Bíblia dos Contos Proibidos.
18 O Pescador Solitário.
Jonas era um pescador experiente, acostumado com a solidão do mar e com as lendas que os antigos pescadores contavam na taverna local. Histórias de sereias com vozes sedutoras, navios fantasmas e, a mais temida, a lenda do "Homem-Marinho", uma criatura das profundezas que se apegava aos pescadores solitários e os levava para o fundo do oceano. Jonas ria dessas histórias. O mar era sua casa, e ele não temia nada.
Naquela noite, o mar estava calmo, o céu limpo e a pesca estava boa. Jonas estava a milhas da costa, o único barco na imensidão azul escura. Ele ouviu um som, um respingo distante que não combinava com o ritmo das ondas. Ele ignorou. O som se repetiu, desta vez mais perto.
Jonas olhou para o lado do barco, a água negra e silenciosa. De repente, uma mão pálida e alongada agarrou a borda do barco. A pele era úmida e fria, e os dedos tinham membranas finas entre eles. Um rosto emergiu, com olhos grandes e negros que não refletiam a luz da lua, e uma boca aberta que mostrava dentes pequenos e afiados.
O pânico tomou conta de Jonas. Ele tentou soltar a mão da borda, mas a criatura tinha uma força sobrenatural. Ela começou a subir a lateral do barco, sua forma disforme e molhada escorregando e se prendendo à madeira.
Jonas correu para a cabine, pegou seu arpão e voltou para o convés. A criatura estava quase totalmente dentro do barco. Ele a golpeou com o arpão, mas a criatura não recuou, apenas soltou um som gutural e sibilante, e a agarrou a arma, quebrando-a com facilidade.
Jonas ficou encurralado na proa do barco. A criatura se aproximou lentamente, seus olhos negros fixos nos dele. Ela não parecia agressiva, mas curiosa, como se estivesse inspecionando sua presa.
"Você é um pescador solitário, não é?"
a criatura sibilou, sua voz como o som das ondas quebrando em uma praia de pedras.
"O mar não gosta de solidão. Ele gosta de companhia."
Jonas não conseguia se mover, paralisado pelo terror. A criatura estendeu a mão novamente, não com a intenção de atacar, mas de tocar seu rosto. Jonas sentiu o toque frio e úmido na sua bochecha.
O que aconteceu a seguir, Jonas nunca conseguiu explicar. A criatura não o feriu. Ela apenas o olhou por um longo tempo, e depois, com um mergulho suave, desapareceu nas profundezas do oceano.
Jonas voltou para o porto naquela manhã, um homem mudado. Ele nunca mais pescou sozinho, e as histórias dos antigos pescadores ganharam um novo e aterrorizante significado para ele. Ele sabia que o mar esconde segredos que os humanos não podem compreender, e que a solidão no meio do oceano pode ser mais perigosa do que qualquer tempestade.
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