho muito forte de algo se chocando nos terrenos da escola. Parecia o barulho… do Salgueiro Lutador.

A garota de cabelos rosa não pensou duas vezes e correu até lá.

O Salgueiro Lutador era uma árvore extremamente violenta, conhecida por atacar qualquer um que perturbasse seus arredores. Tinha sido plantado por volta do ano de 1971 e guardava a entrada de uma passagem secreta que ia dos terrenos da escola até a Casa dos Gritos em Hogsmeade. Havia duas maneiras de imobilizar o Salgueiro Lutador: o método mais difícil era apertando um nó na base da árvore ou, o método mais fácil, era usar o feitiço “Immobulus”. Somente aqueles que trabalhavam na escola sabiam disso, isso incluía o diretor, os professores e outros funcionários.

Sakura acabou descobrindo sem querer sobre a informação durante o quarto ano, mas aquilo não vinha ao caso no momento.

Ao se aproximar, viu que um aluno estava usando a varinha para se desviar dos galhos da árvore e utilizando feitiços para revidar. Ela não o reconheceu.

— Se afaste! – Sakura gritou.

Mas ao invés do aluno obedecer, ele paralisou assustado.

— Immobulus – a garota de cabelos rosa murmurou em seguida.

Estava muito ofegante devido a corrida para se concentrar em fazer um feitiço mudo e com medo pelo que podia acontecer com o garoto, mas não adiantou. Sem se afastar como ela havia mandado, o aluno, seja lá quem fosse, levou uma pancada de um dos galhos caindo no chão antes da árvore paralisar completamente.

Sakura correu até o garoto, estava muito escuro e não conseguiu enxergar as feições dele, tocou a cabeça cuidadosamente como havia sido ensinado uma vez e percebeu que a pancada havia sido bem forte. Ela rapidamente usou o feitiço de levitação e levou-o imediatamente até a enfermaria.

— Madame Sula! – Sakura gritou assim que a porta da enfermaria se fechou.

A bruxa em questão apareceu de prontidão.

— O que aconteceu? – ela perguntou, a voz rouca de sono. – Deite-o ali – apontou para uma das camas.

— Ele levou uma pancada do Salgueiro Lutador – Sakura respondeu enquanto fazia o que a bruxa mandava.

— Pegue aquele unguento ali para mim – apontou para uma bancada. – Argh, que confusão – resmungou a bruxa. – Daniel não vai me dar sossego.

Sakura pegou o unguento e se virou indo na direção dela, percebendo quem era o aluno em questão.

Sasuke Uchiha.

Continua…



Notas finais
Gostaram? Espero que sim!!! Dúvidas? Teorias? Comentários? Sugestões? Me deixem saber o que estão achando!!! Pelos meus cálculos estamos mais ou menos na metade da história... Eu li alguns livros desde o último capítulo, mas a maioria foi romance (adoro, principalmente se for daqueles leves de relaxar a cabeça), acho que o único que se encaixa como fantasia e aventura (e que tem romance também) é "O Sol e a Estrela" do Rick Riordan, vocês vão ter que me aguentar falando de Percy Jackson!!! Kkkkkk E quem sabe no futuro eu não traga uma one ou uma short fic no mundo de PJO, o q vcs acham? Gostam da ideia? Por enquanto é isso, beijinhos e até o próximo capítulo