Byrion

Minhas lágrimas vão secar.

Pode ser na imensidão do meu olho, escorrer novamente para minha retina. Podem escorrer para dentro do meu vazio, e lá morrerem sozinhas. Elas podem não ser poupadas pelo meu buraco negro, que já foi minha estrela, meu orgulho. Ou talvez meu coração.

Elas não escaparão, certamente, da minha prosa coxa. Nem dos meus textos tristes. Elas também não se recuperarão da minha raiva, e nem de sua evaporação perante a chama.

Minhas lágrimas estão fadadas a morrer. Todas as minhas netas mais próximas se vão.

Pois minha dor é minha primogênita, e as lágrimas minhas netas. Suas filhas. Minha dor é infértil.

Eu sou avó das minhas lágrimas.

Eu sou mãe da minha dor.

26/06/2013

14h55

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