Bússola

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Obrigada por darem uma chance ao livro. Tenham uma boa leitura.

Aqui só seram postados os primeiros três capítulos. Para acessar o resto da história é necessário acessar o Wattpad e pesquisar "Bússola", de Mary P. Stewart

As folhas secas quebravam no mesmo ritmo do meu caminhar. Os poucos raios vindo do Sol que ainda não nascera completamente, os passarinhos cantando e as corujas indo procurar abrigo, pois a noite acabara era um indício que já deveria estar em casa novamente. Porém
estava eu procurando um bom galho de uma árvore para sentar, sentindo o pouco vento frio que restara da noite e olhando para as belas cores que serpenteavam o céu.

“Um belo dia”. Repeti para mim mesma. “Hoje será um belo dia, tudo está bem. Vá em frente, você consegue”, era isso que minha psiquiatra me pedia para repetir todo o dia de manhã.

“Pensamentos positivos se tornam ações positivas.” Dizia ela, porém acho que ela está enganada. Tenho certeza que ouvi meu irmão cantando sua música favorita quando o carro
nos atingiu.

— Quem sã iria para a escola no sábado, Sam? – Perguntei a ele, ele não disse nada, apenas deu
de ombros e continuou cantando a música que tocava em seu celular.

— Você vai ter que me pagar um sorvete. – Arranquei o fone para ter certeza que ele estava me escutando. – Porque afinal de contas eu devo ser a melhor irmã do mundo. Quem mais iria com você a uma reunião do conselho estudantil ao sábado?

— Eu prometo que te pago até dois sorvetes se você concordar em me deixar escutar a música. – Eu ri dele e assenti, ele pegou o fone de volta e recomeçou a cantar.

Então um carro cinza ultrapassou o farol, um caminhão veio em sua direção e em uma tentativa de desviar do caminhão ele atingiu a calçada. Ele atingiu o meu irmão.

Meu celular começou a tocar me trazendo de volta ao presente.

— Alô? – Atendi.

— Aonde você se meteu? – Era Téo, meu melhor amigo.

— Estou bem, avisa a minha mãe que já estou voltando para casa.

Desde o acidente com o Sam minha mãe ficava desesperada com o fato de eu sair para passear, toda vez que saia ela me ligava de cinco em cinco minutos para se certificar que eu estava bem. Então fizemos um acordo, ela só pode me ligar três vezes ao dia ou quando algo extremamente grave houver ocorrido. Por isso ela infortunava Téo com ligações para que ele se certificar que eu estava bem.

— Te pego para ir a escola em vinte minutos. – informou ele e desligou.
Desci da árvore, coloquei os fones de ouvido fiz a corrida de cinco minutos até a minha casa.

— Cheguei!

— Ai meu Deus, aonde você se meteu? – Abri a boca para tentar falar, porém fui interrompida pela minha mãe que acariciava meu rosto como se não nos víssemos há anos.

— Eu fiquei tão preocupada com você. Como você sai no meio da noite e não avisa, não deixa bilhete e nem uma mensagem?

— Eu só fui caminhar, mãe. – Disse dispensando seus carinhos e subindo a escada para ir até meu quarto. – Eu sempre fiz isso, não sei para quê tanta preocupação agora.

— Você sabe muito bem o motivo da minha preocupação. – Essa pequena frase calou-me, minha língua não tinha mais argumentos. – Eu já perdi um filho, quero ter certeza que não irei perder outro também.

Minha mãe chorou apenas quando recebeu a notícia. Eu me lembro perfeitamente do momento que soube da notícia de que meu irmão havia morrido.

A anestesia que me deram
para fazer a cirurgia já havia acabado e minha cabeça latejava de dor, eu estava convencida a dormir e descansar um pouco como a enfermeira havia falado, porém minha enxaqueca não
deixava.

— Senhora e Sr. Mendez. – Permaneci de olhos fechados, por mais que estivesse confusa naquele momento sabia que algo importante estava por vir. – poderíamos conversar ali fora?

— É o Samuel? – A voz do meu pai evidenciava preocupação.

— Por favor, vamos lá para fora para podermos conversar melhor. Não seria bom falar isso perto de tua filha. — Pediu mais uma vez, insistente, a enfermeira.

— Ela está dormindo. –A voz da minha mãe estava rígida. Era a mesma voz que ela usava para deixar Sam ou o eu de castigo. – Pode, por favor, nos contar como está nosso filho agora?

— Se preferem assim. O Samuel recebeu todo o impacto do veículo, sendo assim ele teve os ferimentos mais sérios. Fratura na perna esquerda, no braço direito e no quadril. Uma concussão pela força a qual ele bateu no poste e uma hemorragia interna no abdômen. Por mais de todos nossos esforços ele não suportou... – A voz da enfermeira foi abafada pelos soluços de minha mãe e pelo soco oco que meu pai deu na parede.

Abri os olhos minimamente,
pois sabia que estar acordada agora não ajudaria em nada. E pela primeira vez na minha pequena existência vi a minha mãe chorar e meu pai juntamente a ela. O choro deles era desesperador, como se a fonte de felicidade de suas vidas fosse tirada deles, como se um pedaço de sua alma fosse arrancado e levado para longe a força, como uma peça quebrada que não poderia mais ser presa de volta ao lugar. Eu os entendia, pois era isso que eu sentia.

— Vou tomar banho, Téo vai passar aqui para me dar carona em quinze minutos. – Subi as escadas indo em direção ao banheiro. Não entendi como, mas parecia que quanto mais o tempo passava, mais aumentava meu pesar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.